Carros elétricos mais leves, baterias menores para oferecer a mesma autonomia e computadores capazes de processar 40 vezes mais informações. Essa é a estratégia tecnológica apresentada pela General Motors durante o GM Forward 2026, realizado em Nova York. A fabricante revelou os principais avanços de sua quarta geração de veículos elétricos, incluindo novas baterias de lítio-manganês, motores mais compactos e uma arquitetura eletrônica centralizada. O planejamento também contempla o assistente OnStar AI, atualizações remotas e sistemas de direção autônoma em rodovias a partir de 2028. O objetivo é reduzir custos de fabricação, aumentar a eficiência energética e transformar o automóvel em uma plataforma tecnológica capaz de receber novas funcionalidades ao longo de sua vida útil.
Nova plataforma elétrica promete consumir 20% menos energia
A quarta geração da plataforma de veículos elétricos da GM foi desenvolvida para superar limitações de custo, peso e eficiência das arquiteturas atuais.
Segundo os dados preliminares apresentados pela fabricante, o projeto busca alcançar redução de aproximadamente 15% na massa do veículo e melhoria de 20% na eficiência energética.
Na prática, esse ganho permitiria utilizar uma bateria com cerca de 20% menos capacidade para entregar autonomia equivalente, dependendo da configuração e das condições de comparação.
A engenharia também trabalha com uma melhoria de aproximadamente 25% no desempenho aerodinâmico, reduzindo a energia necessária para vencer a resistência do ar.
Outro avanço está nas unidades de propulsão, que integrarão motores elétricos e eletrônica de potência com 40% menos componentes, favorecendo menor massa, redução de custos e aproveitamento do espaço.
Esses números representam objetivos e estimativas de desenvolvimento, não resultados de homologação de modelos já comercializados.
Baterias de lítio-manganês procuram combinar autonomia e menor custo
Uma das principais novidades é a utilização de células prismáticas com química LMR (Lithium Manganese Rich), caracterizadas pela maior participação de manganês no material do cátodo.
Segundo a GM, a tecnologia poderá oferecer densidade energética aproximadamente 33% superior à das baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), mantendo custos competitivos.
A proposta procura combinar características normalmente associadas a diferentes composições químicas: maior capacidade de armazenamento por massa e menor custo de materiais.
As células estão previstas para produção pela Ultium Cells, parceria industrial da GM com a LG Energy Solution, nos Estados Unidos.
O projeto também considera a integração estrutural das baterias, buscando reduzir componentes e aproveitar melhor o espaço disponível.
Entretanto, a eficiência e a competitividade da nova tecnologia precisarão ser demonstradas em produção em escala, incluindo durabilidade, estabilidade térmica e desempenho ao longo dos ciclos de carga e descarga.
Computador central substituirá parte dos módulos eletrônicos
A GM também apresentou uma nova arquitetura elétrica baseada em uma Unidade Central de Computação (CCU).
Atualmente, muitos automóveis utilizam dezenas de unidades eletrônicas distribuídas, responsáveis por funções como propulsão, segurança, carroceria e conforto.
Na nova arquitetura, parte dessas funções será integrada a um sistema central de processamento, permitindo compartilhamento mais eficiente de informações e maior capacidade de atualização por software.
A fabricante anuncia três avanços principais:
- 40 vezes mais poder de processamento, em comparação com a arquitetura anterior.
- 30% menos comprimento e massa de fiação elétrica, simplificando o conjunto.
- Conectividade celular até 50% mais rápida, para serviços e atualizações digitais.
A tecnologia estreia no Cadillac Escalade IQ 2028 e será posteriormente aplicada a SUVs, picapes e novos veículos elétricos da GM.
Uma característica importante é que a arquitetura não será exclusiva dos elétricos. Veículos a gasolina também poderão receber a mesma base eletrônica.
OnStar AI permitirá conversar com o carro de maneira mais natural
Outra novidade é o OnStar AI Assistant, sistema de inteligência artificial desenvolvido para oferecer informações e comandos relacionados ao automóvel.
A primeira aplicação está prevista para o Cadillac Lyriq ano-modelo 2027, por meio de atualização remota de software, com expansão posterior para outros veículos.
A proposta é permitir que o motorista faça perguntas sobre funcionamento, recursos e condições de utilização do carro, recebendo respostas contextualizadas.
A GM também pretende desenvolver interações proativas, nas quais o sistema poderá utilizar informações autorizadas pelo usuário para sugerir ações relacionadas à rotina.
Essas funcionalidades representam uma evolução em relação aos comandos de voz tradicionais, mas dependem da precisão das respostas, da disponibilidade de dados e das permissões concedidas pelo motorista.
Em 2027, a fabricante também planeja lançar um aplicativo OnStar unificado, substituindo aplicativos separados de Chevrolet, Buick, GMC e Cadillac em mercados selecionados.
