Ir para o conteúdo
domingo, 1 de novembro, 2026 30.6 °C Recife
PUBLICIDADE
Drugovich aposta em Fórmula E de 815 cv para 2027
Especiais

Drugovich aposta em Fórmula E de 815 cv para 2027

Brasileiro destaca a evolução do GEN4, com tração integral permanente, aceleração de 0 a 100 km/h em 1,8 segundo e estreia em São Paulo.

Por Redação Mecânica Online®
10 min

Felipe Drugovich acredita que a nova geração de carros da Fórmula E poderá transformar a experiência de pilotagem e tornar as corridas mais atraentes para o público. O brasileiro, que disputará sua segunda temporada pela Andretti Formula E, agora utilizando a tecnologia de propulsão elétrica da Nissan, destacou o desempenho do GEN4, monoposto desenvolvido para a temporada 2026/2027. Com potência máxima de 600 kW, equivalente a aproximadamente 815 cv, aceleração de 0 a 100 km/h em 1,8 segundo e velocidade superior a 335 km/h, o novo carro representa o maior salto técnico da categoria. A temporada terá 21 corridas, incluindo o E-Prix de São Paulo, marcado para 13 de março de 2027.

A Fórmula E está prestes a iniciar uma das transformações mais importantes de sua história, com mudanças que ultrapassam o aumento de potência.

O novo GEN4 representa uma evolução na arquitetura de propulsão, no gerenciamento da energia, na aerodinâmica e na capacidade de tração dos monopostos.

Para Felipe Drugovich, campeão da Fórmula 2 em 2022, a mudança também deverá proporcionar uma experiência de condução mais próxima daquela encontrada em outras categorias de monopostos de alto desempenho.

Em entrevista aos jornalistas Sérgio Siverly e Lito Cavalcanti, do podcast Boteco F1, o brasileiro demonstrou entusiasmo com os primeiros trabalhos de desenvolvimento.

Drugovich considera GEN4 um salto gigantesco

Durante a entrevista, Drugovich classificou a nova geração como uma evolução necessária para a categoria.

O piloto destacou a satisfação das equipes e dos competidores com as mudanças introduzidas pelo regulamento.

Em sua avaliação, o GEN4 deverá oferecer um comportamento mais natural para os pilotos, além de ampliar a atratividade da Fórmula E para profissionais que passaram pela Fórmula 2 ou pela Fórmula 1.

A expectativa está relacionada principalmente ao aumento da potência, à tração integral permanente e à possibilidade de disputar corridas em circuitos maiores.

O brasileiro acredita que essas mudanças poderão aproximar a categoria do público tradicional do automobilismo e conquistar novos espectadores.

GEN4 entrega até 815 cv de potência

O principal avanço do novo regulamento está no conjunto de propulsão.

O GEN4 possui 450 kW de potência máxima durante as condições normais de corrida, equivalentes a aproximadamente 612 cv.

Nos momentos em que utiliza o Modo Ataque (Attack Mode) e durante a classificação, a potência disponível pode chegar a 600 kW, cerca de 815 cv.

Isso representa um aumento de aproximadamente 71% na potência máxima em relação aos 350 kW do GEN3 Evo.

A capacidade de aceleração também impressiona.

Segundo os dados divulgados pela Fórmula E e pela FIA, o veículo é capaz de atingir 100 km/h em aproximadamente 1,8 segundo e alcançar 200 km/h em apenas 4,4 segundos.

A velocidade máxima estimada ultrapassa os 335 km/h.

CaracterísticaFórmula E GEN4
Potência em corrida450 kW (aprox. 612 cv)
Potência máxima600 kW (aprox. 815 cv)
0 a 100 km/h1,8 segundo
0 a 200 km/h4,4 segundos
Velocidade máximaMais de 335 km/h
TraçãoIntegral ativa permanente
Regeneração máxima700 kW
Energia utilizávelAté 55 kWh

Os números mostram que o GEN4 não foi desenvolvido apenas para aumentar a velocidade em linha reta, mas também para modificar a maneira como os pilotos utilizam a potência durante as corridas.

