O Carro do Ano 2027 chega à sua 60ª edição com uma disputa inédita: pela primeira vez, todos os cinco finalistas da categoria principal utilizam algum tipo de eletrificação. BYD Atto 2, GAC Aion UT, Geely EX2, Jaecoo 5 e Jeep Avenger representam diferentes estratégias de engenharia, desde veículos totalmente elétricos até híbridos que combinam motores a combustão e sistemas elétricos. A categoria contempla modelos com preço inicial de até R$ 159.999 na data de referência do regulamento. A seleção evidencia a transformação do mercado brasileiro, mas também levanta uma questão importante: qual dessas tecnologias oferece o melhor equilíbrio entre eficiência, desempenho, custo e utilização nas condições nacionais?
A escolha dos finalistas da 60ª edição do Carro do Ano, promovido pela revista Autoesporte, coloca a eletrificação no centro da principal disputa do setor automotivo brasileiro. Os vencedores estão previstos para serem anunciados em 26 de novembro de 2026, após a avaliação técnica e a votação do júri especializado.
O regulamento considera o preço da versão de entrada em 30 de setembro de 2026, razão pela qual modelos que tiveram reajustes posteriores permanecem na disputa. A avaliação envolve critérios de produto e de mercado, incluindo segurança, desempenho, inovação, eficiência e adequação ao consumidor brasileiro. Grupo Sentinela
BYD Atto 2 aposta no híbrido plug-in flex de até 197 cv
O BYD Atto 2 representa a tecnologia híbrida plug-in (PHEV), combinando um motor a combustão que aceita gasolina e etanol com propulsão elétrica e bateria recarregável externamente.
Produzido em Camaçari (BA), o SUV utiliza motor 1.5 aspirado flex, de quatro cilindros, 16 válvulas e injeção multiponto, com potência de 97 cv.
Na versão GL, o conjunto entrega 177 cv, enquanto a configuração GS alcança 197 cv. O torque combinado divulgado é de 30,6 kgfm, com transmissão eletrificada do tipo eCVT.
A diferença entre as versões também aparece na capacidade da bateria. A GL utiliza 7,8 kWh, enquanto a GS recebe 18 kWh, oferecendo maior reserva de energia para utilização do sistema elétrico.
Segundo os dados apresentados, o Atto 2 acelera de 0 a 100 km/h em 8,4 segundos na GL e 8,3 segundos na GS.
O SUV mede 4,33 metros de comprimento, com 2,62 metros de entre-eixos. O porta-malas é divulgado com 455 litros na medição por volume de água, mas corresponde a aproximadamente 256 litros pelo método VDA, que utiliza blocos padronizados.
Os preços informados após os reajustes são de R$ 166.660 na GL e R$ 169.990 na GS.
O principal diferencial técnico do Atto 2 está na possibilidade de utilizar energia elétrica da tomada e combustível líquido, uma proposta que busca atender tanto deslocamentos urbanos quanto viagens de longa distância.
GAC Aion UT reúne 204 cv e até 310 km de autonomia
O GAC Aion UT é um dos dois representantes totalmente elétricos na disputa. O hatch utiliza motor elétrico dianteiro de 204 cv e torque de 21,4 kgfm, independentemente da versão.
A configuração Premium, com preço de R$ 139.990, possui bateria de 44,12 kWh e autonomia de 253 km pelo Inmetro.
Na versão Elite, comercializada por R$ 159.990, a capacidade da bateria aumenta para 60 kWh, proporcionando autonomia de 310 km no ciclo do Inmetro.
A diferença também aparece no desempenho. A versão Premium acelera de 0 a 100 km/h em 8,6 segundos, enquanto a Elite realiza a mesma prova em 7,4 segundos.
O Aion UT mede 4,27 metros de comprimento, 1,85 metro de largura e apresenta 2,75 metros de entre-eixos, uma medida relevante para a categoria e que favorece o aproveitamento do espaço interno.
O porta-malas possui capacidade divulgada de 340 litros, embora o método utilizado pela fabricante não tenha sido especificado no material apresentado. A versão Elite também oferece abertura e fechamento elétricos da tampa traseira.
A proposta do modelo está concentrada na combinação de potência elevada, espaço interno e autonomia elétrica, características importantes para consumidores interessados em substituir um automóvel a combustão por um veículo elétrico.
Geely EX2 combina tração traseira e 289 km de autonomia
O Geely EX2, comercializado pela Renault Geely do Brasil, apresenta uma arquitetura diferente daquela utilizada por grande parte dos hatches compactos: motor elétrico e tração nas rodas traseiras.
