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Pneu Dunlop promete durar 17% mais e gastar menos
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Pneu Dunlop promete durar 17% mais e gastar menos

Testes com o ENASAVE EC350+ apontam menor resistência ao rolamento, maior durabilidade e frenagem mais curta em piso molhado.

Por Redação Mecânica Online®
9 min

Um pneu pode ajudar a reduzir o consumo de combustível, aumentar a quilometragem percorrida antes da substituição e melhorar a frenagem? Testes apresentados pela Dunlop indicam que sim, embora os resultados dependam das condições de utilização. O ENASAVE EC350+, na medida 205/60R16 92H, registrou resistência ao rolamento 18% menor e expectativa de durabilidade 17,4% superior à de um concorrente. Em outra avaliação, apresentou distância de frenagem 0,64 metro menor em piso molhado. Os resultados foram obtidos em ensaios realizados entre 2024 e 2025, incluindo avaliações em laboratórios e pistas de testes, e demonstram como a engenharia dos pneus pode influenciar diretamente eficiência, custos de manutenção e segurança.

Os pneus estão entre os componentes mais importantes de um automóvel porque são responsáveis pelo contato direto com o pavimento.

Além de transmitir as forças de aceleração e frenagem, eles precisam oferecer aderência, estabilidade, conforto e baixa resistência ao movimento, características que nem sempre são simples de conciliar.

Para demonstrar o desempenho do ENASAVE EC350+, a Dunlop divulgou resultados de diferentes avaliações técnicas, destacando a estrutura de seu laboratório instalado na fábrica de Fazenda Rio Grande, no Paraná.

A unidade possui laboratório acreditado pelo Inmetro para ensaios abrangidos por seu escopo de acreditação, utilizando procedimentos padronizados e rastreáveis.

18% menos resistência ao rolamento: o que significa?

Um dos resultados apresentados pela Dunlop envolve a resistência ao rolamento, parâmetro que influencia a energia necessária para movimentar um automóvel.

Nos ensaios conduzidos conforme a norma internacional ISO 28580, o ENASAVE EC350+ registrou resistência ao rolamento 18% menor que a do Goodyear Efficient Grip SUV, ambos na medida 205/60R16 92H.

Os testes foram realizados no primeiro trimestre de 2024, em laboratório acreditado pelo Inmetro e no laboratório da Dunlop em Kobe, no Japão.

As condições utilizadas incluíram:

  • Carga aplicada: 504 kg por pneu.
  • Pressão de inflação: 210 kPa, aproximadamente 30,5 psi.
  • Velocidade do ensaio: 80 km/h.
  • Diâmetro do tambor de testes: 2.000 mm.

A resistência ao rolamento está relacionada à energia dissipada principalmente pelas deformações do pneu durante seu funcionamento.

Quanto menor essa resistência, menor tende a ser a energia exigida para manter o deslocamento, considerando as demais condições equivalentes.

Reduzir em 18% a resistência ao rolamento, porém, não significa reduzir o consumo total de combustível em 18%.

O automóvel também utiliza energia para vencer a resistência aerodinâmica, acelerar sua massa e alimentar sistemas auxiliares.

Economia estimada pode chegar a 4,7% de gasolina

A Dunlop apresentou uma estimativa conceitual segundo a qual a menor resistência ao rolamento poderia representar redução de 4,7% no consumo de gasolina.

A fabricante também menciona potencial de diminuição de 150 a 180 kg nas emissões anuais de CO₂.

Esses valores não devem ser confundidos com resultados medidos diretamente em um teste de consumo do automóvel.

O benefício real dependerá de fatores como peso do veículo, velocidade, percurso, calibragem, temperatura, estilo de condução e quilometragem anual.

Em viagens rodoviárias de velocidade elevada, por exemplo, a resistência aerodinâmica assume participação maior no consumo energético.

Já em determinadas condições urbanas, peso, acelerações e frenagens também influenciam significativamente a eficiência.

