O Grupo Chery ampliou sua atuação para o mercado de robótica doméstica com a apresentação mundial do Mobo, primeiro robô humanoide da AiMOGA Robotics desenvolvido para interagir com famílias. Revelado em 21 de outubro, durante o Chery International User Summit 2026, em Wuhu, na China, o equipamento possui 90 centímetros de altura, 22 graus de liberdade e um sistema de inteligência artificial capaz de reconhecer pessoas e objetos, interpretar solicitações, organizar tarefas e utilizar informações de interações anteriores. A empresa também anunciou a abertura da pré-venda global, um programa com 35 usuários para avaliações práticas e o planejamento de 300 centros internacionais de experiência. A estratégia aproveita conhecimentos de engenharia, eletrônica e produção industrial do setor automotivo para ampliar a comercialização de robôs.
A inteligência artificial está deixando de ser utilizada exclusivamente em telas, aplicativos e sistemas de assistência à condução para participar de equipamentos capazes de interagir fisicamente com o ambiente.
Essa transformação é conhecida como inteligência artificial incorporada, ou embodied AI, expressão utilizada para identificar sistemas que combinam processamento inteligente, sensores e mecanismos de movimentação.
O desenvolvimento dessas tecnologias também está aproximando a indústria automotiva do setor de robótica.
Durante o Chery International User Summit 2026, a AiMOGA Robotics apresentou sua estratégia para aproveitar a experiência industrial do Grupo Chery no desenvolvimento de equipamentos capazes de atuar em residências, empresas e serviços públicos.
A principal novidade foi o Mobo, robô humanoide de uso doméstico que pretende oferecer interação personalizada, acompanhamento de rotinas e execução de tarefas compatíveis com suas capacidades mecânicas e eletrônicas.
A apresentação integrou um evento que reuniu mais de 2 mil participantes de diferentes países, sob o tema Sinergia entre carros e robôs, com aplicações orientadas a cenários.
Mobo possui 90 centímetros e 22 graus de liberdade
O Mobo foi desenvolvido para utilização em ambientes domésticos, considerando a convivência com crianças, adultos e idosos.
Com 90 centímetros de altura, o robô possui dimensões menores que as de um humanoide adulto.
Seu projeto utiliza formas arredondadas e materiais destinados a proporcionar uma aparência mais acessível para a interação cotidiana.
Do ponto de vista mecânico, uma das principais características é a presença de 22 graus de liberdade.
Na robótica, esse termo identifica a quantidade de movimentos independentes que uma estrutura pode realizar ou controlar.
Em um equipamento humanoide, esses movimentos estão relacionados às articulações utilizadas para caminhar, modificar a posição do corpo e executar gestos.
Quanto maior a quantidade de graus de liberdade, maiores podem ser as possibilidades de movimentação.
Entretanto, o número de articulações não determina isoladamente a capacidade de um robô realizar tarefas.
O desempenho também depende dos atuadores, sensores, algoritmos de equilíbrio e capacidade de processamento.
A AiMOGA não divulgou especificações completas sobre os motores das articulações, autonomia da bateria, velocidade de deslocamento ou capacidade de transportar objetos.
Robô reconhece pessoas e utiliza memória de interações
Uma das propostas do Mobo está na capacidade de manter interações personalizadas com os integrantes da família.
O sistema utiliza reconhecimento visual e processamento de linguagem para identificar usuários e interpretar determinadas solicitações.
Segundo a fabricante, o robô pode reconhecer familiares e utilizar informações de conversas anteriores para dar continuidade às interações.
A tecnologia também foi desenvolvida para organizar lembretes e acompanhar tarefas programadas.
Entre as funcionalidades apresentadas estão respostas a perguntas, reconhecimento de objetos, contação de histórias e atividades de aprendizagem de inglês.
O equipamento também oferece recursos de conversação e lembretes destinados a adultos e idosos.
A AiMOGA informa que o sistema foi projetado para interagir em mais de 20 idiomas.
Entretanto, a empresa ainda não detalhou quais idiomas estão disponíveis integralmente na versão comercial inicial nem o desempenho específico de cada um.
MoAgent integra percepção, decisão e movimento
A principal tecnologia de inteligência artificial do Mobo recebe o nome de MoAgent.
O sistema foi desenvolvido para coordenar diferentes capacidades do robô em uma arquitetura integrada.
Sua função envolve interpretar informações do ambiente, compreender instruções, organizar ações e controlar movimentos.
O processo pode ser dividido em etapas:
- Percepção: sensores e sistemas de visão identificam características do ambiente.
- Interpretação: a inteligência artificial analisa as informações e as instruções recebidas.
