A Lexus prepara uma mudança histórica em sua estratégia industrial ao programar para 2027 seu primeiro veículo fabricado na China. O modelo será um SUV totalmente elétrico, produzido em uma nova fábrica da Toyota no distrito de Jinshan, em Xangai. A unidade utilizará tecnologias como gigacasting, processo de fundição que permite fabricar grandes componentes estruturais de alumínio em peças únicas, e um sistema de montagem no qual os automóveis se deslocam autonomamente entre as estações de trabalho. A produção inicial é estimada em aproximadamente 1.000 unidades mensais, enquanto a fabricante japonesa busca ampliar sua competitividade diante do avanço das marcas chinesas de veículos elétricos premium.
A decisão representa uma transformação na atuação da Lexus no mercado chinês, onde a marca construiu sua presença comercial ao longo de quase três décadas utilizando veículos importados. Com a fabricação local, a divisão de luxo da Toyota pretende reduzir custos, acelerar o desenvolvimento de produtos e responder às exigências de consumidores interessados em eletrificação, conectividade e tecnologias avançadas.
Nova fábrica da Lexus utilizará gigacasting e montagem sem esteiras
A unidade industrial está localizada no distrito de Jinshan, em Xangai, e teve sua construção iniciada em 2025. Trata-se da primeira fábrica integralmente controlada pela Toyota fora do Japão destinada à produção de veículos da marca Lexus.
Um dos principais diferenciais será a utilização do gigacasting, tecnologia de fundição sob pressão que permite produzir componentes estruturais de grandes dimensões a partir de ligas de alumínio.
No novo SUV elétrico, a solução será aplicada a elementos estruturais dianteiros e traseiros, substituindo conjuntos tradicionalmente formados por diversas peças menores, unidas por soldagem ou outros processos industriais.
A tecnologia pode proporcionar redução do número de componentes, simplificação da montagem e ganhos de produtividade, além de oferecer oportunidades para diminuir o peso estrutural do veículo.
Entretanto, os resultados dependem do projeto, da liga metálica utilizada e das características do processo produtivo. A utilização de peças maiores também exige atenção especial à reparabilidade após colisões, uma vez que danos estruturais podem exigir procedimentos de recuperação mais complexos.
Outra inovação será a adoção de um sistema de montagem sem esteiras transportadoras convencionais. Nesse conceito, os veículos poderão se deslocar autonomamente entre diferentes estações de trabalho, permitindo maior flexibilidade na organização da fábrica.
A proposta modifica o modelo tradicional de produção, em que automóveis percorrem uma sequência relativamente fixa de operações. Com a nova arquitetura industrial, a Lexus poderá ajustar determinados fluxos produtivos de acordo com as necessidades de fabricação.
Produção inicial prevista em 1.000 veículos mensais
As informações divulgadas pela imprensa chinesa apontam uma produção inicial de aproximadamente 1.000 veículos por mês, equivalente a 12.000 unidades anuais, caso esse ritmo seja mantido durante doze meses.
Esse número representa uma estimativa para a fase inicial de operação, não a capacidade industrial definitiva da fábrica. O cronograma de ampliação da produção ainda não foi detalhado.
A Lexus ainda não revelou o nome comercial, o preço, a potência dos motores, a capacidade da bateria ou a autonomia do novo SUV.
Também não existem informações técnicas suficientes para determinar se o modelo utilizará um ou dois motores elétricos, tração dianteira, traseira ou integral, nem quais serão as características de recarga.
O desenvolvimento será direcionado inicialmente ao mercado chinês, onde os consumidores têm acesso a uma oferta crescente de veículos elétricos com sistemas avançados de assistência à condução, conectividade e recursos digitais.
Bateria de estado sólido ainda não está confirmada
A Toyota mantém um programa de desenvolvimento de baterias de estado sólido, em parceria com a empresa japonesa Idemitsu Kosan.
A tecnologia utiliza eletrólitos sólidos e apresenta potencial para melhorar características como densidade energética, desempenho e velocidade de recarga, dependendo da composição química e da arquitetura das células.
