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Aposta em elétricos custa 8 mil empregos na BMW

Queda nas vendas de EVs nos EUA, após fim do crédito fiscal, também afeta a GM, enquanto híbridos disparam.

A BMW apostou seu futuro em veículos elétricos — e agora está cortando 8 mil empregos para financiar essa aposta. A fabricante anunciou, no fim de julho, o corte de postos ligados à sua linha de produção de elétricos, citando baixa demanda e queda de lucro. As ações da marca caíram cerca de 40% desde o início de 2026.

O pano de fundo é uma guinada regulatória que já discutimos aqui em outra matéria, sobre o recuo da NHTSA em normas de eficiência para caminhões: o governo americano também eliminou o crédito fiscal federal para elétricos em setembro de 2025, decisão com impacto direto e imediato no bolso do consumidor — muito mais que a mudança regulatória sobre motores de caminhão que cobrimos antes.

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A BMW investiu grande parte de seus esforços na linha de elétricos ao longo da última meia década, apostando que essa tecnologia se consolidaria durante os anos 2020. Essa previsão não se confirmou — pelo contrário, a linha elétrica da marca sofreu queda estimada de 41% nas vendas nos EUA frente ao mesmo período de 2025, segundo a Cox Automotive.

Apesar disso, as vendas totais da BMW nos EUA cresceram 13%, puxadas em parte por um salto de 22,9% na oferta de híbridos plug-in frente ao primeiro semestre de 2025 — padrão parecido com o que a Hyundai também vem enfrentando. Há alguma esperança no horizonte: a marca prepara o lançamento do sedã i3 e do SUV iX3 — que já cobrimos aqui em outra matéria, sobre a estreia no Brasil — e ambos já mostram forte demanda. No curto prazo, porém, a BMW está pagando o preço de ter apostado tanto em elétricos.

Por que os elétricos perderam força nos EUA – Mesmo com elétricos melhorando constantemente — mais eficientes, mais acessíveis, com infraestrutura de recarga em expansão gradual —, ainda vai levar tempo até se tornarem escolha predominante no mercado americano.

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O custo total de um carro que geralmente roda menos e recarrega com menos facilidade do que um a combustão mais barato está afastando compradores por enquanto. O custo médio de um elétrico novo nos EUA gira em torno de US$ 55 mil, cerca de US$ 5 mil a mais que um veículo a combustão — diferença que pode ser ainda maior sem um bom incentivo.

Essa diferença era bem menor antes de setembro de 2025, quando era possível economizar até US$ 7.500 via crédito fiscal federal. O governo Trump eliminou o programa citando alto custo de manutenção — decisão que ampliou ainda mais a diferença de preço entre elétricos e carros a combustão. É o principal fator apontado para a queda de 27% nas vendas de elétricos nos EUA no primeiro semestre de 2026, mesmo com incentivos diversos oferecidos pelas próprias montadoras.

Modelos mais recentes, como o sedã BMW i3 (esperado por cerca de US$ 50 mil, com autonomia acima de 640 km), podem ajudar a reverter esse cenário — o que seria bom para a indústria de elétricos como um todo.

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GM também sofre com a demanda fraca – A BMW não é a única prejudicada por focar demais em elétricos. A General Motors descontinuou a grande maioria de seus modelos a combustão nos últimos anos, e hoje só o Chevrolet Corvette E-Ray representa sua linha híbrida — a empresa não oferece nenhum híbrido convencional no restante do portfólio, concentrando-se quase exclusivamente em elétricos.

Como resultado, a GM sofreu queda de 33% nas vendas de elétricos nos EUA no segundo trimestre de 2026, com compradores migrando para outras marcas por falta de opção híbrida nas faixas de preço mais acessíveis.

A empresa já reconheceu a tendência e trabalha em uma linha de híbridos plug-in prevista para chegar em algum momento de 2027, incluindo desde a Chevrolet de entrada até a Cadillac de luxo.

A ascensão dos híbridos pegou de surpresa montadoras tradicionais como BMW, GM e Mercedes-Benz, hoje correndo atrás de uma tendência que subestimaram.

Essa perda representou ganho direto para Hyundai e Toyota, que já apostavam em híbridos como alternativa mais barata e prática que elétricos puros. Mas, como o próprio cenário recente mostra, ficar parado significa retroceder — híbridos estão em alta agora, mas isso não garante que vão continuar assim para sempre.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Fazendo a conta que o material original não faz explicitamente: um elétrico que já custava US$ 5 mil a mais que um carro a combustão, somado à perda do crédito de até US$ 7.500, fez a diferença efetiva de preço para o comprador final quase triplicar de uma hora para outra — é isso que explica um tombo tão abrupto de vendas.

Vale notar o contraste global interessante aqui: a mesma BMW que corta 8 mil vagas por fraca demanda de elétricos nos EUA está lançando o iX3 no Brasil com forte expectativa de vendas, como já mostramos em matéria própria — a demanda por elétricos não está caindo de forma uniforme pelo mundo, está se movendo de forma bem diferente conforme o mercado e a política local de incentivo.

A situação da GM é estruturalmente mais grave que a da BMW: a BMW pelo menos tinha híbridos plug-in para amortecer a queda (crescimento de quase 23%), enquanto a GM descontinuou praticamente toda a linha híbrida e só vai lançar substitutos em 2027 — um ciclo de produto inteiro atrás da concorrência que nunca abandonou os híbridos.

Esse episódio se soma a um padrão que já discutimos em outras coberturas de indústria: apostar toda a estratégia numa única trajetória tecnológica carrega risco real quando o timing de mercado não bate com a aposta — vimos isso também na aposta da Ford na picape Fathom e nas dificuldades da própria Volkswagen com seu Plano Futuro 2030.

Por fim, vale reforçar a ressalva com que a própria reportagem termina: híbridos estarem em alta agora não é garantia de que vão continuar assim para sempre — ciclo de política pública e de preferência de mercado já se inverteu uma vez nessa mesma história, e pode se inverter de novo.

Siga @tarcisiomecanicaonline para acompanhar como essa guinada nos EUA pode afetar o Brasil.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

BMW corta 8 mil vagas ligadas a produção de elétricos: decisão veio no fim de julho, após queda de lucro.

Ações da BMW caíram cerca de 40% em 2026: reflexo direto das dificuldades no mercado de elétricos.

Vendas de elétricos da BMW caem 41% nos EUA: enquanto híbridos plug-in da marca crescem 22,9%.

Fim do crédito fiscal federal de até US$ 7.500: principal fator citado para a queda de 27% nas vendas de elétricos nos EUA.

GM está numa posição ainda mais exposta: só tem o Corvette E-Ray como híbrido, com queda de 33% nas vendas de elétricos.

Hyundai e Toyota saíram na frente: por apostarem cedo em híbridos, enquanto rivais focaram só em elétricos.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

Crédito fiscal para elétricos: incentivo governamental que reduz o valor efetivamente pago pelo comprador de um veículo elétrico, geralmente descontado no preço final ou devolvido via imposto.

Híbrido plug-in (PHEV): veículo que combina motor a combustão e elétrico, com bateria recarregável na tomada, permitindo rodar trechos no modo totalmente elétrico.

Custo total de propriedade (TCO): soma de todos os gastos envolvidos em possuir um veículo ao longo do tempo, incluindo compra, combustível ou energia, manutenção e depreciação.

Ciclo de adoção tecnológica: processo pelo qual uma nova tecnologia ganha aceitação gradual do mercado, influenciado por preço, infraestrutura, política pública e percepção do consumidor — nem sempre seguindo a trajetória prevista pela indústria.

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