- Planejamento: o sistema organiza as etapas necessárias para realizar determinada atividade.
- Execução: os atuadores recebem comandos para produzir os movimentos.
- Verificação: novas informações são utilizadas para acompanhar o resultado e ajustar as ações.
Essa integração representa uma diferença importante em relação a assistentes virtuais que respondem apenas por texto ou voz.
O robô precisa considerar também sua posição física, os obstáculos presentes e as limitações de movimento.
A inteligência artificial incorporada precisa transformar decisões digitais em ações físicas controladas e seguras.
Memória espacial ajuda a reconhecer objetos e ambientes
Entre os recursos demonstrados está a memória espacial, tecnologia que combina informações atuais do ambiente com registros anteriores.
A proposta é permitir que o robô mantenha referências sobre a localização de determinados objetos e áreas da residência.
Por exemplo, quando um objeto é identificado em determinado ambiente, o sistema pode associar essa informação a uma posição registrada.
Em interações posteriores, esses dados podem auxiliar o robô a responder perguntas relacionadas à localização.
Entretanto, a precisão depende das condições de reconhecimento visual e da atualização das informações.
Se um objeto for movimentado, o sistema precisará identificar a alteração para manter os registros corretos.
A capacidade de reconhecer ou localizar um objeto não significa necessariamente que o robô consiga pegá-lo, transportá-lo ou manipulá-lo.
Essas ações dependem de recursos mecânicos específicos, que não foram completamente detalhados para o Mobo.
Navegação social permite desviar de pessoas e obstáculos
Outra tecnologia apresentada foi a navegação social, desenvolvida para permitir que o robô se movimente em ambientes compartilhados com pessoas.
O sistema utiliza informações de percepção para identificar obstáculos e estimar trajetórias de deslocamento.
A proposta é evitar movimentos inadequados durante a circulação em residências ou outros espaços.
Diferentemente de um sistema que apenas identifica objetos estáticos, a navegação social precisa considerar elementos em movimento.
Isso inclui pessoas caminhando, mudanças inesperadas de direção e alterações na disponibilidade de espaço.
O controle de movimento precisa coordenar essas informações com a posição das articulações e o equilíbrio do robô.
A navegação social é especialmente importante em ambientes domésticos porque crianças, animais e adultos podem se movimentar de maneira imprevisível.
Entretanto, a capacidade efetiva de evitar colisões precisa ser validada em diferentes condições reais de utilização.
Mobo promete executar até 16 tarefas em paralelo
Segundo a AiMOGA, a arquitetura do MoAgent permite administrar até 16 tarefas simultaneamente.
O sistema também teria capacidade de responder a determinadas interrupções em menos de 0,2 segundo.
A proposta é combinar planejamento de atividades prolongadas com respostas rápidas a situações inesperadas.
Durante uma demonstração, o equipamento recebeu notificações, executou procedimentos de inspeção, respondeu a uma pergunta não prevista e retomou a atividade anterior.
O recurso utiliza mecanismos de gerenciamento de tarefas que permitem acompanhar diferentes solicitações.
Entretanto, a administração de 16 tarefas pelo software não significa a execução física simultânea de 16 atividades independentes.
Um robô possui limitações relacionadas à quantidade de movimentos que consegue realizar, à disponibilidade de sensores e à capacidade de processamento.
Da mesma forma, a resposta anunciada de 0,2 segundo corresponde à característica divulgada para o sistema, não a uma medição independente de todas as possíveis situações de uso.
Reconhecimento facial e armazenamento de informações exigem segurança
A possibilidade de reconhecer familiares e utilizar memórias de interações anteriores introduz uma questão importante: a proteção dos dados pessoais.
O Mobo utiliza informações visuais e registros de interação para personalizar determinadas respostas.
Segundo a fabricante, a arquitetura inclui mecanismos de proteção e procedimentos de desidentificação de dados elegíveis para processamento na nuvem.
A plataforma também realiza verificações de segurança no próprio dispositivo.
Entretanto, a presença desses recursos não elimina automaticamente os riscos relacionados à privacidade.
A utilização de reconhecimento facial e armazenamento de informações familiares exige transparência sobre coleta, retenção, processamento e exclusão de dados.
Para uma eventual comercialização brasileira, também será necessário considerar a legislação aplicável à proteção de dados pessoais.
MogaCloud permite atualizações e gerenciamento remoto
A AiMOGA também apresentou a plataforma MogaCloud, desenvolvida para conectar os robôs a serviços digitais.
O sistema permite atribuir determinadas tarefas remotamente e realizar atualizações de software pela internet.
Esse processo é conhecido como OTA (Over-the-Air).
