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BMW corta versões, aposta em IA e prepara carro abaixo do iX3

Plano global prevê elétrico compacto em 2028, redução de 20% nas estruturas de gestão e inteligência artificial do desenvolvimento ao pós-venda.

A BMW decidiu que enfrentar a próxima fase da indústria automotiva exigirá mais do que lançar novos carros. A fabricante vai reduzir modelos e estruturas internas, regionalizar produtos, ampliar o uso de inteligência artificial e concentrar investimentos onde enxerga maior rentabilidade. No meio dessa reorganização aparecem dois novos automóveis e até o fim de uma conhecida configuração do portfólio — mas a mudança mais profunda acontece longe das concessionárias.

O BMW Group apresentou no Capital Market Day 2026 uma ampla reorganização de sua estratégia global, buscando recuperar rentabilidade enquanto enfrenta uma indústria mais competitiva e tecnologicamente complexa.

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A meta é retornar a uma margem EBIT de 8% a 10% no Segmento Automotivo no início da próxima década, depois de uma etapa intermediária de 3% a 5% prevista para 2028. O grupo também pretende alcançar fluxo de caixa livre de pelo menos € 7 bilhões no segmento automotivo.

Para chegar lá, a BMW pretende combinar menos complexidade, maior regionalização dos automóveis e utilização intensiva de inteligência artificial.

Isso terá consequências diretas no portfólio.

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Série 2 Active Tourer ficará sem sucessor

A BMW pretende reduzir a quantidade de variantes para melhorar a rentabilidade de sua gama.

Um dos exemplos já confirmados é o BMW Série 2 Active Tourer, que não terá sucessor.

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A estratégia será selecionar produtos e sistemas de propulsão de acordo com aquilo que oferece maior valor ao cliente e melhores margens de contribuição em cada mercado.

Na parte superior do portfólio, a fabricante pretende explorar mais as marcas BMW, BMW M e Rolls-Royce.

Também chegará no próximo ano o primeiro modelo da BMW ALPINA, inspirado no Série 7 e posicionado estrategicamente entre BMW e Rolls-Royce.

Novo elétrico compacto chega em 2028

No outro extremo da gama haverá uma novidade igualmente importante.

A BMW confirmou para 2028 um novo automóvel totalmente elétrico da Neue Klasse no segmento de entrada, desenvolvido principalmente para o mercado europeu.

A empresa não revelou no material apresentado nome, dimensões, bateria, potência, autonomia ou preço desse futuro modelo.

Portanto, ainda não é possível afirmar qual produto atual ele substituirá ou exatamente onde ficará posicionado.

O que está confirmado é que as tecnologias inicialmente introduzidas no núcleo e nas faixas superiores da BMW chegarão também aos modelos compactos, trabalhando em conjunto com a gama elétrica da MINI.

BMW estuda modelo acima do X7

Nos Estados Unidos, a estratégia segue outra direção.

A BMW avalia criar um novo SAV posicionado acima do X7, desenvolvido especificamente considerando as características do mercado norte-americano.

A decisão ainda está em estudo e, portanto, não deve ser tratada como lançamento confirmado.

A fabricante afirma que sua unidade de Spartanburg, nos Estados Unidos, já opera na capacidade máxima diante da demanda pelos SAVs.

Por isso, também analisa ampliar a regionalização da fabricação desses veículos em outros locais.

China terá até 95% dos BMW produzidos localmente

A regionalização será ainda mais intensa na China.

Com a chegada da Neue Klasse, a BMW pretende ampliar a produção chinesa nos segmentos de maior volume e deixar as importações concentradas principalmente nos modelos com maiores margens.

Até 2030, a meta é que pelo menos 95% dos automóveis comercializados pela companhia naquele mercado sejam produzidos localmente e desenvolvidos especificamente considerando as preferências dos consumidores chineses.

A BMW também estuda utilizar sua estrutura chinesa para exportar automóveis ao Sudeste Asiático.

É uma mudança importante na lógica industrial.

A China deixa de ser apenas um grande mercado consumidor e amplia sua participação como centro de desenvolvimento e potencial base exportadora dentro da estratégia global da fabricante.

IA entra no desenvolvimento do carro

Mas talvez a transformação mais profunda apresentada pela BMW não esteja em nenhum modelo específico.

A empresa pretende levar a inteligência artificial para praticamente toda sua cadeia de valor, passando por desenvolvimento, compras, produção, vendas, marketing e pós-venda.

No desenvolvimento dos automóveis, a BMW pretende utilizar IA agêntica desde a definição dos requisitos técnicos até testes e liberação.

Agentes digitais especializados serão conectados aos dados e sistemas de engenharia acumulados pela companhia.

A proposta é automatizar atividades rotineiras e analisar informações complexas mais rapidamente, mas os resultados continuarão sendo monitorados, revisados e finalmente aprovados pelos desenvolvedores humanos.

Um exemplo já está na parceria com a Mistral AI para simulações de colisão.

A BMW pretende combinar dados próprios de engenharia com modelos especializados de inteligência artificial para aumentar velocidade e eficiência durante o desenvolvimento.

Fábrica terá robôs capazes de aprender

Nas fábricas, a transformação já começou.

A inteligência artificial faz parte da BMW iFACTORY, sendo aplicada em fábricas virtuais, gêmeos digitais, inspeção de qualidade e logística interna com sistemas autônomos.

