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Pneu sem ar resiste a furos, mas ainda enfrenta obstáculos para chegar aos carros

Tecnologia Tweel da Michelin substitui o ar por uma estrutura flexível, elimina o risco de perda de pressão e encontra aplicações onde continuar rodando é prioridade.

Imagine atravessar pedras, entulho ou terrenos hostis sem precisar se preocupar com um pneu furado. Essa é a principal vantagem dos pneus sem ar, tecnologia na qual a Michelin trabalha há anos com conceitos como Uptis e produtos da família Tweel. A solução elimina a pressão interna e utiliza uma estrutura flexível para sustentar o veículo, mas aquilo que funciona muito bem em aplicações industriais e fora de estrada ainda enfrenta desafios importantes para chegar aos automóveis de passeio em larga escala.

O pneu convencional depende de algo que normalmente só recebe atenção quando desaparece: a pressão do ar.

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É ela que participa da sustentação da carga, influencia a deformação da carcaça e interfere diretamente no comportamento do veículo. Um furo capaz de provocar perda significativa dessa pressão pode comprometer a mobilidade.

Os chamados pneus sem ar, ou airless, partem de outro princípio. Em vez de uma cavidade pressurizada, utilizam elementos estruturais flexíveis entre a roda e a banda de rodagem.

Isso muda completamente a maneira como o conjunto suporta peso e absorve irregularidades.

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Tweel combina roda e pneu em uma estrutura única

O próprio nome Tweel combina tire e wheel. A proposta integra funções tradicionalmente divididas entre pneu e roda.

No lugar das paredes de um pneu convencional sustentadas pela pressão interna, existe uma estrutura de raios flexíveis, capaz de se deformar quando encontra obstáculos e retornar à sua geometria.

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A principal consequência é evidente: não existe pressão para perder.

Pregos, perfurações ou determinados danos que esvaziariam um pneu pneumático deixam de provocar o mesmo tipo de imobilização.

É justamente por isso que a tecnologia encontra aplicações particularmente interessantes em máquinas industriais, equipamentos utilizados sobre entulho, veículos fora de estrada e determinadas aplicações táticas.

Mobilidade pode ser mais importante do que conforto

Em um veículo utilizado em ambiente industrial ou operacional severo, parar por causa de um pneu furado pode representar muito mais do que o inconveniente de uma troca.

Equipamentos que trabalham em locais com metais, pedras e resíduos capazes de perfurar pneus são candidatos naturais para uma solução sem ar.

O mesmo raciocínio ajuda a explicar o interesse por aplicações militares e veículos leves destinados a terrenos difíceis: preservar a capacidade de deslocamento mesmo depois de determinados danos pode ser uma característica operacional importante.

A tecnologia também pode favorecer a adaptação da banda de rodagem às irregularidades do terreno, já que a deformação acontece mecanicamente pela estrutura flexível, e não pela combinação tradicional entre carcaça e pressão do ar.

Mas essa vantagem não significa que o conceito seja automaticamente superior ao pneu convencional em todas as aplicações.

Se funciona, por que ainda não está nos automóveis?

É justamente quando aumentam velocidade, exigência de conforto, ruído e necessidade de controlar temperatura que surgem alguns dos principais desafios.

A estrutura flexível precisa se deformar continuamente a cada rotação. Essa movimentação produz perdas de energia e geração de calor, fatores que se tornam mais críticos conforme aumentam velocidade e carga.

Há também desafios de ruído e vibração. Uma estrutura aberta composta por raios trabalha de maneira bastante diferente de um pneu pneumático fechado, especialmente nas condições de rodagem esperadas em um automóvel de passeio.

Isso ajuda a explicar por que as aplicações atuais citadas para o Tweel estão concentradas principalmente em máquinas industriais, equipamentos agrícolas, jardinagem profissional e determinados veículos fora de estrada, nos quais resistência a furos e continuidade operacional podem ser mais importantes que refinamento em alta velocidade.

Uptis busca levar o conceito ao automóvel

É importante não tratar Tweel e Uptis como se fossem exatamente o mesmo produto.

