A BYD precisou de 13 anos para produzir 10 milhões de automóveis de uma família que começou com um híbrido plug-in equipado com bateria de apenas 13 kWh. O carro escolhido para representar esse marco mostra o tamanho da evolução: o novo Da Han é um sedã elétrico de mais de 5,2 metros, pode chegar a 764 cv e, em uma de suas configurações, ultrapassa a barreira simbólica dos 1.000 km de autonomia no ciclo chinês — número que exige uma importante ressalva antes de qualquer comparação.
A BYD produziu em 29 de setembro o veículo de número 10 milhões da série Dynasty, uma das principais famílias de produtos da fabricante chinesa.
O exemplar que saiu da linha de produção foi o Da Han, também chamado de Grande Han, novo sedã topo de linha da família.
O marco acontece 13 anos depois da estreia do BYD Qin, primeiro automóvel da série Dynasty, lançado no mercado chinês em agosto de 2013.
A trajetória entre esses dois carros também ajuda a mostrar a evolução tecnológica da BYD.
O primeiro Qin utilizava um sistema híbrido plug-in DM com bateria LFP de 13 kWh, para uma autonomia elétrica informada de 82 km pelo antigo ciclo NEDC.
Agora, o modelo que representa os 10 milhões de unidades é totalmente elétrico e utiliza uma bateria de 102,326 kWh, quase oito vezes a capacidade daquele conjunto.
Dynasty ganhou seis famílias de modelos
A nomenclatura Dynasty foi construída a partir de referências às dinastias da China Imperial.
Atualmente, a linha reúne as famílias Tang, Han, Qin, Song, Yuan e Xia, totalizando 27 veículos quando consideradas as diferentes configurações e anos-modelo mencionados nos dados apresentados.
Mais importante é a velocidade com que a família continua crescendo.
Segundo os números divulgados, as vendas acumuladas da série Dynasty estavam em 8,86 milhões de unidades em janeiro de 2026.
Em setembro, a produção alcançou a marca de 10 milhões.
A Dynasty também teve participação fundamental na expansão dos veículos de nova energia da BYD. Entre os primeiros 15 milhões de eletrificados comercializados pela fabricante, aproximadamente 9 milhões pertenciam à série Dynasty, enquanto cerca de 6 milhões correspondiam à linha Ocean.
Da Han tem mais de 5,2 metros
O carro de número 10 milhões também serve para apresentar a nova escala alcançada pelos produtos da família.
O BYD Da Han mede 5.256 mm de comprimento, 1.999 mm de largura e 1.510 mm de altura, com distância entre eixos de 3.130 mm.
Portanto, estamos falando de um sedã com mais de 5,2 metros de comprimento e entre-eixos superior a três metros.
Mesmo com essas dimensões, a BYD informa um raio de giro de apenas 4,95 metros, resultado associado ao sistema de direção nas rodas traseiras.
Em baixas velocidades, esterçar também o eixo traseiro permite reduzir o espaço necessário para realizar curvas e manobras, recurso particularmente interessante em um automóvel desse porte.
O Da Han conta ainda com suspensão pneumática DiSus-A de câmara dupla, capaz de variar a altura livre do veículo em até 100 mm.
Versão elétrica chega a 764 cv
Na configuração elétrica de entrada apresentada, o Da Han utiliza um único motor com 370 kW, equivalentes a aproximadamente 496 cv.
A versão com tração integral eleva a potência combinada para 570 kW, cerca de 764 cv.
As duas utilizam a mesma bateria de 102,326 kWh, mas a diferença de configuração mecânica interfere diretamente no alcance declarado.
Com um motor, a BYD informa até 1.008 km no ciclo CLTC.
Na versão AWD, são 880 km pelo mesmo padrão chinês.
É justamente aqui que os números precisam ser interpretados com cuidado.
Os 1.008 km não devem ser tratados como autonomia equivalente à utilização real nem convertidos automaticamente para outro ciclo de homologação.
O CLTC utiliza metodologia própria e tende a produzir resultados diferentes de ciclos como WLTP ou do PBEV adotado no Brasil.
A fonte apresenta também estimativas de 827 km e 722 km como valores “WLTP”, respectivamente, mas uma conversão matemática ou estimativa não equivale a uma homologação oficial realizada segundo o procedimento WLTP.
Por isso, o dado tecnicamente seguro é o declarado pela fabricante no ciclo informado: 1.008 km CLTC para a configuração de um motor e 880 km CLTC para a AWD.