A tecnologia já possui aplicações importantes na indústria automotiva, especialmente em sistemas multimídia, gerenciamento eletrônico e serviços conectados.
Na robótica, as atualizações podem modificar funções de interação, reconhecimento e gerenciamento de tarefas.
Entretanto, sua utilização exige mecanismos de segurança e compatibilidade.
Uma atualização inadequada pode comprometer o funcionamento de sistemas eletrônicos ou modificar características operacionais.
Por isso, a evolução do software precisa ser acompanhada de processos de validação e proteção contra acessos não autorizados.
Pré-venda global foi aberta em outubro
A AiMOGA anunciou a abertura da pré-venda global do Mobo em 21 de outubro de 2026.
A iniciativa representa a entrada da empresa no mercado de robôs domésticos destinados ao consumidor final.
O equipamento já havia sido apresentado publicamente durante a World Robot Conference, em agosto de 2026.
Segundo a companhia, mais de 10 mil potenciais clientes de diferentes nacionalidades demonstraram interesse no produto desde aquela apresentação.
Esse número representa manifestações de interesse e não deve ser confundido com vendas efetivamente concluídas.
A empresa também não informou, nos comunicados internacionais consultados, um preço público definitivo, cronograma detalhado de entrega ou condições específicas de comercialização para o Brasil.
A abertura da pré-venda global não significa disponibilidade imediata do Mobo em todos os países.
35 usuários participarão do desenvolvimento do robô
Durante o User Summit, a AiMOGA anunciou um programa internacional de avaliação com consumidores.
Ao todo, 35 participantes foram selecionados como os primeiros embaixadores globais da experiência do usuário.
Cada integrante receberá a oportunidade de utilizar o Mobo gratuitamente durante um ano.
O objetivo é reunir informações sobre o comportamento do equipamento em situações cotidianas.
Entre os aspectos considerados estão qualidade das conversas, reconhecimento de usuários, lembretes, execução de tarefas e adaptação às rotinas familiares.
As informações serão utilizadas para orientar o aperfeiçoamento das funcionalidades e dos serviços.
Esse processo é conhecido como cocriação, porque considera a experiência dos usuários durante o desenvolvimento e a evolução do produto.
Entretanto, os resultados do programa ainda dependem do período de utilização.
As demonstrações realizadas no evento não substituem avaliações prolongadas em residências com diferentes condições de uso.
AiMOGA utiliza engenharia automotiva para desenvolver robôs
Um dos principais diferenciais apresentados pela AiMOGA está na ligação com o Grupo Chery.
A indústria automotiva possui experiência acumulada na produção em grande escala de componentes mecânicos, eletrônicos e sistemas de controle.
Entre as tecnologias que apresentam possibilidades de aplicação em robótica estão sensores, motores elétricos, atuadores, sistemas eletrônicos, gerenciamento de energia e inteligência artificial.
Esses elementos também são utilizados em automóveis modernos.
Um veículo equipado com assistência avançada à condução precisa interpretar informações de câmeras e sensores, identificar situações e executar comandos.
Embora as aplicações sejam diferentes, parte dos princípios tecnológicos pode ser aproveitada no desenvolvimento de robôs.
A AiMOGA pretende utilizar essa experiência para acelerar sua produção e reduzir custos.
Componentes padronizados podem favorecer fabricação em escala
A estratégia industrial da AiMOGA inclui o desenvolvimento de arquiteturas padronizadas e o reaproveitamento de componentes entre diferentes produtos.
A proposta é reduzir a necessidade de desenvolver soluções completamente novas para cada aplicação.
Essa abordagem possui semelhanças com a utilização de plataformas modulares na indústria automotiva.
Nos automóveis, uma mesma arquitetura pode atender diferentes modelos, compartilhando componentes e processos de produção.
Na robótica, a padronização pode envolver elementos estruturais, atuadores, sensores e sistemas eletrônicos.
Entretanto, existem desafios específicos.
Um robô humanoide precisa manter equilíbrio, administrar movimentos articulados e interagir fisicamente com o ambiente.
Por isso, a experiência automotiva pode contribuir para o desenvolvimento industrial, mas não elimina a necessidade de soluções próprias para a robótica.
Grupo Chery busca reduzir custos com escala industrial
A AiMOGA apresentou um plano estruturado em quatro frentes principais: pesquisa e validação tecnológica, otimização de componentes e custos, comercialização e locação, além de formação de profissionais.
A estrutura de pesquisa combina um instituto dedicado às tecnologias fundamentais com outro voltado à validação de aplicações práticas.
Os trabalhos incluem controle de movimento, percepção inteligente, eletrônica, software e estruturas mecânicas.
