Mecânico de confiança é fundamental em tempos de crise

Muitas oficinas de consertos automotivos cobram preços abusivos ou até mesmo por serviços totalmente desnecessários, principalmente quando o cliente é leigo e não tem interesse em acompanhar os reparos

Todo cuidado é pouco na hora de fazer um serviço no seu carro. A dica é pedir pelo menos três orçamentos porque o mercado está abarrotado de profissionais que cobram valores abusivos e por serviços desnecessários.

E mais: muitas vezes cobram por peças originais quando, na verdade, instalam produtos do mercado paralelo ou, o que é pior, recondicionados. Fique atento porque, depois de tudo isso, você ainda poderá descobrir que nada foi feito no seu automóvel e que ele saiu da oficina exatamente como entrou, quebrado. Aí, você passa a acreditar que um mecânico de confiança vale ouro, principalmente, em tempos de crise.

Outra dica válida para saber se a loja ou oficina é de confiança pode ser levada em conta na hora de pedir o orçamento. “Existem lojas em que o cliente diz o defeito e o profissional ou proprietário dá imediatamente o valor do serviço sem sequer testar o carro e verificar se é mesmo aquele o problema”. Não há mistério em identificar os profissionais mais honestos. “No caso de problema elétrico, é muito simples identificar. Basta que o motorista tenha paciência e verifique se o carro está totalmente mudo”.

Agora, se o veículo der um breve sinal, o defeito pode ser tanto na parte elétrica como na mecânica. Para detectá-lo, escute a opinião de pelo menos dois especialistas no assunto. “Diariamente, recebemos clientes insatisfeitos com preços abusivos que chegam até aqui por indicação de amigos. Já teve gente que chegou com orçamento na faixa de R$ 1 mil e fizemos o serviço por R$ 30,00”, diz Marcos, eletricista de auto, explicando que isso aconteceu porque a oficina cobrou ao cliente pela troca de várias peças, quando na verdade isso não era necessário. “Isso é muito comum”.

Para ter mais tranqüilidade, o melhor mesmo é ir até uma oficina ou autorizada depois de receber indicações de amigos ou parentes que conheçam os serviços do local. “Caso contrário, ele estará dando um tiro no escuro e poderá gastar muito”, justifica. Além da parte elétrica, a falha da bateria também é um problema fácil de mascarar e tirar dinheiro do consumidor, porque muitos profissionais condenam a peça, dizendo ser necessária a troca. “Às vezes, é um problema do automóvel e a bateria ainda está boa para ser recarregada e utilizada”

No mercado há 22 anos, Valdízio Balbino Macena, concorda que existem muitos profissionais desonestos atuando nessa área. Isso porque, para ele, muita gente não entende do assunto ou não se interessa, confiando cegamente no profissional que está executando o serviço do automóvel. “Para ter mais segurança, o motorista deve conhecer a oficina e o mecânico que vai executar o serviço. Isso é o mínimo”, salienta Dinho, como é conhecido no mercado.

Também é importante ficar atento na hora em que estiverem mexendo no seu carro, seja lá quem for. Ficar por perto e questionar, são dois pontos fundamentais, quase que uma obrigação do consumidor. “O mecânico, por outro lado, deve apresentar a peça ao cliente, para que não exista dúvidas sobre a sua procedência e dar todos os esclarecimentos sobre o bom funcionamento do carro e os motivos que levaram às falhas”, enfatiza o técnico em motor, mecânica, funilaria e pintura.

Mesmo que você se sinta um consumidor prá lá de leigo, não é tão difícil entender um pouquinho sobre o funcionamento da sua máquina. “Perguntar, perguntar e perguntar. Isso ajuda bastante”, ensina Dinho, reforçando que a pressa só atrapalha nessas situações e que o cliente jamais faça negócio no primeiro orçamento. “O prejuízo pode ser maior do que se imagina”. Somente para se ter uma idéia, na oficina de Valdízio a troca de uma correia dentada fica em torno de R$ 25,00, enquanto que no mercado tem gente fazendo por até R$ 80,00. “Sem falar que nós damos garantia total para o serviço. Não estipulamos prazo determinado para essa assistência”, finaliza.

