A McLaren vai além dos supercarros de dois lugares e prepara uma das maiores transformações de sua história. Com investimento de £ 500 milhões no Reino Unido, a fabricante confirmou um SUV de alta performance, uma nova fábrica de veículos e, pela primeira vez, o desenvolvimento e a produção interna de seus futuros sistemas de propulsão, começando por dois novos conjuntos de motor e transmissão.
A McLaren Automotive anunciou um programa de investimento de £ 500 milhões no Reino Unido para ampliar sua capacidade de engenharia e manufatura e preparar a próxima geração de produtos da marca.
O plano faz parte de um compromisso mais amplo da acionista L’IMAD, investidora soberana do governo de Abu Dhabi, e envolve instalações dedicadas a design, engenharia, desenvolvimento de veículos, materiais compostos, sistemas de propulsão e montagem.
A expansão também confirma uma mudança importante na estratégia de produto: a McLaren pretende entrar em novas categorias e lançar um SUV de alta performance.
Não foram informados, porém, nome, motorização, dimensões, potência, preço ou data de lançamento do SUV.
McLaren terá nova fábrica no Reino Unido
O investimento permitirá aumentar a capacidade produtiva e manter no Reino Unido a fabricação da próxima geração de veículos da McLaren.
Para isso, está prevista uma nova instalação de montagem de veículos, que terá entre suas atribuições suportar a produção dos futuros modelos, incluindo o SUV recém-confirmado.
A estrutura será integrada às operações que a fabricante já mantém ou está ampliando no país.
Em Woking está o McLaren Production Centre, enquanto South Yorkshire abriga o McLaren Composites Technology Centre, dedicado à pesquisa e fabricação relacionada à fibra de carbono.
A empresa também inaugurou recentemente um centro de design e inovação no McLaren Creation Centre, em Bicester, além de uma instalação para testes e desenvolvimento de veículos em Midlands.
A intenção é formar uma operação britânica integrada capaz de acompanhar o automóvel desde o desenvolvimento inicial até a manufatura avançada.
Motores serão fabricados internamente pela primeira vez
Uma das mudanças tecnicamente mais importantes está nos sistemas de propulsão.
Pela primeira vez na história da McLaren Automotive, futuros conjuntos de propulsão serão projetados e fabricados internamente pela empresa.
O processo começará com dois novos motores e transmissões, embora a fabricante ainda não tenha divulgado especificações técnicas desses conjuntos.
A nova estrutura dará suporte à estratégia de motores híbridos da McLaren, aproveitando a experiência iniciada pela fabricante com o P1.
Trazer essa competência para dentro da empresa significa controlar uma parcela maior do desenvolvimento do veículo, integrando propulsão às demais características que tradicionalmente definem os produtos da marca, como redução de peso, materiais compostos, dinâmica e desempenho.
SUV amplia portfólio para além dos supercarros
A confirmação de um SUV de alta performance representa outro movimento relevante.
A fabricante afirma estar construindo um portfólio completo em torno do supercarro, entrando cuidadosamente em novas categorias sem abandonar o posicionamento associado aos modelos esportivos.
O investimento de £ 500 milhões fornecerá capacidade produtiva, tecnologia e competências para colocar essa nova gama no mercado.
A empresa não detalhou qual será a arquitetura do SUV nem confirmou se o modelo utilizará um dos novos sistemas híbridos desenvolvidos internamente. Portanto, ainda não é possível estabelecer tecnicamente como será a relação entre o novo produto e os futuros motores anunciados.
O que está confirmado é que a entrada em novos segmentos fará parte da próxima fase de crescimento da McLaren Automotive.
Expansão prevê pelo menos mil novos empregos
O programa deverá criar pelo menos 1.000 novos empregos diretos e indiretos até 2032, preservando também os postos existentes.
A McLaren prevê ainda dobrar sua força de trabalho de manufatura no Reino Unido, acompanhada por novos programas de aprendizagem e formação profissional.
Segundo a empresa, os investimentos poderão contribuir para a criação de até 3.000 empregos adicionais na cadeia de suprimentos britânica.
A estratégia também busca manter no Reino Unido propriedade intelectual e capacidade industrial relacionadas a áreas consideradas fundamentais pela fabricante, incluindo fibra de carbono, redução de peso e manufatura avançada.
“Este investimento nos dá a plataforma para crescer, desenvolver e aprimorar os aspectos que nos tornam únicos, ao mesmo tempo em que investimos nas pessoas, tecnologias e produtos que nos manterão competitivos nas próximas décadas”, afirma Nick Collins, CEO da McLaren Group Holdings e da McLaren Automotive.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Entre todos os anúncios, considero a internalização do desenvolvimento e da fabricação dos sistemas de propulsão uma das mudanças mais relevantes para compreender a próxima fase da McLaren.
Motor, transmissão, eletrificação, gerenciamento térmico e dinâmica não trabalham isoladamente em um automóvel de alto desempenho. Quanto maior a integração entre esses sistemas desde o início do projeto, maior a possibilidade de desenvolver o conjunto em torno das características desejadas para cada veículo.
O anúncio de dois novos motores e transmissões mostra que o investimento não está limitado à expansão física das fábricas. Existe uma decisão de adquirir internamente competências de engenharia que poderão definir os próximos produtos da marca.
O SUV será o teste mais evidente dessa estratégia. Um veículo maior impõe desafios diferentes dos encontrados em um supercarro tradicional, especialmente em massa, centro de gravidade, rigidez estrutural e comportamento dinâmico. A experiência da McLaren com redução de peso e fibra de carbono poderá ganhar uma aplicação diferente nesse novo segmento.
Mas ainda existem muitas perguntas sem resposta. A McLaren não informou arquitetura, peso, potência ou configuração híbrida do futuro SUV, portanto qualquer conclusão sobre seu conjunto mecânico neste momento seria especulação.
O que já está claro é a direção: mais produtos, maior capacidade industrial e mais engenharia própria no Reino Unido, enquanto a McLaren procura levar sua identidade além dos supercarros que construíram sua reputação.
Para acompanhar a engenharia por trás dos próximos McLaren, dos novos motores híbridos ao primeiro SUV de alta performance da fabricante, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- £ 500 milhões – É o investimento anunciado para ampliar engenharia e capacidade de manufatura da McLaren Automotive no Reino Unido.
- Primeiro SUV – A fabricante confirmou oficialmente os planos de entrar no segmento de SUVs de alta performance, mas ainda não revelou suas especificações.
- Motores próprios – Pela primeira vez, a McLaren Automotive pretende projetar e fabricar internamente seus futuros sistemas de propulsão.
- Dois novos conjuntos – A nova estratégia começará com dois motores e transmissões ainda sem especificações divulgadas.
- 1.000 empregos – É a previsão mínima de novos postos diretos e indiretos nas operações britânicas até 2032.
- Até 3.000 adicionais – É a estimativa apresentada para possíveis empregos gerados na cadeia de suprimentos do Reino Unido.
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- Sistema de propulsão – Conjunto responsável por gerar e transmitir energia para movimentar o veículo, envolvendo componentes como motor, transmissão e, nos híbridos, elementos elétricos associados.
- Powertrain híbrido – Sistema que combina motor a combustão e componentes elétricos para atender objetivos de desempenho, eficiência ou ambos.
- Fibra de carbono – Material composto de elevada relação entre resistência e massa, utilizado pela McLaren em estruturas que buscam rigidez com redução de peso.
- Manufatura integrada – Estratégia de reunir competências como desenvolvimento, engenharia e produção sob maior controle da própria fabricante, facilitando a integração entre diferentes áreas do veículo.

