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Chery estuda fábrica no Brasil para ampliar produção local
Engenharia

Chery estuda fábrica no Brasil para ampliar produção local

Grupo chinês avalia operação industrial para OMODA & JAECOO, iCAUR e LEPAS, mas ainda não confirmou investimentos.

Por Redação Mecânica Online®
11 min

O Chery International Group avalia estabelecer uma nova operação industrial no Brasil para sustentar a expansão de suas marcas e aumentar a competitividade no mercado nacional. A informação foi confirmada por Guibing Zhang, vice-presidente executivo da Chery Automobile e presidente da Chery International, durante o User Summit 2026, realizado em Wuhu, na China. O grupo pretende ampliar sua presença com as marcas OMODA & JAECOO, iCAUR e LEPAS, além de desenvolver tecnologias adaptadas às necessidades dos consumidores brasileiros. Entretanto, a empresa ainda não anunciou uma decisão definitiva sobre produção local, investimentos, localização, capacidade produtiva ou prazo para implantação de uma eventual fábrica.

O Brasil está ganhando importância na estratégia internacional das fabricantes chinesas, especialmente diante do crescimento das vendas de veículos eletrificados e da chegada de novas marcas.

Nesse cenário, o Chery International Group considera a produção nacional uma alternativa para ampliar sua competitividade, reduzir a dependência de veículos importados e desenvolver produtos mais adequados às características do mercado brasileiro.

A possibilidade foi discutida durante o User Summit 2026, encontro internacional realizado na sede do grupo, em Wuhu, na China.

A avaliação industrial acompanha uma expansão comercial que envolve novos SUVs, sistemas híbridos e projetos de adaptação tecnológica.

Produção nacional é considerada estratégica pela Chery

O presidente da Chery International, Guibing Zhang, confirmou que a companhia estuda alternativas para produzir veículos no Brasil.

A discussão envolve a necessidade de tornar a operação mais competitiva diante dos custos de importação, das exigências logísticas e das características do mercado brasileiro.

Em entrevista concedida durante o evento, o executivo destacou a importância da fabricação local para os planos de crescimento da empresa.

A produção brasileira também poderá facilitar o desenvolvimento de versões específicas para o País, incluindo motorização flex, sistemas híbridos adaptados ao etanol e produtos destinados a segmentos de maior volume.

Entretanto, a Chery ainda não definiu se uma eventual operação será realizada por meio de uma fábrica própria, de uma unidade já existente ou de outra modalidade de produção.

O anúncio representa uma avaliação estratégica, não a confirmação da instalação de uma nova fábrica.

Grupo pretende alcançar 500 mil veículos anuais no Brasil

Reportagens publicadas após o User Summit indicam que o grupo trabalha com uma meta de comercializar 500 mil veículos por ano no mercado brasileiro até 2031, considerando o conjunto de suas marcas.

Esse objetivo ajuda a explicar o interesse na nacionalização da produção.

Uma operação dependente exclusivamente de importações pode enfrentar limitações relacionadas ao câmbio, aos impostos, aos custos logísticos e à disponibilidade de veículos.

A fabricação local também pode contribuir para reduzir determinados prazos de abastecimento e ampliar o desenvolvimento da rede de fornecedores.

Entretanto, o volume pretendido representa uma meta comercial de longo prazo, e não uma previsão de produção já estabelecida.

A capacidade necessária dependerá das vendas efetivamente alcançadas e da participação de veículos nacionais e importados no portfólio.

OMODA & JAECOO, iCAUR e LEPAS fazem parte da expansão

A estratégia de crescimento envolve diferentes marcas do Chery International Group.

MarcaPosicionamento no mercado brasileiro
OMODASUVs com foco em design, tecnologia e eletrificação
JAECOOSUVs com proposta de robustez, conforto e tecnologias híbridas
iCAURVeículos eletrificados com identidade visual de inspiração clássica e proposta aventureira
LEPASModelos voltados ao conforto, à tecnologia e a diferentes necessidades de mobilidade
AiMOGA RoboticsRobótica e inteligência artificial, fora do segmento de fabricação de automóveis

A ampliação desse portfólio deverá aumentar a presença comercial do grupo em diferentes faixas de preço e segmentos.