O conjunto entrega 116 cv de potência e 15,3 kgfm de torque, permitindo acelerar de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos.
As versões Pro e Max compartilham bateria de 39,4 kWh, com autonomia de 289 km pelo Inmetro.
Na recarga em corrente contínua (DC), o modelo aceita potência máxima informada de 70 kW, com previsão de 21 minutos para elevar a carga de 30% a 80%, nas condições especificadas pela fabricante.
Em corrente alternada (AC), o limite de 6,6 kW resulta em aproximadamente sete horas para elevar a bateria de 10% a 100%, dependendo da instalação e das condições de carregamento.
Com 4,14 metros de comprimento e 2,65 metros de entre-eixos, o EX2 aproveita a distribuição de componentes para oferecer dois compartimentos de bagagem.
O porta-malas traseiro tem 375 litros, enquanto o compartimento dianteiro, conhecido como frunk, acrescenta 70 litros.
Os preços apresentados são de R$ 124.600 na versão Pro e R$ 137.800 na Max. A garantia informada é de seis anos para o veículo e oito anos para a bateria, conforme as condições da fabricante.
O EX2 aposta principalmente na relação entre preço, autonomia e aproveitamento do espaço, com uma configuração mecânica que diferencia o modelo de seus concorrentes de tração dianteira.
Jaecoo 5 entrega 224 cv com sistema híbrido pleno
O Jaecoo 5 representa a tecnologia híbrida plena (HEV), que permite utilizar a propulsão elétrica em determinadas condições sem exigir recarga externa.
O SUV combina motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cv, com quatro cilindros e injeção direta, a um motor elétrico dianteiro de 204 cv.
A potência combinada divulgada é de 224 cv, com torque de 30,1 kgfm, tornando o modelo o mais potente entre os cinco finalistas em potência combinada anunciada.
A bateria possui 1,8 kWh, enquanto a transmissão é do tipo DHT, desenvolvida especificamente para o funcionamento do sistema híbrido.
Segundo a fabricante, o Jaecoo 5 acelera de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos.
As dimensões incluem 4,38 metros de comprimento, 1,86 metro de largura e 2,62 metros de entre-eixos. O porta-malas oferece 410 litros pelo padrão VDA.
O modelo chegou ao mercado com preço inicial de R$ 154.990 na versão Comfort, enquanto a configuração Prestige custa R$ 184.990.
Seu diferencial está na utilização de um sistema híbrido capaz de combinar o motor turbo a combustão com um propulsor elétrico de elevada potência, buscando eficiência energética sem depender de tomadas para recarregar a bateria.
Jeep Avenger aposta em motor turbo flex e sistema híbrido leve
O Jeep Avenger representa a tecnologia híbrida leve (MHEV), utilizando um sistema elétrico auxiliar para melhorar o funcionamento do motor a combustão.
O SUV é equipado com motor Turbo 200 1.0 turbo flex, de três cilindros, 12 válvulas e injeção direta, associado a um sistema elétrico de 12 volts.
O motor elétrico auxiliar entrega 4 cv e 1 kgfm, atuando principalmente para auxiliar o conjunto em determinadas condições de funcionamento.
Diferentemente dos híbridos plenos e plug-in, o sistema do Avenger não permite movimentar o veículo exclusivamente com energia elétrica.
A transmissão é automática do tipo CVT, com sete marchas simuladas.
O modelo mede 4,09 metros de comprimento, 1,78 metro de largura e possui 2,56 metros de entre-eixos. O porta-malas oferece 321 litros pelo padrão VDA.
O Avenger é comercializado nas versões Altitude (R$ 117.990), Longitude (R$ 134.990) e Limited (R$ 144.990).
A proposta é oferecer eletrificação com menor complexidade de utilização para o consumidor, sem necessidade de infraestrutura de recarga externa e mantendo a possibilidade de abastecimento com gasolina ou etanol.
Quatro tecnologias mostram diferentes caminhos da eletrificação
Embora todos os finalistas sejam eletrificados, existem diferenças fundamentais entre as soluções adotadas.
O BYD Atto 2 utiliza um sistema híbrido plug-in, com bateria que pode ser recarregada externamente. Essa arquitetura favorece deslocamentos elétricos quando o usuário mantém uma rotina de recarga.
O GAC Aion UT e o Geely EX2 dispensam o motor a combustão e utilizam exclusivamente eletricidade para a propulsão, eliminando emissões de escapamento durante a utilização.