Tecnologia de assistência também evoluiu
O Da Han incorpora o sistema DiPilot 300, também denominado “God’s Eye B”, com funções avançadas de assistência ao motorista.
Entre os recursos mencionados está o Navigate on Autopilot (NOA) para utilização em vias urbanas e rodovias.
Apesar da nomenclatura, sistemas desse tipo não devem ser confundidos automaticamente com condução autônoma.
O material apresentado não informa uma classificação SAE de automação para o Da Han. Portanto, não é possível atribuir ao veículo um nível específico de autonomia apenas a partir da presença do DiPilot 300 ou do NOA.
São sistemas de assistência cuja atuação e responsabilidade do motorista precisam seguir as condições determinadas pelo fabricante.
Preço começa equivalente a US$ 37 mil na China
O Da Han tem preço inicial informado de 249.900 yuans, aproximadamente US$ 37.240 na conversão apresentada pela fonte.
Esse valor corresponde ao mercado chinês e não pode ser utilizado para projetar diretamente um eventual preço brasileiro.
Também não há, nas informações apresentadas, confirmação sobre lançamento do Da Han no Brasil.
O significado mais relevante do modelo neste momento está justamente no contraste com aquele primeiro Qin de 2013.
Em pouco mais de uma década, a Dynasty passou de um híbrido plug-in com bateria de 13 kWh para uma família capaz de colocar no mercado um sedã elétrico de mais de cinco metros, bateria superior a 100 kWh, direção traseira e até 570 kW de potência.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Dez milhões de carros chamam atenção, mas existe uma história de engenharia muito mais interessante escondida entre o primeiro e o décimo milionésimo Dynasty.
Compare os dois extremos.
Em 2013, o Qin apareceu com 13 kWh de bateria e tecnologia híbrida plug-in.
Treze anos depois, o Da Han chega ao marco utilizando mais de 100 kWh, quase oito vezes aquela capacidade, além de direção nas rodas traseiras, suspensão pneumática e potência que pode superar 760 cv.
Não significa que simplesmente colocar uma bateria maior represente evolução tecnológica.
O interessante é observar como bateria, eletrônica de potência, motores, chassi e software passaram a trabalhar de maneira cada vez mais integrada.
Há também uma lição importante sobre autonomia.
O número de 1.008 km certamente chama atenção, mas sozinho diz pouco se ignorarmos as letras que aparecem depois dele: CLTC.
Ciclos de homologação diferentes utilizam procedimentos diferentes. Portanto, comparar diretamente 1.008 km CLTC de um carro com a autonomia WLTP, EPA ou PBEV/Inmetro de outro pode produzir uma conclusão enganosa.
Ainda assim, o Da Han demonstra como a BYD pretende levar a Dynasty para outro patamar de tecnologia e posicionamento.
Talvez seja justamente esse o significado mais interessante dos 10 milhões.
O primeiro Dynasty ajudou a construir a estratégia de eletrificação da BYD. O décimo milionésimo mostra até onde essa estratégia chegou em apenas 13 anos.
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Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 10 milhões – A série Dynasty atingiu essa marca 13 anos depois da chegada de seu primeiro modelo ao mercado chinês.
- 2013 – O Qin inaugurou a família com sistema híbrido plug-in DM e bateria LFP de 13 kWh.
- 102,326 kWh – É a capacidade da bateria informada para o Da Han elétrico, quase oito vezes a capacidade daquele primeiro Qin.
- Até 764 cv – A configuração AWD do novo sedã alcança 570 kW de potência combinada.
- 1.008 km CLTC – É a autonomia declarada para a versão de um motor; o ciclo chinês não deve ser comparado diretamente com WLTP, EPA ou PBEV/Inmetro.
- 4,95 metros – Mesmo medindo mais de 5,2 metros, o Da Han alcança esse raio de giro com auxílio da direção nas rodas traseiras.
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- CLTC – Ciclo chinês utilizado para medir consumo e autonomia; seus resultados não são diretamente equivalentes aos obtidos por WLTP, EPA ou PBEV/Inmetro.
- LFP – Química de bateria de íons de lítio que utiliza fosfato de ferro-lítio no material do cátodo e é amplamente empregada pela BYD.
- Direção traseira – Sistema capaz de alterar o ângulo das rodas traseiras para favorecer manobrabilidade em baixa velocidade e comportamento dinâmico em outras condições.
- NOA – Recurso avançado de assistência capaz de auxiliar determinadas tarefas de condução e navegação dentro das condições previstas pelo sistema; não deve ser interpretado automaticamente como direção autônoma.



