A IEA Bioenergy Task 39, a SAE Brasil e a Sociedade de Bioenergia (SBE) promovem, de 8 a 10 de setembro, o “Biofuels for Decarbonization of Land Transport – Industry Hearing”, no Estado de São Paulo. O evento reúne especialistas, pesquisadores, executivos da indústria, universidades e formuladores de políticas públicas para discutir o papel dos biocombustíveis sustentáveis na descarbonização do transporte terrestre.
O encontro vai acontecer no Instituto Agronômico de Campinas, com visitas técnicas a organizações de referência nos setores de bioenergia e mobilidade. O objetivo é entregar à COP31 uma síntese executiva técnica e institucional que tenha o transporte terrestre como ponto de partida.
O recorte não é aleatório: o transporte terrestre responde por boa parte das emissões globais de gases de efeito estufa, mas, diferente da aviação civil e da navegação marítima, não conta com governança internacional própria. Isso torna sua agenda mais fragmentada, com desafios regulatórios, estratégias regionais distintas e múltiplas rotas tecnológicas concorrendo entre si.
“A construção de caminhos efetivos para a descarbonização exige evidências, cooperação internacional e soluções adaptadas às características de cada região”, afirma Camilo Adas, conselheiro de Tecnologia e Transição Energética da SAE Brasil.
A programação trata os biocombustíveis líquidos sustentáveis como complementares à eletrificação e à eficiência energética, e não como alternativas concorrentes — abordagem que considera a permanência de parte relevante da frota e da infraestrutura atual durante a transição.
“É o efeito esteira: o esforço garante a segurança energética, mas ainda não avança na mesma medida a segurança climática, por isso precisamos acelerar e diversificar as soluções”, explica Glaucia Mendes Souza, coordenadora brasileira da IEA Bioenergy Task 39.
No dia 8 de setembro, acontece o simpósio internacional, aberto ao público, com painéis sobre o panorama global dos biocombustíveis, o estado da arte das principais rotas tecnológicas, as estratégias da indústria automotiva e o ambiente de regulação e infraestrutura.
No dia 9, restrito a convidados, haverá visitas técnicas ao Centro de Tecnologia Canavieira, em Piracicaba, e à Toyota do Brasil, em Sorocaba.
No dia 10, também fechado, acontece o Industry Hearing propriamente dito, reunindo especialistas brasileiros e estrangeiros em torno de quatro eixos: compatibilidade combustível-motor; infraestrutura e mercado; normas e políticas públicas; e modelos de negócio e financiamento.
“Biocombustíveis são muito importantes para o Brasil não só para os setores que os produzem, mas também para as empresas automobilísticas, de máquinas e equipamentos”, aponta Heitor Cantarella, presidente da SBE.
A abertura do simpósio, no dia 8, terá participação prevista de Claudio Castro (presidente da SAE Brasil), Rashmi Urdhwareshe (SAE Índia), Frank Menchaca (SAE International) e Erasmo Carlos Battistella, chairperson do evento e diretor-presidente da Be8.
O primeiro painel do dia trata do panorama global dos biocombustíveis, com participação de representantes da JAMA (associação japonesa de montadoras), da Agência Internacional de Energia (IEA) e da Global Biofuels Alliance. Em seguida, é lançado o factsheet de biodiesel, pela ABIOVE.
O segundo painel aborda o estado da arte de etanol, biodiesel, biometano e diesel renovável, com representantes da Abiove, da UNICA e da Geo Biogás & Carbon, seguido do lançamento do factsheet de biometano.
À tarde, o terceiro painel reúne montadoras e fornecedores para discutir roteiros tecnológicos em veículos leves, pesados e agrícolas — com participação de Toyota (híbridos flex a etanol), Scania (biometano), John Deere (biocombustíveis no agronegócio) e Bosch. Também é lançada a BBEST 2027.
O quarto e último painel do dia trata de regulação, certificação e infraestrutura, com representantes do BNDES, do Politecnico di Torino e do U.S. Grains & Bioproducts Council.
O evento tem patrocínio institucional de Bosch, Mercedes-Benz, Toyota e U.S. Grains & Bioproducts Council, além de apoio de entidades como Abimaq, Sindipeças, Anfir e o Instituto MBCBrasil, entre outras.
As inscrições são exclusivas para a programação aberta do dia 8, disponíveis no site da SAE Brasil. As atividades dos dias 9 e 10 são restritas a convidados, sem inscrição aberta ao público.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A presença conjunta de Bosch, Mercedes-Benz e Toyota como patrocinadoras mostra que esse não é um evento acadêmico isolado, é uma discussão com peso real da indústria automotiva global.
O conceito de “efeito esteira”, citado por Glaucia Mendes Souza, é uma boa síntese técnica de um problema real: garantir energia não é o mesmo que garantir clima, e os dois avançam em ritmos diferentes.
A tese central do evento — biocombustíveis como complemento à eletrificação, não concorrente — conversa diretamente com o que já vimos em outras coberturas recentes, como os sistemas de range extender a etanol apresentados pela Horse Powertrain no Simea.
Vale registrar que o público em geral só tem acesso ao dia 8: as discussões mais técnicas, nos dias 9 e 10, acontecem em formato fechado, o que significa que o conteúdo mais aprofundado só deve chegar ao público por meio da cobertura de imprensa ou das recomendações finais divulgadas depois.
A conexão explícita com a COP31 dá ao evento um peso além do técnico: as recomendações produzidas em Campinas devem alimentar diretamente o debate climático internacional.
O ponto mais relevante da proposta, porém, é a lacuna de governança que justifica o evento: aviação civil e navegação marítima têm organismos internacionais próprios coordenando metas de descarbonização, enquanto o transporte terrestre — que emite mais GEE que os dois setores somados — segue sem uma instância equivalente, dependendo de acordos fragmentados entre países e blocos regionais.
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Evento internacional em São Paulo: organizado pela IEA Bioenergy Task 39, SAE Brasil e SBE, de 8 a 10 de setembro, no Instituto Agronômico de Campinas e em visitas técnicas.
Simpósio aberto ao público em 8 de setembro: reúne painéis sobre panorama global de biocombustíveis, rotas tecnológicas e estratégias da indústria automotiva.
Visitas técnicas restritas em 9 de setembro: ao Centro de Tecnologia Canavieira, em Piracicaba, e à Toyota do Brasil, em Sorocaba.
Industry Hearing fechado em 10 de setembro: reúne especialistas brasileiros e estrangeiros para consolidar recomendações técnicas em quatro eixos.
Contribuição para a COP31: as recomendações do evento vão subsidiar o debate internacional sobre descarbonização do transporte terrestre.
Patrocínio institucional de peso: Bosch, Mercedes-Benz, Toyota e U.S. Grains & Bioproducts Council apoiam o evento.
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Biocombustível: combustível produzido a partir de fontes renováveis, como cana-de-açúcar, óleos vegetais ou resíduos orgânicos, usado como alternativa aos combustíveis fósseis.
Descarbonização: processo de redução das emissões de carbono de um setor ou atividade, buscando substituir fontes de energia mais poluentes por alternativas de menor impacto ambiental.
Diesel renovável: combustível quimicamente muito parecido com o diesel fóssil, mas produzido a partir de matérias-primas renováveis, compatível com motores diesel convencionais sem necessidade de adaptação.
Rota tecnológica: conjunto de tecnologias e processos escolhidos para alcançar um objetivo, como a redução de emissões; no transporte, inclui alternativas como eletrificação, biocombustíveis e hidrogênio.

