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Parece contraditório, mas carros elétricos estão ajudando a BMW a manter seus motores V8
Engenharia

Parece contraditório, mas carros elétricos estão ajudando a BMW a manter seus motores V8

Com quase 20% das vendas australianas concentradas em modelos elétricos, fabricante alemã consegue equilibrar as emissões de sua frota e preservar veículos esportivos com motores de seis e oito cilindros.

Por Redação Mecânica Online®
8 min

Os carros elétricos podem estar ajudando a salvar os motores V8 da BMW. Embora pareça contraditório, a expansão das vendas de veículos totalmente elétricos permite à fabricante alemã continuar oferecendo automóveis de alto desempenho com motores a combustão, mesmo diante de regulamentações ambientais mais rigorosas. Na Austrália, os elétricos representaram aproximadamente 19,3% das vendas da BMW em 2025. Como as novas regras de emissões consideram o desempenho ambiental do conjunto de veículos comercializados, a presença dos modelos elétricos contribui para compensar as emissões mais elevadas de esportivos com motores de seis e oito cilindros. A estratégia faz parte da filosofia Power of Choice, que preserva diferentes tecnologias de propulsão no portfólio da marca.

A eletrificação costuma ser associada ao desaparecimento gradual dos motores a combustão, especialmente daqueles com maior cilindrada.

Entretanto, a BMW demonstra que as duas tecnologias podem coexistir dentro de uma estratégia industrial e comercial.

Quanto maior a participação dos veículos totalmente elétricos nas vendas, maior pode ser a flexibilidade da fabricante para continuar oferecendo modelos de elevado desempenho com motores tradicionais.

BMW vendeu mais de 5 mil elétricos na Austrália

Em 2025, a BMW comercializou 26.842 veículos na Austrália, dos quais 5.187 eram totalmente elétricos.

Isso representa aproximadamente 19,3% das vendas da marca no país.

O resultado ganhou importância com a introdução do New Vehicle Efficiency Standard (NVES), regulamentação australiana que estabelece metas de emissões de dióxido de carbono para os veículos novos comercializados pelas fabricantes.

O sistema considera o desempenho de emissões da frota abrangida pelas regras, em vez de exigir que todos os modelos apresentem individualmente o mesmo nível de emissão.

Na prática, a comercialização de automóveis elétricos, que não emitem CO₂ pelo escapamento, ajuda a reduzir a média considerada no cálculo regulatório.

Isso pode criar espaço para que veículos esportivos com motores V8 continuem disponíveis sem comprometer necessariamente as metas da fabricante.

Entretanto, a relação não corresponde à troca direta de um elétrico por um V8. O resultado depende das emissões homologadas, da massa e da composição dos veículos considerados pelas regras australianas.

BMW não pretende abandonar os motores de alto desempenho

Vikram Pawah, responsável pelo BMW Group na Austrália, confirmou que a fabricante pretende preservar a diversidade de motorizações.

“Como organização, podemos absolutamente criar esse equilíbrio de motorizações, e é isso que pretendemos manter”, afirmou o executivo.

A estratégia busca atender consumidores com necessidades diferentes, oferecendo veículos a gasolina, diesel, híbridos plug-in e totalmente elétricos.

A BMW também continua investindo em sistemas de propulsão a hidrogênio, com o desenvolvimento do iX5 Hydrogen.

Essa abordagem é conhecida internamente como Power of Choice, ou Poder de Escolha.

Em vez de concentrar todos os investimentos em uma única tecnologia, a fabricante procura adaptar suas soluções à demanda dos consumidores e às regulamentações de cada mercado.

Motores de seis cilindros, V8 e V12 continuam nos planos

A estratégia não se limita ao mercado australiano.

A BMW já confirmou que trabalha para manter seus motores de maior cilindrada compatíveis com regulamentações ambientais futuras.

Joachim Post, responsável pelo desenvolvimento tecnológico do grupo, explicou que a próxima geração de motores foi projetada considerando normas mais rigorosas de emissões.

Isso inclui motores de seis cilindros em linha e V8, além da continuidade de aplicações V12 no universo de marcas do BMW Group, especialmente na Rolls-Royce.

Um dos desafios técnicos está no controle dos gases de escapamento, exigindo melhorias em sistemas de combustão, catalisadores e gerenciamento eletrônico.

A eletrificação também pode ser integrada aos motores a combustão para melhorar o consumo e reduzir as emissões homologadas, sem eliminar o desempenho característico dos modelos esportivos.

O BMW M5 atual representa essa estratégia ao combinar motor V8 biturbo com sistema híbrido plug-in.

