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Renault Boreal ganha Gemini e passa a entender até quando você diz “está calor”

SUV produzido no Brasil troca o Google Assistant pela IA generativa do Google, que entende linguagem natural e pode controlar climatização, vidros e até teto solar por voz.

O comando “ligue o ar-condicionado” começa a ficar desnecessário dentro do Renault Boreal. Com a chegada do Gemini integrado ao veículo, basta dizer que está muito quente para que a inteligência artificial interprete a intenção e possa ajustar a climatização. A mudança vai além de conversar com uma IA dentro do carro: ela amplia as funções que podem ser efetivamente comandadas por voz — e transforma o Boreal no primeiro veículo produzido no Brasil a sair de fábrica com essa tecnologia.

O Renault Boreal passa a oferecer o Gemini de série no Brasil, substituindo o Google Assistant dentro do sistema multimídia openR link com Google integrado.

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Segundo a Renault, o Boreal torna-se assim o primeiro veículo produzido no Brasil equipado de fábrica com o Gemini.

A novidade aproveita uma integração que já existia no SUV. O Boreal havia estreado como o primeiro veículo produzido nacionalmente com Google Automotive Services (GAS), reunindo serviços como Google Maps e Google Play diretamente no sistema do automóvel.

Agora entra a inteligência artificial generativa.

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A diferença mais perceptível para o motorista estará na maneira de conversar com o carro.

Você não precisa mais decorar o comando certo

Assistentes de voz automotivos tradicionalmente funcionam melhor quando o usuário aprende determinadas estruturas de comando.

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“Ligue o ar-condicionado.”

“Aumente a temperatura.”

“Leve-me para determinado endereço.”

Com o Gemini, a proposta é interpretar contexto e intenção em uma conversa mais natural.

Em vez de solicitar diretamente uma alteração na climatização, por exemplo, o motorista pode dizer:

“Está muito calor aqui dentro.”

O sistema interpreta a intenção e pode ajustar a climatização.

O mesmo princípio pode ser aplicado à navegação. No exemplo apresentado pela Renault, o usuário pode pedir para ir ao centro de São Paulo evitando uma determinada avenida, sem precisar estruturar diferentes comandos separados.

Essa mudança parece pequena, mas ataca uma das maiores limitações práticas dos comandos de voz: fazer o usuário falar como a máquina espera, em vez de a máquina compreender como a pessoa naturalmente fala.

Gemini também passa a mexer fisicamente no carro

A integração não se limita a perguntas e respostas.

Segundo a Renault, o Gemini preserva as funções anteriormente disponíveis pelo Google Assistant e amplia a quantidade de comandos relacionados ao próprio veículo.

Entre as novidades está a possibilidade de abrir e fechar vidros e teto solar por comando de voz, além do controle de funções como a climatização.

É uma distinção importante.

Uma coisa é utilizar uma IA para perguntar sobre um assunto, procurar uma informação ou criar determinado conteúdo.

Outra é permitir que ela interaja com sistemas efetivamente integrados ao automóvel.

Nesse caso, a experiência depende da integração entre o Gemini, o openR link e as funções disponibilizadas eletronicamente pelo veículo.

E dá para conversar continuamente com a IA

O comando de ativação permanece conhecido.

O usuário pode chamar o sistema dizendo “Hey Google” ou “Ok Google”, utilizar o botão de voz no volante ou tocar no ícone correspondente na tela do openR link.

Há também o Gemini Live, destinado a interações mais longas e naturais.

Depois de iniciado, ele permite manter uma conversa, interromper o assistente e fazer diferentes solicitações em sequência sem precisar repetir “Ok Google” antes de cada pergunta.

O recurso também permite alternar idiomas durante uma conversa.

Segundo a Renault, desde o lançamento o Gemini oferece suporte a 16 idiomas, incluindo português, espanhol e inglês.

De controlar o ar-condicionado a entreter uma criança

Os exemplos apresentados pela fabricante mostram até onde pretende levar essa integração.

Durante uma viagem, o motorista pode perguntar se, em um dia muito quente, é mais econômico abrir os vidros ou utilizar o ar-condicionado.

Os ocupantes também podem pedir uma história sobre carros e dinossauros para uma criança, solicitar a criação de um quiz sobre história do Brasil ou perguntar sobre resultados esportivos.

Nesse tipo de utilização, o Gemini funciona como assistente conversacional de inteligência artificial, e não apenas como uma interface para controlar equipamentos do carro.

A proposta é reunir as duas funções no mesmo ambiente.

Em determinados momentos ele conversa, responde ou produz conteúdo.

Em outros, interpreta uma solicitação e executa uma função disponibilizada pelo automóvel.

Atualização chega sem precisar ir à concessionária

O Gemini também poderá chegar a outros veículos Renault compatíveis equipados com openR link com Google integrado.

Nesses casos, a migração é opcional.

Segundo a fabricante, uma notificação aparece na tela e permite ao proprietário decidir se deseja trocar o Google Assistant pelo Gemini.

A atualização é gratuita e realizada remotamente por FOTA, Firmware Over-The-Air, utilizando a conectividade disponível no veículo.

Não é necessário levar o automóvel à concessionária para realizar a instalação.

