A BYD está aumentando literalmente a ambição do Seal 07. A segunda geração ultrapassa a barreira dos cinco metros, ganha entre-eixos maior e terá uma versão elétrica de 402 cv com autonomia anunciada de até 718 km. Mas a transformação não está apenas nos números: a marca prepara duas arquiteturas de propulsão bastante diferentes para o mesmo sedã, enquanto adiciona uma tecnologia no teto que antecipa outra frente importante dessa nova geração.
A BYD revelou as primeiras imagens oficiais da segunda geração do Seal 07, sedã de porte médio a grande que será oferecido tanto como híbrido plug-in (PHEV) quanto totalmente elétrico (BEV).
A renovação é significativa.
Além da nova linguagem visual Ocean Aesthetics 2.0, o carro cresceu em comprimento, largura e distância entre-eixos, recebe LiDAR instalado no teto e terá uma configuração elétrica de 300 kW, equivalentes a aproximadamente 402 cv.
Segundo as informações divulgadas inicialmente na China, essa versão poderá alcançar até 718 km de autonomia pelo ciclo WLTP.
Ainda não há, no material apresentado, confirmação de lançamento dessa nova geração no Brasil.
Seal 07 agora passa dos cinco metros
Uma das mudanças mais fáceis de perceber está nas dimensões.
O atual Seal 07 mede 4.995 mm de comprimento, enquanto a segunda geração passa para 5.080 mm.
São 85 mm adicionais.
A largura cresce de 1.910 para 1.960 mm, acréscimo de 50 mm, enquanto a altura permanece em 1.495 mm.
A distância entre-eixos também aumenta: passa de 2.900 para 2.960 mm, ou 60 mm adicionais.
Com isso, a BYD não está simplesmente redesenhando o sedã.
O Seal 07 também está ficando fisicamente maior, especialmente em duas medidas diretamente relacionadas à ocupação da carroceria: comprimento total e distância entre os eixos.
O ganho de entre-eixos abre espaço para uma cabine potencialmente mais generosa, embora os dados apresentados ainda não detalhem medidas internas ou capacidade do porta-malas.
Novo desenho aproxima Seal 07 do Seal 08
A segunda geração adota a linguagem Ocean Aesthetics 2.0, aproximando visualmente o modelo do Seal 08.
Na dianteira aparecem superfície fechada e conjunto óptico dividido com desenho em forma de onda.
O perfil segue uma abordagem relativamente limpa, com maçanetas semi-ocultas, teto panorâmico e opções de rodas de 18 ou 19 polegadas.
Na traseira, as lanternas atravessam horizontalmente a carroceria, criando uma conexão visual com a dianteira e com outros integrantes mais recentes da família.
Outro elemento chama atenção no teto.
O Seal 07 recebe um sensor LiDAR, apontando para a utilização de uma configuração mais avançada dos sistemas de assistência ao motorista da BYD.
A presença do sensor, entretanto, não deve ser confundida com autonomia plena.
LiDAR é apenas uma das tecnologias capazes de fornecer informações sobre o ambiente ao sistema eletrônico. O nível efetivo de assistência dependerá do conjunto de hardware, software, funcionalidades habilitadas e regulamentação aplicável a cada mercado.
Versão elétrica chega aos 402 cv
A configuração BEV será a mais potente entre aquelas apresentadas.
Seu motor elétrico desenvolve 300 kW, aproximadamente 402 cv, enquanto a velocidade máxima informada chega a 240 km/h.
O alcance anunciado é de até 718 km pelo ciclo WLTP.
Esse último detalhe é particularmente importante.
Autonomia depende diretamente do ciclo de homologação utilizado, portanto os 718 km não devem ser transportados automaticamente para uma eventual homologação brasileira pelo Inmetro.
O material apresentado também não informa capacidade da bateria da versão BEV, arquitetura elétrica, potência máxima de recarga ou tempo de carregamento.
Sem esses números, ainda não é possível avaliar uma das características mais importantes dessa nova geração: quanto tempo será necessário para recuperar uma parcela significativa dos 718 km anunciados.
Híbrido plug-in terá bateria de 38 kWh
A alternativa PHEV utiliza uma combinação bastante diferente.
Sob o capô aparece um motor 1.5 turbo de 115 kW, trabalhando em conjunto com um motor elétrico de 160 kW, cerca de 215 cv.
A bateria LFP possui aproximadamente 38,0 kWh.
É uma capacidade significativa para um híbrido plug-in e ajuda a explicar outro número divulgado para o modelo: até 245 km de autonomia exclusivamente elétrica pelo ciclo WLTC.
Aqui existe uma distinção importante.
Os 245 km da versão PHEV são informados pelo ciclo chinês WLTC, enquanto os 718 km apresentados para o BEV são atribuídos ao WLTP.
