segunda-feira, 14 setembro , 2026
29.2 C
Recife

Volvo FH Electric chega a 80 toneladas e amplia eletrificação do transporte pesado

Nova configuração elétrica terá bateria de 640 kWh, recarga de até 680 kW e autonomia de até 420 km com 76 toneladas de peso combinado.

A eletrificação dos caminhões começa a avançar sobre um território até pouco tempo considerado difícil para as baterias: combinações extremamente pesadas. A Volvo Trucks desenvolveu uma nova versão do FH Electric capaz de trabalhar com até 80 toneladas de peso bruto combinado, mantendo autonomia superior a 400 quilômetros em determinadas configurações.

A Volvo Trucks apresentou uma nova configuração do FH Electric e FH Aero Electric desenvolvida especificamente para operações pesadas com caminhão rígido e reboque.

- Publicidade -

O conjunto foi projetado para mercados nos quais os pesos transportados superam a média europeia e poderá operar com peso bruto combinado de até 80 toneladas.

Na prática, a proposta amplia o campo de atuação dos caminhões elétricos para operações que exigem grande capacidade de carga útil, longas distâncias e elevado esforço de tração.

Com peso bruto combinado de 64 toneladas, a autonomia anunciada chega a até 450 quilômetros por carga.

- Publicidade -

Quando o conjunto trabalha com 74 ou 76 toneladas, limites encontrados respectivamente em operações permitidas na Suécia e Finlândia, a autonomia informada chega a aproximadamente 420 quilômetros.

Esses números variam conforme fatores como clima, vento, peso transportado e comportamento do motorista.

A nova configuração começará a ser comercializada inicialmente em Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Holanda e Suíça.

- Publicidade -

O lançamento gradual do caminhão rígido elétrico FH nesses mercados está previsto para o início de 2027.

O veículo utiliza o mesmo conjunto motopropulsor desenvolvido para a nova geração elétrica das famílias FH, FM e FMX.

Uma das principais mudanças está na transmissão.

O caminhão recebe uma caixa de oito marchas desenvolvida especificamente para motores elétricos, solução que permite adequar torque e rotação às diferentes condições de operação encontradas em conjuntos extremamente pesados.

Em veículos elétricos leves, transmissões de uma única relação são comuns porque motores elétricos conseguem trabalhar em uma faixa de rotação bastante ampla.

Em um caminhão que pode chegar a dezenas de toneladas, entretanto, a necessidade de conciliar arrancada, aclives, velocidade rodoviária e eficiência energética torna a multiplicação de relações particularmente importante.

A bateria possui 640 kWh de energia utilizável.

A Volvo também informa ter atualizado o sistema de monitoramento da bateria e melhorado seu isolamento térmico.

A mudança é especialmente importante para mercados frios.

Temperaturas muito baixas podem reduzir temporariamente o desempenho eletroquímico das células e aumentar o consumo necessário para controlar termicamente o conjunto.

Por isso, manter a bateria dentro de uma faixa adequada de temperatura ajuda a preservar potência disponível, capacidade de recarga e quantidade de energia efetivamente utilizável.

Outro destaque está na recarga.

O FH Electric suporta tanto CCS2 quanto Megawatt Charging System, o MCS.

Com recarga MCS de até 680 kW, a Volvo estima que o nível da bateria possa passar de 20% a 80% em aproximadamente 36 minutos.

Utilizando CCS2 a 360 kW, a mesma faixa de recarga exige aproximadamente 70 minutos.

A diferença mostra por que a infraestrutura de alta potência começa a ganhar importância para caminhões elétricos.

Recuperar 60% de uma bateria com centenas de quilowatts-hora significa transferir uma enorme quantidade de energia em pouco tempo.

Quanto maior a potência disponível, menor pode ser a imobilização do caminhão — desde que rede elétrica, carregador e bateria estejam preparados para trabalhar nessas condições.

A nova configuração também recebe eixos com redução nos cubos das rodas.

Esse tipo de arquitetura acrescenta uma etapa de redução próxima às próprias rodas, permitindo multiplicar o torque disponibilizado pelo sistema de propulsão.

Para aplicações muito pesadas, isso pode melhorar principalmente a capacidade de arrancar com grandes massas e enfrentar terrenos que exigem maior esforço de tração.

A solução também favorece aplicações que necessitam de maior distância livre do solo sob os eixos.

A Volvo cita operações como transporte rodoviário de madeira e trabalhos de construção mais leves.

Ao mesmo tempo, a maior capacidade técnica dos eixos pode contribuir para aumentar a capacidade de carga útil em operações realizadas predominantemente em boas estradas, respeitando os limites regulamentares aplicáveis.

Outro recurso interessante é a tomada de força elétrica, ou e-PTO.

Ela permite alimentar equipamentos auxiliares utilizando energia do próprio sistema elétrico do caminhão.

Um exemplo está nas unidades de refrigeração.

Em determinadas configurações convencionais, um implemento frigorífico pode utilizar um pequeno motor ou gerador a diesel independente.

Com a e-PTO, o objetivo é eliminar a necessidade desse equipamento adicional e utilizar a energia armazenada nas próprias baterias do caminhão.

