A XCMG prepara uma das principais novidades tecnológicas da Fenatran 2026, que acontece de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo. Trata-se do Hanjing, um cavalo-mecânico totalmente elétrico desenvolvido para o transporte rodoviário de cargas em médias e longas distâncias. O modelo apresenta configuração 4×2, dois motores elétricos Bosch, potência máxima de 720 cv e bateria CATL com capacidade de 612,3 kWh. A autonomia anunciada chega a 460 quilômetros, enquanto o sistema de recarga ultrarrápida MCS permite recuperar de 20% a 80% da carga em aproximadamente 20 minutos, desde que exista infraestrutura compatível. A novidade reforça o avanço dos caminhões elétricos para operações rodoviárias de maior exigência.
A proposta da XCMG é ampliar a utilização da propulsão elétrica além das aplicações urbanas e de distribuição regional.
Com capacidade para operar com peso bruto total combinado de 42 toneladas, o Hanjing busca atender transportadoras interessadas em reduzir a utilização de diesel em rotas compatíveis com sua autonomia e infraestrutura de recarga.
Dois motores Bosch e arquitetura elétrica de 800 volts
O conjunto de propulsão utiliza dois motores elétricos Bosch, com potência nominal combinada de 557 cv e potência máxima de 720 cv.
A potência nominal representa a capacidade declarada de funcionamento contínuo, enquanto a potência máxima corresponde ao pico disponível em condições determinadas.
Essa distinção é importante nos veículos pesados, porque o desempenho precisa ser mantido durante longos períodos, inclusive em aclives e operações com elevada carga.
A arquitetura elétrica de 800 volts permite trabalhar com potências elevadas utilizando correntes menores do que seriam necessárias em sistemas de tensão inferior, para uma mesma potência.
Isso pode favorecer o dimensionamento dos cabos, a eficiência elétrica e o gerenciamento térmico.
O Hanjing também possui velocidade máxima de 90 km/h.
Bateria CATL de 612,3 kWh e autonomia de até 460 km
A energia é armazenada em um conjunto de baterias CATL com capacidade máxima de 612,3 kWh, instalado na região inferior do veículo.
O posicionamento contribui para distribuir a massa do conjunto, embora a integração estrutural e a proteção contra impactos sejam fundamentais em caminhões pesados.
A autonomia divulgada de até 460 quilômetros foi obtida considerando velocidade constante de 70 km/h e utilização da bateria até atingir 10% de carga.
Esse resultado não representa necessariamente a distância que o caminhão percorrerá em condições reais de transporte.
Carga transportada, aclives, velocidade, temperatura e utilização de sistemas auxiliares podem alterar significativamente o consumo energético.
A fabricante ainda deverá detalhar o desempenho do modelo em diferentes aplicações operacionais.
Recarga de 20% a 80% em aproximadamente 20 minutos
Um dos principais diferenciais técnicos do Hanjing é a compatibilidade com dois padrões de recarga em corrente contínua: CCS2 e MCS.
O CCS2 é utilizado em diferentes aplicações de veículos elétricos, enquanto o MCS, sigla de Megawatt Charging System, foi desenvolvido para permitir potências de recarga muito elevadas em veículos comerciais pesados.
Segundo a XCMG, o Hanjing consegue elevar o estado de carga de 20% para 80% em aproximadamente 20 minutos utilizando infraestrutura MCS compatível.
Considerando a capacidade nominal divulgada, essa recuperação corresponde a aproximadamente 367,4 kWh de energia armazenada.
Para atingir esse resultado, a potência média efetivamente transferida à bateria seria próxima de 1,1 MW, desconsiderando perdas elétricas.
Isso demonstra a exigência sobre a infraestrutura de abastecimento.
Não basta que o caminhão seja compatível com recarga ultrarrápida: o eletroposto precisa fornecer potência suficiente e contar com conexão elétrica adequada.
Cabine redesenhada aposta em aerodinâmica e conforto
A XCMG também desenvolveu uma nova cabine para o Hanjing, com foco na redução da resistência aerodinâmica e no conforto do motorista.
Segundo a fabricante, o projeto apresenta uma redução de consumo de até 15% associada às melhorias aerodinâmicas. O material divulgado, entretanto, não detalha a condição de comparação utilizada para esse percentual.
A estrutura emprega aço de elevada resistência, buscando oferecer proteção aos ocupantes.
No interior, o caminhão reúne uma tela central de grandes dimensões e comandos físicos para as principais funções.
O espaço também contempla área de descanso, iluminação e compartimentos para objetos pessoais.
