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Mercedes-Benz completa 70 anos no Brasil com fábrica única no mundo

Operação iniciada em São Bernardo do Campo em 1956 tornou o País centro de engenharia da Daimler Truck e hoje reúne caminhões, ônibus e agregados numa mesma planta.

Setenta anos depois de iniciar a produção no Brasil, a Mercedes-Benz transformou uma fábrica criada em plena expansão da indústria automobilística nacional em uma operação estratégica para a Daimler Truck. São Bernardo do Campo não apenas continua produzindo veículos comerciais: concentra uma combinação industrial que nenhuma outra fábrica do grupo fora da Alemanha reúne — e abriga uma responsabilidade mundial que ajuda a explicar o peso da engenharia brasileira dentro da companhia.

A Mercedes-Benz do Brasil completa 70 anos de produção no País, contando a partir da inauguração da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), em 28 de setembro de 1956.

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Ao longo dessas sete décadas, caminhões e ônibus da marca acompanharam a expansão do transporte rodoviário brasileiro e a própria industrialização do País. A operação também deixou de exercer apenas uma função produtiva para assumir atividades de engenharia, pesquisa, desenvolvimento e validação de veículos comerciais.

Hoje, o Brasil ocupa uma posição particular dentro da estrutura global da Daimler Truck.

A fábrica de São Bernardo do Campo é, segundo a empresa, a única unidade da Daimler Truck fora da Alemanha que produz no mesmo local caminhões, chassis de ônibus e agregados, como motores, câmbios e eixos.

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Essa característica ajuda a dimensionar como a operação brasileira evoluiu desde os primeiros veículos a diesel fabricados no País.

De fábrica nacional a centro mundial de engenharia

A importância de São Bernardo vai além das linhas de montagem.

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A unidade abriga o Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDT), apontado pela Mercedes-Benz como o maior centro da Daimler fora da Alemanha dedicado a caminhões e chassis de ônibus da marca e também o maior do setor no Brasil.

Mais significativo ainda é o papel assumido pela engenharia brasileira no desenvolvimento internacional.

São Bernardo é o Centro Mundial de Competência da Daimler para desenvolvimento de chassis de ônibus, além de participar globalmente do desenvolvimento de caminhões.

Isso significa que parte do conhecimento produzido no Brasil não fica restrita aos veículos vendidos no mercado nacional.

Engenharia desenvolvida aqui pode ser aplicada em projetos destinados a outros mercados, transformando a operação brasileira também em exportadora de conhecimento e tecnologia.

A unidade abriga ainda o Centro Regional Daimler América Latina, responsável pela representação das marcas Daimler Trucks e Daimler Buses na região.

“O Brasil ocupa uma posição estratégica dentro da Daimler Truck. Nossa operação reúne capacidade industrial, engenharia de excelência, desenvolvimento tecnológico e profundo conhecimento dos clientes”, afirma Denis Güven, presidente e CEO da Mercedes-Benz América Latina, África e Oriente Médio.

Produção chegou à Indústria 4.0

A transformação industrial também aparece dentro da própria fábrica.

A operação que começou produzindo veículos comerciais na década de 1950 incorporou tecnologias relacionadas à chamada Indústria 4.0, incluindo digitalização, análise de grandes volumes de dados, computação em nuvem, conectividade, Inteligência Artificial e Internet das Coisas.

Essas ferramentas podem atuar em diferentes etapas do processo industrial, desde controle e rastreabilidade até análise de produção e qualidade.

A mudança é importante porque uma fábrica moderna de veículos comerciais precisa lidar com grande variedade de configurações e aplicações.

Um caminhão destinado ao transporte rodoviário de longa distância possui requisitos diferentes de um modelo utilizado na construção ou de um chassi que receberá uma carroceria de ônibus urbano.

Quanto maior a diversidade, maior também é a importância de integrar produção, engenharia e controle de processos.

Juiz de Fora produz as cabinas dos caminhões

A estrutura brasileira da Mercedes-Benz não se limita ao ABC paulista.

Em Juiz de Fora (MG) são produzidas as cabinas utilizadas nas diferentes linhas de caminhões da marca.

No estado de São Paulo, a empresa mantém ainda Campo de Provas, além do Centro de Testes Veiculares em Iracemápolis, este último em parceria com a Bosch.

A estrutura é complementada por um Centro de Distribuição de Peças em Itupeva e um Centro de Treinamento em Atibaia.

Esse conjunto permite que diferentes etapas da vida de um veículo comercial — desenvolvimento, testes, fabricação, capacitação e pós-venda — sejam apoiadas por estruturas instaladas no próprio País.

De Accelo a Arocs

A atual gama brasileira de caminhões Mercedes-Benz cobre diferentes aplicações.

A família Accelo atende aos segmentos leves e médios, enquanto o Atego participa das categorias de médios, semipesados e extrapesados destinados também a aplicações off-road.

O Axor permanece direcionado aos extrapesados rodoviários, enquanto o Actros atende aplicações on-road e mix-road.