Como os procedimentos de homologação são diferentes, os números não devem ser comparados diretamente como se tivessem sido obtidos nas mesmas condições.
Também não foram informados no material apresentado o alcance combinado do híbrido, consumo de combustível ou potência sistêmica.
Portanto, somar simplesmente as potências do motor a combustão e do elétrico para determinar uma potência total seria incorreto sem confirmação da fabricante.
Duas estratégias dentro da mesma carroceria
A oferta simultânea de BEV e PHEV cria uma característica interessante para o Seal 07.
Na versão elétrica, toda a energia utilizada para movimentar o automóvel precisa ser armazenada previamente na bateria.
No híbrido plug-in, existe uma bateria capaz de proporcionar deslocamentos elétricos consideráveis segundo o ciclo divulgado, mas o motor a combustão permanece disponível para ampliar a flexibilidade de utilização.
Isso permite à BYD atender consumidores com perfis diferentes utilizando uma mesma família de produto.
Quem possui acesso frequente à recarga e pretende eliminar o motor a combustão poderá optar pelo BEV.
Quem ainda depende de viagens nas quais a infraestrutura de carregamento representa uma limitação terá a alternativa PHEV.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A segunda geração do Seal 07 mostra como está ficando mais difícil analisar um automóvel eletrificado olhando apenas para potência e autonomia.
Os 718 km do elétrico impressionam, assim como os 245 km elétricos anunciados para o híbrido plug-in.
Mas repare que esses dois números já exigem uma primeira explicação: eles foram divulgados em ciclos diferentes.
E isso faz muita diferença.
Outro ponto interessante está no tamanho da bateria do PHEV.
Com aproximadamente 38 kWh, ela já entra em uma capacidade que, poucos anos atrás, seria suficiente para alimentar integralmente alguns automóveis elétricos.
Isso mostra como a fronteira entre as diferentes formas de eletrificação está mudando.
Híbridos plug-in estão ganhando baterias maiores e percorrendo distâncias elétricas mais longas, enquanto os BEVs ampliam autonomia e capacidade de carregamento.
No caso do Seal 07 elétrico, porém, ainda falta uma informação fundamental para completar a análise: como será a recarga dessa bateria.
Não adianta olhar apenas para quantos quilômetros um elétrico consegue percorrer.
Precisamos saber quanta energia ele armazena, qual potência consegue receber e por quanto tempo sustenta taxas elevadas de carregamento.
É justamente essa combinação que determina se uma grande autonomia será acompanhada de boa capacidade para viagens longas.
Também vale observar o LiDAR.
A indústria chinesa está transformando sensores avançados em outro campo de competição, mas a presença desse equipamento não torna automaticamente um automóvel autônomo.
Sensor coleta informação.
O que o carro consegue fazer com essa informação depende de software, processamento, redundância, condições de utilização e regulamentação.
Portanto, a nova geração do Seal 07 parece avançar simultaneamente em tamanho, eletrificação e sensoriamento.
Agora precisamos conhecer o restante da ficha técnica — e descobrir quais dessas tecnologias eventualmente chegarão aos mercados fora da China.
Para acompanhar como novas baterias, híbridos plug-in e sistemas eletrônicos estão transformando os automóveis chineses, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 5,08 metros – A segunda geração cresce 85 mm e ultrapassa a barreira dos cinco metros de comprimento.
- 2,96 metros – O entre-eixos aumenta 60 mm em relação ao Seal 07 atual, enquanto a largura cresce 50 mm.
- 402 cv no BEV – A versão totalmente elétrica terá motor de 300 kW e velocidade máxima informada de 240 km/h.
- Até 718 km – É a autonomia anunciada para a configuração elétrica pelo ciclo WLTP, não uma homologação brasileira.
- 38 kWh no PHEV – A configuração híbrida plug-in utiliza bateria LFP de aproximadamente 38 kWh e anuncia 245 km elétricos pelo ciclo WLTC.
- LiDAR no teto – O sensor amplia a capacidade de percepção do ambiente para sistemas de assistência, mas sua presença isoladamente não significa condução autônoma.
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- BEV – Veículo movido exclusivamente por energia elétrica armazenada em uma bateria recarregável.
- PHEV – Híbrido plug-in que combina motor a combustão, propulsão elétrica e bateria que pode receber energia de uma fonte externa.
- LiDAR – Sensor que utiliza pulsos de luz para medir distâncias e construir uma representação tridimensional do ambiente ao redor do veículo.
- WLTP e WLTC – Procedimentos utilizados para medir consumo e autonomia sob condições padronizadas; resultados obtidos em ciclos diferentes não devem ser tratados como diretamente equivalentes.

