Uma máquina de construção parada não produz — e descobrir rapidamente por que ela parou pode exigir muito mais do que saber trocar componentes. Quatro profissionais da Tracbel colocaram esse conhecimento à prova contra equipes de vários países e terminaram entre a elite mundial do pós-venda da Volvo Construction Equipment. O resultado brasileiro ganha outra dimensão quando se observa quantos profissionais começaram a disputa e a pequena parcela que conseguiu chegar à final na Suécia.
O Grupo Tracbel conquistou o oitavo lugar mundial no Masters 2025/2026 da Volvo Construction Equipment, competição técnica voltada aos profissionais de pós-venda da fabricante.
A equipe foi também a latino-americana mais bem colocada na edição.
Realizada em Eskilstuna, na Suécia, a final reuniu 69 participantes distribuídos em 14 equipes de 11 países. A vitória ficou com a equipe da Polônia.
Chegar à decisão já representava uma seleção bastante restrita.
Segundo as informações divulgadas pela Tracbel, apenas 2,3% dos profissionais participantes das etapas do Masters chegaram à final mundial.
Competição começou com 3 mil profissionais
O Masters 2025/2026 mobilizou 3 mil profissionais de 347 cidades e 89 países, abrangendo todos os continentes.
Promovida a cada dois anos, a competição avalia competências diretamente relacionadas ao atendimento de equipamentos de construção.
Os participantes enfrentam desafios envolvendo diagnóstico, solução de problemas, conhecimento dos produtos, trabalho em equipe e desempenho sob pressão.
Não basta, portanto, conhecer os componentes de uma máquina.
As provas exigem raciocínio rápido, controle emocional, precisão e integração entre os integrantes da equipe.
Essa combinação reproduz um dos principais desafios encontrados no atendimento de equipamentos pesados: diagnosticar corretamente antes de decidir qual intervenção realizar.
Quatro profissionais representaram a Tracbel
A equipe brasileira foi formada por Cláudio Fernandes de Menezes, Alexandre Rodrigues de Souza, Joao Vitor Gomes Anunciação e Jandiely Luiz Pinheiro.
Para Rafael Ribeiro, diretor de pós-venda da Tracbel, os desafios apresentados na competição estão diretamente relacionados à rotina desses profissionais, especialmente na necessidade de conseguir precisão no diagnóstico e rapidez na solução de problemas.
A preparação, segundo o executivo, não acontece apenas nos meses anteriores ao campeonato.
Ela é resultado de treinamento contínuo, compartilhamento de experiências e atualização técnica.
Esse ponto ganha importância à medida que máquinas de construção incorporam mais eletrônica, sistemas hidráulicos controlados eletronicamente, sensores e recursos digitais.
O profissional de manutenção precisa compreender como diferentes sistemas trabalham em conjunto para encontrar a verdadeira origem de uma falha.
Na máquina pesada, tempo parado vira custo
Existe uma diferença importante entre o pós-venda de uma máquina de construção e o atendimento de muitos veículos de passeio.
Uma escavadeira, carregadeira ou outro equipamento pesado é também uma ferramenta de produção.
Quando está parada por falha ou manutenção não programada, deixa de executar a atividade para a qual foi adquirida.
Por isso, velocidade no atendimento não significa simplesmente trabalhar mais rápido.
Um diagnóstico incorreto pode levar à substituição desnecessária de componentes, aumentar o tempo de imobilização e não eliminar a causa original do problema.
A eficiência do pós-venda depende da capacidade de identificar a falha corretamente e encontrar uma solução adequada no menor tempo possível.
É nesse contexto que as competências avaliadas pelo Masters deixam de ser apenas habilidades de competição e passam a ter aplicação direta na operação dos clientes.
“Esse resultado demonstra o alto nível de preparo e conhecimento técnico de nossos profissionais, o que se traduz diretamente em mais qualidade, agilidade e confiabilidade no atendimento aos nossos clientes”, afirma Gidalto Santos, CEO do Grupo Tracbel.