A empresa também considera tecnologias relacionadas a interfaces cérebro-computador dentro de sua estratégia de pesquisa.
Entretanto, isso não significa que o Mobo comercializado atualmente possua controle por interface cérebro-computador.
O objetivo do plano industrial é ampliar o aproveitamento das estruturas de compras, engenharia e produção do Grupo Chery.
A escala de fabricação pode contribuir para reduzir custos unitários, desde que exista demanda suficiente e os processos apresentem produtividade adequada.
Empresa planeja 300 centros globais de experiência
A expansão comercial também envolve a criação de uma rede internacional destinada à demonstração e ao atendimento dos produtos.
A AiMOGA anunciou o planejamento de 300 centros globais de experiência.
Essas instalações deverão reunir apresentação de equipamentos, vendas e serviços de pós-venda.
A estratégia também prevê suporte a parceiros nas áreas de marketing digital, serviços financeiros, seguros e assistência técnica.
A proposta é desenvolver uma estrutura comercial capaz de acompanhar o crescimento da utilização de robôs.
Entretanto, os 300 centros representam uma meta anunciada e não uma rede já integralmente instalada.
A empresa não informou quantas dessas unidades serão destinadas ao Brasil.
Locação de robôs terá projeto inicial em Wuhu
Outra iniciativa será a criação da marca global de locação Jia Tian Xia.
O projeto começará com uma operação-piloto em Wuhu, na China.
A proposta é disponibilizar robôs por meio de contratos de utilização, permitindo atender empresas e instituições que não desejam realizar a aquisição definitiva dos equipamentos.
Entre os setores considerados estão saúde, transporte, educação, segurança e turismo.
A locação pode representar uma alternativa para aplicações que exigem equipamentos especializados ou utilização durante períodos específicos.
Entretanto, o modelo econômico depende de fatores como custo de aquisição, manutenção, atualização de software, disponibilidade de peças e tempo efetivo de utilização.
A empresa ainda precisará demonstrar a viabilidade comercial dessas operações em diferentes mercados.
AiMOGA já comercializou mais de 3 mil robôs
Segundo os dados apresentados durante o encontro, a AiMOGA acumulou mais de 3 mil robôs comercializados globalmente.
A empresa também informa aplicações em mais de 100 cenários de utilização e presença de produtos e serviços em mais de 60 países e regiões.
Esses resultados abrangem o portfólio completo da companhia.
Não representam vendas do Mobo, cuja pré-venda global foi anunciada durante o User Summit 2026.
A AiMOGA já desenvolve equipamentos destinados a diferentes atividades comerciais e institucionais.
A experiência acumulada nessas aplicações faz parte da estratégia de entrada no mercado doméstico.
Mornine, Argos e robôs de serviços ampliam portfólio
Além do Mobo, a AiMOGA apresentou outras soluções durante o evento.
Principais robôs da AiMOGA
| Modelo | Aplicação anunciada |
|---|---|
| Mobo | Interação familiar, lembretes e atividades domésticas compatíveis |
| Mornine | Recepção, atendimento e apresentação de produtos |
| Argos | Robô quadrúpede para inspeção e transporte de materiais |
| Robô de segurança inteligente | Apoio a atividades de monitoramento e segurança |
| Robô de assistência médica | Orientação e apoio em ambientes hospitalares |
O robô Mornine possui aplicação em atividades comerciais e recepção de visitantes.
Já o Argos utiliza uma estrutura quadrúpede, com quatro membros de locomoção, destinada a situações que exigem deslocamento em diferentes ambientes.
O modelo de assistência médica foi apresentado para atividades como orientação de pacientes e fornecimento de informações.
A AiMOGA também demonstrou soluções relacionadas ao gerenciamento inteligente do trânsito.
As apresentações mostram que a empresa pretende atuar em diferentes segmentos, e não exclusivamente no mercado doméstico.
Brasil faz parte da expansão internacional do Grupo Chery
No mercado brasileiro, o Chery International Group reúne as marcas OMODA & JAECOO, iCAUR e LEPAS, além da AiMOGA Robotics.
A aproximação entre as operações automotivas e a robótica pode favorecer o compartilhamento de conhecimentos relacionados a eletrônica, inteligência artificial e serviços conectados.
Entretanto, a empresa ainda não confirmou preço, data de entrega, rede de assistência ou condições específicas para comercialização do Mobo no Brasil.
A eventual chegada do produto também dependerá de aspectos relacionados a suporte técnico, conectividade e proteção de dados.