A OMODA & JAECOO já possui operação no Brasil, enquanto iCAUR e LEPAS fazem parte do planejamento de expansão da companhia.

A AiMOGA, por sua vez, desenvolve soluções robóticas para aplicações comerciais, industriais e domésticas.

A presença dessas marcas não significa que todas terão fabricação brasileira. O grupo ainda não especificou quais veículos poderiam integrar uma futura linha de produção nacional.

Produção local pode viabilizar compactos e picapes

Um dos aspectos mais relevantes da estratégia envolve a possibilidade de disputar segmentos nos quais os custos de importação dificultam a competitividade.

Durante entrevistas realizadas no User Summit, executivos do grupo mencionaram o interesse em produtos como o compacto QQ e a picape Himla.

Esses modelos pertencem a categorias que exigem atenção especial ao posicionamento de preço.

No caso dos veículos compactos, a concorrência com fabricantes que já produzem no Brasil torna os custos industriais e tributários particularmente importantes.

Nas picapes, além do preço, entram em consideração fatores como capacidade de carga, resistência mecânica, atendimento pós-venda e disponibilidade de componentes.

A fabricação nacional poderia favorecer a viabilidade comercial desses projetos.

Entretanto, não existe confirmação de produção brasileira ou calendário de lançamento para o QQ e a Himla.

Tecnologia híbrida flex também está nos planos

A adaptação dos veículos às características brasileiras representa outra frente importante.

O grupo desenvolve tecnologias capazes de combinar motores flex com sistemas híbridos, aproveitando a disponibilidade de etanol no mercado nacional.

A utilização desse combustível pode oferecer uma alternativa adicional para a descarbonização dos automóveis, dependendo da eficiência do conjunto e da análise das emissões ao longo do ciclo de vida.

Segundo informações apresentadas durante o evento, a Chery pretende incorporar sistemas híbridos flex a diferentes modelos de suas marcas.

A estratégia envolve adaptações de componentes, calibração eletrônica e validação dos sistemas de propulsão para operar com gasolina e etanol.

Essas modificações precisam considerar características específicas dos combustíveis, como proporção de mistura, comportamento na partida, resistência dos materiais e gerenciamento da combustão.

A nacionalização da produção poderia facilitar determinadas atividades de engenharia e desenvolvimento, mas não é condição suficiente, por si só, para garantir que um veículo seja flex.

Chery já possui histórico industrial no Brasil com a CAOA

É importante distinguir a nova estratégia internacional das operações industriais que já utilizam a marca Chery no País.

A CAOA Chery possui produção em Anápolis, Goiás, resultado de uma parceria empresarial estabelecida anteriormente.

Essa operação não deve ser confundida com o projeto industrial que está sendo avaliado para as marcas OMODA & JAECOO, iCAUR e LEPAS.

O grupo chinês também possui um histórico relacionado à unidade de Jacareí, em São Paulo, que integrou a trajetória da Chery no Brasil e permanece sem produção regular de automóveis.

Ao longo de 2026, foram divulgadas informações sobre possíveis alternativas industriais, incluindo o aproveitamento de instalações existentes.

Entretanto, nenhuma localização foi oficialmente confirmada pela Chery International para sua eventual nova operação.

Fábrica nova, unidade existente ou montagem de veículos?

A criação de uma operação industrial pode ocorrer de diferentes maneiras.

Uma possibilidade é construir uma fábrica completa, com etapas de montagem, carroceria e pintura.

Outra alternativa consiste em utilizar uma unidade já existente, adaptando suas instalações para receber novos modelos.

Também existem operações industriais baseadas na montagem de conjuntos de componentes importados, conhecidas pelas siglas CKD e SKD.

Cada modalidade envolve investimentos, prazos e níveis diferentes de integração com fornecedores nacionais.

Modelo industrialCaracterística principal
Fábrica completaInstalação industrial com diferentes etapas de fabricação e montagem
Aproveitamento de unidade existenteAdaptação de instalações para novos modelos
CKDMontagem de conjuntos importados desmontados
SKDMontagem a partir de conjuntos parcialmente preparados
Nacionalização progressivaAmpliação gradual da participação de peças e sistemas produzidos no Brasil

A Chery International não informou qual dessas alternativas pretende adotar.

O nível de nacionalização também dependerá das condições econômicas, da escala produtiva e da capacidade dos fornecedores locais.