A plataforma deverá incorporar gerenciamento do veículo e recursos de câmeras conectadas, incluindo visualização remota e gravação de determinadas ocorrências, conforme o equipamento e os serviços disponíveis.
Direção autônoma em rodovias está prevista para 2028
A nova capacidade de processamento também será utilizada no desenvolvimento de sistemas mais avançados de condução automatizada.
A GM prevê introduzir direção autônoma em rodovias no Cadillac Escalade IQ em 2028, com expansão planejada para outros SUVs e picapes.
A tecnologia deverá evoluir em relação ao atual Super Cruise, sistema de assistência que permite dirigir sem manter as mãos no volante em determinadas condições, mas ainda exige supervisão do motorista.
A nova proposta busca permitir que o veículo assuma tarefas de condução em condições específicas, embora os limites operacionais, requisitos de supervisão e aprovações regulatórias ainda precisem ser detalhados.
A fabricante informa que veículos de pré-produção já estão sendo avaliados em pistas fechadas.
Inteligência artificial poderá reduzir o desenvolvimento de carros para dois anos
As mudanças também atingem os processos industriais.
A GM pretende utilizar inteligência artificial, simulações digitais e desenvolvimento simultâneo entre engenharia, design e manufatura para reduzir o ciclo de criação de novos veículos.
A meta é diminuir o prazo tradicional de aproximadamente quatro a cinco anos para cerca de dois anos, dependendo da complexidade do programa.
No desenvolvimento das baterias LMR, a fabricante afirma ter realizado mais de 300 mil simulações de projetos de células antes de construir o primeiro protótipo físico.
Esse processo permite identificar alternativas e antecipar problemas, reduzindo a necessidade de repetir determinadas etapas de desenvolvimento.
Entretanto, simulações não substituem ensaios físicos de durabilidade, segurança, homologação e validação industrial.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A estratégia apresentada no GM Forward mostra que a próxima transformação da indústria automotiva envolve duas frentes complementares: melhorar a eficiência dos sistemas físicos e ampliar a capacidade de processamento eletrônico dos veículos.
Nas baterias, a química LMR merece atenção porque procura reduzir uma das principais barreiras dos elétricos: o custo por unidade de energia armazenada. Se os ganhos anunciados forem confirmados, será possível produzir automóveis com baterias menores sem comprometer a autonomia, reduzindo massa e necessidade de matérias-primas.
A arquitetura eletrônica centralizada também representa uma mudança importante. Reduzir módulos e chicotes elétricos pode simplificar a fabricação e facilitar atualizações, mas exige atenção à confiabilidade, à redundância e à segurança cibernética.
A integração do OnStar AI amplia as possibilidades de interação, embora a utilidade da inteligência artificial dependa de sua capacidade de oferecer respostas corretas, contextualizadas e realmente necessárias durante a condução.
Outro ponto relevante é a estratégia de utilizar a mesma arquitetura digital em veículos elétricos e a combustão. Essa padronização pode reduzir a complexidade de desenvolvimento e permitir que diferentes linhas compartilhem tecnologias, independentemente do sistema de propulsão.
Quanto à direção autônoma, será fundamental distinguir recursos de assistência daqueles capazes de assumir efetivamente a condução. Uma plataforma com maior poder computacional é necessária para sistemas avançados, mas não garante, isoladamente, autonomia ou segurança operacional.
A GM apresenta uma transformação tecnológica ambiciosa, mas os resultados dependerão da execução industrial. O desafio será converter ganhos projetados de eficiência e processamento em veículos mais acessíveis, confiáveis e fáceis de utilizar. É nessa combinação entre engenharia, custo e experiência real que a próxima geração de automóveis será avaliada.
Para acompanhar General Motors, carros elétricos, inteligência artificial, baterias, direção autônoma e engenharia automotiva, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 20% – Ganho aproximado de eficiência energética projetado para a nova plataforma elétrica.
- 15% – Redução estimada de massa dos veículos de próxima geração.
- Baterias LMR – Tecnologia com maior participação de manganês para equilibrar densidade energética e custo.
- 40 vezes – Aumento anunciado de capacidade de processamento da nova arquitetura eletrônica.
- 30% – Redução prevista na massa e no comprimento dos chicotes elétricos.
- OnStar AI – Assistente de inteligência artificial com estreia prevista no Cadillac Lyriq 2027.
- 2028 – Ano planejado para introdução da nova arquitetura digital e da condução autônoma em rodovias no Escalade IQ.
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- Bateria LMR – Bateria de íons de lítio com composição rica em manganês no cátodo, desenvolvida para combinar densidade energética e custo competitivo.
- Computação centralizada – Arquitetura eletrônica que concentra parte das funções de processamento e gerenciamento do veículo em unidades centrais.
- OTA (Over-the-Air) – Tecnologia que permite atualizar sistemas de software remotamente, por meio de uma conexão de dados.
- Veículo definido por software (SDV) – Automóvel cuja arquitetura permite controlar, integrar e atualizar diversas funcionalidades por meio de programas eletrônicos.


