quarta-feira, 28 outubro , 2026
29.2 C
Recife

Chery faz alerta aos EUA: sem carros chineses, indústria americana pode ficar 10 anos atrás

Executivo da fabricante chinesa afirma que barreiras comerciais podem prejudicar a competitividade, atrasar tecnologias e manter os automóveis mais caros. Mas será que a ausência das marcas chinesas explica os preços nos Estados Unidos?

Os Estados Unidos podem enfrentar um problema inesperado na indústria automotiva: proteger seu mercado da concorrência chinesa hoje e descobrir, daqui a dez anos, que seus automóveis ficaram tecnologicamente ultrapassados. O alerta partiu de Zhang Guibing, presidente da Chery International, durante um encontro com jornalistas australianos na China. Segundo o executivo, as restrições à entrada de fabricantes chinesas podem reduzir a pressão por inovação e contribuir para preços elevados. A declaração acontece enquanto marcas como BYD, Chery e Xiaomi ampliam sua presença internacional, oferecendo veículos eletrificados, sistemas digitais avançados e novos recursos de assistência à condução.

Chery alerta para risco de atraso tecnológico nos Estados Unidos

- Publicidade -

Durante o encontro realizado em Wuhu, na China, Zhang Guibing questionou como estará a indústria automobilística americana nos próximos cinco ou dez anos caso permaneça relativamente isolada da concorrência chinesa.

O executivo argumentou que mercados como Austrália e Europa estão experimentando mudanças rápidas na oferta de tecnologias e produtos.

Sua preocupação é que os consumidores americanos tenham menos acesso a essas transformações enquanto fabricantes de outros países aceleram o desenvolvimento.

- Publicidade -

A declaração, entretanto, representa a avaliação estratégica de um executivo interessado em entrar no mercado americano, não uma demonstração de que a indústria dos Estados Unidos esteja tecnologicamente atrasada.

Carros americanos custam quase US$ 60 mil? Dados mostram outra realidade

Guibing também associou a ausência das marcas chinesas aos preços elevados dos automóveis vendidos nos Estados Unidos.

- Publicidade -

Durante a conversa, mencionou relatos de jornalistas sobre veículos que custariam aproximadamente US$ 60 mil.

Mas os dados de mercado apresentam uma referência diferente.

Segundo a Kelley Blue Book, da Cox Automotive, o preço médio efetivamente pago por um veículo novo nos Estados Unidos foi de US$ 50.562 em setembro de 2026, próximo do recorde histórico de US$ 50.614, registrado em dezembro de 2025.

O resultado demonstra que os automóveis americanos são caros, mas não comprova que as restrições às fabricantes chinesas sejam a principal causa.

Preferência por SUVs grandes e picapes, custos industriais, equipamentos e características do mercado também influenciam os preços.

A entrada de novos concorrentes poderia ampliar as alternativas dos consumidores, mas seus efeitos dependeriam de tarifas, regulamentações, distribuição e posicionamento comercial.

Tarifas e restrições digitais dificultam a entrada de marcas chinesas

A dificuldade de acesso ao mercado americano não está relacionada exclusivamente aos impostos de importação.

Além das tarifas elevadas sobre determinados veículos chineses, os Estados Unidos estabeleceram restrições a tecnologias de conectividade e direção automatizada com vínculos específicos à China e à Rússia.

As regras federais abrangem software de sistemas conectados e de condução automatizada a partir do ano-modelo 2027, além de restrições a determinados componentes de hardware a partir do ano-modelo 2030.

Também existem limitações à comercialização de veículos conectados por fabricantes sujeitos às condições definidas na regulamentação.

O governo americano justifica as medidas por preocupações relacionadas à segurança nacional, proteção de dados e possibilidade de acesso indevido a informações dos veículos.

Portanto, a discussão envolve dois interesses distintos: estimular a concorrência e proteger infraestruturas digitais consideradas sensíveis.

Austrália mostra como a concorrência chinesa pode mudar o mercado

Na Austrália, a expansão das fabricantes chinesas oferece um exemplo da transformação que ocorre fora dos Estados Unidos.

Segundo os números apresentados no material, 38,9% dos veículos novos vendidos no país em setembro foram fabricados na China.

É importante distinguir o local de fabricação da nacionalidade da marca. Nem todos os veículos produzidos na China pertencem a fabricantes chinesas, pois empresas internacionais também possuem fábricas no país.

A presença crescente desses produtos amplia a oferta de automóveis eletrificados, tecnologias digitais e diferentes faixas de preço.

Entretanto, a participação comercial, isoladamente, não demonstra superioridade de qualidade, durabilidade ou segurança.

Esses aspectos precisam ser avaliados por meio de testes independentes, confiabilidade, assistência técnica e custo total de propriedade.

Ford também reconhece a força da indústria chinesa

As preocupações relacionadas à competitividade não são exclusivas das fabricantes chinesas.