A suspensão pneumática nos eixos dianteiro e traseiro foi adotada para melhorar o conforto durante viagens e contribuir para o controle dos movimentos da cabine e do conjunto rodante.
Freios a disco, EBS e ESC reforçam segurança
O Hanjing possui freios a disco nos dois eixos, sistema eletrônico de frenagem EBS e controle eletrônico de estabilidade ESC.
O EBS gerencia eletronicamente a atuação dos freios, buscando melhorar a resposta e o equilíbrio da frenagem.
Já o ESC monitora o comportamento dinâmico e pode atuar para ajudar a controlar situações de instabilidade, dentro dos limites físicos de aderência.
A direção utiliza assistência eletro-hidráulica, solução que combina atuação hidráulica com acionamento elétrico.
A configuração permite adequar a assistência às necessidades de condução e ao gerenciamento energético do veículo.
XCMG Hanjing: principais dados técnicos
| Característica | Especificação |
|---|---|
| Tipo | Cavalo-mecânico elétrico |
| Configuração | 4×2 |
| Motorização | Dois motores elétricos Bosch |
| Potência nominal | 557 cv |
| Potência máxima | 720 cv |
| Arquitetura elétrica | 800 volts |
| Bateria | CATL, 612,3 kWh |
| Autonomia anunciada | Até 460 km |
| Recarga de 20% a 80% | Aproximadamente 20 minutos via MCS |
| Padrões de recarga | CCS2 e MCS |
| PBTC | 42 toneladas |
| Velocidade máxima | 90 km/h |
| Suspensão | Pneumática nos dois eixos |
| Segurança | Freios a disco, EBS e ESC |
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O XCMG Hanjing representa um avanço importante na eletrificação do transporte rodoviário porque reúne três características fundamentais para operações pesadas: potência elevada, grande capacidade de bateria e possibilidade de recarga em escala de megawatts.
Os 720 cv de potência máxima demonstram o potencial da propulsão elétrica, mas a capacidade de transportar cargas elevadas depende também da potência contínua, do gerenciamento térmico e da configuração da transmissão.
A autonomia de 460 quilômetros merece atenção porque foi divulgada em uma condição específica de utilização.
Em operações rodoviárias, o consumo pode variar bastante conforme o peso transportado e o relevo.
Outro ponto decisivo está na recarga.
Recuperar aproximadamente 367 kWh em 20 minutos exige potência média próxima de 1,1 MW na bateria. Isso representa uma demanda elétrica muito superior à encontrada em grande parte dos carregadores rápidos atualmente utilizados por automóveis.
A viabilidade operacional do Hanjing dependerá da existência de corredores logísticos preparados para fornecer essa energia.
Também será necessário avaliar o peso do conjunto de baterias, a capacidade efetiva de carga útil, o custo de aquisição e a durabilidade dos componentes.
Para transportadoras brasileiras, a comparação com um caminhão a diesel deverá considerar o custo total de propriedade, incluindo energia, manutenção, infraestrutura e disponibilidade operacional.
A tecnologia apresentada pela XCMG mostra que os caminhões elétricos estão avançando para aplicações mais exigentes. O próximo desafio será transformar autonomia e velocidade de recarga em produtividade real nas estradas brasileiras.
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Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 720 cv – Potência máxima dos dois motores elétricos Bosch.
- 557 cv – Potência nominal do conjunto.
- 612,3 kWh – Capacidade divulgada da bateria CATL.
- 460 km – Autonomia máxima anunciada nas condições de referência.
- 20 minutos – Tempo previsto para recarga de 20% a 80% pelo padrão MCS.
- 800 volts – Arquitetura elétrica do caminhão.
- 42 toneladas – Peso bruto total combinado.
- 9 a 13 de novembro – Período da Fenatran 2026.
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- Cavalo-mecânico – Caminhão projetado para tracionar semirreboques e formar conjuntos destinados ao transporte de cargas.
- PBTC – Peso bruto total combinado, correspondente à massa máxima autorizada para o conjunto, conforme sua configuração e limites aplicáveis.
- kWh – Unidade de energia utilizada para indicar a capacidade de armazenamento da bateria.
- MCS – Sistema de recarga de alta potência desenvolvido para veículos comerciais pesados.
- CCS2 – Padrão de conexão utilizado para recarga em corrente alternada e contínua, conforme o equipamento.
- EBS – Sistema eletrônico de frenagem que gerencia a atuação dos freios.
- ESC – Controle eletrônico de estabilidade que auxilia na manutenção da trajetória em determinadas situações.


