Fernando de Noronha ganhou novos reforços para fortalecer a economia circular no arquipélago. Além do Forte Noronha e da Dix Aeroportos, a Covestro e a montadora GWM acabam de entrar no Protect Paradise, projeto que dá destinação correta a resíduos na ilha.
Ilhas turísticas como Fernando de Noronha vivem uma tensão conhecida: quanto mais visitantes, mais resíduo gerado, em um lugar com espaço e infraestrutura limitados para lidar com isso. É justamente esse problema que o Protect Paradise, criado em 2021, tenta resolver — e a chegada de novos parceiros corporativos amplia a capacidade operacional do projeto.
O projeto, desenvolvido pela startup Green Mining em parceria com a marca Corona no arquipélago, recebe embalagens plásticas, que são recicladas e transformadas em novos objetos em um contêiner no centro da ilha, abastecido por energia solar.
Com a chegada do TANK 300, híbrido plug-in da GWM, a oficina ganha mobilidade para acontecer em diferentes locais — escolas, eventos e centros educacionais. A tecnologia V2L (Vehicle-to-Load) permite que o veículo funcione como fonte móvel de energia para os equipamentos de reciclagem, dispensando gerador a diesel separado.
O carro também passa a integrar a logística de coleta de garrafas de vidro da Corona em bares e restaurantes parceiros, encaminhando o material para reciclagem no continente.
O veículo é recarregado no próprio contêiner, com energia de painéis solares — o que reduz o uso de combustíveis fósseis e a emissão de poluentes durante a operação. Depois de recolhido, o vidro entra na logística reversa da Green Mining, que acompanha o material da coleta até a indústria recicladora no continente, buscando garantir que as garrafas separadas nos estabelecimentos realmente voltem à cadeia produtiva.
Desde o início da atuação em Fernando de Noronha, o Protect Paradise já encaminhou mais de 7,5 toneladas de plástico e 12,7 toneladas de vidro para reciclagem, além de produzir mais de 30 mil objetos a partir de material reaproveitado localmente.
“Quando criamos o Protect Paradise, a ideia era muito clara: proteger lugares como Fernando de Noronha com uma solução concreta para os resíduos gerados ali. As novas parcerias reforçam esse propósito ao ampliar a estrutura necessária para que o vidro recolhido nos estabelecimentos tenha o destino correto”, afirma Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining.
Segundo ele, para a reciclagem acontecer de verdade, toda a cadeia precisa funcionar de forma integrada — não basta separar corretamente, é preciso logística eficiente para retirar o material com agilidade e segurança. “O TANK 300, da GWM, combina tecnologia, robustez e versatilidade, características que se conectam diretamente à eficiência que uma operação de logística reversa exige”, completa Oliveira.
“Fernando de Noronha é um ambiente especialmente relevante para demonstrar a aplicação de tecnologias voltadas à eficiência energética e à mobilidade sustentável. Por meio do V2L, o Tank 300 amplia as possibilidades de uso da energia armazenada em sua bateria e reforça, na prática, a estratégia multienergia da GWM”, afirma Ricardo Bastos, diretor de Assuntos Institucionais da GWM.
A Green Mining, criada em 2018, é uma das startups selecionadas mundialmente pela Ambev no programa 100+ Accelerator. Já coletou e encaminhou para reciclagem mais de 16,7 milhões de quilos de embalagens pós-consumo, evitando a emissão de 22 milhões de quilos de CO₂. É membro do Pacto Global da ONU e fundadora da Abelore (Associação Brasileira de Logística Reversa), com participações na COP26, COP29 e no Fórum Econômico Mundial de 2023, em Davos.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O uso do V2L aqui não é gesto de marketing, resolve um problema logístico real: numa ilha com infraestrutura elétrica limitada, usar o próprio carro de transporte como fonte de energia para a oficina móvel evita a necessidade de um gerador a diesel separado — menos equipamento, menos combustível fóssil, mesma função.
Esse caso conecta diretamente com outra matéria que já cobrimos aqui, sobre a tecnologia V2L do Volvo EX30: lá era um anúncio de recurso via atualização de software; aqui, é a tecnologia já em uso real, resolvendo um problema concreto de operação — um bom exemplo de V2L saindo do discurso e indo para a prática.
Os números de reciclagem (7,5 toneladas de plástico, 12,7 de vidro) são modestos em escala absoluta, mas fazem sentido para o porte de Fernando de Noronha — ilha pequena, com fluxo de turistas limitado por política de preservação ambiental, então o volume de resíduo gerado também é proporcionalmente menor do que em uma cidade grande.
A menção à “estratégia multienergia” da GWM é consistente com o que já vimos em outra cobertura, a entrevista com o engenheiro Daniel Tortella sobre a abordagem da marca de não apostar em uma única tecnologia de propulsão, e sim em combustão, híbrido e elétrico simultaneamente, conforme a aplicação.
Vale registrar que o sucesso desse tipo de logística reversa depende tanto da tecnologia quanto da adesão dos estabelecimentos parceiros — o carro resolve o transporte, mas a separação correta do material na origem (bares e restaurantes) continua sendo passo fundamental que a tecnologia sozinha não substitui.
Siga @tarcisiomecanicaonline para saber mais sobre outras aplicações reais da tecnologia V2L no Brasil.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
Covestro e GWM entram no Protect Paradise: somando-se a Forte Noronha e Dix Aeroportos como parceiros do projeto na ilha.
TANK 300 usa tecnologia V2L: o híbrido plug-in vira fonte móvel de energia para equipamentos de reciclagem.
Veículo também coleta vidro da Corona: integrando a logística reversa de bares e restaurantes parceiros na ilha.
Recarga feita com energia solar: o próprio contêiner da oficina é abastecido por painéis solares.
Mais de 7,5 toneladas de plástico e 12,7 de vidro recicladas: resultado acumulado do Protect Paradise em Fernando de Noronha desde 2021.
Mais de 30 mil objetos produzidos: a partir do material reaproveitado localmente na ilha.
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V2L (Vehicle-to-Load): tecnologia que permite usar a energia armazenada na bateria de um veículo elétrico ou híbrido para alimentar equipamentos externos, como uma tomada elétrica comum.
Logística reversa: processo de recolher um produto ou material após seu uso e destiná-lo corretamente, seja para reciclagem, reaproveitamento ou descarte adequado, fechando o ciclo da cadeia produtiva.
Estratégia multienergia: abordagem de uma montadora que oferece simultaneamente veículos a combustão, híbridos e elétricos, em vez de apostar em uma única tecnologia de propulsão.
Economia circular: modelo econômico que busca reaproveitar materiais e reduzir desperdício, mantendo produtos e recursos em uso pelo maior tempo possível, em vez do padrão tradicional de extrair, produzir e descartar.


