A Ducati XDiavel V4 já integra a ofensiva da marca italiana no Brasil com uma combinação pouco convencional: posição de pilotagem típica de uma cruiser, pneu traseiro de 240 mm e um motor V4 de 168 cv capaz de levá-la de 0 a 100 km/h em menos de três segundos. A evolução também reduziu o peso em 6 kg frente à antiga XDiavel 1260 S e ampliou o intervalo para verificação da folga das válvulas para 60 mil quilômetros.
A XDiavel V4 representa uma mudança importante para a sport cruiser da Ducati. O conhecido conceito de uma motocicleta baixa, longa e musculosa permanece, mas agora está associado ao V4 Granturismo de 1.158 cm³ e a uma nova arquitetura de chassi.
O modelo marca também uma década desde a apresentação da XDiavel no mercado brasileiro. Nesta geração, a proposta continua sendo unir características de uma cruiser a um comportamento dinâmico mais próximo daquele esperado de uma Ducati de alto desempenho.
V4 entrega 168 cv e 126 Nm
O motor V4 Granturismo desenvolve 168 cv e torque máximo de 126 Nm a 7.500 rpm.
Um dos recursos técnicos é o virabrequim contrarrotativo, solução utilizada para reduzir parte do efeito giroscópico produzido pelos componentes internos em movimento e favorecer a agilidade da motocicleta.
O motor utiliza ainda a ordem de ignição Twin Pulse e um sistema capaz de desativar o banco traseiro de cilindros não apenas com a moto parada, mas também em determinadas situações de baixa rotação e baixa solicitação.
Nessas condições, somente os dois cilindros dianteiros permanecem ativos. Quando há necessidade de desempenho, os quatro cilindros voltam a funcionar.
Outro número chama atenção no uso de longo prazo: a Ducati estabelece 60 mil quilômetros como intervalo para a verificação da folga das válvulas.
Menos de 3 segundos até 100 km/h
Apesar das proporções de cruiser, a XDiavel V4 tem 229 kg de peso bruto sem combustível, redução de 6 kg em relação à XDiavel 1260 S.
Combinando os 168 cv, pneu traseiro 240/45 e relações de transmissão específicas, a Ducati declara aceleração de 0 a 100 km/h em menos de três segundos.
A frenagem utiliza dois discos dianteiros de 330 mm com pinças Brembo Stylema. Segundo a fabricante, o conjunto pode atingir desaceleração máxima de 11,5 m/s².
O chassi é do tipo monocoque de alumínio, acompanhado de braço oscilante unilateral também de alumínio. O garfo invertido possui tubos de 50 mm e, assim como o amortecedor traseiro, permite ajustes.
Cruiser baixa, mas com ergonomia revista
O assento fica a apenas 770 mm do solo, característica importante para a proposta de pilotagem baixa da XDiavel.
Em relação à XDiavel 1260, o guidão foi reposicionado e o curso da suspensão traseira aumentou 25 mm.
A Ducati também ampliou o espaço destinado ao passageiro: o assento traseiro ficou 30% mais largo, 50% mais comprido e 25 mm mais espesso, além de contar com alça de apoio de série.
Para quem busca posição mais esportiva, existe um kit que permite recuar os apoios dos pés.
Visualmente, permanecem elementos característicos da XDiavel, como o tanque musculoso, braço oscilante unilateral e o grande pneu traseiro. A cor apresentada para o modelo é a Burning Red.
Eletrônica controla os 168 cv
A XDiavel V4 utiliza uma unidade de medição inercial de seis eixos, que fornece informações para diferentes sistemas eletrônicos.
O pacote inclui ABS Cornering, Ducati Traction Control, Ducati Wheelie Control, Ducati Power Launch e Ducati Quick Shift para trocas de marcha sem utilização convencional da embreagem durante aceleração e redução.
São quatro modos de pilotagem — Sport, Touring, Urban e Wet — e três modos de potência.
O Cruise Control busca melhorar o conforto em viagens, enquanto o Launch Control auxilia nas arrancadas.
As configurações são apresentadas em uma tela TFT de 6,9 polegadas, com conectividade Bluetooth e integração ao aplicativo Ducati Link. O sistema de navegação Turn by Turn está disponível como acessório.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O aspecto mais interessante da XDiavel V4 não é simplesmente colocar 168 cv em uma cruiser. O desafio de engenharia está em fazer uma motocicleta baixa, com pneu traseiro de 240 mm e posição relaxada de pilotagem responder de maneira compatível com a identidade dinâmica da Ducati.
O virabrequim contrarrotativo participa dessa equação. Como gira em sentido contrário ao das rodas, ele pode reduzir parte dos efeitos giroscópicos envolvidos nas mudanças de direção. Isso não transforma uma cruiser em uma superbike, mas contribui para a busca de maior agilidade em uma motocicleta com essas dimensões e proposta.
Outro recurso interessante está na desativação dos cilindros traseiros. Aqui, a tecnologia não existe para transformar permanentemente o V4 em um bicilíndrico. O sistema atua em determinadas condições de baixa solicitação e reativa os quatro cilindros conforme a demanda do motor.
Os 60 mil quilômetros entre verificações da folga das válvulas também merecem destaque. Em uma motocicleta sofisticada e de alto desempenho, aumentar o intervalo de uma intervenção mecânica importante pode representar uma diferença relevante na rotina de manutenção.
E os menos de três segundos no 0 a 100 km/h ajudam a dimensionar a proposta. Não estamos diante de uma cruiser convencional com um motor grande, mas de uma motocicleta que procura combinar ergonomia relaxada com desempenho de aceleração típico de máquinas esportivas.
Para acompanhar a engenharia das motocicletas de alto desempenho e entender tecnologias como virabrequim contrarrotativo, IMU e desativação de cilindros, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 168 cv – É a potência entregue pelo V4 Granturismo de 1.158 cm³.
- Menos de 3 segundos – É o tempo declarado pela Ducati para acelerar de 0 a 100 km/h.
- 229 kg – O peso bruto sem combustível representa redução de 6 kg em relação à XDiavel 1260 S.
- 60 mil km – É o intervalo estabelecido para a verificação da folga das válvulas.
- 240 mm – A largura do pneu traseiro reforça visualmente e tecnicamente a proposta de sport cruiser.
- 770 mm – A baixa altura do assento contribui para a posição característica de pilotagem da XDiavel.
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- Virabrequim contrarrotativo – Gira em sentido contrário ao das rodas e ajuda a reduzir parte dos efeitos giroscópicos que influenciam a agilidade da motocicleta.
- IMU de seis eixos – Unidade eletrônica que identifica movimentos e inclinações da moto para fornecer informações aos sistemas de assistência.
- ABS Cornering – Sistema antibloqueio que utiliza informações sobre a dinâmica da motocicleta para gerenciar a frenagem também durante situações de inclinação.
- Desativação de cilindros – Tecnologia que interrompe temporariamente o funcionamento do banco traseiro do V4 em determinadas condições de baixa solicitação, reativando-o quando necessário.