Como a eletrificação ajuda a preservar o V8?

A lógica está no cálculo das emissões de toda a frota.

Um automóvel totalmente elétrico apresenta emissão zero de CO₂ pelo escapamento, enquanto um veículo equipado com motor V8 registra emissões significativamente superiores durante o funcionamento a combustão.

Ao comercializar modelos com diferentes tecnologias, a fabricante consegue administrar o resultado médio exigido pelas regras.

TecnologiaCaracterística no cálculo de emissões
Totalmente elétrico (BEV)Não emite CO₂ pelo escapamento
Híbrido plug-in (PHEV)Emissões homologadas dependem do ciclo de ensaio e do uso considerado do sistema elétrico
Motor a combustãoEmissões relacionadas ao consumo de combustível e à eficiência do conjunto
V8 de alto desempenhoGeralmente apresenta emissões superiores às de modelos menores e mais eficientes

Essa estratégia permite preservar produtos de maior desempenho, desde que o conjunto comercializado esteja adequado às metas aplicáveis.

É importante destacar que a ausência de emissões no escapamento dos elétricos não significa impacto ambiental zero durante todo o ciclo de vida, pois a fabricação das baterias e a geração de eletricidade também precisam ser consideradas em avaliações ambientais completas.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A estratégia da BMW mostra que a eletrificação não precisa representar, necessariamente, o abandono imediato dos motores a combustão.

A fabricante construiu sua reputação com motores de elevada eficiência, seis cilindros em linha e conjuntos V8 reconhecidos pelo desempenho.

Preservar esse patrimônio técnico enquanto amplia a eletrificação exige investimentos em diferentes arquiteturas de propulsão.

O motor elétrico apresenta vantagens importantes em eficiência energética e entrega imediata de torque, enquanto os motores a combustão continuam atendendo determinadas preferências e aplicações.

Do ponto de vista mecânico, a integração das duas tecnologias também oferece possibilidades interessantes.

Em um híbrido plug-in de alto desempenho, por exemplo, o motor elétrico pode complementar a entrega de torque do motor térmico, melhorar a resposta em acelerações e permitir deslocamentos em modo elétrico conforme a capacidade da bateria.

Entretanto, a manutenção de motores V8 também depende de custos industriais, demanda comercial e aprovação nas regulamentações de emissões.

Vender mais elétricos ajuda no equilíbrio regulatório, mas não garante automaticamente a continuidade de todos os motores de grande cilindrada em qualquer mercado.

Para o Brasil, o posicionamento da BMW é relevante porque demonstra uma estratégia de transição tecnológica baseada em diferentes soluções.

O consumidor brasileiro encontra condições próprias de combustível, infraestrutura de recarga e utilização, exigindo decisões específicas sobre motorização.

A evolução da eletrificação pode conviver com motores a combustão mais eficientes e sistemas híbridos, desde que exista demanda e viabilidade técnica e econômica.

O paradoxo da BMW é justamente esse: quanto mais carros elétricos a fabricante consegue vender, maior pode ser sua capacidade de preservar os motores V8 que ajudaram a construir sua identidade esportiva.

Para acompanhar BMW, motores V8, carros elétricos, tecnologia híbrida e engenharia automotiva, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 19,3% – Participação dos carros totalmente elétricos nas vendas australianas da BMW em 2025.
  • 5.187 unidades – Veículos elétricos comercializados pela fabricante no país.
  • 26.842 unidades – Total de automóveis BMW vendidos na Austrália.
  • NVES – Regulamentação australiana que estabelece metas de emissões para veículos novos.
  • Power of Choice – Estratégia da BMW de preservar diferentes tecnologias de propulsão.
  • V8 – Configuração de motor que continua nos planos de desenvolvimento da fabricante.
  • iX5 Hydrogen – Projeto da BMW voltado à utilização de hidrogênio em células de combustível.

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  • Motor V8 – Motor de oito cilindros organizados em duas bancadas, formando a configuração em V.
  • Emissões de frota – Indicador que considera as emissões homologadas do conjunto de veículos abrangidos por determinada regulamentação.
  • BEV – Veículo totalmente elétrico, alimentado por bateria recarregável.
  • PHEV – Híbrido plug-in, que combina motor a combustão e propulsão elétrica com possibilidade de recarga externa.
  • Célula de combustível – Sistema que utiliza hidrogênio para produzir eletricidade por reação eletroquímica, liberando água como principal produto da reação.
  • Catalisador – Componente do sistema de escapamento que ajuda a reduzir determinados poluentes produzidos pelo motor a combustão.

Parece contraditório, mas carros elétricos estão ajudando a BMW a manter seus motores V8