A ZF anunciou a nacionalização da transmissão automatizada TraXon 2, destinada a caminhões pesados e extrapesados, com produção prevista para começar em 2027 na fábrica de Sorocaba, em São Paulo. A nova geração incorpora uma central eletrônica mais potente, recursos de cibersegurança, gerenciamento inteligente das trocas de marcha e preparação para atualizações remotas de software. Segundo estimativas da fabricante, o conjunto pode proporcionar redução de aproximadamente 1,7% no consumo de combustível e nas emissões de CO₂ em relação à TraXon anterior, dependendo da aplicação. O pacote de novidades para a Fenatran 2026 inclui ainda o disco de embreagem TD285, a remanufatura do atuador ConAct e a incorporação do sistema PreVision à transmissão 9AS EcoTronic.
A transformação tecnológica dos caminhões não acontece apenas nos motores. As transmissões também estão passando por mudanças importantes, incorporando sistemas eletrônicos capazes de melhorar o desempenho, reduzir o consumo de combustível e ampliar a integração com os demais componentes do veículo.
É nesse cenário que a ZF prepara a produção brasileira da TraXon 2, evolução de uma das famílias de transmissões automatizadas mais utilizadas em veículos comerciais pesados.
A nova geração será apresentada na Fenatran 2026, realizada de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, juntamente com outras tecnologias desenvolvidas ou adaptadas para as necessidades do transporte sul-americano.
A estratégia envolve tanto a nacionalização de componentes quanto o fortalecimento da engenharia brasileira, especialmente em aplicações que exigem elevada capacidade de carga e operação em condições severas.
TraXon 2 será produzida em Sorocaba a partir de 2027
A principal novidade anunciada pela ZF está na fabricação nacional da transmissão automatizada TraXon 2.
O conjunto será produzido na unidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, onde a fabricante já mantém uma linha destinada à primeira geração da TraXon.
O início da produção está previsto para 2027, com informações complementares divulgadas à imprensa indicando o primeiro semestre como período planejado.
Segundo Silvio Furtado, vice-presidente de Soluções para Veículos Comerciais e Tecnologia Industrial da ZF América do Sul, a TraXon 2 passa por testes no Brasil desde 2025.
A empresa também informou que já possui contratos de fornecimento para montadoras, preparando a introdução da nova transmissão em veículos comerciais produzidos na região.
A fabricação local deverá reduzir a dependência de componentes importados e facilitar a integração com os projetos das fabricantes de caminhões.
Entretanto, a ZF não divulgou oficialmente quais modelos receberão primeiro a TraXon 2 nacional.
TraXon 1 continuará sendo fabricada no Brasil
A nacionalização da segunda geração não representa o encerramento imediato da produção da TraXon original.
Segundo a ZF, as duas transmissões continuarão sendo fabricadas em Sorocaba, utilizando uma estrutura industrial flexível.
Essa estratégia permite atender diferentes necessidades das montadoras e manter o fornecimento de componentes para aplicações existentes.
A família TraXon ultrapassou recentemente a marca de 1,5 milhão de unidades produzidas mundialmente, consolidando sua presença no segmento de caminhões pesados.
A primeira geração sucedeu a conhecida AS Tronic e passou a oferecer avanços em eficiência, conforto de operação e integração com os motores diesel.
Agora, a TraXon 2 amplia principalmente a capacidade eletrônica do conjunto.
Nova central eletrônica transforma a transmissão
A maior evolução da TraXon 2 está na arquitetura de controle.
A transmissão recebeu uma nova unidade de controle eletrônico (ECU), desenvolvida e fabricada internamente pela ZF.
O sistema utiliza um processador mais moderno, capaz de executar cálculos e interpretar informações com maior rapidez.
Essa capacidade permite melhorar a comunicação entre transmissão, motor, freios e demais sistemas eletrônicos do caminhão.
Na prática, o gerenciamento eletrônico considera diferentes parâmetros para determinar o momento mais adequado para realizar cada troca de marcha.
Entre as informações utilizadas podem estar rotação do motor, velocidade, solicitação do acelerador, carga e condições de operação.
O objetivo é selecionar relações que favoreçam o desempenho e mantenham o motor em faixas de funcionamento adequadas.
A ZF afirma que o novo sistema proporciona trocas mais rápidas, suaves e precisas, contribuindo para o conforto do motorista e para a eficiência energética.
Software poderá ser atualizado sem levar caminhão à oficina
Uma das características importantes da TraXon 2 é a preparação para atualizações remotas de software.
A tecnologia é conhecida pela sigla FOTA (Flash Over The Air).