O CEO da Ford, Jim Farley, já comparou a expansão da indústria automotiva chinesa ao crescimento das marcas japonesas no mercado americano, destacando a escala da transformação.

Farley também ganhou destaque ao utilizar um Xiaomi SU7 para conhecer melhor as características de um concorrente desenvolvido na China.

A postura demonstra que fabricantes tradicionais estão observando atentamente os avanços em baterias, eletrônica embarcada, software e processos industriais.

Isso não significa que as empresas americanas estejam paradas. Ford, General Motors e Tesla também investem em eletrificação, plataformas digitais e novas arquiteturas de desenvolvimento.

O desafio é transformar esses investimentos em produtos competitivos em custo, tecnologia e qualidade.

Chery considera parcerias para entrar no mercado americano

A fabricante chinesa mantém interesse em ampliar sua presença internacional, inclusive na América do Norte.

Segundo informações divulgadas pela Reuters em outubro de 2026, executivos da Chery indicaram abertura para parcerias tecnológicas com fabricantes americanas.

Uma das possibilidades discutidas seria desenvolver soluções que atendam às exigências locais de segurança digital e fornecimento de componentes.

Entretanto, não existe confirmação de lançamento comercial da Chery nos Estados Unidos nem cronograma oficial para essa entrada.

A expansão para o Canadá é considerada um possível caminho para ampliar o conhecimento sobre o mercado norte-americano.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O alerta da Chery levanta uma questão relevante para a indústria mundial: proteger o mercado interno pode fortalecer determinados fabricantes, mas a ausência de concorrência também pode diminuir a pressão por inovação e preços competitivos.

A China construiu vantagens importantes em baterias, eletrônica, integração de fornecedores e velocidade de desenvolvimento de produtos. Entretanto, não é correto concluir que todos os automóveis chineses sejam tecnologicamente superiores aos americanos ou europeus.

A verdadeira competitividade depende de um conjunto mais amplo: segurança, eficiência energética, confiabilidade, atualizações de software, manutenção e qualidade industrial.

As preocupações americanas com conectividade também merecem análise. Veículos modernos coletam e transmitem grandes volumes de dados, incluindo informações de localização, sensores e sistemas embarcados. A proteção desses dados é uma exigência legítima e precisa ser tratada por regulamentações técnicas verificáveis.

Por outro lado, restrições comerciais não substituem investimentos em engenharia. Uma indústria precisa desenvolver produtos melhores continuamente, independentemente da existência de barreiras à importação.

O Brasil também pode observar essa discussão com atenção. A expansão das marcas chinesas aumenta as opções disponíveis ao consumidor, mas exige políticas capazes de fortalecer produção nacional, desenvolvimento tecnológico, assistência técnica e cadeia de fornecedores.

O futuro da indústria automotiva não será definido apenas por quem fabrica mais barato ou oferece mais equipamentos. Será determinado pela capacidade de combinar inovação, segurança, qualidade e competitividade sem perder a confiança do consumidor.

Para acompanhar indústria automotiva chinesa, Chery, tecnologia veicular, eletrificação e mercado internacional, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 5 a 10 anos – Prazo mencionado pelo presidente da Chery para um possível afastamento tecnológico entre mercados.
  • US$ 50.562 – Preço médio efetivamente pago por veículos novos nos EUA em setembro de 2026.
  • 38,9% – Participação informada dos veículos fabricados na China nas vendas australianas de setembro.
  • 2027 – Ano-modelo de início das principais restrições americanas a determinados softwares e fabricantes de veículos conectados.
  • 2030 – Ano-modelo previsto para restrições relacionadas a determinados componentes de conectividade.
  • Jim Farley – CEO da Ford que tem destacado a necessidade de compreender a concorrência chinesa.
  • Chery – Fabricante que mantém interesse em futuras oportunidades comerciais nos Estados Unidos.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • Veículo definido por software (SDV) – Automóvel cuja arquitetura eletrônica permite integrar e atualizar funcionalidades por meio de programas digitais.
  • Sistema de condução automatizada (ADS) – Conjunto de hardware e software que executa tarefas de direção dentro de condições operacionais específicas.
  • Segurança cibernética automotiva – Proteção dos sistemas eletrônicos e dados do veículo contra acessos e interferências não autorizados.
  • Cadeia de fornecimento – Rede de empresas responsáveis pelo desenvolvimento, fabricação e entrega de componentes utilizados na produção.
- Publicidade -

Matérias relacionadas

Modelos Peugeot

Mais recentes

Destaques Mecânica Online

Avaliação MecOn

Mecânica Online® agora no Spotify – informação que acelera seu conhecimento

Para quem gosta de entender o mundo automotivo, o Mecânica Online® Podcast com Tarcisio Dias traz análises técnicas, entrevistas e os principais assuntos da indústria automotiva, de um jeito claro e direto.

Clique aqui para ouvir agora no Spotify!