O automóvel está deixando de ser apenas uma máquina mecânica para se transformar também em uma plataforma de software conectada à infraestrutura ao seu redor. Essa mudança altera desde o trabalho dos fornecedores até a maneira como cidades administram o trânsito. Nesta terça-feira, executivos de montadoras, tecnologia, autopeças, energia e mobilidade se encontram em São Paulo para discutir um ponto decisivo: como preparar a indústria brasileira para essa transformação.
A terceira edição do Summit Futuro da Mobilidade acontece nesta terça-feira, 29 de setembro, em São Paulo, reunindo representantes da indústria automobilística, fornecedores, empresas de tecnologia e entidades do setor.
Realizado por Autoesporte e Valor Econômico, o encontro acontece na Casa Traffô, na Vila Olímpia, a partir das 8h30, com entrada aberta ao público mediante inscrição prévia.
A programação coloca no centro da discussão três movimentos que estão ocorrendo simultaneamente: eletrificação, conectividade e inteligência artificial.
Separadamente, cada tecnologia já provoca mudanças importantes. Juntas, porém, elas alteram a arquitetura dos veículos, a relação entre automóveis e infraestrutura e até a estrutura tradicional da cadeia de fornecedores.
Carro passa a depender cada vez mais de software
A abertura, entre 9h20 e 9h40, será conduzida por Tânia Cosentino, conselheira da WEG e ex-presidente da Microsoft Brasil.
A discussão será sobre como a transformação digital modifica as demandas do consumidor, com mediação de André Paixão, editor-chefe de Autoesporte.
O tema ganha importância à medida que funções antes determinadas exclusivamente por componentes físicos passam a depender também de software, sensores, conectividade e processamento de dados.
Isso muda inclusive a maneira como o consumidor se relaciona com o veículo.
Atualizações remotas, aplicativos, serviços conectados e novas interfaces passam a acompanhar características tradicionais como motor, transmissão, suspensão e acabamento na construção da experiência de utilização.
Fornecedores precisam acompanhar a eletrificação
Das 9h40 às 10h20, a programação entra diretamente na cadeia produtiva brasileira.
O painel “Como a cadeia de fornecedores brasileira se prepara para os novos carros eletrificados, inteligentes e conectados” terá José Eduardo Luzzi, do Sindipeças e Abipeças; Ricardo Bastos, da ABVE; Valter Luiz Knihs, da WEG; e Vinícius Alvarenga, da Companhia Brasileira de Lítio.
A mediação será de Caio Bednarski, de Autoesporte.
O assunto coloca uma questão importante para a indústria nacional.
A eletrificação não representa apenas substituir um motor a combustão por um elétrico.
Ela modifica componentes, materiais, sistemas eletrônicos e competências necessárias para desenvolver e fabricar um automóvel.
Ao mesmo tempo, a expansão do software embarcado adiciona outra transformação à cadeia tradicional, exigindo novas especializações e aproximando cada vez mais indústria automobilística, eletrônica, energia e tecnologia da informação.
Conectividade muda segurança e relacionamento com o veículo
O segundo painel, das 10h20 às 11h, será dedicado às soluções que tornam os automóveis mais conectados e inteligentes.
Participam Gisele Tonello, da Stellantis; Márcio Filho, do BMW Group Brasil; Durval Pinheiro Júnior, do Senai Automobilística; e Luciano Driemeier, da Ford.
A mediação será de Jady Peroni, de Autoesporte.
A conectividade abre espaço para funções que vão além do entretenimento.
Informações do veículo podem alimentar serviços de manutenção, assistência, navegação e diferentes sistemas digitais, enquanto atualizações remotas permitem modificar determinadas funcionalidades sem uma intervenção física na oficina.
Mas quanto mais conectado fica o automóvel, maior também se torna a importância de temas como arquitetura eletrônica, proteção de dados, segurança cibernética e qualificação profissional.
Cidade também precisa conversar com o veículo
A tecnologia embarcada representa apenas uma parte dessa transformação.
Das 11h às 11h40, o Summit discutirá cidades inteligentes e rodovias conectadas, com Marcello Schneider, da BYD; Rodrigo Zambon, do Pedágio Digital; Gabriel Porto, do Sem Parar; e Gilmar Pereira Miranda, secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito de São Paulo.
Cauê Lira, editor-assistente de Autoesporte, fará a mediação.