O Arocs, por sua vez, ocupa a faixa dos extrapesados voltados a operações fora de estrada.

Nos ônibus, a fabricante trabalha com chassis a diesel e elétricos a bateria, cobrindo desde micros e modelos convencionais até veículos padron, articulados e superarticulados.

As aplicações incluem transporte urbano, sistemas BRT, corredores, linhas alimentadoras, além de chassis rodoviários para curtas, médias e longas distâncias, fretamento e turismo.

A amplitude dessa gama também ajuda a explicar a importância de manter engenharia local: um veículo comercial precisa ser desenvolvido considerando sua missão de transporte, e não apenas potência ou capacidade de carga isoladamente.

Rede soma 362 pontos de atendimento

Outra dimensão construída ao longo dessas sete décadas está no pós-venda.

A Mercedes-Benz informa possuir atualmente 182 concessionários e 180 oficinas dedicadas, somando 362 pontos de atendimento distribuídos por todos os estados brasileiros.

Dentro dessa estrutura existem ainda 28 concessionários Center Bus, especializados no atendimento aos operadores de ônibus.

Para veículos comerciais, essa capilaridade possui importância particular.

Um caminhão ou ônibus é essencialmente uma ferramenta de trabalho. Tempo parado para manutenção significa redução da disponibilidade operacional, tornando assistência técnica, peças e capacidade de atendimento elementos diretamente relacionados à produtividade.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Quando observamos 70 anos de uma fabricante no Brasil, é fácil transformar a história apenas numa sequência de caminhões e ônibus que saíram da linha de montagem.

Mas existe um legado industrial mais profundo.

O ponto que considero mais relevante nessa trajetória é a transformação do Brasil de local de fabricação em local de desenvolvimento de tecnologia.

Produzir é importante.

Desenvolver exige outra camada de conhecimento.

Quando engenheiros brasileiros participam de projetos globais e São Bernardo assume a responsabilidade mundial pelo desenvolvimento de chassis de ônibus dentro da Daimler, existe engenharia criada no País influenciando produtos que ultrapassam nossas fronteiras.

Isso também ajuda a entender por que testar localmente é tão importante.

O Brasil combina longas distâncias, diferentes condições de pavimento, temperaturas elevadas, operações severas e enorme diversidade de aplicações. Caminhões e ônibus trabalham sob condições muito diferentes daquelas encontradas em automóveis particulares.

Ao mesmo tempo, os próximos anos podem representar uma transformação tão relevante quanto várias das mudanças ocorridas nessas primeiras sete décadas.

Diesel continuará fazendo parte de muitas operações, enquanto eletrificação, conectividade, digitalização e novas soluções energéticas passam a disputar espaço conforme a aplicação.

A engenharia terá justamente o trabalho de descobrir qual tecnologia faz sentido para cada missão.

Porque no transporte comercial não basta uma solução funcionar tecnicamente.

Ela precisa entregar disponibilidade, produtividade, durabilidade e custo operacional compatíveis com o negócio do cliente.

É nesse ponto que os 70 anos deixam de representar apenas passado.

Ter fábrica, centro de desenvolvimento, estruturas de testes, fornecedores, rede de atendimento e profissionais especializados cria uma base industrial que pode ser utilizada para desenvolver a próxima geração do transporte brasileiro.

Para acompanhar a evolução da engenharia de caminhões, ônibus e novas tecnologias para o transporte, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 28 de setembro de 1956 – A inauguração da fábrica de São Bernardo do Campo marcou o início da produção da Mercedes-Benz no Brasil.
  • Operação única – São Bernardo é apontada pela empresa como a única fábrica da Daimler Truck fora da Alemanha que reúne caminhões, chassis de ônibus, motores, câmbios e eixos no mesmo local.
  • Engenharia global – A unidade brasileira é o Centro Mundial de Competência da Daimler para desenvolvimento de chassis de ônibus.
  • Estrutura nacional – São Bernardo concentra produção e engenharia, enquanto Juiz de Fora fabrica as cabinas das linhas de caminhões.
  • Testes no Brasil – A empresa mantém Campo de Provas e conta também com um Centro de Testes Veiculares em Iracemápolis em parceria com a Bosch.
  • 362 pontos – A rede informada reúne 182 concessionários e 180 oficinas dedicadas em todos os estados brasileiros.

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  • Agregados – No setor de veículos comerciais, o termo engloba grandes conjuntos mecânicos utilizados na montagem, como motores, transmissões e eixos.
  • Indústria 4.0 – Integração de tecnologias digitais, sensores, conectividade, dados e automação aos processos industriais para acompanhar e otimizar a produção.
  • Chassi de ônibus – Estrutura que reúne elementos como propulsão, suspensão, direção, freios e eixos e posteriormente recebe a carroceria adequada à aplicação.
  • Mix-road – Aplicação que combina utilização rodoviária com trechos ou operações mais severas, exigindo configuração adequada à missão do veículo.

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