Felipe Drugovich acredita que a nova geração de carros da Fórmula E poderá transformar a experiência de pilotagem e tornar as corridas mais atraentes para o público. O brasileiro, que disputará sua segunda temporada pela Andretti Formula E, agora utilizando a tecnologia de propulsão elétrica da Nissan, destacou o desempenho do GEN4, monoposto desenvolvido para a temporada 2026/2027. Com potência máxima de 600 kW, equivalente a aproximadamente 815 cv, aceleração de 0 a 100 km/h em 1,8 segundo e velocidade superior a 335 km/h, o novo carro representa o maior salto técnico da categoria. A temporada terá 21 corridas, incluindo o E-Prix de São Paulo, marcado para 13 de março de 2027.
A Fórmula E está prestes a iniciar uma das transformações mais importantes de sua história, com mudanças que ultrapassam o aumento de potência.
O novo GEN4 representa uma evolução na arquitetura de propulsão, no gerenciamento da energia, na aerodinâmica e na capacidade de tração dos monopostos.
Para Felipe Drugovich, campeão da Fórmula 2 em 2022, a mudança também deverá proporcionar uma experiência de condução mais próxima daquela encontrada em outras categorias de monopostos de alto desempenho.
Em entrevista aos jornalistas Sérgio Siverly e Lito Cavalcanti, do podcast Boteco F1, o brasileiro demonstrou entusiasmo com os primeiros trabalhos de desenvolvimento.
Drugovich considera GEN4 um salto gigantesco
Durante a entrevista, Drugovich classificou a nova geração como uma evolução necessária para a categoria.
O piloto destacou a satisfação das equipes e dos competidores com as mudanças introduzidas pelo regulamento.
Em sua avaliação, o GEN4 deverá oferecer um comportamento mais natural para os pilotos, além de ampliar a atratividade da Fórmula E para profissionais que passaram pela Fórmula 2 ou pela Fórmula 1.
A expectativa está relacionada principalmente ao aumento da potência, à tração integral permanente e à possibilidade de disputar corridas em circuitos maiores.
O brasileiro acredita que essas mudanças poderão aproximar a categoria do público tradicional do automobilismo e conquistar novos espectadores.
GEN4 entrega até 815 cv de potência
O principal avanço do novo regulamento está no conjunto de propulsão.
O GEN4 possui 450 kW de potência máxima durante as condições normais de corrida, equivalentes a aproximadamente 612 cv.
Nos momentos em que utiliza o Modo Ataque (Attack Mode) e durante a classificação, a potência disponível pode chegar a 600 kW, cerca de 815 cv.
Isso representa um aumento de aproximadamente 71% na potência máxima em relação aos 350 kW do GEN3 Evo.
A capacidade de aceleração também impressiona.
Segundo os dados divulgados pela Fórmula E e pela FIA, o veículo é capaz de atingir 100 km/h em aproximadamente 1,8 segundo e alcançar 200 km/h em apenas 4,4 segundos.
A velocidade máxima estimada ultrapassa os 335 km/h.
| Característica | Fórmula E GEN4 |
|---|---|
| Potência em corrida | 450 kW (aprox. 612 cv) |
| Potência máxima | 600 kW (aprox. 815 cv) |
| 0 a 100 km/h | 1,8 segundo |
| 0 a 200 km/h | 4,4 segundos |
| Velocidade máxima | Mais de 335 km/h |
| Tração | Integral ativa permanente |
| Regeneração máxima | 700 kW |
| Energia utilizável | Até 55 kWh |
Os números mostram que o GEN4 não foi desenvolvido apenas para aumentar a velocidade em linha reta, mas também para modificar a maneira como os pilotos utilizam a potência durante as corridas.
Tração integral permanente muda a pilotagem
Uma das principais novidades do GEN4 é a utilização de tração integral ativa em todas as fases da corrida.
A geração anterior já utilizava componentes elétricos nos dois eixos, mas com limitações específicas para a aplicação da potência.
No GEN4, os motores elétricos podem contribuir continuamente para movimentar as quatro rodas, com gerenciamento eletrônico da distribuição de força.
Essa configuração permite explorar melhor a aderência dos pneus, especialmente nas acelerações após curvas de baixa velocidade.
O sistema também oferece novas possibilidades de controle dinâmico.
A distribuição de torque entre os eixos influencia diretamente a capacidade de tração, o comportamento em curvas e a estabilidade durante acelerações.
Para os pilotos, a mudança exigirá adaptação das técnicas de condução e dos ajustes de equilíbrio do veículo.
Frenagem regenerativa chega a 700 kW
Outro avanço importante está na recuperação de energia durante as desacelerações.
O GEN4 terá capacidade máxima de 700 kW de frenagem regenerativa, superior aos 600 kW da geração anterior.
O sistema utiliza os motores elétricos como geradores durante determinadas fases de frenagem.
Parte da energia cinética do veículo é convertida novamente em energia elétrica e armazenada na bateria para utilização posterior.
Segundo a categoria, mais de 40% da energia utilizada durante uma corrida poderá ser recuperada por regeneração.
Esse recurso será fundamental para administrar o consumo em provas disputadas com elevada potência.
A capacidade de regeneração de 700 kW representa um limite técnico do sistema, e não uma potência recuperada constantemente durante todas as frenagens.
Aerodinâmica terá configurações diferentes
A evolução do GEN4 também inclui mudanças importantes na carroceria.
O novo monoposto contará com duas configurações aerodinâmicas, desenvolvidas para diferentes necessidades de desempenho.