Consumidor faz economia
O gerente regional de vendas, Cláudio José Alves Bezerra, sabe muito bem das maracutaias existentes no mercado de reparos automotivos. Ele sentiu na pele esse problema. No início do mês, o Palio 16V, ano 97, deixou Cláudio no meio da rua. Foi preciso rebocar o carro. Mas, até aí, tudo normal, afinal, inúmeros carros pifam e têm de ser rebocados diariamente.

Ao chegar na concessionária autorizada, o gerente de vendas foi informado que seu Palio estava com os chicotes do alternador e do motor de partida danificados. O orçamento ficou na faixa dos R$ 380,00, mas como lhe deram um desconto, acabou saindo por R$ 340,00. Claúdio aproveitou que o carro já estava na concessionária e pediu que fosse feita uma limpeza nos bicos.

“Deixei o carro lá numa terça-feira e me informaram que ele estaria pronto na quinta-feira”, lembra, acrescentando que, no dia seguinte, a oficina ligou para ele dizendo que foi verificado que um dos bicos estava gotejando, que o carro estava sem compressão e com as válvulas carbonizadas. Seria necessário, portanto, um segundo orçamento.

“Quando fui ver, teria de pagar cerca de R$ 1,2 mil, um valor alto, mas acabei autorizando novamente”, lembra. Mesmo tendo confirmado o orçamento, Cláudio ficou encucado com o valor que teria de desembolsar para ter seu carro em perfeito estado e consultou um cliente da empresa em que trabalha, que tem uma loja de autopeças de automóveis. “Ele sugeriu de imediato a troca de oficina porque, como é acostumado a lidar com problemas de veículos, está por dentro de preços”, explica. O gerente retirou o Palio da concessionária e pagou somente o primeiro orçamento de R$ 340,00.

Ao chegar na oficina paralela, indicada pelo amigo, foi feito o teste da compressão do motor. Resultado: o Palio 16V estava em perfeito estado. “Só era necessário trocar as velas e descarbonizar as válvulas. Tudo feito em uma hora”, salienta, contando que o melhor foi o valor do orçamento: R$ 90,00 mais R$ 30,00 das velas. Hoje, o gerente de vendas diz que aprendeu a lição e recomenda a qualquer consumidor: nunca ir somente em uma oficina ou concessionária, questionar os orçamentos e observar o número de horas trabalhadas para fazer o serviço, porque, para ele, esse é um item que encarece demais os orçamentos nas redes autorizadas.

Pesquisa nas autorizadas – Não pense que a desonestidade acontece somente quando se trata de oficinas paralelas. As concessionárias autorizadas também têm pontos negativos. Um dos mais criticados pelos consumidores é o preço da hora da mão de obra. Por isso, quando você for executar um serviço no seu automóvel em uma revenda, também deve fazer uma pesquisa de preços, saber quanto ela cobra pela hora trabalhada e verificar a procedência dos profissionais.

Perguntar aos amigos ou parentes sobre a loja que eles costumam levar seus carros e o que eles acham dos serviços, é importante. Saber se já houve algum episódio chato ou um orçamento abusivo, também pode contribuir.

O consumidor que costuma optar por concessionárias autorizadas, também deve fazer uma pesquisa entre elas. “Escutar a opinião de um amigo ajuda muito e pode ajudar no futuro”, sendo que é importante saber quanto tempo a oficina está no mercado e o seu grau de capacitação.

Abusivos – Quanto aos locais que costumam cobrar por serviços desnecessários,  é  que o cliente percebe o quanto é importante conhecer o mecânico ou o profissional da concessionária. O setor é igual ao de bancos. O melhor lugar é sempre aquele em que a gente é amigo do gerente.

 

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