sexta-feira, 25 setembro , 2026
29.2 C
Recife

Brasil soma 7,6 milhões de autuações por excesso de velocidade em dois meses

Excesso de velocidade concentra quase metade das 15,9 milhões de infrações informadas para janeiro e fevereiro de 2026; celular e falta do cinto também preocupam.

Em apenas dois meses, o Brasil registrou mais de 7,6 milhões de autuações por excesso de velocidade. O número ajuda a dimensionar um comportamento particularmente preocupante porque velocidade elevada reduz o tempo disponível para reagir e aumenta a gravidade das consequências quando ocorre um sinistro. Celular ao volante e falta do cinto de segurança também aparecem em centenas de milhares de registros.

A Semana Nacional do Trânsito, realizada entre 18 e 25 de setembro, coloca novamente em discussão comportamentos que aumentam os riscos nas ruas e rodovias brasileiras. Entre eles, o excesso de velocidade aparece com números expressivos.

- Publicidade -

Segundo dados do Registro Nacional de Infrações de Trânsito (Renainf), disponibilizados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), foram informadas mais de 7,6 milhões de autuações por excesso de velocidade somente em janeiro e fevereiro de 2026. A Senatran disponibiliza as estatísticas de notificações de penalidade por mês, unidade da Federação e tipo de infração.

O volume corresponde a quase metade das 15,9 milhões de infrações contabilizadas no período, conforme os dados apresentados no levantamento.

Mais do que uma questão relacionada à multa, velocidade é uma variável diretamente ligada ao risco e à gravidade de um sinistro.

- Publicidade -

1% a mais na velocidade média eleva em 4% o risco de sinistro fatal

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existe relação direta entre velocidade média, probabilidade de ocorrência de uma colisão e gravidade das consequências.

A organização aponta que cada aumento de 1% na velocidade média está associado a crescimento de 4% no risco de sinistro fatal e de 3% no risco de sinistro grave.

- Publicidade -

Isso acontece porque velocidade modifica várias etapas de uma situação de emergência. Quanto mais rápido o veículo circula, maior será a distância percorrida enquanto o motorista percebe o perigo e reage, além de aumentar a energia envolvida em uma eventual colisão.

O problema se torna ainda mais crítico para usuários vulneráveis.

De acordo com a OMS, o risco de morte de um pedestre atingido pela frente de um automóvel aumenta 4,5 vezes quando a velocidade passa de 50 km/h para 65 km/h.

Uma diferença de apenas 15 km/h, portanto, pode representar uma mudança expressiva nas consequências de um atropelamento.

Celular soma mais de 600 mil autuações

A velocidade não aparece sozinha entre os comportamentos preocupantes.

Nos dois primeiros meses de 2026, o levantamento apresentado registra 601.349 autuações relacionadas ao uso de celular ao volante.

Nesse caso, o problema está principalmente na distração. Ao direcionar atenção ao aparelho, o motorista divide recursos cognitivos e pode deixar de perceber alterações no trânsito, veículos reduzindo a velocidade, pedestres, motociclistas ou mudanças na sinalização.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aponta que motoristas que utilizam celulares enquanto dirigem apresentam cerca de quatro vezes mais chances de se envolver em um sinistro.

A combinação entre velocidade e distração pode ser especialmente crítica. Enquanto uma reduz o tempo disponível para reagir, a outra pode atrasar justamente a percepção de que uma reação é necessária.

Falta do cinto gera outras 384 mil autuações

Outro dado apresentado para janeiro e fevereiro chama atenção: foram 384.070 autuações por falta do cinto de segurança.

Nesse caso, o equipamento não evita que o sinistro aconteça, mas exerce papel fundamental na proteção dos ocupantes quando ocorre uma colisão.

A OPAS informa que o uso correto do cinto pode reduzir entre 45% e 50% o risco de morte para motoristas e passageiros dos bancos dianteiros. Para ocupantes dos bancos traseiros, a redução no risco de morte e lesões graves indicada pela organização é de 25%.