Uma delas priorizará maior pressão aerodinâmica, contribuindo para ampliar a aderência nas curvas.
A outra será voltada à redução da resistência ao ar, favorecendo a eficiência energética e as velocidades mais elevadas.
Esse equilíbrio é especialmente importante nos veículos elétricos de competição, nos quais a energia disponível precisa ser administrada durante toda a prova.
A categoria também destaca que o GEN4 será construído com materiais 100% recicláveis ou reutilizáveis, incluindo pelo menos 20% de conteúdo reciclado em componentes selecionados.
Isso não significa que todos os elementos sejam fabricados integralmente com material reciclado, mas que o projeto considera o reaproveitamento dos materiais ao final de sua utilização.
Andretti terá tecnologia Nissan em 2026/2027
Felipe Drugovich continuará na Andretti Formula E, equipe pela qual disputará sua segunda temporada na categoria.
A novidade será a utilização do conjunto de propulsão desenvolvido pela Nissan, substituindo a tecnologia anteriormente fornecida pela Porsche.
A mudança envolve um novo conjunto de engenharia e calibração, que precisa ser integrado ao chassi GEN4.
Na Fórmula E, os fabricantes desenvolvem componentes específicos do sistema de propulsão e seus respectivos softwares de gerenciamento, enquanto outros elementos seguem especificações comuns.
Para a Andretti, a parceria representa uma oportunidade de iniciar a nova geração com uma arquitetura diferente.
Drugovich dividirá a equipe com Jake Dennis, campeão mundial da temporada 2022/2023.
Calendário terá 21 corridas e retorno ao Brasil
A temporada 2026/2027 da Fórmula E contará com 21 corridas, o maior calendário anunciado pela categoria até então.
Entre as novidades estão provas em circuitos tradicionais, como Brands Hatch, na Inglaterra; Zandvoort, nos Países Baixos; e Circuito das Américas (COTA), nos Estados Unidos.
A inclusão dessas pistas acompanha a evolução de desempenho dos veículos, permitindo explorar características como velocidades mais elevadas e curvas de diferentes configurações.
No Brasil, o E-Prix de São Paulo está previsto para 13 de março de 2027.
A corrida será uma oportunidade para o público brasileiro acompanhar Felipe Drugovich com o novo GEN4.
A Fórmula E também pretende ampliar sua distribuição internacional por plataformas de streaming, incluindo a presença do campeonato no Disney+ em mercados selecionados.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O GEN4 representa uma mudança profunda na engenharia da Fórmula E, principalmente pela combinação de potência elevada, tração integral permanente e maior capacidade de recuperação de energia.
A potência máxima de 600 kW coloca o monoposto em uma faixa de desempenho extremamente elevada, mas o principal desafio será transformar essa capacidade em velocidade efetiva sem comprometer a eficiência energética.
Nos veículos elétricos, o torque pode ser disponibilizado rapidamente, o que exige um gerenciamento preciso da aderência.
Com a tração integral ativa, a distribuição da força entre os eixos poderá contribuir para melhorar a aceleração nas saídas de curva e ampliar as possibilidades de acerto dinâmico.
Entretanto, o aumento de desempenho também amplia a complexidade da gestão térmica. Motores elétricos, inversores e baterias precisam trabalhar dentro de faixas adequadas de temperatura, especialmente durante corridas com sucessivas acelerações e frenagens.
A regeneração de até 700 kW acrescenta outra dimensão ao trabalho das equipes, que precisarão equilibrar recuperação de energia, estabilidade e comportamento do sistema de frenagem.
O crescimento do calendário e a entrada em circuitos tradicionais também poderão favorecer uma avaliação mais abrangente do potencial do GEN4.
A expectativa de Drugovich é compreensível: um carro mais potente e com maior capacidade de tração tende a exigir novas habilidades dos pilotos e oferecer outras possibilidades estratégicas.
Mas o sucesso da geração dependerá não apenas dos números divulgados pela FIA, como também da qualidade das disputas e da capacidade de manter corridas competitivas.
A Fórmula E entra em uma fase na qual a eletrificação deixa de ser o principal diferencial e passa a ser a base para explorar novos limites de desempenho, eficiência e engenharia de competição.
Para acompanhar Felipe Drugovich, Fórmula E, Nissan, Andretti e tecnologias de propulsão elétrica, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 600 kW – Potência máxima do GEN4 na classificação e no Modo Ataque.
- 815 cv – Potência equivalente aproximada do novo monoposto.
- 1,8 segundo – Aceleração estimada de 0 a 100 km/h.
- 335 km/h – Velocidade máxima que o carro poderá superar.
- 700 kW – Capacidade máxima de frenagem regenerativa.
- Tração integral – Sistema ativo e permanente utilizado pelo GEN4.
- 21 corridas – Calendário previsto para a temporada 2026/2027.
- 13 de março de 2027 – Data prevista para o E-Prix de São Paulo.
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende
- Tração integral ativa – Sistema que distribui eletronicamente a força de propulsão entre os eixos para melhorar tração e comportamento dinâmico.
- Frenagem regenerativa – Processo que transforma parte da energia do movimento em eletricidade durante a desaceleração.
- Inversor – Componente eletrônico responsável por controlar o fornecimento de energia elétrica aos motores de propulsão.
- Modo Ataque – Recurso regulamentar da Fórmula E que permite utilizar temporariamente uma potência superior.
- Gerenciamento térmico – Controle das temperaturas de baterias, motores e componentes eletrônicos para preservar eficiência e confiabilidade.