A próxima etapa prevista envolve agentes digitais realizando tarefas mais complexas e robôs com capacidade de autoaprendizagem.

A BMW chama essa integração entre IA e mundo físico de Physical AI, ou IA Física.

Isso mostra como a inteligência artificial começa a sair do chatbot e entrar diretamente na manufatura.

Depois do carro definido por software vem o carro definido por IA

A BMW também apresentou o conceito de AI-defined vehicle, ou veículo definido por inteligência artificial.

A base será a nova arquitetura elétrica e eletrônica zonal introduzida pela Neue Klasse, que deverá chegar a diferentes segmentos da fabricante.

No veículo definido por software, atualizações e funções digitais possuem papel central.

No conceito apresentado pela BMW, a etapa seguinte procura fazer com que assistência ao motorista, entretenimento, conforto e funções básicas interajam de maneira integrada e contextual.

Isso não significa que a inteligência artificial assumirá automaticamente a condução do automóvel.

A própria BMW mantém seus sistemas descritos como assistência ao motorista dentro do SAE Level 2, nível no qual o condutor continua responsável pela condução.

A expressão “Level 2++” utilizada no material é uma nomenclatura comercial e não constitui um nível adicional formal da classificação SAE.

IA também ajudará a enxugar a própria BMW

A mesma tecnologia utilizada para desenvolver e fabricar os automóveis será aplicada à estrutura corporativa.

A BMW afirma que pretende simplificar processos e reorganizar suas divisões, apoiando-se também no uso de inteligência artificial para aumentar eficiência.

Até meados do próximo ano, o grupo planeja reduzir em 20% o número de divisões e os cargos de gestão associados, com redução comparável em níveis organizacionais inferiores.

A companhia já havia firmado em julho um acordo com seu Conselho de Trabalhadores relacionado a ajustes nas estruturas de pessoal e também prevê um programa de desligamento voluntário.

A transformação digital, portanto, aparece simultaneamente como tecnologia para criar novos produtos e como ferramenta para reduzir complexidade e custos dentro da própria organização.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Existe uma conexão muito interessante entre essa estratégia da BMW e aquilo que estamos acompanhando na transformação da mecânica.

Durante anos falamos sobre o carro definido por software.

Agora a BMW já fala em carro definido por inteligência artificial.

Mas não é apenas o carro que está mudando.

A IA começa no projeto, passa pela simulação de colisão, entra na fábrica, acompanha a logística, chega ao automóvel e pode alcançar o pós-venda.

Isso significa que a transformação tecnológica não pode ser analisada somente olhando para motor, bateria ou potência.

O próprio processo de desenvolver um automóvel está mudando.

Existe ainda uma segunda mensagem importante.

A BMW está reduzindo variantes e escolhendo produtos diferentes para cada região.

China, Europa e Estados Unidos passam a receber estratégias cada vez mais específicas.

Isso sugere que a globalização do automóvel está entrando em uma fase diferente: a plataforma pode ser global, mas produto, tecnologia e produção tornam-se cada vez mais regionais.

E há uma consequência direta para quem trabalha no setor.

Se inteligência artificial e software entram no desenvolvimento, na fábrica e no automóvel, engenheiros, técnicos e mecânicos também precisarão compreender cada vez melhor a relação entre hardware, eletrônica, dados e software.

O parafuso continua existindo.

Mas agora existe um algoritmo trabalhando ao lado dele.

Para acompanhar como inteligência artificial, software e novas arquiteturas estão transformando a engenharia e a mecânica dos automóveis, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • Menos modelos e variantes – A BMW pretende reduzir a complexidade do portfólio; o Série 2 Active Tourer é um dos produtos já confirmados sem sucessor.
  • Elétrico compacto em 2028 – Um novo modelo Neue Klasse chegará ao segmento de entrada com foco principalmente no mercado europeu.
  • 95% locais na China – Essa é a meta mínima para veículos produzidos localmente e desenvolvidos para as preferências dos consumidores chineses até 2030.
  • IA em toda a cadeia – Desenvolvimento, compras, produção, vendas, marketing e pós-venda estão entre as áreas previstas para ampliar o uso da tecnologia.
  • Gestão 20% menor – A BMW pretende reduzir nessa proporção o número de divisões e cargos de gestão associados até meados do próximo ano.
  • Rentabilidade como objetivo – A companhia busca recuperar margem EBIT de 8% a 10% no segmento automotivo no início da próxima década.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • IA agêntica – Sistemas de inteligência artificial capazes de executar sequências de tarefas e interagir com diferentes dados e ferramentas, mantendo no caso descrito pela BMW a revisão e aprovação humana dos resultados.
  • Arquitetura zonal – Organização da eletrônica do veículo por zonas, reduzindo parte da complexidade de módulos e cabeamento e criando uma base mais integrada para funções digitais.
  • Physical AI – Aplicação de inteligência artificial diretamente em sistemas físicos, como robôs e equipamentos industriais capazes de adaptar seu funcionamento.
  • Veículo definido por IA – Conceito apresentado pela BMW no qual diferentes sistemas do automóvel passam a trabalhar de maneira integrada e contextual com inteligência artificial; isso não significa, por si só, condução autônoma.
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