O Uptis — Unique Puncture-proof Tire System — representa o desenvolvimento da Michelin direcionado ao universo dos automóveis de passageiros, mantendo o princípio fundamental de eliminar a necessidade de ar comprimido.

A proposta procura atacar problemas conhecidos dos pneus convencionais, principalmente furos e perda de pressão, além de reduzir situações nas quais pneus são descartados prematuramente por danos relacionados à pressão.

Porém, conforme o material apresentado, nenhum automóvel de passageiros utiliza atualmente o Uptis em produção regular.

Essa diferença é importante porque demonstra que provar a viabilidade de um pneu sem ar em uma máquina industrial ou veículo de baixa velocidade é diferente de atender simultaneamente às exigências de durabilidade, conforto, estabilidade, eficiência e comportamento em alta velocidade de um automóvel moderno.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O pneu pneumático sobrevive há tanto tempo porque o ar é uma solução de engenharia extremamente eficiente. Ele ajuda a sustentar carga, absorver impactos e permitir deformação com relativamente pouca massa. Retirar o ar significa que outra estrutura precisa assumir todas essas funções.

O Tweel mostra que isso é possível. A estrutura flexível suporta a carga e se deforma diante dos obstáculos sem depender de pressão interna. Para aplicações nas quais um furo significa máquina parada ou perda da mobilidade, a vantagem é evidente.

Mas existe uma diferença fundamental entre sobreviver a uma perfuração e ser um bom pneu para automóvel. Um carro exige comportamento previsível em diferentes velocidades, baixo nível de vibração e ruído, controle térmico, eficiência energética e capacidade de enfrentar milhares de quilômetros em condições muito variadas.

É por isso que o grande desafio do pneu sem ar não é simplesmente provar que ele funciona. Isso já foi demonstrado em aplicações específicas. O desafio é entregar as vantagens da resistência a furos sem perder as qualidades que mais de um século de desenvolvimento tornou comuns nos melhores pneus pneumáticos.

Também vale evitar uma interpretação equivocada: “sem ar” não significa necessariamente “sem manutenção”. Banda de rodagem continua sofrendo desgaste, a estrutura precisa ser inspecionada e danos físicos continuam sendo possíveis. O que desaparece é a necessidade de manter a pressão de inflação.

Se essa equação técnica for resolvida para automóveis de passeio, a mudança será significativa: o motorista poderá deixar de perguntar qual é a pressão correta dos pneus porque simplesmente não haverá ar dentro deles.

Para acompanhar as tecnologias que estão transformando pneus, suspensão, segurança e a engenharia dos automóveis, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • Sem pressão – A principal diferença é eliminar o ar comprimido e transferir a sustentação da carga para uma estrutura física flexível.
  • Furo deixa de esvaziar – Uma perfuração não provoca a perda de pressão característica dos pneus pneumáticos porque simplesmente não existe ar armazenado.
  • Tweel não é Uptis – Embora compartilhem o princípio dos pneus sem ar, são soluções desenvolvidas para aplicações diferentes.
  • Aplicações severas – Máquinas industriais e determinados veículos fora de estrada se beneficiam especialmente da resistência a perfurações.
  • Calor é um desafio – A deformação contínua dos elementos estruturais gera perdas e precisa ser administrada em aplicações de maior velocidade.
  • Automóvel exige mais – Resistir a furos é apenas parte da equação; conforto, ruído, eficiência, durabilidade e comportamento dinâmico também precisam ser atendidos.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • Pneu pneumático – Pneu convencional cuja estrutura trabalha em conjunto com ar pressurizado para suportar a carga e absorver irregularidades.
  • Airless – Tecnologia de pneu que dispensa ar comprimido e utiliza uma estrutura física para sustentar o veículo.
  • Tweel – Conceito que reúne funções de pneu e roda em um conjunto sem ar, utilizando elementos estruturais flexíveis.
  • Uptis – Sigla de Unique Puncture-proof Tire System, solução sem ar desenvolvida pela Michelin com foco na aplicação automotiva.
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