A engenharia automotiva vive uma revolução com os sistemas de autonomia estendida, onde o motor a combustão abandona a tração das rodas para virar uma usina de força a bordo. Tecnologias como o REEV e o E-DHT permitem que SUVs elétricos superem os 1.000 km de alcance, unindo o torque instantâneo da eletricidade com a praticidade do abastecimento rápido, mudando o jogo da mobilidade sustentável.
O conceito de veículo elétrico com autonomia estendida representa o auge da eficiência energética ao eliminar a conexão mecânica direta.
Nessa configuração, o motor de combustão interna opera em regime constante, otimizado para atuar exclusivamente como um gerador de energia.
A tecnologia automotiva por trás desse sistema permite que a bateria de alta voltagem seja alimentada enquanto o veículo está em movimento.
Diferente de um híbrido convencional, o foco aqui é a propulsão elétrica contínua, garantindo silêncio e torque desde o primeiro toque no pedal.
O sistema REEV (Range Extended Electric Vehicle) utiliza um motor térmico compacto para manter a carga da bateria acima de um nível crítico.
Essa estratégia energética é ideal para mercados como o brasileiro, onde a infraestrutura de recarga rápida ainda está em expansão.
Um exemplo prático dessa aplicação é o Leapmotor C10, que utiliza um gerador de 1.5 litros para alimentar sua tração traseira de 215 cv.
Com um tanque de 50 litros, a tecnologia permite alcances combinados que chegam a 970 km, reduzindo a dependência de tomadas em viagens.
Já a Geely introduz a transmissão eletrificada dedicada (E-DHT) no modelo EX5 EM-i, elevando a barra da engenharia aplicada.
O motor térmico deste sistema alcança uma eficiência térmica de 46,5%, uma das marcas mais altas da indústria global atualmente.
Essa alta eficiência permite que o EX5 atinja uma autonomia total de impressionantes 1.300 km, com consumo otimizado de energia.
A tecnologia de bateria integrada, como a Short Blade da Geely, garante recargas mais rápidas e maior estabilidade térmica em uso severo.
O modo híbrido inteligente desses veículos decide, via software, o melhor momento para acionar o motor térmico, priorizando a economia.
Em trechos urbanos, a prioridade é o uso da carga da bateria, enquanto em rodovias o gerador entra em ação para preservar a autonomia.
A análise técnica mostra que o custo por quilômetro rodado nesses sistemas é significativamente menor que em veículos flex tradicionais.
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A segurança ativa também é beneficiada pela eletrificação total da tração, permitindo respostas mais rápidas dos sistemas ADAS e frenagem regenerativa.
Sensores de radar e câmeras de 540° monitoram o ambiente, integrando-se ao controle de torque dos motores elétricos para evitar colisões.
Essa evolução mostra que o motor a combustão não morreu, mas ganhou uma nova e nobre função como parceiro da eletrificação.
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- Eficiência Térmica: Capacidade do motor de converter calor em energia mecânica; quanto maior a porcentagem, menos combustível é desperdiçado.
- Frenagem Regenerativa: Processo que transforma a energia cinética das frenagens em eletricidade para recarregar a bateria.
- E-DHT: Sigla para Electrified Dedicated Hybrid Transmission, uma caixa de câmbio projetada especificamente para gerenciar motores elétricos e térmicos.

