A transferência de tecnologia da Fórmula 1 para os carros esportivos é, agora, instantânea

Para um seleto grupo de ricaços espalhados ao redor do mundo, 2003 pode começar a 350 quilômetros por hora.

Essa é a velocidade máxima do novo modelo da Ferrari, o Enzo, que começará a ser distribuído nos primeiros dias de janeiro.

Fabricado em edição limitada de 399 unidades ao preço de 680.000 dólares, o novo superesportivo é uma homenagem ao criador da empresa, Enzo Ferrari, morto em 1988, faz parte da nova geração de carrões em que a transferência de tecnologia da Fórmula 1 para as ruas é praticamente imediata.

Para gerar essa máquina com motor de 12 cilindros com 660 cavalos, o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, exigiu que um número inédito de técnicos e engenheiros de sua equipe de Fórmula 1 participasse do projeto.

O modelo leva pneus desenvolvidos exclusivamente pela Bridgestone. A Brembo, outra fornecedora da Ferrari nas pistas, adaptou os freios usados nos carros de corrida para o esportivo.

O modelo competição da Enzo possui um controle de tração igual ao dos carros dirigidos por Rubens Barrichello.

Isso permite segurar o carro no freio para aumentar as rotações do motor e só entrar em movimento com a melhor aceleração possível, como se fosse a largada de um grande prêmio.

A fase de testes do Enzo ficou a cargo de ninguém menos que o pentacampeão Michael Schumacher.

“Automóveis como esse estão mais próximos de um Fórmula 1 que de um carro comum”, afirma André Beer, consultor da indústria automobilística.

A história dos carros está repleta de exemplos de adaptação de tecnologias desenvolvidas para aviões ou para um Fórmula 1. A diferença agora é a velocidade da transferência.

Esse era um processo que levava alguns anos para efetivar-se. A suspensão eletrônica surgiu pela primeira vez em 1987, com a Lotus 99T de Ayrton Senna.

A tecnologia, que consiste no ajuste eletrônico da suspensão conforme as variações do terreno pelo qual trafega o carro, foi transferida para os carros de passeio somente em 1989, com o lançamento do Citroën XM.

Assim como o Enzo, outros modelos têm chegado ao mercado para tentar satisfazer os que sonham com as emoções das pistas de corrida. Um deles é o Murciélago, da Lamborghini, lançado em 2002.

Lamborghini Murciélago, lançado em 2002: de zero a 100 quilômetros em 3,8 segundos

Ele custa 273.000 dólares e é capaz de acelerar de zero a 100 quilômetros por hora em apenas 3,8 segundos – quase um Fórmula 1.

Atinge a velocidade máxima de 330 quilômetros por hora. O universo de potenciais compradores de carros superluxuosos à prova de recessão é reduzidíssimo.

Estima-se que apenas cerca de 8.000 pessoas em todo o mundo possam adquirir um Enzo ou um Murciélago independentemente da conjuntura econômica.

Texto base: Adriana Carvalho

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