Tração integral permanente muda a pilotagem

Uma das principais novidades do GEN4 é a utilização de tração integral ativa em todas as fases da corrida.

A geração anterior já utilizava componentes elétricos nos dois eixos, mas com limitações específicas para a aplicação da potência.

No GEN4, os motores elétricos podem contribuir continuamente para movimentar as quatro rodas, com gerenciamento eletrônico da distribuição de força.

Essa configuração permite explorar melhor a aderência dos pneus, especialmente nas acelerações após curvas de baixa velocidade.

O sistema também oferece novas possibilidades de controle dinâmico.

A distribuição de torque entre os eixos influencia diretamente a capacidade de tração, o comportamento em curvas e a estabilidade durante acelerações.

Para os pilotos, a mudança exigirá adaptação das técnicas de condução e dos ajustes de equilíbrio do veículo.

Frenagem regenerativa chega a 700 kW

Outro avanço importante está na recuperação de energia durante as desacelerações.

O GEN4 terá capacidade máxima de 700 kW de frenagem regenerativa, superior aos 600 kW da geração anterior.

O sistema utiliza os motores elétricos como geradores durante determinadas fases de frenagem.

Parte da energia cinética do veículo é convertida novamente em energia elétrica e armazenada na bateria para utilização posterior.

Segundo a categoria, mais de 40% da energia utilizada durante uma corrida poderá ser recuperada por regeneração.

Esse recurso será fundamental para administrar o consumo em provas disputadas com elevada potência.

A capacidade de regeneração de 700 kW representa um limite técnico do sistema, e não uma potência recuperada constantemente durante todas as frenagens.

Aerodinâmica terá configurações diferentes

A evolução do GEN4 também inclui mudanças importantes na carroceria.

O novo monoposto contará com duas configurações aerodinâmicas, desenvolvidas para diferentes necessidades de desempenho.

Uma delas priorizará maior pressão aerodinâmica, contribuindo para ampliar a aderência nas curvas.

A outra será voltada à redução da resistência ao ar, favorecendo a eficiência energética e as velocidades mais elevadas.

Esse equilíbrio é especialmente importante nos veículos elétricos de competição, nos quais a energia disponível precisa ser administrada durante toda a prova.

A categoria também destaca que o GEN4 será construído com materiais 100% recicláveis ou reutilizáveis, incluindo pelo menos 20% de conteúdo reciclado em componentes selecionados.

Isso não significa que todos os elementos sejam fabricados integralmente com material reciclado, mas que o projeto considera o reaproveitamento dos materiais ao final de sua utilização.

Andretti terá tecnologia Nissan em 2026/2027

Felipe Drugovich continuará na Andretti Formula E, equipe pela qual disputará sua segunda temporada na categoria.

A novidade será a utilização do conjunto de propulsão desenvolvido pela Nissan, substituindo a tecnologia anteriormente fornecida pela Porsche.

A mudança envolve um novo conjunto de engenharia e calibração, que precisa ser integrado ao chassi GEN4.

Na Fórmula E, os fabricantes desenvolvem componentes específicos do sistema de propulsão e seus respectivos softwares de gerenciamento, enquanto outros elementos seguem especificações comuns.

Para a Andretti, a parceria representa uma oportunidade de iniciar a nova geração com uma arquitetura diferente.

Drugovich dividirá a equipe com Jake Dennis, campeão mundial da temporada 2022/2023.

Calendário terá 21 corridas e retorno ao Brasil

A temporada 2026/2027 da Fórmula E contará com 21 corridas, o maior calendário anunciado pela categoria até então.

Entre as novidades estão provas em circuitos tradicionais, como Brands Hatch, na Inglaterra; Zandvoort, nos Países Baixos; e Circuito das Américas (COTA), nos Estados Unidos.