Por isso, a redução da resistência ao rolamento representa um indicador técnico favorável, mas a economia em reais somente poderá ser determinada considerando o automóvel e sua utilização efetiva.

Teste de durabilidade apontou 12.888 km adicionais

Outro resultado divulgado envolve a vida útil estimada do pneu.

Em maio de 2024, a TMT Engenharia Automotiva realizou uma avaliação de quilometragem a pedido da Dunlop, utilizando um Citroën C4 Cactus Feel 2023.

O teste comparou o ENASAVE EC350+ com o Goodyear Efficient Grip SUV, na mesma medida 205/60R16 92H.

Segundo os resultados apresentados, o pneu Dunlop apresentou uma quilometragem esperada ao final de vida 17,4% superior.

A diferença correspondeu a 12.888 km adicionais, considerando a projeção baseada no sulco de menor profundidade.

Esse detalhe é importante porque o indicador representa uma estimativa de vida útil obtida pelo método de ensaio, e não a garantia de que todos os consumidores percorrerão exatamente essa distância adicional.

Na utilização cotidiana, o desgaste depende também de alinhamento, balanceamento, pressão dos pneus, características do pavimento e hábitos de condução.

Frenagem em piso molhado foi 64 centímetros menor

A capacidade de frenagem também foi analisada pela Dunlop Europa, em agosto de 2025, no campo de provas da IDIADA, na Espanha.

Os ensaios utilizaram um Volkswagen T-Cross 1.5, equipado com pneus na medida 205/60R16 92H.

Diferentemente das avaliações anteriores, o concorrente utilizado como referência foi o Giti Synergy E1.

Em piso molhado, com frenagem iniciada a 80 km/h, o ENASAVE EC350+ registrou parada em 46,38 metros, enquanto o modelo de referência precisou de 47,02 metros.

A diferença foi de 0,64 metro a favor do Dunlop.

No piso seco, a avaliação começou a 100 km/h e apresentou resultados mais próximos.

CondiçãoDunlop ENASAVE EC350+Giti Synergy E1
Molhado, 80 a 0 km/h46,38 m47,02 m
Seco, 100 a 0 km/h39,41 m39,56 m
Vantagem no molhado0,64 m—
Vantagem no seco0,15 m—

Os resultados foram obtidos em condições específicas de teste.

A diferença de frenagem pode mudar conforme temperatura, tipo de pavimento, profundidade da água e características do automóvel.

Ainda assim, a avaliação demonstra que diferenças aparentemente pequenas na aderência podem alterar a distância necessária para parar o veículo.

Em situações de emergência, essa distância pode fazer diferença.

Resultados precisam ser interpretados separadamente

Os três indicadores apresentados pela Dunlop demonstram características distintas de desempenho.

IndicadorResultado divulgadoPneu de comparação
Resistência ao rolamento18% menorGoodyear Efficient Grip SUV
Durabilidade estimada17,4% superiorGoodyear Efficient Grip SUV
Frenagem no molhado0,64 m menorGiti Synergy E1

Todos os testes utilizaram pneus na medida 205/60R16 92H, mas foram realizados com metodologias, veículos ou equipamentos diferentes.

Portanto, não seria correto reunir os percentuais e concluir que o Dunlop supera todos os concorrentes em qualquer condição.

Os resultados permitem avaliar o desempenho nas situações documentadas, servindo como referências técnicas para o consumidor.

Laboratório acreditado pelo Inmetro fica no Paraná

A Dunlop mantém um laboratório de ensaios na fábrica de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba.

A estrutura é utilizada para avaliações técnicas dos pneus produzidos pela empresa.

A acreditação do Inmetro reconhece a competência do laboratório para executar os ensaios contemplados no escopo autorizado.

Isso envolve metodologias padronizadas, controle dos equipamentos, rastreabilidade das medições e procedimentos de qualidade.