Ela permite que determinados programas eletrônicos sejam atualizados por meio de conexão de dados, sem exigir necessariamente uma intervenção presencial.
Em veículos compatíveis, essa possibilidade poderá facilitar a introdução de melhorias na calibração e em funcionalidades eletrônicas ao longo da vida útil.
Entretanto, a disponibilidade das atualizações remotas dependerá da integração realizada por cada montadora e da infraestrutura de conectividade do veículo.
A existência de uma transmissão preparada para FOTA não significa que todos os caminhões equipados com ela receberão automaticamente essa função.
A atualização também precisa respeitar procedimentos de segurança e validação previstos pelo fabricante.
Cibersegurança passa a fazer parte do câmbio
Com a maior integração entre os componentes eletrônicos, a proteção dos sistemas digitais tornou-se uma exigência importante.
A TraXon 2 incorpora uma arquitetura preparada para atender aos requisitos de engenharia de cibersegurança associados à norma ISO/SAE 21434.
Essa norma estabelece processos para identificar, avaliar e gerenciar riscos de segurança cibernética durante o desenvolvimento e o ciclo de vida de veículos rodoviários.
No caso de uma transmissão automatizada, a proteção precisa considerar a comunicação com outros módulos eletrônicos e o acesso aos sistemas de programação.
Uma falha de segurança pode comprometer a integridade das informações utilizadas pelo veículo.
Por isso, o desenvolvimento de transmissões modernas envolve também autenticação, proteção das comunicações e gerenciamento seguro de software.
Essa evolução acompanha o conceito de veículo comercial definido por software, no qual diferentes funções podem ser administradas ou aprimoradas por programas eletrônicos.
Produção terá estação de software com o dobro da capacidade
Para preparar a fabricação da TraXon 2, a ZF instalará uma nova estação destinada ao processamento e carregamento dos programas eletrônicos.
O equipamento terá capacidade operacional aproximadamente duas vezes superior à da estação utilizada atualmente.
A estrutura permitirá trabalhar com a maior complexidade dos programas da transmissão e com arquiteturas eletrônicas de nova geração.
A estação também será preparada para atender aos processos associados à cibersegurança.
Essa modernização é importante porque a fabricação de uma transmissão automatizada não termina na montagem dos componentes mecânicos.
Após a instalação de engrenagens, eixos, rolamentos e atuadores, o conjunto precisa receber programação, calibração e verificações eletrônicas.
A eletrônica passa a representar uma etapa cada vez mais importante no processo de fabricação das transmissões.
Consumo de combustível pode cair aproximadamente 1,7%
A ZF informa que a TraXon 2 pode proporcionar redução de aproximadamente 1,7% no consumo de combustível e nas emissões de CO₂ em relação à geração anterior.
O benefício está associado principalmente à evolução do gerenciamento eletrônico e à estratégia de seleção das marchas.
Quando a transmissão escolhe adequadamente uma relação, o motor pode trabalhar em uma faixa de rotação mais eficiente.
Isso ajuda a evitar acelerações desnecessárias, mudanças excessivas de marcha e determinadas perdas de energia.
Entretanto, os ganhos dependem da aplicação.
O percentual de 1,7% representa uma estimativa divulgada pela fabricante, não uma economia garantida em qualquer caminhão.
Fatores como topografia, peso transportado, velocidade média, transmissão final e estilo de condução influenciam os resultados.
Para uma transportadora, mesmo reduções relativamente pequenas podem representar economia ao longo de grandes quilometragens.
Quanto a redução de 1,7% pode representar?
Para compreender o impacto potencial, considere um exemplo hipotético de um caminhão que consome 40 mil litros de diesel por ano.
Se esse veículo obtiver uma redução efetiva de 1,7%, mantendo as mesmas condições de utilização, a economia será de aproximadamente 680 litros anuais.
O resultado não representa uma previsão para determinado modelo, mas demonstra como pequenas diferenças percentuais podem ganhar relevância em operações de longa distância.
Em uma frota numerosa, a economia pode se acumular, desde que os veículos apresentem condições semelhantes de operação.
PreVision e ECO-Roll ampliam a eficiência
Entre os recursos eletrônicos da TraXon 2 estão as funções PreVision e ECO-Roll.
O PreVision utiliza informações sobre a rota para antecipar determinadas condições de condução.
Com dados de posicionamento e características do percurso, o sistema pode preparar a estratégia de troca de marchas antes de subidas e descidas.
O objetivo é evitar mudanças desnecessárias e aproveitar melhor o torque disponível.
Já o ECO-Roll administra situações nas quais o veículo pode aproveitar sua inércia para manter o deslocamento com menor demanda de combustível, conforme as condições e os limites de segurança previstos pelo sistema.