Isso significa que velocidade, distração e ausência do cinto atuam em etapas diferentes do risco: algumas aumentam a probabilidade ou a gravidade de uma ocorrência, enquanto o cinto atua para reduzir as consequências sobre os ocupantes.

Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024

Os números das autuações ganham peso quando comparados ao cenário da mortalidade viária brasileira.

Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/Datasus) registram 37.150 mortes por sinistros de transporte terrestre no Brasil em 2024, contra 34.881 em 2023.

Isso representa aumento de aproximadamente 6,5% em apenas um ano.

O dado não significa que essas mortes tenham sido provocadas especificamente pelas infrações contabilizadas em 2026. São períodos e bases diferentes. Mas evidencia a dimensão do desafio de segurança viária em um país no qual comportamentos reconhecidamente associados ao risco continuam produzindo milhões de autuações.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Quando observamos 7,6 milhões de autuações por excesso de velocidade em apenas dois meses, é importante não reduzir a discussão ao valor da multa ou aos pontos na habilitação. A questão física é muito mais relevante: velocidade altera o tempo e o espaço disponíveis para evitar uma colisão.

Um veículo a maior velocidade percorre mais metros durante o mesmo intervalo de reação. Depois que o motorista aciona os freios, também existe uma distância necessária para reduzir a velocidade ou parar, influenciada por diversos fatores, como pneus, pavimento e condições do veículo.

Com o celular surge outro problema. Não basta ter bons freios se o motorista demora para perceber que precisa utilizá-los. A distração compromete justamente a etapa inicial da reação: identificar o risco.

Já o cinto trabalha depois que a prevenção falhou e a colisão ocorreu. Sua função é reter o ocupante e reduzir as consequências da desaceleração e do impacto, razão pela qual continua indispensável inclusive em veículos modernos equipados com airbags.

Os três números precisam ser entendidos em conjunto: 7,6 milhões de autuações por velocidade, mais de 601 mil relacionadas ao celular e 384 mil pela falta do cinto mostram comportamentos diferentes, mas todos interferem diretamente na segurança.

Para acompanhar informações sobre segurança viária e entender como velocidade, distração, pneus, freios e sistemas de proteção interferem nos riscos do trânsito, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 7,6 milhões – É o número informado de autuações por excesso de velocidade somente em janeiro e fevereiro de 2026.
  • Quase metade – O excesso de velocidade representa aproximadamente metade das 15,9 milhões de infrações contabilizadas no período, conforme o levantamento apresentado.
  • 601.349 autuações – O uso de celular ao volante também aparece entre os comportamentos de risco registrados nos dois primeiros meses do ano.
  • 384.070 autuações – A falta do cinto de segurança continua gerando centenas de milhares de registros.
  • Velocidade aumenta o risco – Segundo a OMS, cada crescimento de 1% na velocidade média está associado a aumento de 4% no risco de sinistro fatal.
  • 37.150 mortes – Foi o total registrado em 2024 por sinistros de transporte terrestre no Brasil, segundo dados do SIM/Datasus.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • Tempo de reação – Intervalo entre o motorista perceber uma situação de risco e iniciar uma resposta, como acionar os freios.
  • Distância de frenagem – Espaço percorrido depois do acionamento dos freios até a redução desejada da velocidade ou parada do veículo.
  • Energia do impacto – A velocidade influencia fortemente a energia envolvida em uma colisão, ajudando a explicar por que impactos em velocidades maiores tendem a produzir consequências mais graves.
  • Cinto de segurança – Sistema de retenção projetado para manter o ocupante na posição adequada e reduzir seus deslocamentos durante uma colisão.
- Publicidade -

Matérias relacionadas

Modelos Peugeot

Mais recentes

Com a Volvo rumo ao Zero Acidentes – Leblon Transporte de Passageiros

Destaques Mecânica Online

Avaliação MecOn

Mecânica Online® agora no Spotify – informação que acelera seu conhecimento

Para quem gosta de entender o mundo automotivo, o Mecânica Online® Podcast com Tarcisio Dias traz análises técnicas, entrevistas e os principais assuntos da indústria automotiva, de um jeito claro e direto.

Clique aqui para ouvir agora no Spotify!