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Curitiba recebe 37 ônibus articulados Scania

Leblon Transportes investe mais de R$ 70 milhões na maior renovação de frota de sua história, com pacote de segurança pioneiro no transporte urbano brasileiro e carroceria Marcopolo.

A Scania acaba de fechar uma das maiores vendas de ônibus articulados da sua história recente para uma única operadora no Brasil — mas o detalhe mais interessante dessa negociação nem é o número de veículos, é um recurso de segurança que nunca tinha sido vendido antes para frota urbana no país.

Em coletiva virtual acompanhada pela Mecânica Online®, a Scania anunciou a venda de 37 ônibus articulados 6×2, com carroceria Marcopolo, para a Leblon Transportes, operadora da região metropolitana de Curitiba, negociação fechada pela concessionária paranaense Cotrasa.

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Para a Scania, o momento tem peso simbólico: Curitiba sempre foi mercado historicamente fechado no segmento, símbolo nacional do sistema BRT (Bus Rapid Transit). A marca já havia entregado, este ano, os primeiros articulados a gás do país, em Goiânia — agora chega a Curitiba com articulado a diesel, padrão Euro 6.

Segurança: o pacote pioneiro no transporte urbano

O diferencial mais chamativo do negócio é o investimento da Leblon no pacote de segurança ativa (ADAS) da Scania — segundo a montadora, a primeira vez que esse pacote é vendido para frota urbana no Brasil, até então mais comum em transporte rodoviário.

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O pacote inclui frenagem automática de emergência (AEB), funcional mesmo em baixa velocidade urbana, e sensor lateral de alerta de usuário vulnerável: quando pedestre ou ciclista é detectado numa área de embarque, sinalização luminosa acende no painel e o sistema impede o motorista de arrancar o veículo enquanto o alerta estiver ativo — resposta direta a um tipo de acidente já conhecido, em que pessoa é atingida ao lado do ônibus no momento da partida.

Recursos como piloto automático adaptativo e alerta de saída de faixa, mais úteis em rodovia, fazem menos sentido no uso urbano da Leblon, mas o AEB e o alerta de usuário vulnerável foram considerados prioridade pela operadora, certificada recentemente na norma ISO 39001, de segurança viária.

As linhas onde os ônibus vão operar

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Os 37 articulados vão operar duas linhas na região metropolitana de Curitiba. A primeira, tronco-alimentadora (20 unidades, na cor branca padrão), sai de Fazenda Rio Grande direto ao terminal do Pinheirinho, sem parada, com embarque só pela porta traseira e intervalo de 2 a 3 minutos entre veículos.

A segunda, chamada “Ligeirão” Curitiba–Fazenda Rio Grande (17 unidades, na cor vermelha padrão dos biarticulados), segue pela BR-116 até acessar a Linha Verde, com portas dos dois lados do veículo, passando por estação tubo até chegar ao centro de Curitiba.

Os novos veículos têm 21 metros de comprimento, 48 bancos e capacidade total próxima de 160 passageiros. Também vêm com ar-condicionado — novidade cultural para Curitiba, cidade historicamente resistente ao recurso por causa do clima mais frio, com temperatura controlada centralmente pelo órgão gestor, sem acesso do motorista ao controle.

Investimento e financiamento

Segundo Haroldo Isaak, diretor da Leblon, o investimento na frota completa (37 unidades, substituindo integralmente os 37 veículos mais antigos) supera R$ 70 milhões. A primeira parte foi paga via consórcio, sem financiamento bancário; a segunda fase, com mais 12 a 13 unidades adicionais previstas, está sendo planejada com financiamento — possivelmente via programa Refrota, já que a linha de crédito do Move Brasil já estaria integralmente alocada para outros projetos, segundo o próprio empresário.

Uma empresa com décadas de pioneirismo

A Leblon soma décadas de atuação no setor — o material da coletiva menciona tanto “43 anos de empresa” quanto “50 anos”, possivelmente referindo-se a marcos distintos da história familiar; vale registrar essa imprecisão sem forçar uma data única. Haroldo Isaak comanda a operação há mais de 20 anos.

A empresa se descreve como pioneira em certificação ISO 9001 no transporte por ônibus no Brasil, também certificada na ISO 14001 (ambiental) e, mais recentemente, na ISO 39001 (segurança viária) — certificação citada como motivação direta para o investimento em ADAS. A Leblon também já recebeu premiação da ANTP por qualidade em gestão de transporte.

A relação com a Scania não é nova: a empresa já foi cliente da marca em 1997 (compra de 12 unidades do modelo L94, para a primeira linha metropolitana de Curitiba) e novamente a partir de 2007. Hoje, a frota pesada da Leblon é majoritariamente Volvo — que está sendo substituída pelos novos Scania —, enquanto veículos menores seguem sendo Volkswagen.

Por que não elétrico? A resposta de Haroldo Isaak

Questionado diretamente pela Mecânica Online® sobre sua leitura da eletrificação no transporte rodoviário, Haroldo Isaak foi direto: para a operação metropolitana da Leblon, elétrico não faz sentido econômico hoje. Segundo ele, um ônibus da empresa roda até 700 km por dia — muito acima da autonomia atual de elétrico (na faixa de 250 a 300 km por carga), o que exigiria múltiplos veículos para cobrir o trabalho de um só, encarecendo a operação várias vezes.

