Após confirmar o encerramento das negociações com a chinesa Dongfeng, a Lecar afirma ter firmado um novo acordo com uma empresa chinesa especializada em engenharia automotiva para dar continuidade ao desenvolvimento do hatch elétrico Lecar Pop. O memorando de cooperação prevê suporte técnico, transferência de tecnologia, produção inicial na China e futura montagem no Brasil, mas ainda não representa um contrato definitivo de fabricação. A estratégia busca manter vivo o projeto da startup brasileira, que recentemente devolveu os valores de aproximadamente 90% das reservas do híbrido Lecar 459.
A Lecar tenta reorganizar sua estratégia para ingressar efetivamente na indústria automotiva brasileira. Poucos dias após admitir o fracasso das negociações com a Dongfeng, a empresa informou que assinou um novo acordo de cooperação com uma companhia chinesa especializada em engenharia automotiva, desenvolvimento de produtos e implantação de fábricas.
Segundo o fundador da empresa, Flávio Figueiredo Assis, a nova parceira está entre as maiores empresas chinesas do setor de engenharia automotiva e ainda não atua oficialmente no mercado brasileiro. O objetivo é desenvolver o Lecar Pop, futuro hatch compacto 100% elétrico da marca.
O anúncio representa uma mudança importante em relação ao plano anterior. Inicialmente, a Lecar pretendia utilizar um modelo da Dongfeng em sistema white label, comercializando no Brasil um veículo desenvolvido pela fabricante chinesa sob a marca nacional.
Com o encerramento das negociações, a estratégia passou a priorizar uma empresa especializada em engenharia e desenvolvimento industrial, e não uma montadora responsável pela fabricação do veículo.
De acordo com o memorando de cooperação obtido pelo Jornal do Carro, a empresa chinesa prestará suporte técnico, colaborará na adaptação do veículo ao mercado brasileiro, participará da produção inicial na China e auxiliará na futura implantação da fábrica da Lecar no Brasil.
O documento também contempla o desenvolvimento das etapas de montagem em CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), sistemas nos quais os veículos chegam parcialmente desmontados para serem montados localmente.
Apesar do anúncio, o próprio documento estabelece que o memorando possui caráter de cooperação estratégica, servindo como base para futuros contratos comerciais que ainda precisarão ser assinados entre as partes.
Na prática, isso significa que o projeto ainda depende de negociações adicionais, validações técnicas e acordos industriais antes de sua implementação definitiva.
Segundo Flávio Assis, a primeira fase prevê a produção inicial do veículo na China. Posteriormente, a montagem passaria ao regime CKD e, em uma terceira etapa, a produção nacional seria iniciada, com previsão para 2030.
O executivo afirmou ainda que, na segunda quinzena de setembro de 2026, engenheiros da Lecar viajarão para Xangai para realizar testes dinâmicos, validações técnicas e obter autorização para iniciar a produção do modelo ainda este ano.
Caso todas as etapas sejam concluídas com sucesso, a empresa promete divulgar diretamente da China as primeiras imagens oficiais do Lecar Pop, além de anunciar preços e reabrir o programa de pré-reservas.
A nova movimentação ocorre poucos dias após a própria Lecar confirmar que devolveu os recursos pagos por cerca de 90% dos consumidores que haviam reservado o Lecar 459, híbrido flex que seria o primeiro veículo da marca.
Na ocasião, também foi revelado que a parceria anteriormente negociada com a Dongfeng não avançou, encerrando o projeto que utilizaria como base o compacto elétrico Dongfeng Box (Nammi 01).
Mesmo diante das dificuldades, a Lecar afirma manter o objetivo de construir uma fabricante nacional, apostando na transferência de tecnologia chinesa e no desenvolvimento gradual de sua própria capacidade industrial.
O novo acordo representa um avanço institucional para a Lecar, mas ainda está distante de garantir a chegada efetiva de um automóvel ao mercado. A principal diferença em relação ao projeto anterior é que agora a empresa passa a contar com uma parceira de engenharia, e não com uma fabricante responsável pelo fornecimento do veículo. Isso reduz o risco de dependência de uma única montadora, mas também aumenta a complexidade do desenvolvimento.
Outro ponto importante é que o memorando divulgado não possui força contratual equivalente a um acordo definitivo de produção. Na indústria automotiva, memorandos de entendimento (MoU) normalmente formalizam a intenção de cooperação, mas não asseguram investimentos, fabricação ou cronogramas industriais.
A estratégia de iniciar a produção na China, evoluir para CKD/SKD e somente depois fabricar localmente segue um modelo utilizado por diversas montadoras que ingressaram recentemente no Brasil. O desafio da Lecar será transformar esse planejamento em uma operação industrial financeiramente sustentável.
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- CKD (Completely Knocked Down) – Sistema em que o veículo é totalmente desmontado no país de origem e montado na fábrica nacional.
- SKD (Semi Knocked Down) – Processo semelhante ao CKD, porém parte do veículo já chega parcialmente montada, reduzindo a complexidade da montagem local.
- White Label – Modelo comercial no qual um produto desenvolvido por uma empresa é comercializado sob a marca de outra fabricante.
- Transferência de tecnologia – Compartilhamento de conhecimentos técnicos, processos produtivos e engenharia entre empresas para viabilizar produção local.
- Memorando de Entendimento (MoU) – Documento que formaliza a intenção de cooperação entre empresas, sem representar necessariamente um contrato definitivo de fornecimento ou fabricação.