A discussão amplia a mobilidade para além do automóvel.
Veículos conectados podem produzir e receber informações, mas o potencial dessa comunicação depende também da infraestrutura disponível ao redor deles.
Sistemas de pagamento, gerenciamento viário, dados de trânsito e infraestrutura digital passam a fazer parte de um ecossistema no qual carro, estrada e cidade podem trocar cada vez mais informações.
Produtividade fecha a programação
O último painel, das 11h40 às 12h30, leva a discussão novamente para dentro da indústria.
Com Diego Fernandes, COO da GWM; Gustavo Schmidt, CCO da GAC no Brasil; Marcus Vinicius Aguiar, vice-presidente executivo da Anfavea e presidente da AEA; e Mauro Correia, CEO da HPE do Brasil, o debate abordará tecnologias voltadas à produtividade, desenvolvimento, qualidade e mercado dos veículos brasileiros.
A mediação será de Marli Olmos, repórter especial do Valor Econômico.
É uma discussão especialmente relevante num momento em que a transformação do produto ocorre ao mesmo tempo que a transformação da fábrica.
Desenvolvimento virtual, processamento de dados, automação e inteligência artificial podem modificar engenharia, validação, produção e controle de qualidade, enquanto novas arquiteturas eletrônicas exigem competências diferentes das tradicionais.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A transformação mais interessante do automóvel atual talvez não esteja em uma tecnologia isolada.
Está na convergência.
Durante muito tempo, conseguimos separar facilmente as áreas do carro. Existia a engenharia mecânica, depois a eletrônica ganhou espaço e, mais recentemente, o software passou a assumir funções cada vez mais importantes.
Agora essas fronteiras estão desaparecendo.
Um veículo elétrico continua precisando de suspensão, direção, pneus, freios e gerenciamento térmico, mas depende também de bateria, eletrônica de potência e software.
Um sistema avançado de assistência ao motorista precisa de sensores, processamento e programação, mas continua comandando um veículo físico que acelera, esterça e freia.
E um carro conectado pode receber informações da infraestrutura, mas precisa de rede, sistemas compatíveis e segurança digital para transformar esses dados em algo útil.
Para o Brasil, existe ainda uma discussão industrial fundamental.
Não basta acompanhar quais carros chegarão ao mercado.
Precisamos observar quanto da engenharia, do software, dos componentes, das baterias e das novas tecnologias poderá ser desenvolvido ou produzido no País.
É aí que encontros como o Summit Futuro da Mobilidade podem produzir a discussão mais relevante.
O futuro do automóvel não será exclusivamente elétrico, digital, conectado ou mecânico.
Será uma combinação de tudo isso.
E a competitividade da indústria brasileira dependerá de sua capacidade de integrar essas competências em vez de tratá-las como mundos separados.
Para acompanhar como eletrificação, inteligência artificial, conectividade e engenharia estão transformando a mobilidade, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 29 de setembro – A terceira edição do Summit Futuro da Mobilidade acontece nesta terça-feira, em São Paulo.
- Quatro painéis – A programação aborda fornecedores, conectividade, infraestrutura urbana e tecnologias para produtividade e desenvolvimento automotivo.
- Cadeia produtiva – A eletrificação amplia a demanda por competências ligadas a baterias, eletrônica de potência, materiais e novos componentes.
- Software embarcado – Funções digitais passam a ter participação crescente na experiência, manutenção e operação dos veículos.
- Infraestrutura conectada – A transformação não termina no automóvel e inclui cidades, rodovias, pagamentos e sistemas de gerenciamento da mobilidade.
- Indústria brasileira – Um dos principais pontos do debate será como fornecedores e fabricantes instalados no País acompanham essa mudança tecnológica.
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende
- Software embarcado – Programas executados pelos computadores e módulos eletrônicos do próprio veículo para controlar ou oferecer diferentes funções.
- Veículo conectado – Automóvel capaz de trocar dados com serviços externos, aplicativos, infraestrutura ou sistemas remotos por meio de redes de comunicação.
- Internet das Coisas – Conceito de conectar objetos e equipamentos para que possam coletar, transmitir e utilizar dados.
- Inteligência Artificial – Conjunto de técnicas computacionais capazes de identificar padrões e apoiar ou automatizar determinadas decisões; sua aplicação automotiva pode ocorrer no desenvolvimento, produção e em funções do próprio veículo.