Investimento e localização ainda não foram definidos

Apesar da importância estratégica atribuída ao Brasil, o grupo mantém pontos fundamentais em avaliação.

Até o momento, não foram anunciados:

  • Valor do investimento industrial.
  • Cidade ou estado da eventual operação.
  • Capacidade anual de fabricação.
  • Modelos que poderiam ser produzidos.
  • Modalidade de montagem e nível de nacionalização.
  • Cronograma para início das atividades.

Essas informações serão decisivas para determinar o alcance do projeto.

A instalação de uma unidade industrial também envolve negociações com fornecedores, infraestrutura logística, disponibilidade de profissionais e cumprimento dos requisitos regulatórios.

Portanto, a existência de interesse comercial não representa automaticamente uma decisão de investimento industrial.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A possibilidade de produção nacional do Chery International Group precisa ser analisada sob duas perspectivas: competitividade comercial e desenvolvimento tecnológico.

Para uma fabricante que pretende ampliar significativamente suas vendas no Brasil, a produção local pode oferecer vantagens relacionadas à logística, aos custos e à adequação dos produtos.

Entretanto, fabricar veículos no País não significa necessariamente desenvolver uma cadeia industrial completa desde o início.

Operações CKD ou SKD podem representar etapas iniciais de implantação, mas seus efeitos sobre a indústria nacional dependem do volume produzido e da participação de componentes locais.

O maior benefício para a engenharia brasileira poderá surgir com a ampliação de atividades como desenvolvimento de sistemas flex, calibração de motores híbridos, ensaios de durabilidade e adaptação de suspensões às condições de utilização do País.

O Brasil apresenta particularidades importantes, incluindo o uso do etanol, as variações de temperatura, a diversidade de pavimentos e as necessidades de consumidores urbanos e rurais.

A integração entre eletrificação e tecnologia flex também poderá oferecer oportunidades para fornecedores nacionais de sistemas de alimentação, controle eletrônico, componentes mecânicos e soluções de gerenciamento energético.

Outro desafio está no pós-venda. A expansão comercial exige estoque de peças, treinamento de profissionais, capacidade de diagnóstico e suporte técnico, especialmente em modelos híbridos e elétricos.

A presença de diferentes marcas pertencentes ao mesmo grupo poderá gerar oportunidades de compartilhamento de plataformas e componentes, mas a eficiência dessa estratégia dependerá das características técnicas de cada modelo.

A decisão de produzir no Brasil será importante, mas o verdadeiro impacto industrial dependerá do volume de fabricação, da engenharia local e do desenvolvimento da cadeia de fornecedores.

Por enquanto, o movimento deve ser acompanhado como uma intenção estratégica relevante, ainda sem investimento ou cronograma oficial.

Para acompanhar Chery, OMODA & JAECOO, iCAUR, LEPAS, produção automotiva e tecnologias híbridas, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • Chery International Group – Grupo chinês que avalia uma nova operação industrial no Brasil.
  • Guibing Zhang – Executivo que confirmou a avaliação durante o User Summit 2026.
  • 500 mil veículos – Meta anual de vendas no Brasil para 2031, divulgada em entrevistas.
  • OMODA & JAECOO – Marcas presentes na estratégia comercial do grupo.
  • iCAUR e LEPAS – Marcas previstas na expansão brasileira.
  • Produção nacional – Possibilidade em estudo, sem decisão definitiva.
  • Localização – Nenhuma cidade ou estado oficialmente definido.
  • Investimento – Valor e cronograma industrial ainda não anunciados.

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  • CKD (Completely Knocked Down) – Modalidade de produção em que componentes e conjuntos são importados desmontados para montagem local.
  • SKD (Semi Knocked Down) – Processo de montagem a partir de conjuntos parcialmente preparados no exterior.
  • Nacionalização de componentes – Ampliação da participação de peças e sistemas fabricados no próprio país.
  • Híbrido flex – Veículo que combina propulsão elétrica com motor a combustão preparado para utilizar gasolina e etanol.
  • Cadeia de fornecedores automotivos – Conjunto de empresas responsáveis pelo fornecimento de componentes, materiais, equipamentos e serviços necessários à fabricação de veículos.

Chery estuda fábrica no Brasil para ampliar produção local