A indústria automotiva brasileira fechou abril com crescimento de 2,4% na produção e acumula alta de 4,9% no ano. Apesar do avanço dos emplacamentos e da recuperação do mercado interno, a Anfavea demonstra preocupação com o aumento contínuo das importações e a queda nas exportações.
A Anfavea divulgou números positivos para o setor automotivo brasileiro em 2026, confirmando um cenário de recuperação gradual da atividade industrial.
A produção nacional atingiu 225,8 mil veículos em abril, crescimento de 2,4% sobre o mesmo período de 2025. No acumulado do quadrimestre, foram produzidas 872,6 mil unidades, alta de 4,9%.
Mesmo com dois dias úteis a menos em abril, o setor conseguiu manter desempenho positivo graças ao crescimento consistente do mercado interno.
O grande destaque ficou para os emplacamentos, que registraram a melhor média diária do ano e o melhor resultado para um mês de abril desde 2014.
Foram comercializados 248,3 mil veículos em abril, avanço de 19% sobre abril do ano passado.
No acumulado de 2026, o mercado interno chegou a 873,5 mil unidades, crescimento expressivo de 14,9% frente aos quatro primeiros meses de 2025.
Apesar do cenário positivo, a Anfavea acende um alerta importante sobre o avanço dos veículos importados.
As vendas de modelos vindos de fora cresceram 12% no quadrimestre, totalizando 168,1 mil unidades.
Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea, a expectativa da indústria era que a produção local começasse a substituir parte das importações com a chegada de novas fabricantes ao Brasil.
No entanto, isso ainda não aconteceu na intensidade esperada, o que pressiona a competitividade da indústria nacional.
Outro ponto de preocupação está nas exportações, que seguem em queda em 2026.
No acumulado do ano, o Brasil exportou 142,4 mil veículos, retração de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Somente em abril foram embarcadas 43,2 mil unidades, número 11,7% inferior ao registrado em abril do ano passado.
Segundo a Anfavea, boa parte dessa queda está ligada ao mercado argentino.
Em 2025, a Argentina absorveu um volume elevado de veículos brasileiros, movimento que perdeu força neste ano.
Enquanto isso, os veículos eletrificados seguem ganhando participação de mercado em ritmo acelerado.
Em abril, os eletrificados representaram 18,3% dos emplacamentos totais, estabelecendo novo recorde de participação no Brasil.
Outro dado relevante é que 40% desses eletrificados já são de origem nacional, mostrando avanço gradual da produção local nesse segmento.
O crescimento dos modelos 100% elétricos também chama atenção.
Em abril foram vendidos 17,5 mil veículos elétricos puros, superando os híbridos plug-in, com 13,2 mil unidades, e os híbridos convencionais, com 12,7 mil.
O movimento mostra uma mudança importante no perfil do consumidor brasileiro, que começa a aceitar de forma mais ampla os veículos totalmente elétricos.
No segmento de pesados, a indústria aposta no programa Move Brasil 2 como ferramenta para retomada das vendas.
A primeira fase do programa ajudou a reduzir a queda nas vendas de caminhões, que saiu de 31,5% em janeiro para 17,2% no acumulado do quadrimestre.
Agora, o Move Brasil 2 disponibilizará R$ 21,2 bilhões em financiamentos, focando principalmente caminhoneiros autônomos, ônibus e implementos rodoviários.
A iniciativa também estimula a renovação de frota e a retirada de veículos antigos de circulação, reduzindo emissões e melhorando eficiência operacional.
Do ponto de vista industrial, os números mostram um setor automotivo em recuperação, mas ainda pressionado pela concorrência externa e pela necessidade de acelerar investimentos em eletrificação e produção local.
“O mercado brasileiro vive uma recuperação consistente em volume, mas o avanço das importações e a queda das exportações mostram que a competitividade industrial ainda é um dos maiores desafios da indústria automotiva nacional”, afirma Tarcisio Dias, editor do Mecânica Online®.
• Produção em abril — 225,8 mil veículos (+2,4%)
• Produção no quadrimestre — 872,6 mil unidades (+4,9%)
• Emplacamentos em abril — 248,3 mil veículos (+19%)
• Mercado interno em 2026 — 873,5 mil unidades (+14,9%)
• Importados — 168,1 mil unidades (+12%)
• Exportações — 142,4 mil veículos (-16,9%)
• Eletrificados — 18,3% dos emplacamentos de abril
• Elétricos puros em abril — 17,5 mil unidades
• Move Brasil 2 — R$ 21,2 bilhões em crédito
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende
Eletrificado – Veículo que utiliza motorização elétrica total ou parcial para movimentação
Emplacamento – Registro oficial do veículo junto aos órgãos de trânsito para circulação
Move Brasil 2 – Programa de financiamento voltado à renovação da frota de veículos pesados no Brasil