Segundo o executivo, a empresa mantém investimentos em capacitação buscando aumentar a disponibilidade e a produtividade das máquinas atendidas.
O mecânico de máquinas também está mudando
A competição mostra ainda uma transformação importante na profissão.
A imagem do mecânico de equipamentos pesados exclusivamente associado a ferramentas, desmontagem e substituição de componentes representa apenas parte do trabalho atual.
Diagnósticos modernos exigem uma combinação de conhecimento mecânico, hidráulico, elétrico e eletrônico.
Além de compreender fisicamente o funcionamento da máquina, o técnico precisa interpretar sintomas e informações para descobrir qual sistema está provocando determinada anomalia.
Quanto mais integrados ficam os equipamentos, maior é a importância de entender a relação entre diferentes sistemas, em vez de analisar cada componente isoladamente.
Por isso, conhecimento técnico e capacidade de diagnóstico passam a ser tão importantes quanto habilidade manual.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Existe uma palavra que considero fundamental quando falamos de manutenção de máquinas pesadas: disponibilidade.
O cliente não compra uma escavadeira simplesmente para possuir uma máquina.
Ele compra capacidade de produzir.
Quando esse equipamento para, existe uma cadeia inteira que pode ser afetada.
É por isso que uma competição como o Masters fica interessante quando deixamos de olhar apenas para a classificação.
O oitavo lugar mundial e a melhor colocação latino-americana são resultados importantes, mas o que realmente chama atenção é aquilo que está sendo avaliado.
Diagnóstico.
Raciocínio.
Conhecimento do produto.
Trabalho em equipe.
Precisão sob pressão.
Essas competências mostram como mudou a profissão de quem trabalha com manutenção.
A máquina continua tendo motor, transmissão, sistema hidráulico, rolamentos, bombas, válvulas e estruturas mecânicas.
Só que agora tudo isso convive com sensores, módulos eletrônicos e sistemas de controle cada vez mais integrados.
O bom profissional não pode simplesmente perguntar qual peça apresentou defeito.
Ele precisa descobrir por que aquela falha aconteceu.
Essa diferença pode significar horas — ou até dias — a menos de equipamento parado.
E é justamente aí que treinamento técnico deixa de ser apenas um investimento em pessoas e passa a ser também um investimento na produtividade do cliente.
Para acompanhar como tecnologia, diagnóstico e capacitação estão transformando a manutenção de máquinas e veículos, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 8º lugar mundial – A equipe da Tracbel terminou entre as melhores do Masters 2025/2026 da Volvo Construction Equipment.
- Melhor da América Latina – Foi a equipe latino-americana mais bem posicionada na competição.
- 3 mil participantes – O ciclo da edição mobilizou profissionais de 347 cidades e 89 países.
- Apenas 2,3% chegaram à final – A decisão em Eskilstuna reuniu uma parcela pequena dos profissionais envolvidos nas etapas da competição.
- 69 finalistas – A etapa mundial teve 14 equipes representando 11 países, com vitória da Polônia.
- Diagnóstico é produtividade – Em equipamentos utilizados para produção, identificar corretamente uma falha ajuda a reduzir o período de máquina imobilizada.
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- Diagnóstico – Processo de identificar a causa de uma falha a partir de sintomas, medições, testes e informações dos diferentes sistemas da máquina.
- Disponibilidade – Indicador relacionado ao período em que uma máquina está em condições de trabalhar; paradas para falhas ou manutenção afetam diretamente sua utilização.
- Sistema hidráulico – Conjunto que utiliza fluido pressurizado para transmitir força e movimentar diferentes componentes de uma máquina.
- Pós-venda – Estrutura de suporte oferecida depois da aquisição do equipamento, envolvendo manutenção, diagnóstico, peças, assistência e relacionamento técnico.

