A próxima geração do BMW Série 3 será muito mais do que a renovação de um dos modelos mais importantes da marca. A BMW está investindo cerca de € 2 bilhões na Alemanha para dividir sua produção entre dois caminhos tecnológicos: de um lado, o i3 totalmente elétrico; do outro, versões a combustão e híbridas plug-in. A estratégia revela como a fabricante pretende atravessar a transformação da indústria sem apostar toda a produção em uma única tecnologia — e metade desse investimento está concentrada justamente no componente que será decisivo para o elétrico.
O BMW Group está investindo aproximadamente € 2 bilhões na Alemanha para preparar a produção da próxima geração do BMW Série 3 e ampliar sua capacidade de fabricação de baterias de alta tensão.
Cerca de € 1 bilhão será destinado às fábricas de veículos de Munique e Dingolfing, enquanto aproximadamente outro € 1 bilhão foi aplicado na nova fábrica de baterias de Irlbach-Straßkirchen, na Baixa Baviera.
A estratégia chama atenção porque a oitava geração da família seguirá dois caminhos de propulsão e produção.
Em Munique será fabricado o novo BMW i3 totalmente elétrico.
Dingolfing ficará responsável pelas versões do BMW Série 3 com motor a combustão e sistema híbrido plug-in.
É uma divisão que mostra como a BMW pretende administrar a transição tecnológica: eletrificação integral avança, mas não elimina imediatamente as demais formas de propulsão.
BMW i3 será elétrico da Neue Klasse
O novo i3 será produzido na fábrica-sede da BMW em Munique, que passou por uma ampla transformação para trabalhar exclusivamente com veículos elétricos.
Apesar do nome conhecido, o novo i3 mencionado pela fabricante está inserido na próxima geração tecnológica da BMW e na expansão da Neue Klasse.
O modelo utilizará baterias de alta tensão de sexta geração, montadas na nova unidade de Irlbach-Straßkirchen.
A partir de outubro, essa fábrica começará a fornecer os sistemas de bateria destinados à produção do i3 em Munique.
O comunicado não apresenta nesta etapa capacidade da bateria, autonomia, potência, velocidade de recarga ou demais especificações técnicas do novo modelo.
Portanto, o destaque neste momento está na arquitetura industrial que permitirá sua fabricação.
Série 3 continuará com combustão e híbrido plug-in
Enquanto Munique avança exclusivamente para os elétricos, Dingolfing seguirá uma estratégia diferente.
A fábrica produzirá as versões da nova geração do Série 3 equipadas com motor a combustão e sistema híbrido plug-in.
Para receber os novos veículos, uma linha específica foi adicionada à área de carrocerias.
Nas etapas de pintura e montagem, o Série 3 será integrado ao mix de outros modelos BMW já fabricados na unidade.
Essa flexibilidade permite que uma mesma fábrica trabalhe com diferentes modelos e tecnologias de propulsão, ajustando sua produção conforme a demanda.
A BMW não detalhou nesta divulgação quais motores serão utilizados, potência, capacidade da bateria do híbrido plug-in ou autonomia elétrica.
Metade do investimento vai para baterias
A distribuição dos € 2 bilhões ajuda a mostrar a importância industrial que a bateria assumiu.
Aproximadamente € 1 bilhão foi investido na fábrica de Irlbach-Straßkirchen, responsável pela montagem das baterias de alta tensão de sexta geração.
Isso não significa que todas as etapas de produção das células ocorram nessa unidade. O material divulgado pela BMW especifica que os sistemas de bateria serão montados no local.
A distinção é importante.
Em um veículo elétrico, célula, módulo e bateria completa representam diferentes níveis da cadeia produtiva.
A montagem local do sistema de alta tensão aproxima um componente estratégico da fábrica de veículos e segue o princípio definido pela BMW como “local for local”.
Série 3 chega à oitava geração com 18 milhões produzidos
O investimento também está ligado à importância histórica do modelo.
Desde o início da fabricação, em 1975, aproximadamente 18 milhões de unidades do BMW Série 3 foram produzidas.
Desse total, cerca de 15 milhões saíram de fábricas alemãs.
O Série 3 é produzido continuamente em Munique desde sua estreia e também teve produção em Dingolfing, de maneira intermitente, desde 1980.
Agora, sua oitava geração marcará uma transformação particularmente simbólica.
A fábrica histórica de Munique, com mais de 100 anos, foi modernizada para se tornar uma unidade dedicada exclusivamente à produção de veículos elétricos.
Ao mesmo tempo, a continuidade das versões a combustão e híbridas plug-in será garantida por outra fábrica alemã.
760 localidades de fornecedores entram na operação
A produção da próxima geração também movimentará uma extensa cadeia de fornecimento.
Segundo a BMW, aproximadamente 760 localidades de fornecedores abastecerão as fábricas de Munique e Dingolfing com materiais e componentes.
Mais de 70% dessas localidades de produção estão na Europa e mais de 30% na própria Alemanha.
A fabricante afirma produzir atualmente mais de 1 milhão de veículos por ano em suas fábricas alemãs, volume equivalente a aproximadamente um quarto da produção de automóveis do país, segundo os dados apresentados pela companhia.