Essa integração pode reduzir ruído, manutenção e emissões locais associadas aos equipamentos auxiliares.

As configurações estarão disponíveis com praticamente todas as cabines Volvo FH, com exceção da cabine XXL, incluindo versões Standard e Aero.

A variante Aero utiliza soluções aerodinâmicas destinadas a reduzir a resistência ao deslocamento.

Em caminhões elétricos de longa distância, aerodinâmica tem importância ainda maior porque cada redução da energia necessária para vencer o ar pode ser transformada diretamente em autonomia adicional.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Colocar um caminhão elétrico para trabalhar com até 80 toneladas muda bastante a discussão sobre eletrificação. Nesse nível de massa, não basta instalar uma bateria maior e esperar que o veículo execute a mesma operação de um diesel. Toda a cadeia mecânica e energética precisa ser dimensionada para a missão.

A transmissão de oito marchas e os eixos com redução nos cubos ajudam a explicar isso. Um motor elétrico entrega torque instantaneamente, mas isso não significa que relações mecânicas deixem de ser importantes. Com dezenas de toneladas, multiplicar torque nas arrancadas e manter os motores em regiões eficientes continua sendo fundamental.

A bateria de 640 kWh também mostra a escala energética envolvida. Mesmo uma recarga parcial exige centenas de quilowatts-hora. Por isso, a possibilidade de utilizar até 680 kW pelo MCS é relevante, mas essa potência exige uma infraestrutura elétrica compatível, especialmente quando vários caminhões precisam carregar simultaneamente.

Outro ponto importante está na autonomia. Os 420 quilômetros com 76 toneladas devem ser observados como referência operacional e não como distância garantida em qualquer situação. Frio, vento, topografia, velocidade, carga e condução podem alterar significativamente o consumo de um conjunto pesado.

Existe ainda uma vantagem frequentemente pouco discutida: transportar mais carga por viagem pode reduzir o número de deslocamentos necessários. Mas isso só representa ganho real quando legislação, infraestrutura viária, capacidade dos eixos e eficiência operacional permitem utilizar essa maior massa de maneira adequada.

O caminhão de 80 toneladas mostra que a discussão sobre elétricos pesados está deixando de ser apenas “eles conseguem rodar?” para se tornar uma questão muito mais concreta: em quais rotas, com qual carga, qual infraestrutura e qual tempo de recarga a operação fecha economicamente?

Quanto mais pesado o transporte, mais importante se torna analisar veículo, bateria, carregamento e logística como um único sistema. Siga @tarcisiomecanicaonline para acompanhar conteúdos sobre caminhões elétricos, baterias, recarga e as tecnologias que estão transformando o transporte pesado.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • Até 80 toneladas – A nova configuração foi desenvolvida para combinações de caminhão rígido e reboque com elevado peso bruto combinado.
  • Até 450 km – A autonomia máxima anunciada corresponde a uma operação com aproximadamente 64 toneladas.
  • 420 km com 76 toneladas – Essa é uma das referências fornecidas para operações muito pesadas.
  • 640 kWh utilizáveis – A bateria foi atualizada e recebeu melhorias de monitoramento e isolamento térmico.
  • Recarga de 680 kW – Pelo MCS, a Volvo estima recuperar de 20% a 80% da bateria em aproximadamente 36 minutos.
  • Oito marchas e redução nos cubos – A combinação busca melhorar arrancada, tração e eficiência em aplicações de grande peso.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

Peso bruto combinado – Soma do peso do caminhão, reboque, carga, ocupantes e demais elementos que formam todo o conjunto rodoviário em operação.

Redução nos cubos – Conjunto de engrenagens instalado próximo às rodas que permite multiplicar o torque antes de ele chegar ao solo, favorecendo operações de grande esforço.

MCS – Sistema de carregamento de alta potência desenvolvido para transferir grandes quantidades de energia rapidamente para baterias de veículos comerciais pesados.

e-PTO – Tomada de força elétrica utilizada para alimentar equipamentos auxiliares diretamente pelo sistema de alta tensão do caminhão, sem depender necessariamente de um motor auxiliar a diesel.

20% de desconto na taxa administrativa – economia de até R$ 14 mil

Para quem busca caminhão novo, o Consórcio Rodobens oferece 20% de desconto na taxa administrativa. Uma solução inteligente para quem precisa investir na frota.

Clique aqui para saber mais!

Matérias relacionadas

15% de desconto na taxa administrativa – economia de até R$ 3.553,80

Para quem deseja conquistar o carro novo, o Consórcio Rodobens oferece 15% de desconto na taxa administrativa. Uma alternativa inteligente para planejar a compra com economia e sem juros bancários.

Clique aqui para saber mais!

Com a Volvo rumo ao Zero Acidentes – Leblon Transporte de Passageiros

Mais recentes

Com a Volvo rumo ao Zero Acidentes – Leblon Transporte de Passageiros
Modelos Peugeot

Destaques Mecânica Online

Modelos Peugeot

Avaliação MecOn

Com a Volvo rumo ao Zero Acidentes – Leblon Transporte de Passageiros