A eletrificação do transporte coletivo trouxe um desafio pouco discutido fora da engenharia: o pneu. Ônibus elétricos pesam mais do que os movidos a diesel, por causa do conjunto de baterias, e isso muda completamente as exigências estruturais e de eficiência energética do pneu — a Prometeon desenvolveu o U02 Urban-e, em parceria com a Mercedes-Benz, justamente para responder a esse novo cenário.
Um ônibus elétrico não é só um ônibus com motor trocado: o pacote de baterias adiciona centenas de quilos ao veículo, peso que os pneus precisam suportar sem perder segurança, durabilidade ou eficiência. Isso exige reforço estrutural real, não apenas ajuste de calibragem ou de composto.
Ao mesmo tempo, a autonomia virou fator decisivo na operação diária desses veículos. Diferente de um ônibus a diesel, em que o consumo de combustível é só um item de custo, em um elétrico cada watt gasto para vencer a resistência do pneu é energia que sai direto da bateria — e não pode ser usada para levar o veículo mais longe.
É por isso que a resistência ao rolamento ganhou peso desproporcional no desenvolvimento desse tipo de pneu: reduzi-la significa exigir menos do motor elétrico a cada metro rodado, o que se traduz diretamente em mais autonomia por carga. Em rotas urbanas, marcadas por paradas e arrancadas constantes, esse ganho se repete centenas de vezes ao longo do dia.
O desafio de engenharia está em equilibrar dois objetivos que normalmente competem entre si: suportar mais carga e, ao mesmo tempo, reduzir a resistência ao rolamento — geralmente, reforçar a estrutura de um pneu tende a aumentar essa resistência, não diminuí-la.
Foi esse equilíbrio que orientou o desenvolvimento do U02 Urban-e, pneu da Prometeon projetado especificamente para aplicações urbanas eletrificadas, combinando alta capacidade de carga, baixa resistência ao rolamento e soluções voltadas à eficiência operacional.
“O desenvolvimento do U02 Urban-e partiu das necessidades específicas da operação dos ônibus elétricos. Nosso objetivo foi reunir elevada capacidade de carga, baixa resistência ao rolamento e robustez estrutural em um único produto, contribuindo para aumentar a eficiência operacional sem abrir mão da segurança, da durabilidade e da reformabilidade”, afirma Suyami Maruyama, coordenadora de Produtos da Prometeon.
O desenvolvimento foi feito em conjunto com a Mercedes-Benz, permitindo que o produto fosse projetado e validado a partir das necessidades reais dos ônibus elétricos. Nessa etapa, testes conjuntos avaliaram uma estrutura reforçada composta por talão de alta resistência, fios de aço de alta performance e um pacote de cinturas metálicas desenvolvido para ampliar a capacidade de carga e preservar a integridade estrutural do pneu.
Como resultado, o U02 Urban-e suporta até 400 quilos adicionais por eixo, mantendo os padrões de segurança, durabilidade e reformabilidade esperados para a categoria.
Além de atender à eletromobilidade, o modelo também é recomendado para veículos híbridos e movidos a combustão — segundo a Prometeon, as soluções desenvolvidas para aumentar eficiência energética e capacidade de carga dos elétricos beneficiam igualmente essas outras aplicações.
O pneu incorpora tecnologias do pacote Prometeon Engineered, com materiais de alta resistência, talões reforçados e cinturas que distribuem a carga de forma uniforme. Os compostos usados foram desenvolvidos para reduzir a resistência ao rolamento sem comprometer aderência, frenagem, rendimento quilométrico ou durabilidade, segundo a fabricante.
Em operações urbanas, os ganhos de eficiência energética ajudam a preservar a carga da bateria ao longo da jornada, aumentando a previsibilidade da operação e reduzindo a necessidade de recargas intermediárias — o que permite itinerários mais longos ou mais viagens com a mesma carga disponível.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A física por trás disso é simples de entender, mas fácil de subestimar: resistência ao rolamento converte energia em calor continuamente enquanto o veículo se move, diferente do peso, que pesa mais na aceleração e em subidas.
Em rotas urbanas de parada e arrancada constante, os pneus recarregam força a cada largada, então qualquer redução na resistência ao rolamento se multiplica centenas de vezes ao longo de um dia de operação — o ganho é pequeno por metro, mas relevante na soma da jornada.
A afirmação da Prometeon de que reduziu a resistência ao rolamento sem comprometer frenagem ou aderência é uma promessa técnica ambiciosa, já que esses dois objetivos costumam competir entre si na composição da borracha — vale acompanhar testes independentes quando estiverem disponíveis.
A reformabilidade citada pela empresa não é detalhe menor para quem opera frota: pneus recauchutáveis várias vezes reduzem bastante o custo por quilômetro rodado, item que pesa tanto quanto a autonomia na decisão de compra de uma operadora de transporte público.
Esse tipo de desenvolvimento reforça algo que já vimos em outra cobertura sobre ônibus elétricos no Brasil: a eletrificação do transporte coletivo não depende só de bateria e motor, envolve toda uma cadeia de componentes — pneu incluído — sendo redesenhada para o novo perfil de peso e uso desses veículos.
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Suporta até 400 kg extras por eixo: o reforço estrutural do U02 Urban-e foi criado para lidar com o peso das baterias.
Desenvolvido em parceria com a Mercedes-Benz: testes conjuntos validaram o pneu a partir de necessidades reais de ônibus elétricos.
Estrutura reforçada: talão de alta resistência, fios de aço de alta performance e pacote de cinturas metálicas.
Baixa resistência ao rolamento: reduz o esforço do motor elétrico e contribui para preservar a carga da bateria.
Também recomendado para híbridos e a combustão: os ganhos de eficiência não são exclusivos de veículos elétricos.
Tecnologia Prometeon Engineered: pacote de materiais e compostos que busca equilíbrio entre carga, eficiência e durabilidade.
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Resistência ao rolamento: força que o pneu opõe ao movimento do veículo por causa da deformação da borracha em contato com o solo; quanto menor essa resistência, menos energia é gasta para manter o veículo em movimento.
Talão do pneu: parte interna do pneu que se encaixa no aro da roda, responsável por manter a fixação e a estabilidade estrutural sob carga.
Cinturas metálicas: camadas de aço colocadas sob a banda de rodagem do pneu, que ajudam a distribuir a carga e aumentam a resistência estrutural do produto.
Reformabilidade: capacidade de um pneu ser recauchutado mais de uma vez, prolongando sua vida útil e reduzindo o custo por quilômetro rodado em frotas comerciais.

