O Grupo SADA, maior conglomerado de logística e transporte de veículos zero-quilômetro da América Latina, inaugurou nesta terça-feira (1/9) sua primeira base própria de abastecimento de Gás Natural Veicular (GNV) dedicada ao transporte pesado. A estrutura fica no Pátio Carreteiro da Brazul, em São Bernardo do Campo (SP), e integra o Programa de Descarbonização da Frota Pesada da companhia, iniciado em 2024.
Descarbonizar transporte pesado é um problema mais difícil do que descarbonizar carro de passeio: caminhão de longa distância enfrenta limitações reais de autonomia, tempo de recarga e capacidade de carga que a eletrificação total ainda não resolve bem para esse segmento.
O GNV surge como caminho de transição mais imediato — reduz emissões frente ao diesel sem exigir que a frota espere a maturidade da infraestrutura elétrica pesada.
A transição para combustíveis alternativos está ligada ao pilar ambiental da estratégia ASG do Grupo SADA, buscando reduzir emissões de CO₂, material particulado e outros poluentes do transporte rodoviário pesado. A nova base recebeu a certificação Selo Posto GNV Sustentável e foi integrada ao Programa Melhor Ar, atestando cumprimento de normas de segurança e sustentabilidade.
“Este projeto representa um passo concreto na transformação e no amadurecimento das nossas operações. Mais do que uma nova estrutura física, esta base materializa o nosso compromisso com uma logística eficiente, competitiva e sustentável”, afirma Luísa Medioli, diretora de Sustentabilidade do Grupo SADA.
A viabilização do projeto reúne quatro empresas com papéis distintos. O Grupo SADA lidera a operação logística geral e conduz o programa de redução de emissões. A Comgás assegura o fornecimento contínuo de gás natural e a estruturação da rede física de distribuição local. A MWM foi responsável pelo retrofit completo da motorização dos caminhões pesados, adaptando-os para rodar com gás. A General Motors participa como parceira operacional estratégica, impulsionando a demanda e viabilizando o fluxo de escoamento no pátio de São Bernardo do Campo.
“Já temos milhares de veículos rodando a gás no Brasil, e a Comgás chega como parceira para viabilizar a infraestrutura, a oferta de energia e essa transição energética, por meio de um combustível que sabemos que é confiável e disponível”, explica Thiago Borer, head do segmento de Mobilidade da Comgás.
A estrutura foi dimensionada para cobrir toda a demanda diária de abastecimento dos caminhões pesados alocados na unidade. Atualmente, 10 caminhões de grande porte abastecem na base da Brazul, somando-se a outros 25 já ativos a GNV em Betim (MG).
No evento de inauguração, executivos das empresas parceiras destacaram os desafios técnicos superados para integrar a tecnologia de motores ao fornecimento estável de gás. Pelo Grupo SADA, Axel Ribeiro, diretor de Operações, e Marcos Rogério, gerente de Frotas e Oficinas de Veículos Pesados, reforçaram como a infraestrutura de GNV contribui simultaneamente para eficiência operacional e avanço da descarbonização.
“Desenvolvemos um projeto que entrega potência e torque semelhantes aos de um motor a diesel, mas com menor consumo. E, à medida que avançamos na escalabilidade, percebemos também uma boa receptividade de quem conduz esses veículos, que muitas vezes preferem dirigir o caminhão a gás. É um veículo mais confortável, com menos vibração”, afirma Cristian Malevic, vice-presidente de Energia, Descarbonização e Economia Circular da MWM.
O Grupo SADA seguirá monitorando indicadores de consumo e redução de emissões, com objetivo de subsidiar a expansão da infraestrutura própria para outras rotas logísticas estratégicas do país.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Vale uma precisão técnica importante: o GNV reduz emissões frente ao diesel, mas não é combustível livre de emissões — é gás natural, ainda de origem fóssil. A descarbonização aqui é de grau (menos CO₂ e particulado por quilômetro), não eliminação total, diferente do que aconteceria com eletrificação plena.
O relato sobre conforto do motorista — menos vibração, boa receptividade de quem dirige o caminhão a gás — é um fator de adoção tecnológica pouco falado, mas real: retenção e satisfação de motorista pesam no custo operacional de uma frota tanto quanto consumo de combustível, então esse detalhe não é acessório, é argumento de negócio.
A estrutura de parceria — SADA operando, Comgás fornecendo gás, MWM fazendo o retrofit, GM como parceira de demanda — mostra que descarbonização de frota pesada raramente é projeto de uma empresa só; normalmente exige cadeia de fornecedores coordenados, cada um resolvendo uma parte específica do problema.
Em números absolutos, 35 caminhões a GNV (10 em São Bernardo do Campo mais 25 em Betim) ainda é operação-piloto, mesmo para o maior conglomerado de logística da América Latina — o anúncio é relevante como prova de conceito e infraestrutura, não como conversão de frota em larga escala ainda.
Isso conecta com outra matéria que já cobrimos aqui, sobre a estratégia de veículos comerciais definidos por software da ZF: caminhão só gera receita rodando, então qualquer tecnologia de transição precisa provar viabilidade operacional imediata, não só benefício ambiental de longo prazo — e é exatamente esse o argumento que sustenta a aposta em GNV para esse segmento específico.
Siga @tarcisiomecanicaonline para saber se a base de GNV do Grupo SADA vai se expandir para outras rotas do país.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
Primeira base própria de GNV da SADA: localizada no Pátio Carreteiro da Brazul, em São Bernardo do Campo (SP).
Parceria reúne quatro empresas: SADA (operação), Comgás (fornecimento de gás), MWM (retrofit dos motores) e GM (demanda operacional).
35 caminhões já rodam a GNV: 10 na base de São Bernardo do Campo e 25 em Betim (MG).
Retrofit da MWM mantém potência e torque: com consumo menor que o motor a diesel original, segundo a empresa.
Motoristas relatam mais conforto: menos vibração no caminhão a gás, segundo executivo da MWM.
Base recebeu certificações de sustentabilidade: Selo Posto GNV Sustentável e integração ao Programa Melhor Ar.
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende
GNV (Gás Natural Veicular): combustível fóssil gasoso usado em veículos adaptados, que emite menos CO₂ e material particulado do que o diesel na combustão, mas ainda não é uma fonte livre de emissões.
Retrofit (motor): processo de adaptar um motor já existente para funcionar com um combustível ou tecnologia diferente da original, sem trocar o veículo por completo.
Material particulado: partículas sólidas ou líquidas liberadas na queima de combustíveis, associadas a problemas respiratórios quando inaladas em excesso.
Estratégia ASG (ambiental, social e governança): conjunto de práticas de uma empresa voltadas a impacto ambiental, responsabilidade social e transparência de gestão, usado como referência para avaliar sustentabilidade corporativa.

