Com o fim do Inovar Auto em 2017, o Rota 2030 foi concebido com a diretriz de buscar a modernização da frota brasileira e atender exigências internacionais, às quais não eram consideradas pelo antigo programa criado no governo Dilma Rousseff.

O novo programa visa estabelecer regras para os veículos produzidos e comercializados no Brasil nos próximos 15 anos, bem como os investimentos necessários para melhorar toda a cadeia automotiva do Brasil, definição de metas de eficiência energética, itens de segurança que se tornarão obrigatórios e novas tecnologias a serem aplicadas nos veículos.

Divido em três fases, o período de 2018 a 2022 contempla iniciativas onde o governo deverá alcançar uma meta de 12% de avanços em eficiência energética nos veículos do dia a dia e comerciais leves.

A proposta seria uma média de 1,62 MJ/km emitidos por carros de passeio.

Porém, dentre as muitas vertentes do setor automotivo que o Rota 2030 deverá impactar, gostaria de me ater ao que muda (ou não) para o segmento de autopeças.

De uma maneira geral, o programa tem preocupações de fortalecer o desenvolvimento do setor de autopeças, por meio de incentivos como a capacitação da cadeia de fornecedores, realizada em parcerias com a iniciativa privada e pública.

Além disso, podemos esperar um esforço no sentido de simplificar nosso sistema tributário, algo moroso e que acaba impactando negativamente o caixa dos empreendedores do setor.

Outro ponto que devemos considerar é que o programa Rota 2030 estabelece ações que nos levam a um patamar competitivo global, o que nos possibilita pensar em uma estratégia ampla que nos move, de fato, a entrar no hall de fabricantes e revendedores de autopeças globais, com representatividade em países estratégicos.

Por fim, não podemos ignorar o que o futuro nos reserva.

Com o rápido avanço de soluções tecnológicas no setor automotivo, o de autopeças, será impactado.

A busca por eficiência energética impulsionará a produção de veículos elétricos e suas baterias, materiais estruturais de menor peso, além disso, os novos equipamentos obrigatórios de segurança introduzirão uma nova gama de peças e acessórios, entre outras demandas que deverão representar importantes mudanças e necessidade de adaptação por parte de toda a cadeia de suprimentos e profissionais do setor.

Vemos essa tendência fortalecida pela crescente busca do consumo sustentável, principalmente por grande parcela da população mundial mais jovem.

Portanto, você, empreendedor do setor de autopeças brasileiro, deve estar atento à evolução do Rota 2030.

Dessa forma, conseguirá acompanhar as mudanças e buscar vantagens competitivas nesse novo mercado.

* Por Alexandre Ponciano, diretor comercial da Solera Holding Inc., empresa que oferece tecnologias digitais para gerir riscos e ativos no ramo automotivo