Segundo o empresário, o próprio governo do estado do Paraná já reconheceu essa limitação: o edital de licitação do sistema metropolitano não inclui elétrico como opção. Para ele, a tecnologia pode fazer mais sentido em linha curta de centro urbano — cenário diferente do que a Leblon opera.

Haroldo também levantou preocupação com o descarte futuro de bateria, chamando atenção para o que classificou como possível “passivo ambiental” — ponto de vista pessoal do empresário sobre o tema, não consenso técnico estabelecido.

Biometano como alternativa real

Mais interessante que a rejeição ao elétrico foi a abertura de Haroldo ao biometano: o aterro sanitário que recebe o lixo de toda a região metropolitana de Curitiba (19 cidades) fica a cerca de 2 km da sede da Leblon, em Fazenda Rio Grande — e a autorização para produção de biometano ali foi liberada cerca de 15 dias antes da coletiva. Segundo Haroldo, a proximidade torna essa rota tecnológica atrativa, e há conversa em andamento com a própria Scania sobre uso futuro do biometano na frota.

Rogério Moro, da Scania, complementou o raciocínio: além da viabilidade financeira e da limitação de autonomia, há também dependência de infraestrutura pública para viabilizar elétrico em escala — o que reforça, segundo ele, um cenário “eclético” de convivência entre diesel, biometano e elétrico no Brasil, cada tecnologia aplicada onde faz mais sentido.

O que vem a seguir

A entrega oficial da frota ao governador do Paraná estava marcada para o dia seguinte à coletiva, às 9h. Das 37 unidades, 25 já estão em fase de entrega; as outras 12 seguem em produção, com chassi previsto para outubro/novembro e conclusão entre dezembro e janeiro. Mais 12 a 13 unidades adicionais já estão praticamente garantidas dentro do lote de licitação da Leblon, dependendo do desfecho do processo licitatório do sistema metropolitano, hoje suspenso.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O alerta de usuário vulnerável é, na minha leitura, o ponto mais importante tecnicamente de toda essa negociação: impedir fisicamente a arrancada do ônibus enquanto há risco detectado ao lado do veículo ataca diretamente um tipo de acidente urbano grave e recorrente — não é recurso genérico de marketing, é resposta a um problema real e documentado.

Esse caso conecta diretamente com outra matéria nossa recente, sobre a renovação de frota da Princesa dos Campos e Cantelle com ônibus Volvo: lá, vimos pacote de Segurança Ativa parecido (frenagem de emergência, alerta de ponto cego) sendo vendido como diferencial competitivo — aqui, a Scania está fazendo o mesmo movimento, mas dando um passo além ao incluir especificamente proteção para pedestre e ciclista na área de embarque, algo que a Volvo não detalhou daquela forma na matéria anterior.

A resposta de Haroldo sobre eletrificação merece registro como visão qualificada de operador real, não teórica: a conta de autonomia por quilometragem diária (700 km/dia vs. 250-300 km por carga) é argumento concreto, não resistência genérica à tecnologia — e a abertura simultânea ao biometano, justamente pela proximidade geográfica de um aterro sanitário, mostra que a posição dele não é “anti-eletrificação” de forma ampla, é avaliação específica de custo-benefício para o caso dele.

A frase de Moro sobre “futuro eclético” resume bem um padrão que já documentamos em várias coberturas nossas — da BMW mantendo cinco motorizações simultâneas no X5 à parceria de hidrogênio da Toyota com a Scania: cada vez mais a indústria assume que não existe tecnologia única vencedora, e sim aplicação certa para cada operação.

A menção ao financiamento via Refrota, já que a linha do Move Brasil estaria esgotada, conecta com o que já vimos em outra matéria sobre o programa Move Brasil impulsionando renovação de frota de ônibus — mostra, na prática, como a demanda por esse tipo de linha de crédito está aquecida o suficiente para já esgotar orçamento disponível em determinados projetos.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

Scania vende 37 articulados 6×2 para a Leblon Transportes: negociação fechada pela concessionária Cotrasa, com carroceria Marcopolo.

Pacote ADAS é vendido pela primeira vez para frota urbana no Brasil: com destaque para o alerta de usuário vulnerável, que impede a arrancada do ônibus em situação de risco.

Investimento total supera R$ 70 milhões: cobrindo a substituição integral das 37 unidades mais antigas da frota.

Elétrico não entra no edital do sistema metropolitano de Curitiba: por limitação de autonomia frente à quilometragem diária operada.

Biometano desponta como alternativa real para a Leblon: por causa da proximidade de aterro sanitário recém-autorizado a produzir o combustível.

Mais 12 a 13 unidades adicionais já estão praticamente garantidas: dependendo do desfecho da licitação do sistema metropolitano, hoje suspensa.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

ADAS (Advanced Driver Assistance Systems): conjunto de sistemas eletrônicos que auxiliam o motorista na condução, como frenagem automática de emergência e alerta de colisão, usando sensor, radar e câmera.

AEB (Automatic Emergency Braking): função que aciona o freio do veículo automaticamente quando detecta risco iminente de colisão e o motorista não reage a tempo.

Consórcio (financiamento): modalidade de aquisição em que um grupo de participantes contribui mensalmente para formar fundo comum, usado para contemplar a compra de bens como veículo, sem incidência de juro de financiamento tradicional.

Linha tronco-alimentadora: estrutura de transporte público em que ônibus menores (alimentadores) trazem passageiro até um terminal, de onde ônibus de maior capacidade (tronco) seguem em trajeto direto até o destino final.

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