A fabricante trabalha com uma perspectiva de aplicação prática dessa tecnologia entre 2027 e 2028, mas isso não significa que o primeiro SUV elétrico produzido pela Lexus na China utilizará esse tipo de bateria.
Informações ainda não confirmadas apontam para a possibilidade de utilização de células prismáticas com química LFP (fosfato de ferro-lítio) ou de baterias ternárias de lítio.
As duas soluções apresentam características diferentes. As baterias LFP geralmente se destacam pela estabilidade térmica, durabilidade e menor dependência de determinados metais, enquanto algumas composições ternárias oferecem maior densidade energética, característica importante para ampliar a autonomia sem aumentar proporcionalmente o peso.
Até o momento, não existe confirmação oficial sobre fornecedor, composição química ou capacidade energética da bateria do novo modelo.
Concorrência com Nio e Zeekr pressiona a Lexus na China
A decisão de fabricar automóveis na China acontece em um período de crescente pressão competitiva sobre as marcas premium tradicionais.
As entregas da Lexus no mercado chinês recuaram de aproximadamente 227 mil veículos em 2021 para 182.458 unidades em 2025, uma redução próxima de 20% nesse intervalo.
O sedã Lexus ES registrou cerca de 57.800 entregas entre janeiro e agosto de 2026, representando uma queda aproximada de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A concorrência também provocou ajustes comerciais, com registros de concessionárias oferecendo descontos superiores a 50 mil yuans em determinados modelos.
Nesse cenário, marcas chinesas como Nio e Zeekr ampliam a presença no mercado premium, especialmente com automóveis elétricos que combinam desempenho, conectividade e equipamentos tecnológicos.
A produção local poderá proporcionar uma vantagem adicional à Lexus: evitar a tarifa de importação de 15% aplicada aos automóveis de passageiros trazidos do exterior, parcela que influencia o custo dos modelos importados.
A fabricação chinesa também permitirá maior proximidade com fornecedores de componentes, sistemas eletrônicos e baterias, favorecendo o desenvolvimento de produtos adaptados às necessidades do mercado.
Toyota amplia integração com a indústria chinesa
A implantação da nova fábrica ocorre paralelamente à reorganização das operações industriais da Toyota na China.
Em setembro de 2026, a GAC apresentou uma proposta para adquirir a participação da FAW na operação FAW Toyota. Posteriormente, em outubro, as empresas anunciaram um acordo de cooperação estratégica envolvendo pesquisa, desenvolvimento, compras e produção.
A operação societária ainda depende das etapas necessárias de aprovação, mas demonstra o movimento de reorganização das atividades locais diante das transformações do mercado.
A Toyota já utiliza tecnologias desenvolvidas por empresas chinesas em produtos destinados ao país.
O Toyota bZ3, produzido pela FAW Toyota, incorpora tecnologia de baterias da BYD, enquanto o GAC Toyota bZ3X utiliza recursos de assistência à condução desenvolvidos com a Momenta.
Essas iniciativas demonstram a importância crescente dos fornecedores e desenvolvedores chineses na estratégia de eletrificação da fabricante japonesa.
Novo SUV elétrico da Lexus poderá chegar ao Brasil?
Embora o projeto represente uma mudança industrial importante, a Lexus ainda não anunciou a comercialização do novo SUV elétrico chinês no Brasil.
O veículo está sendo desenvolvido prioritariamente para atender às características do mercado chinês, e não existem informações oficiais sobre uma eventual estratégia de exportação para a América Latina.
A futura disponibilidade dependerá de decisões comerciais, homologações, posicionamento de preços e adequações às exigências dos diferentes mercados.
A fabricação em território chinês, entretanto, mostra que a Toyota está diversificando sua estrutura global de desenvolvimento e produção de veículos elétricos, movimento que poderá influenciar futuras estratégias internacionais da Lexus.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias –
A decisão da Lexus de produzir seu primeiro veículo na China representa mais do que uma mudança geográfica de fabricação. A marca japonesa passa a incorporar processos industriais que podem modificar significativamente a maneira como os automóveis elétricos são projetados, montados e reparados.