Essas questões serão importantes para determinar a viabilidade de utilização doméstica em diferentes mercados.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A entrada do Grupo Chery no mercado de robôs domésticos demonstra como tecnologias desenvolvidas para a indústria automotiva podem encontrar aplicações em outros setores.
Um automóvel moderno já utiliza sensores, motores elétricos, módulos eletrônicos e sistemas capazes de interpretar informações do ambiente.
Na robótica, parte desses conhecimentos pode ser aproveitada, mas existe uma diferença fundamental.
Enquanto o automóvel realiza movimentos predominantemente controlados por rodas e sistemas de direção, um robô humanoide precisa coordenar diversas articulações para manter equilíbrio e executar ações físicas.
Os 22 graus de liberdade do Mobo representam uma característica mecânica importante porque permitem movimentos independentes em diferentes regiões da estrutura.
Entretanto, a qualidade desses movimentos depende da precisão dos atuadores e do controle eletrônico.
O robô também precisa reconhecer obstáculos e administrar a própria posição durante a movimentação.
Isso exige integração entre sensores, processamento de informações e controle dos motores.
A arquitetura MoAgent representa outra parte importante do projeto.
A proposta de dividir tarefas em etapas e utilizar informações de interações anteriores procura tornar o equipamento mais adaptável às necessidades dos usuários.
Entretanto, reconhecer objetos, compreender comandos e conversar não significa possuir capacidade física para executar qualquer atividade doméstica.
O desempenho real precisa ser avaliado conforme as limitações mecânicas e os recursos disponíveis.
Outro ponto que merece atenção é o gerenciamento energético.
O Mobo depende de uma bateria para alimentar seus sistemas eletrônicos e mecanismos de movimentação.
Entretanto, a fabricante ainda não divulgou autonomia, capacidade energética ou tempo de recarga.
Esses dados serão fundamentais para compreender a utilização cotidiana do produto.
A proteção de informações pessoais também representa um desafio.
Um robô equipado com reconhecimento facial, câmeras e memória de interações precisa oferecer mecanismos claros de segurança.
A possibilidade de realizar atualizações OTA pode ampliar funcionalidades ao longo do tempo, mas exige manutenção de software e proteção contra vulnerabilidades.
Do ponto de vista industrial, a associação com o Grupo Chery pode contribuir para o desenvolvimento de processos de produção em escala.
A indústria automotiva possui experiência em controle dimensional, rastreabilidade e padronização de componentes.
Entretanto, produzir robôs em grandes quantidades não garante automaticamente que eles apresentem confiabilidade adequada em ambientes domésticos.
A diversidade de residências, obstáculos e situações inesperadas exige validações específicas.
A criação de um programa com 35 usuários representa uma etapa importante para reunir experiências reais de utilização.
Também será necessário acompanhar a implantação dos centros de assistência e as condições comerciais.
O principal desafio da robótica doméstica não está apenas em desenvolver equipamentos capazes de conversar e caminhar, mas em demonstrar que conseguem executar tarefas úteis com segurança, confiabilidade e custo compatível com as necessidades das famílias.
A estreia do Mobo mostra a intenção da Chery de ampliar sua presença tecnológica para além dos automóveis.
O sucesso comercial dependerá da capacidade de transformar as demonstrações em funcionalidades consistentes e serviços de suporte disponíveis ao consumidor.
Para acompanhar AiMOGA, Grupo Chery, robótica, inteligência artificial, veículos inteligentes e tecnologias automotivas, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 21 de outubro de 2026 – Data da estreia global do Mobo e da abertura da pré-venda.
- 90 centímetros – Altura anunciada do robô doméstico.
- 22 graus de liberdade – Movimentos independentes disponíveis na estrutura humanoide.
- Mais de 20 idiomas – Capacidade de interação linguística anunciada pela AiMOGA.
- MoAgent – Sistema de inteligência artificial responsável por integrar percepção, planejamento e ações.
- 35 participantes – Primeiros usuários selecionados para o programa internacional de avaliação.
- 300 centros – Meta inicial da empresa para sua rede global de experiência.
- Mais de 3 mil robôs – Volume acumulado de vendas informado para o portfólio completo da AiMOGA.
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende
- Inteligência artificial incorporada – Tecnologia que integra processamento inteligente a sensores e mecanismos capazes de interagir fisicamente com o ambiente.
- Graus de liberdade – Quantidade de movimentos independentes que podem ser realizados ou controlados por um sistema mecânico.
- Atuador – Componente responsável por transformar energia e comandos de controle em movimento físico.
- Memória espacial – Recurso que organiza informações sobre a localização de objetos e características do ambiente.
- Atualização OTA – Processo que permite atualizar o software de um equipamento por meio de conexão de rede, sem necessidade de intervenção física direta.