A inclusão dessas pistas acompanha a evolução de desempenho dos veículos, permitindo explorar características como velocidades mais elevadas e curvas de diferentes configurações.

No Brasil, o E-Prix de São Paulo está previsto para 13 de março de 2027.

A corrida será uma oportunidade para o público brasileiro acompanhar Felipe Drugovich com o novo GEN4.

A Fórmula E também pretende ampliar sua distribuição internacional por plataformas de streaming, incluindo a presença do campeonato no Disney+ em mercados selecionados.

Créditos: Victor Eleutério/Fórmula E /Fórmula E Brasil/Divulgação

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O GEN4 representa uma mudança profunda na engenharia da Fórmula E, principalmente pela combinação de potência elevada, tração integral permanente e maior capacidade de recuperação de energia.

A potência máxima de 600 kW coloca o monoposto em uma faixa de desempenho extremamente elevada, mas o principal desafio será transformar essa capacidade em velocidade efetiva sem comprometer a eficiência energética.

Nos veículos elétricos, o torque pode ser disponibilizado rapidamente, o que exige um gerenciamento preciso da aderência.

Com a tração integral ativa, a distribuição da força entre os eixos poderá contribuir para melhorar a aceleração nas saídas de curva e ampliar as possibilidades de acerto dinâmico.

Entretanto, o aumento de desempenho também amplia a complexidade da gestão térmica. Motores elétricos, inversores e baterias precisam trabalhar dentro de faixas adequadas de temperatura, especialmente durante corridas com sucessivas acelerações e frenagens.

A regeneração de até 700 kW acrescenta outra dimensão ao trabalho das equipes, que precisarão equilibrar recuperação de energia, estabilidade e comportamento do sistema de frenagem.

O crescimento do calendário e a entrada em circuitos tradicionais também poderão favorecer uma avaliação mais abrangente do potencial do GEN4.

A expectativa de Drugovich é compreensível: um carro mais potente e com maior capacidade de tração tende a exigir novas habilidades dos pilotos e oferecer outras possibilidades estratégicas.

Mas o sucesso da geração dependerá não apenas dos números divulgados pela FIA, como também da qualidade das disputas e da capacidade de manter corridas competitivas.

A Fórmula E entra em uma fase na qual a eletrificação deixa de ser o principal diferencial e passa a ser a base para explorar novos limites de desempenho, eficiência e engenharia de competição.

Para acompanhar Felipe Drugovich, Fórmula E, Nissan, Andretti e tecnologias de propulsão elétrica, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 600 kW – Potência máxima do GEN4 na classificação e no Modo Ataque.
  • 815 cv – Potência equivalente aproximada do novo monoposto.
  • 1,8 segundo – Aceleração estimada de 0 a 100 km/h.
  • 335 km/h – Velocidade máxima que o carro poderá superar.
  • 700 kW – Capacidade máxima de frenagem regenerativa.
  • Tração integral – Sistema ativo e permanente utilizado pelo GEN4.
  • 21 corridas – Calendário previsto para a temporada 2026/2027.
  • 13 de março de 2027 – Data prevista para o E-Prix de São Paulo.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • Tração integral ativa – Sistema que distribui eletronicamente a força de propulsão entre os eixos para melhorar tração e comportamento dinâmico.
  • Frenagem regenerativa – Processo que transforma parte da energia do movimento em eletricidade durante a desaceleração.
  • Inversor – Componente eletrônico responsável por controlar o fornecimento de energia elétrica aos motores de propulsão.
  • Modo Ataque – Recurso regulamentar da Fórmula E que permite utilizar temporariamente uma potência superior.
  • Gerenciamento térmico – Controle das temperaturas de baterias, motores e componentes eletrônicos para preservar eficiência e confiabilidade.

Drugovich aposta em Fórmula E de 815 cv para 2027
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE