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Bugatti volta a empolgar com o Destrier, exemplar único de 1.600 cv

A marca francesa surpreende o mercado global com um modelo exclusivo de proporções extremas e motor W-16, enquanto o setor automotivo brasileiro registra alta nas importações e avanço cauteloso dos eletrificados.

A Bugatti apresentou no Concurso de Elegância de Pebble Beach o Destrier, um hipercarro exemplar único equipado com o motor W-16 de 8 litros, quatro turbos e 1.600 cv de potência. Quais são os detalhes técnicos desta máquina exclusiva e o panorama atual das importações e da eletrificação no mercado brasileiro segundo a coluna do especialista Fernando Calmon?

Coluna Fernando Calmon nº 1.414 — 11/8/2026 – Apresentação deste hipercarro está marcada para o próximo dia 16 no consagrado Concurso de Elegância de Pebble Beach, na Califórnia (EUA). Esta exposição é considerada a mais prestigiosa do mundo para premiar veículos antigos e clássicos. Por que um automóvel tão extraordinário quanto moderno poderia ser admitido? A resposta foi antecipada pelo site da revista inglesa Autocar.

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Destrier inspira-se no exemplo do Bugatti Type 57SC Atlantic, de 1936, que se valia da mesma arquitetura de um carro de pista, mas apresentava uma carroceria tão bonita que entrou para a história do automóvel. Conta com o aperfeiçoado monobloco de compósito fibra de carbono da única unidade do Bugatti La Voiture Noire, de 2021, que agora teve seu estilo modernizado. Utiliza o mesmo W-16, 8-litros, quatro turbocompressores, 1.600 cv, 163 kgf·m, capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em estimados 2,4 s, marca extraordinária para um motor a combustão mesmo depois de cinco anos.

Contudo, o fabricante francês ainda não revelou todos os dados técnicos, inclusive potência, torque e tempo dessa aceleração do seu novo modelo, certamente mais leve.

Trata-se do automóvel de menor altura — apenas um metro — já construído pela marca francesa, sediada em Molsheim. O diretor de Estilo, Frank Heil, resumiu: “Destrier nos levou às proporções mais extremas que já criamos, limitando a busca incansável pelo efeito-solo (sucção aerodinâmica) em favor de uma escultura pura.”

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Seu preço estimado, que não será divulgado, deverá superar os US$ 20 milhões (mais de R$ 100 milhões).Só estará autorizado a circular em pistas de competição ou em gramados de concursos de elegância. Entretanto, a empresa britânica Lanzante adaptou recentemente o único exemplar de cinco anos atrás ao uso em vias públicas e repetiria essa possibilidade, se o futuro proprietário assim desejasse.

Destrier, em francês, significa um cavalo grande, jovem, forte e muito veloz.

Importados crescem 25,7% até julho; estoque continua alto

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Nos primeiros sete meses do ano, 344,1 mil veículos leves e pesados foram importados, resultado 25,7% superior a igual período do ano passado. Os que vieram da China (basicamente automóveis e SUVs) mais que dobraram (105,4%). Argentina, tradicional exportadora para o Brasil dentro do cenário de complementação de produção de modelos entre os dois países, recuou 16,7%. Em números absolutos, de janeiro a julho, foram 180,5 mil produtos chineses e 101,1 mil argentinos. Já as exportações brasileiras continuaram caindo: 20,8% no mesmo período.

Estoque de importados continua bastante elevado e fora de padrões históricos: 360.000 unidades correspondentes a 142 dias (quase cinco meses) de vendas, contra 21 dias dos modelos nacionais, segundo a Anfavea. Maior parte dos veículos estocados provém da BYD que aproveitou incentivos do Governo Federal para importação em massa de elétricos e híbridos desde 2022 e vem bancando custos agregados. A marca chinesa mantém preços altamente competitivos e nem se intimida com taxa básica de juros muito alta, o que afeta os financiamentos.

BYD defende que incentivos fiscais terminem em janeiro do próximo ano, conforme já estabelecido, sem beneficiar outros entrantes (da China ou não), que chegaram “atrasados”. A empresa está correta neste caso e mantém sua previsão de ser a primeira do mercado brasileiro em 2030 (hoje é a quarta). Já o Grupo Chery e suas várias marcas somadas — Omoda, Jaecoo, Icaur, Lepas, Exeed, Luxeed, Freelander e Jetour — têm como meta a liderança em 2031, quando segundo suas projeções o Brasil poderia absorver até cinco milhões de veículos por ano, 70% a mais que hoje.

Otimismo quanto às vendas de veículos leves e pesados em 2026, independentemente do período de eleições de agora a outubro, continua mantido pela Anfavea: mais 12,1% sobre 2025. Este percentual fica acima dos 8% previstos pela Fenabrave. Em relação à produção, sustentáculo para os empregos, o Brasil foi o segundo país que mais cresceu de janeiro a julho deste ano: 8,8%, atrás apenas da Índia, 14,5%. Nos primeiro sete meses de 2026, mesmo a China, maior mercado do mundo, recuou sua produção em 4% e os EUA, menos 11,7%.