Cerca de 55% dos funcionários do BMW Group trabalham na Alemanha.
A estratégia procura, portanto, combinar transformação tecnológica com manutenção de uma extensa cadeia industrial ao redor das fábricas.
México e China também produzirão a nova geração
A estratégia não ficará restrita à Alemanha.
Seguindo o princípio “local for local”, a BMW prevê a produção do i3 e do Série 3 em San Luis Potosí, no México.
Em Shenyang, na China, será fabricada uma versão modificada do Série 3 destinada ao mercado chinês.
A utilização de diferentes polos produtivos permite aproximar a fabricação dos principais mercados consumidores e reduzir parte da complexidade logística de uma operação global.
Ao mesmo tempo, padrões e diretrizes desenvolvidos para a nova geração serão aplicados às diferentes unidades.
Neue Klasse chegará a cerca de 40 modelos
O novo Série 3 será mais uma etapa da disseminação das tecnologias da Neue Klasse pelo portfólio da BMW.
A fabricante afirma que, até o final de 2027, aproximadamente 40 modelos novos ou atualizados terão recebido tecnologias associadas à Neue Klasse.
Isso significa que a Neue Klasse não deve ser entendida apenas como uma família isolada de veículos elétricos.
Tecnologias desenvolvidas dentro dessa nova fase serão progressivamente incorporadas a diferentes produtos da marca.
O Série 3 torna essa estratégia particularmente clara: a próxima geração conviverá com diferentes sistemas de propulsão, mas será desenvolvida dentro de uma transformação tecnológica comum.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O mais interessante nesse investimento de € 2 bilhões não é apenas o tamanho do cheque.
É observar onde a BMW está colocando o dinheiro.
Temos aproximadamente € 1 bilhão nas fábricas responsáveis pelos automóveis e outro € 1 bilhão em uma unidade ligada às baterias de alta tensão.
Isso ajuda a entender como mudou a indústria.
Durante décadas, uma fábrica de motores e transmissões representava parte central da estratégia industrial de uma montadora.
No veículo elétrico, a bateria passa a ocupar uma posição igualmente estratégica.
Mas existe outro aspecto que considero ainda mais importante.
A BMW não está simplesmente encerrando uma tecnologia para começar outra.
Munique será elétrica.
Dingolfing continuará produzindo Série 3 a combustão e híbrido plug-in.
Isso cria uma espécie de laboratório industrial em escala real para aquilo que provavelmente veremos durante esta transição: diferentes tecnologias convivendo dentro de uma mesma geração de automóveis.
Também muda profundamente a mecânica.
Um Série 3 a combustão continuará dependendo de motor, transmissão, lubrificação, arrefecimento e todos os sistemas tradicionais.
O híbrido plug-in acrescenta motor elétrico, eletrônica de potência e bateria de alta tensão a essa equação.
O i3 elétrico reorganiza novamente toda a arquitetura.
São automóveis ligados à mesma família, mas que podem exigir processos industriais, conhecimento técnico e manutenção bastante diferentes.
E talvez seja justamente essa a grande mensagem dessa nova geração do Série 3.
A transformação da indústria não está acontecendo apenas quando um carro elétrico chega às ruas.
Ela começa muito antes, na fábrica, na cadeia de fornecedores e na formação das pessoas que precisarão produzir e manter essas novas tecnologias.
Para acompanhar a transformação da engenharia, da produção e da mecânica dos novos BMW, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- € 2 bilhões – É o investimento aproximado anunciado pelo BMW Group na preparação das fábricas de veículos e na produção de sistemas de baterias na Alemanha.
- Investimento dividido – Cerca de € 1 bilhão vai para Munique e Dingolfing e aproximadamente € 1 bilhão para Irlbach-Straßkirchen.
- 18 milhões de Série 3 – É o volume acumulado informado desde 1975, sendo aproximadamente 15 milhões produzidos na Alemanha.
- Dois caminhos – Munique produzirá o i3 elétrico, enquanto Dingolfing ficará com Série 3 a combustão e híbrido plug-in.
- 760 localidades fornecedoras – Essa será a base de abastecimento das fábricas de Munique e Dingolfing; mais de 70% estão na Europa.
- 40 modelos até 2027 – É a quantidade aproximada de produtos novos ou atualizados que a BMW pretende colocar nas ruas incorporando tecnologias da Neue Klasse.
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- Neue Klasse – Nova geração tecnológica da BMW que reúne avanços em arquitetura veicular, eletrificação e sistemas que serão progressivamente aplicados ao portfólio.
- Bateria de alta tensão – Sistema responsável por armazenar a energia utilizada pela propulsão elétrica; sua montagem envolve componentes e gerenciamento específicos para trabalhar com tensões elevadas.
- Híbrido plug-in – Veículo que combina motor a combustão e propulsão elétrica com uma bateria que pode ser recarregada externamente.
- Local for local – Estratégia de produzir veículos ou componentes próximos aos mercados em que serão utilizados, reduzindo dependências logísticas e regionalizando a cadeia produtiva.

