Caixa-preta para carro já existe nos EUA

Aparelho permite saber quais comandos foram aplicados pelo motorista nos segundos que antecederam um acidente

A conhecida “caixa-preta”, presente em aviões e útil para desvendar motivos de acidentes aéreos, agora pode também auxiliar peritos a descobrir razões de acidentes em automóveis, além de apontar motoristas responsáveis por causar colisões.

Desde 1990, vários carros e caminhões da General Motors e Ford nos EUA vêm equipados com um dispositivo similar à caixa-preta de aviões, tecnicamente conhecida como gravador de dados de vôo. Nos veículos terrestres, ela automaticamente grava velocidade, posição do acelerador, esforço exercido no pedal de freio e rotação do motor durante os cinco segundos antes do ativamento do air bag.

Até hoje, porém, era difícil extrair essas informações do módulo de controle das bolsas. Agora, a Vetronix, empresa da Califórnia, está vendendo um equipamento que conecta o computador de bordo a um laptop e permite rapidamente a recuperação dessas informações. O equipamento de US$ 2,5 mil está sendo vendido a departamentos de polícia, companhias de seguro e locadoras, para ajudar a reconstituir o momento da colisão e a determinar o culpado.

Alguns dos veículos permitem até mesmo que se saiba se os ocupantes estavam usando cinto de segurança e se a bolsa inflável do lado direito estava desativada.

Muitos dos dados que o sistema da Vetronix fornece não são novos, e algumas informações têm sido utilizadas há décadas para reconstituir acidentes nos EUA. No entanto, peritos tinham de recorrer a outras evidências, como marcas de pneus no asfalto.

“Essa tecnologia não está informando nada de novo, mas revela dados de modo mais preciso”, diz Phil Haseltine, presidente da Coligação Automotiva para Segurança.

Ele acredita que com o recurso as montadoras poderão descobrir se os sistemas de segurança do veículo funcionam tão bem em colisões reais como em laboratórios.

Os dados que um perito da polícia ou da seguradora conseguem podem ser utilizados como dura evidência para uso em um processo contra o motorista que tenha sido considerado culpado no acidente, ou como prova de uma vítima numa ação judicial.

“A possibilidade de uso dessas informações de forma intrusiva está aí, e todos nós devemos estar vigilantes para que ninguém faça esse tipo de uso dela”, alerta Haseltine. “Dar essa tecnologia a peritos da polícia significa entrar numa área meio obscura”, ele afirma.

Segundo a General Motors, os dados pertencem ao dono do veículo, e eles não deverão ser utilizados sem seu consentimento.

O desejo de gravar dados para ajudar peritos foi manifestado há três anos pelo Conselho Nacional de Segurança no Transporte (NTSB, na sigla em inglês).

O chamado módulo de air bag gravável vem equipando vários modelos da General Motors desde 1990, mas apenas recentemente os dados de uma bolsa inflável ativada ou quase ativada puderam ser facilmente recuperados. “Esses dados têm valor”, afirma Terry Rhadigan, porta-voz da GM. “Quanto mais soubermos sobre o comportamento de nossos veículos em acidentes reais, mais poderemos avançar no desenvolvimento da segurança deles.”

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