O principal destaque técnico é o gigacasting, que substitui conjuntos formados por múltiplas peças estampadas e soldadas por componentes estruturais de alumínio produzidos em grandes equipamentos de fundição sob pressão. Essa arquitetura pode reduzir etapas produtivas, pontos de união e o número de componentes necessários para construir determinadas regiões da carroceria.
Entretanto, a tecnologia também apresenta desafios. Uma peça estrutural de grandes dimensões pode tornar os reparos após colisões mais complexos, exigindo equipamentos específicos e procedimentos definidos pela fabricante. Por isso, redução do custo de fabricação não significa necessariamente redução do custo de reparação para o consumidor.
Outro aspecto relevante é o sistema de montagem sem esteiras transportadoras convencionais. A utilização de veículos capazes de se deslocar autonomamente entre as estações pode aumentar a flexibilidade da fábrica, permitindo reorganizar determinadas etapas de produção sem depender exclusivamente de uma linha contínua.
Essa arquitetura exige, porém, integração avançada entre sistemas de localização, sensores, gerenciamento industrial e controle de movimentação. O ganho efetivo de produtividade dependerá da coordenação dessas tecnologias e da capacidade de evitar interrupções no fluxo produtivo.
No conjunto de propulsão elétrica, ainda faltam informações para uma avaliação específica do novo SUV. Características como capacidade útil da bateria, eficiência energética, gerenciamento térmico, potência de recarga e arquitetura elétrica serão fundamentais para determinar sua competitividade.
A possibilidade de utilização de baterias de estado sólido merece atenção, mas não deve ser tratada como característica confirmada. Até que a Lexus apresente informações técnicas oficiais, qualquer afirmação sobre autonomia, composição química ou desempenho energético seria especulativa.
A produção local também possui importância estratégica. Ao reduzir a dependência de importações, a Lexus poderá ajustar custos e ampliar sua capacidade de resposta à concorrência chinesa, que avança rapidamente em eletrificação, software embarcado e tecnologias de assistência à condução.
O resultado mais importante dessa iniciativa será observar como a fabricante conciliará sua reputação de qualidade e durabilidade com métodos industriais mais flexíveis e novas arquiteturas de veículos elétricos. A competitividade da próxima geração de automóveis não dependerá apenas do produto, mas também da eficiência e da inteligência de seus processos de fabricação.
Para acompanhar as novidades sobre veículos elétricos, baterias, engenharia automotiva e tecnologias de produção, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 2027 – Ano previsto para a apresentação do primeiro veículo Lexus fabricado na China.
- Xangai – Cidade chinesa que receberá a nova unidade industrial da fabricante.
- Jinshan – Distrito onde está instalada a fábrica.
- Gigacasting – Tecnologia de fundição de grandes componentes estruturais de alumínio.
- 1.000 unidades mensais – Estimativa de produção na fase inicial de operação.
- 182.458 veículos – Entregas da Lexus na China em 2025, segundo os dados divulgados.
- 15% – Tarifa de importação de automóveis de passageiros que a fabricação local poderá evitar.
- Nio e Zeekr – Fabricantes chinesas que disputam o segmento premium de veículos elétricos.
- Brasil – Não existe confirmação de comercialização do novo SUV no mercado nacional.
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- Gigacasting – Processo de fundição sob pressão que permite fabricar grandes componentes estruturais de alumínio, reduzindo a necessidade de unir diversas peças menores.
- Fundição sob pressão – Processo industrial no qual metal fundido é introduzido em um molde sob elevada pressão para formar componentes com geometria definida.
- Bateria LFP – Bateria de íons de lítio que utiliza fosfato de ferro-lítio no material do eletrodo positivo, conhecida pela estabilidade térmica e durabilidade.
- Bateria de estado sólido – Tecnologia que utiliza eletrólito sólido, com potencial para melhorar características de segurança, densidade energética e desempenho, dependendo de sua composição.
- Montagem sem esteiras – Sistema industrial no qual os veículos se movimentam entre estações de produção sem depender de uma linha transportadora contínua convencional.