É importante distinguir dois conceitos: a acreditação do laboratório comprova competência técnica para determinados ensaios, enquanto a certificação ou o registro de um produto trata de sua conformidade com requisitos aplicáveis.

Uma estrutura acreditada não significa que qualquer resultado divulgado pela empresa esteja automaticamente coberto pela acreditação.

No caso dos ensaios do ENASAVE EC350+, a Dunlop também utilizou instalações no Japão e avaliações externas realizadas por empresas especializadas.

A estratégia permite comparar resultados obtidos por diferentes métodos e estruturas de testes.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O desenvolvimento de pneus envolve um dos compromissos técnicos mais complexos da engenharia automotiva: reduzir a resistência ao rolamento sem comprometer aderência, frenagem e durabilidade.

Durante o funcionamento, a banda de rodagem e as laterais sofrem deformações contínuas. Parte da energia utilizada nesse processo é dissipada na forma de calor, fenômeno relacionado à histerese dos materiais.

A engenharia utiliza compostos de borracha, reforços estruturais e desenho da banda de rodagem para controlar esse comportamento.

O desafio está no fato de que melhorar uma característica pode afetar outras. Um composto desenvolvido exclusivamente para reduzir a resistência ao rolamento, por exemplo, não necessariamente apresentará o melhor desempenho de aderência em todas as condições.

Por isso, os resultados de consumo, desgaste e frenagem precisam ser avaliados em conjunto.

A redução de 18% na resistência ao rolamento apresentada pela Dunlop é relevante, mas a estimativa de 4,7% de economia de combustível não deve ser tratada como resultado garantido para qualquer automóvel.

Da mesma forma, os 12.888 quilômetros adicionais de vida útil representam uma projeção do ensaio de desgaste, sujeita às condições reais de utilização.

Na segurança, a vantagem de 64 centímetros em piso molhado merece atenção, embora uma avaliação mais completa também possa considerar aquaplanagem, comportamento em curvas e estabilidade em diferentes tipos de pavimento.

Outro aspecto importante para o consumidor brasileiro é a manutenção. Um pneu tecnicamente eficiente pode perder parte de suas vantagens quando trabalha com pressão inadequada, desalinhamento ou desgaste irregular.

O melhor pneu não é necessariamente aquele que apresenta o maior destaque em um teste isolado, mas o que consegue oferecer equilíbrio entre segurança, eficiência, durabilidade e custo ao longo de sua utilização.

Para acompanhar testes de pneus, segurança automotiva, tecnologias de eficiência e engenharia de veículos, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 18% – Redução de resistência ao rolamento frente ao Goodyear Efficient Grip SUV.
  • 17,4% – Maior quilometragem estimada na comparação de desgaste.
  • 12.888 km – Diferença projetada na vida útil do pneu.
  • 0,64 metro – Redução da distância de frenagem no molhado frente ao Giti Synergy E1.
  • 4,7% – Potencial conceitual de economia de gasolina, não comprovado em teste de consumo do veículo.
  • 205/60R16 92H – Medida utilizada nas comparações.
  • Fazenda Rio Grande – Localização do laboratório Dunlop acreditado pelo Inmetro.
  • ISO 28580 – Norma utilizada como referência para os ensaios de resistência ao rolamento.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • Resistência ao rolamento – Força que se opõe ao movimento do pneu em razão principalmente das deformações de sua estrutura.
  • Histerese – Dissipação de parte da energia durante os ciclos de deformação e recuperação dos materiais do pneu.
  • Índice de carga 92 – Classificação que corresponde à capacidade máxima de 630 kg por pneu nas condições especificadas.
  • Índice de velocidade H – Classificação de pneu com velocidade máxima nominal de 210 km/h, respeitadas as condições de utilização.
  • Acreditação laboratorial – Reconhecimento formal da competência técnica de um laboratório para realizar determinados ensaios e medições.

Pneu Dunlop promete durar 17% mais e gastar menos
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