A Renault informa ainda que a atualização não altera a duração do pacote de conectividade.

Para os veículos compatíveis, a disponibilidade depende também da versão do openR link e dos idiomas suportados.

E existe uma particularidade interessante: quem experimentar o Gemini e não quiser continuar poderá retornar ao Google Assistant, segundo a fabricante.

Menos toques na tela pode significar menos distração?

A Renault apresenta a utilização de comandos de voz mais naturais como uma maneira de reduzir a necessidade de interação física com a central multimídia.

A lógica é compreensível.

Se climatização, navegação ou outras funções puderem ser solicitadas verbalmente, o motorista pode executar determinadas tarefas sem procurar menus e botões na tela.

Isso não significa, entretanto, que a presença de uma inteligência artificial elimine a distração ao volante.

Uma conversa complexa também exige atenção cognitiva.

O ganho potencial está principalmente em permitir que determinadas funções sejam acessadas sem depender de sucessivos comandos por toque, mantendo as mãos no volante e reduzindo a necessidade de interação visual com menus.

O motorista continua responsável por manter a atenção na condução.

O carro começa a entender intenção, não apenas comandos

Talvez essa seja a transformação mais importante trazida pelo Gemini.

A evolução dos assistentes automotivos não está apenas na quantidade de funções disponíveis.

Está na mudança da interface.

Durante décadas, controlamos o automóvel com botões, alavancas e seletores.

Depois vieram as telas sensíveis ao toque e os menus digitais.

Agora, a indústria começa a acrescentar uma terceira camada: linguagem natural associada ao contexto.

Se o motorista diz “estou com frio”, o sistema precisa compreender que provavelmente existe uma ação relacionada à climatização.

Se pede uma rota, mas acrescenta que deseja evitar determinada via, precisa interpretar as duas informações como partes da mesma solicitação.

É uma diferença importante entre reconhecer palavras e interpretar intenção.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A parte mais interessante do Gemini no Renault Boreal não é poder conversar com uma inteligência artificial enquanto dirige.

Já fazemos algo parecido utilizando smartphones.

A verdadeira mudança começa quando a inteligência artificial ganha acesso controlado às funções do próprio automóvel.

Dizer “está quente” e ter a climatização ajustada é muito mais significativo para a evolução da interface homem-máquina do que simplesmente perguntar à IA quem venceu determinado jogo.

Existe também uma discussão mecânica e eletrônica interessante por trás disso.

O Gemini não movimenta fisicamente um vidro ou altera sozinho a temperatura. Ele interpreta a intenção, enquanto a arquitetura eletrônica do veículo precisa disponibilizar interfaces capazes de executar aquela solicitação.

Isso mostra como o automóvel moderno está aproximando software e hardware.

Também existe um benefício importante nas atualizações remotas.

Se novas funções puderem ser acrescentadas ao longo do tempo sem substituir módulos físicos e sem levar o veículo à oficina, parte da evolução do carro passa a acontecer depois que ele já saiu da fábrica.

Mas é preciso manter uma distinção clara.

Mais inteligência artificial não significa que o automóvel se tornou autônomo, nem elimina a responsabilidade do motorista. Também não significa que todas as funções futuras poderão simplesmente ser adicionadas por software: o hardware necessário precisa existir e estar integrado ao veículo.

O Boreal mostra, portanto, algo maior do que a troca de um assistente virtual.

Estamos entrando em uma fase na qual conversar naturalmente com o carro pode deixar de ser demonstração tecnológica para se transformar em uma interface cotidiana para operar a própria máquina.

Para acompanhar inteligência artificial, eletrônica embarcada e como o software está transformando a mecânica dos automóveis, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • Primeiro nacional com Gemini – Segundo a Renault, o Boreal é o primeiro veículo produzido no Brasil a oferecer de série a inteligência artificial do Google integrada ao automóvel.
  • Não é apenas um chatbot – A integração permite controlar funções do veículo por voz, incluindo climatização, vidros e teto solar.
  • Linguagem natural – O sistema procura interpretar intenção e contexto, reduzindo a dependência de frases e comandos previamente estruturados.
  • Gemini Live – O modo permite conversas contínuas, interrupções e diferentes solicitações sem repetir a palavra de ativação a cada interação.
  • Atualização remota – Outros Renault compatíveis com openR link e Google integrado poderão receber a tecnologia gratuitamente via FOTA, conforme versão e idioma disponíveis.
  • Software encontra hardware – A IA pode interpretar a solicitação, mas a execução depende das funções e dos sistemas eletrônicos efetivamente integrados ao veículo.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • Google Automotive Services (GAS) – Conjunto de serviços do Google integrado diretamente ao sistema do automóvel, incluindo aplicações como Google Maps e Google Play.
  • IA generativa – Tecnologia capaz de interpretar solicitações mais complexas e gerar respostas ou conteúdos considerando linguagem e contexto.
  • FOTA – Firmware Over-The-Air é a atualização remota do software ou firmware de sistemas do veículo, sem necessidade de instalação presencial na concessionária.
  • Interface homem-máquina – Conjunto de recursos pelos quais motorista e passageiros interagem com o automóvel, incluindo botões, telas, comandos de voz e, agora, assistentes capazes de interpretar linguagem natural.
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