A BYD apresenta nesta noite, durante a Index Bahia, o desenvolvimento de seu motor híbrido flex, uma solução criada para atender às particularidades do mercado brasileiro ao unir eletrificação e uso de etanol como vetor energético sustentável.
A participação no evento reforça o papel da empresa na reindustrialização da Bahia, com destaque para sua operação em Camaçari, que já reúne mais de 4 mil colaboradores, sendo a maioria mão de obra local qualificada.
O projeto evidencia uma estratégia clara de adaptação tecnológica ao Brasil, considerando fatores como a matriz energética limpa, a ampla oferta de etanol e os desafios estruturais de um país com dimensões continentais.
O sistema híbrido flex foi concebido para equilibrar eficiência energética e autonomia, oferecendo uma alternativa viável ao consumidor diante da ainda limitada infraestrutura de recarga elétrica em diversas regiões do país.
Segundo a empresa, o Brasil exige soluções específicas e não apenas tecnologias importadas, o que levou a BYD a desenvolver uma abordagem própria, alinhada à realidade de uso e às condições locais de abastecimento.
O sistema utiliza a tecnologia DM-i (Dual Mode Intelligence), que permite operação predominantemente elétrica em trajetos urbanos, reduzindo consumo e emissões em deslocamentos do dia a dia.
Em modelos como o BYD Song Pro, a autonomia elétrica pode chegar a 110 km, o que cobre grande parte dos deslocamentos urbanos sem a necessidade de uso do motor a combustão.
Em viagens mais longas, o motor a combustão entra em operação de forma complementar, podendo atuar como gerador de energia para a bateria ou trabalhar em conjunto com o motor elétrico em situações de maior demanda.
O desenvolvimento do sistema levou cerca de 18 meses e mobilizou mais de 120 profissionais, incluindo equipes locais e fornecedores brasileiros, evidenciando o esforço de nacionalização tecnológica.
A engenharia promoveu reforços estruturais para suportar as características do etanol, incluindo adaptações em componentes internos como pistões, garantindo durabilidade e eficiência no uso contínuo.
Outro avanço importante foi a criação de uma nova ECU (unidade de controle do motor), responsável por gerenciar a mistura combustível-ar, otimizar o desempenho e garantir o funcionamento adequado em diferentes condições.
A estratégia da BYD contraria parte da indústria que vem reduzindo investimentos em motores flex, apostando em uma solução que combina eletrificação com combustível renovável amplamente disponível no Brasil.
A iniciativa também reforça o papel do país como polo estratégico dentro da operação global da empresa, ampliando sua relevância no desenvolvimento de soluções voltadas para mercados emergentes.
A presença na Index Bahia amplia o debate sobre mobilidade sustentável, reunindo especialistas e executivos para discutir os caminhos da indústria automotiva em um cenário de transição energética acelerada.
A empresa defende o etanol como um ativo estratégico para descarbonização, e sua integração com sistemas eletrificados surge como uma solução intermediária eficiente e adaptada à realidade nacional.
A proposta busca acelerar a adoção de veículos de menor impacto ambiental, mantendo ao mesmo tempo a viabilidade prática para o consumidor brasileiro em termos de custo e infraestrutura.
“A estratégia da BYD mostra uma leitura técnica consistente do mercado brasileiro, ao integrar eletrificação com o uso do etanol, criando uma solução híbrida mais aderente à realidade local e potencialmente mais eficiente do ponto de vista energético”, afirma Tarcisio Dias, editor do Mecânica Online®.
O movimento indica uma nova fase da indústria automotiva no país, com maior foco em soluções regionalizadas e tecnicamente adaptadas às necessidades específicas do mercado brasileiro.
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Sistema híbrido flex: tecnologia que combina motor elétrico com motor a combustão compatível com etanol e gasolina.
DM-i: sistema híbrido da BYD que prioriza o uso do motor elétrico para maior eficiência.
ECU: unidade eletrônica responsável pelo controle do funcionamento do motor.