O Jaecoo 5 utiliza um conjunto híbrido pleno, capaz de alternar e combinar a atuação dos motores térmico e elétrico, sem necessidade de conectar o veículo à rede elétrica.
Já o Jeep Avenger oferece eletrificação mais simples, com assistência elétrica ao motor turbo flex, mas sem capacidade de tração exclusivamente elétrica.
Essas arquiteturas mostram que a eletrificação não representa uma única solução mecânica. A escolha mais adequada depende de fatores como quilometragem diária, disponibilidade de recarga, consumo, custo de aquisição e perfil de utilização.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A presença de cinco veículos eletrificados entre os finalistas do Carro do Ano 2027 demonstra uma mudança significativa na indústria brasileira. O aspecto mais importante, entretanto, não é apenas a eletrificação, mas a diversidade de soluções mecânicas que agora disputam diretamente a preferência do consumidor.
Os veículos totalmente elétricos, como GAC Aion UT e Geely EX2, apresentam eficiência energética elevada e funcionamento mecânico simplificado em comparação com sistemas que combinam motores térmicos e elétricos. Por outro lado, dependem de condições adequadas de recarga e exigem planejamento nas viagens mais longas.
O BYD Atto 2 apresenta uma alternativa para consumidores que desejam utilizar eletricidade no cotidiano sem abrir mão da flexibilidade proporcionada pelo combustível líquido. Entretanto, os benefícios de eficiência do sistema plug-in dependem diretamente da frequência de recarga da bateria e das condições de utilização.
O Jaecoo 5 apresenta outra interpretação da eletrificação, utilizando um motor elétrico de elevada potência integrado a um sistema híbrido pleno. A eficiência dependerá da estratégia de gerenciamento energético, da participação de cada motor e das condições de utilização, especialmente nos trajetos urbanos e rodoviários.
O Jeep Avenger representa a solução de menor grau de eletrificação entre os cinco. O sistema híbrido leve pode reduzir o esforço do motor térmico em algumas situações, mas não oferece as mesmas possibilidades de deslocamento exclusivamente elétrico dos sistemas híbridos plenos e plug-in.
Também é importante observar que potência e aceleração não determinam isoladamente a qualidade de um automóvel. Segurança, eficiência energética, comportamento dinâmico, suspensão, frenagem, conforto, durabilidade e custos de manutenção precisam ser considerados em conjunto.
Outro fator relevante é a diferença entre os padrões de medição dos porta-malas. Comparar capacidades divulgadas em métodos distintos pode levar a conclusões equivocadas sobre o espaço efetivamente disponível para as bagagens.
A disputa evidencia que não existe uma única arquitetura ideal para todos os consumidores brasileiros. O verdadeiro mérito da avaliação estará em identificar qual projeto consegue integrar melhor engenharia, tecnologia, eficiência, segurança e adequação às condições reais de utilização no País.
Para acompanhar a evolução do Carro do Ano 2027, as análises de motorização e as novidades da indústria automotiva, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 60ª edição – O Carro do Ano 2027 marca seis décadas da premiação organizada pela Autoesporte.
- Cinco finalistas – BYD Atto 2, GAC Aion UT, Geely EX2, Jaecoo 5 e Jeep Avenger.
- R$ 159.999 – Limite de preço inicial utilizado para a categoria principal.
- 197 cv – Potência combinada da versão GS do BYD Atto 2.
- 310 km – Autonomia Inmetro do GAC Aion UT Elite.
- 289 km – Autonomia Inmetro do Geely EX2.
- 224 cv – Potência combinada divulgada para o Jaecoo 5.
- 12 volts – Tensão do sistema híbrido leve do Jeep Avenger.
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende
- PHEV – Veículo híbrido plug-in que combina motores a combustão e elétrico, com bateria recarregável por fonte externa.
- HEV – Híbrido pleno que utiliza motores térmico e elétrico, podendo movimentar o veículo somente com eletricidade em determinadas condições, sem recarga externa.
- MHEV – Híbrido leve que utiliza assistência elétrica ao motor a combustão, sem necessariamente permitir tração exclusivamente elétrica.
- DHT – Transmissão desenvolvida para sistemas híbridos, permitindo diferentes combinações de funcionamento entre os motores.
- Autonomia Inmetro – Distância estimada de utilização de um veículo elétrico conforme o ciclo brasileiro de homologação, que pode diferir dos resultados reais.