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China começa a cortar subsídios para elétricos

Imposto sobre baterias de lítio sobe gradualmente, e isenções de compra também começam a desaparecer até 2028.

A China começou a eliminar gradualmente a isenção de imposto sobre o consumo de baterias de lítio — medida que deve aumentar custos em toda a cadeia de suprimentos de elétricos e acelera a retirada do tratamento tributário preferencial para veículos de novas energias (NEVs).

Depois de mais de uma década de subsídios agressivos que ajudaram a colocar a indústria chinesa de elétricos na liderança global, essa retirada gradual sinaliza um mercado amadurecendo: menos dependente de incentivo direto do governo, mais sustentado por infraestrutura e escala de produção já consolidadas.

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Segundo comunicado conjunto da Administração Estadual de Tributação e outros órgãos do governo, baterias primárias de lítio e baterias recarregáveis de íon-lítio passam a pagar 2% de imposto sobre consumo a partir de 1º de setembro de 2026, subindo para 4% a partir de setembro de 2027.

A mudança encerra uma isenção que sustentou a indústria de baterias para elétricos da China por mais de dez anos. Pelas regras tributárias vigentes, baterias comuns já pagam 4% de imposto, enquanto as de íon-lítio usadas em elétricos historicamente tinham tratamento preferencial — ou seja, isenção total.

Ficam de fora dessa cobrança, por enquanto, as baterias de íon-sódio, as de estado sólido e as células de combustível, isentas até 31 de dezembro de 2028.

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Em agosto de 2026, o preço médio de células LFP de armazenamento (314 Ah) no mercado chinês era de cerca de 0,365 yuan/Wh (US$ 0,072/Wh). Para um veículo com bateria de 60 kWh, o novo imposto de 2% aumenta o custo da bateria em cerca de 438 yuans (US$ 62); com a alíquota de 4%, o aumento chega a 876 yuans (US$ 125).

O corte no imposto sobre baterias faz parte de um ajuste mais amplo no sistema tributário de elétricos chineses. Desde 2025, diversas políticas preferenciais vêm sendo reduzidas. Desde 1º de janeiro de 2026, a isenção do imposto de compra para NEVs foi substituída por redução de 50% — taxa efetiva de 5%, com desconto máximo de 15.000 yuans (US$ 2.200) por veículo.

Em 3 de julho, Ministério das Finanças, Administração Estadual de Tributação e Ministério da Indústria anunciaram que o tratamento tributário preferencial para veículos e embarcações também será retirado a partir de 1º de janeiro de 2027 — encerrando redução de 50% no imposto para veículos eficientes e isenções para comerciais elétricos, híbridos plug-in e veículos com extensor de autonomia. Essas políticas estavam em vigor havia 15 anos.

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Resumindo o que ainda resta de benefício: o imposto de compra segue com desconto até 15.000 yuans por veículo (economia de cerca de 5% para carros de até 300.000 yuans); o imposto sobre baterias segue reduzido pela metade até setembro de 2027 (economia de cerca de US$ 100 por veículo); baterias de sódio ou estado sólido seguem isentas até pelo menos 2028 (economia de cerca de US$ 200). Já o imposto sobre veículos e embarcações elevará em cerca de 300 yuans (US$ 45) o custo anual de híbridos plug-in e com extensor de autonomia a partir de 2027, chegando a 660 yuans (US$ 100) — carros totalmente elétricos não são afetados nesse item.

Um ponto importante: esses subsídios não são exclusivos de marcas chinesas — qualquer elétrico fabricado na China, incluindo Tesla, Volkswagen e Toyota, é elegível.

Além dos incentivos tributários, os NEVs contam com dois tipos mais amplos de apoio. O primeiro é a isenção de taxas de manutenção de vias urbanas, já que essas taxas ficam embutidas no preço do combustível na China — carros que não usam gasolina ou diesel simplesmente não contribuem para essa cobrança.

O segundo é o investimento pesado em infraestrutura: a China já tem a rede elétrica mais robusta do mundo e segue investindo em pontos de recarga e estações de troca de bateria, com capital estatal cobrindo parte desses custos. Essa infraestrutura ajuda a explicar por que, na China, mesmo um elétrico com autonomia relativamente curta — como o Geely Xingyuan (EX2), com 310 km — não gera preocupação relevante com autonomia entre os consumidores locais.

Somando esses dois tipos de apoio estrutural, o custo operacional por quilômetro de um elétrico na China pode chegar a 1 centavo de dólar. Esses benefícios também não são exclusivos de carros fabricados no país — qualquer elétrico rodando na China pode aproveitá-los.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A leitura mais importante aqui não é “a China está cortando apoio aos elétricos”, é “a China está trocando o tipo de apoio”: menos subsídio direto em dinheiro, mais vantagem estrutural via infraestrutura e isenção de taxas — algo muito mais difícil de outros países replicarem rapidamente.

O momento desse aumento de imposto sobre baterias conecta diretamente com outra matéria que já cobrimos aqui: o próprio presidente da CATL alertou recentemente sobre falhas em lotes de bateria ligadas à pressão de custo e ao ritmo acelerado de lançamentos — e agora esse custo sobe ainda mais, justamente num momento sensível de qualidade para o setor.

Vale reforçar que os subsídios não favorecem só marcas chinesas: Tesla, Volkswagen e Toyota fabricados localmente também se beneficiam, o que contraria a narrativa simplista de que a China protege apenas suas próprias fabricantes.

O número de “1 centavo de dólar por quilômetro” é uma estimativa da própria publicação de origem, e não um dado auditado de forma independente — vale tratá-lo como referência de ordem de grandeza, não como cálculo exato aplicável a qualquer veículo.

Com subsídios domésticos encolhendo aos poucos, vale acompanhar se as montadoras chinesas vão compensar isso intensificando ainda mais as exportações — movimento que já discutimos na coluna do Fernando Calmon sobre a retração das vendas internas chinesas e o consequente boom de exportação.

Siga @tarcisiomecanicaonline para saber como a redução de subsídios na China pode afetar o preço dos elétricos exportados.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

Imposto sobre baterias de lítio começa a subir: 2% a partir de setembro de 2026, chegando a 4% em setembro de 2027.

Isenção durou mais de uma década: fim do tratamento preferencial que sustentou a indústria de baterias para elétricos na China.

Baterias de sódio e estado sólido seguem isentas: até pelo menos 31 de dezembro de 2028.

Imposto de compra de elétricos também subiu: de isenção total para alíquota efetiva de 5%, com teto de 15.000 yuans por veículo.

Isenções de 15 anos serão extintas em 2027: para veículos híbridos plug-in, com extensor de autonomia e comerciais elétricos.

Subsídios não são exclusivos de marcas chinesas: Tesla, Volkswagen e Toyota fabricados na China também são elegíveis.

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Imposto sobre o consumo: tributo cobrado sobre a produção ou venda de determinados produtos, incidindo diretamente sobre o preço final pago pelo consumidor.

NEV (New Energy Vehicle): categoria usada na China para classificar veículos elétricos puros, híbridos plug-in e veículos movidos a célula de combustível, em contraposição aos veículos a combustão tradicional.

Taxa de manutenção de vias: tributo cobrado para custear a conservação de estradas e ruas, geralmente embutido no preço do combustível em países como a China, o que isenta veículos elétricos dessa cobrança.

Estação de troca de bateria (battery swap): infraestrutura que permite substituir a bateria descarregada de um veículo elétrico por uma já carregada em poucos minutos, alternativa ao carregamento tradicional.

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