Elétricos avançam, mas ainda com vendas “calmas”

Estatísticas frias demonstram muitas vezes o que se deseja ressaltar e podem destacar aspectos tanto pessimista quanto otimista ou até o meio-termo. A palavra “eletrificados”, por exemplo, não deixa às claras de que se trata da soma de elétricos aos três tipos de híbridos: básicos ou semi-híbridos, plenos e plugáveis. Também se precisa levar em conta que bases comparativas muito baixas, costumam esconder distorções.

Anfavea afirma: “Há um ano, elétricos e híbridos somados não chegavam a 11% das vendas. No acumulado do ano, o crescimento é de 120,8%. Só os elétricos puros emplacaram 25,8 mil unidades no mês de julho, maior número da série histórica”. Tudo verdadeiro, mas ressalvas fazem-se necessárias.

Basta ver como as vendas de veículos leves ficaram distribuídas de janeiro a julho deste ano: gasolina, 2,8%; diesel, 9,3% (basicamente picapes médias e alguns SUVs); híbridos, 5,9%; híbrido plugável, por coincidência, também 5,9%; elétricos, 7,2%; flex, 68,9%. Ou seja, os 120,8% representam bases comparativas baixas demais. Ainda há muita margem para os elétricos crescerem, pois são ótimos no uso urbano. Todavia, nem tanto para viagens em estradas, considerando que distâncias no Brasil dificultam instalar redes de recarga, à exceção principal da rodovia presidente Dutra que liga as duas maiores cidades do País e que dá acesso a 36 municípios ao longo de seus 402 km.

ICaur vai estrear com quatro SUVs em 2027

Marcas chinesas continuam a demonstrar grande interesse no mercado brasileiro. A mais nova, ICaur, faz parte do conglomerado Chery, porém terá operação de forma independente do grupo brasileiro Caoa Chery. Previsão de estreia é o primeiro trimestre do próximo ano. Todos os modelos serão SUVs e focados nos segmentos superiores de preços. O visual aposta em linhas retas, consagradas há décadas pela inglesa Land Rover, porém destacando estilo moderno e atraente.

Estratégia começa por importação e, posteriormente, produção local em cronograma a definir. Ainda será decidido se construirá uma fábrica inteiramente nova ou negociará com uma já existente. Hoje há três unidades fabris paradas: Toyota, em Indaiatuba (SP), Caoa Chery, em Jacareí (SP) e Land Rover, em Itatiaia (RJ).

O SUV de entrada, V23, é um modelo elétrico tradicional (porte do Renegade), de 136 cv, tração traseira, caixas de rodas pronunciadas e um compartimento externo na tampa do porta-malas (de abertura lateral) para guardar cabos de carregamento elétrico ou acessórios de trilha. Colunas traseiras não são envidraçadas.

Modelos intermediários V25 e V27 são elétricos de alcance estendido (EREV, em inglês) que afastam preocupações de recarga de bateria em caso de viagens. A concorrente chinesa Leapmotor já oferece aqui esta solução (SUV C10). Icaur V27 deve chegar primeiro ao mercado com um motor a combustão 1.5 turbo de 154 cv que funciona exclusivamente para acionar um gerador de energia, enquanto os motores elétricos ficam responsáveis por movimentar as rodas.

Versão mais potente do V27 terá nada menos que 455 cv, tração 4×4 e alcance de até 1.200 km no sempre bastante otimista valor de medição chinês. No ciclo brasileiro Inmetro as homologações são bem próximas do uso real. Como referência, o BMW iX3, de 459 cv, a ser lançado na próxima semana, considerado o elétrico de maior alcance, aparece na tabela oficial com distância média percorrível de 570 km.

V29, topo de linha, mais de cinco metros de comprimento, também EREV, ainda não teve pormenores anunciados.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • Apresentação do Bugatti Destrier em Pebble Beach, hipercarro único com motor W-16 de 1.600 cv e altura de apenas um metro.
  • Crescimento de 25,7% nas importações brasileiras de veículos no acumulado de janeiro a julho de 2026, com forte predominância de produtos chineses.
  • Estoques elevados de importados, alcançando 360 mil unidades (cerca de 142 dias de vendas), impulsionados principalmente pela operação da BYD.
  • Estreia da ICaur no Brasil prevista para o início de 2027, trazendo quatro SUVs eletrificados de alto padrão com linhas inspiradas em clássicos off-road.
  • Crescimento da produção nacional de veículos em 8,8% no período, colocando o Brasil na segunda posição global em expansão fabril, atrás da Índia.
  • Análise realista da eletrificação, demonstrando que os motores flex e a combustão ainda dominam o mercado enquanto a infraestrutura de recarga avança lentamente.

Mecânica Online® — Mecânica do jeito que você entende

  • Efeito-solo (sucção aerodinâmica): Fenômeno físico onde o fluxo de ar sob o veículo gera baixa pressão, colando o automóvel ao solo para maximizar a aderência em altas velocidades.
  • Veículo de autonomia estendida (EREV): Automóvel movido por motores elétricos nas rodas, equipado com um motor a combustão dedicado exclusivamente a gerar eletricidade para as baterias.
  • Concurso de Elegância: Evento internacional de prestígio voltado para a exibição, avaliação e premiação de veículos clássicos, antigos ou protótipos exclusivos de altíssimo luxo.
  • Condução e estabilidade ativa: Conjunto de calibrações dinâmicas e auxílios eletrônicos projetados para manter o controle direcional do veículo sob condições extremas de torque.
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