Essas tecnologias operam de maneira integrada ao gerenciamento eletrônico da transmissão.
A TraXon 2 também amplia as possibilidades de comunicação com os sistemas de freios ABS e EBS.
A combinação busca melhorar o comportamento do veículo, especialmente em operações rodoviárias.
TraXon 1 e TraXon 2: principais diferenças
| Característica | TraXon 1 | TraXon 2 |
|---|---|---|
| Central eletrônica | ECU da geração anterior | Nova ECU com maior capacidade de processamento |
| Cibersegurança | Proteções eletrônicas existentes | Arquitetura preparada para requisitos atuais de segurança cibernética |
| Atualizações | Conforme a configuração e procedimentos de serviço | Preparada para futuras atualizações FOTA |
| Software | PreVision e manutenção preditiva opcional | Pacote modular ampliado, com PreVision e ECO-Roll |
| Eficiência | Até 99,7% de eficiência mecânica em tração direta, segundo a ZF | Economia estimada de até 1,7% de combustível na aplicação veicular |
| Acionamento de embreagem | ConAct | ConAct |
| Principal evolução | Eficiência mecânica e robustez | Integração eletrônica, conectividade e cibersegurança |
A comparação mostra que a nova geração não está concentrada apenas em alterações mecânicas.
O principal salto tecnológico está no gerenciamento eletrônico e na capacidade de integração com os demais sistemas do caminhão.
Embreagem TD285 foi desenvolvida pela engenharia brasileira
Outra novidade apresentada pela ZF é o disco de embreagem TD285, desenvolvido para caminhões e ônibus pesados equipados com motores de elevada eficiência e baixas emissões.
O componente utiliza um amortecedor torcional, responsável por reduzir a transmissão das oscilações produzidas pelo motor.
Mesmo quando o funcionamento parece uniforme, o virabrequim recebe impulsos de torque relacionados aos ciclos de combustão.
Essas variações podem provocar vibrações no conjunto formado por embreagem, transmissão e árvore de transmissão.
O amortecedor torcional utiliza componentes elásticos para reduzir parte dessas oscilações.
Na TD285, o projeto foi desenvolvido para discos de 430 milímetros de diâmetro, com versões destinadas a motores que entregam torque de até 3.500 Nm.
A solução atende às necessidades de motores Euro 6 e de futuras gerações de sistemas de propulsão.
TD285 busca reduzir vibrações em baixas rotações
Uma das características dos motores diesel modernos é a busca por maior eficiência em rotações relativamente baixas.
Essa estratégia pode reduzir o consumo, mas também exige atenção ao comportamento das vibrações torcionais.
O novo disco TD285 foi desenvolvido para ampliar o conforto e proteger os componentes do trem de força.
O sistema busca melhorar o funcionamento especialmente durante partidas, retomadas e trocas de marcha.
A redução das oscilações pode contribuir para diminuir ruídos e solicitações mecânicas em determinados componentes.
A ZF informa que o novo disco poderá atender tanto ao mercado de equipamento original quanto ao de reposição.
O desenvolvimento reforça a participação da engenharia brasileira em componentes destinados também a aplicações internacionais.
ConAct será remanufaturado em Araraquara em 2027
A ZF também anunciou a ampliação de seu programa de remanufatura com o atuador pneumático de embreagem ConAct.
A produção de componentes remanufaturados está prevista para começar em 2027, na unidade de Araraquara, em São Paulo.
O ConAct é utilizado em transmissões automatizadas de veículos comerciais pesados.
O sistema substitui determinados mecanismos convencionais de acionamento por um atuador pneumático concêntrico.
Durante as trocas de marcha, ele controla o acionamento da embreagem conforme as informações do gerenciamento eletrônico.
Essa operação permite administrar o desacoplamento e o acoplamento do motor com a transmissão.
O sistema foi desenvolvido para aplicações com torque de motor de até 3.200 Nm, incluindo condições severas de utilização.
Entre suas características estão a eliminação da necessidade de um circuito hidráulico específico de acionamento e a integração com sistemas automatizados.
Remanufatura não é simples recuperação de peça usada
A remanufatura industrial envolve processos diferentes daqueles utilizados em reparações convencionais.
O componente passa por desmontagem, limpeza, inspeção e substituição de elementos desgastados ou inadequados.
Depois, recebe montagem e testes conforme procedimentos técnicos estabelecidos pelo fabricante.
A ZF informa que os produtos remanufaturados seguem padrões de qualidade equivalentes aos aplicados aos componentes novos.
A empresa também oferece garantia equivalente à de uma peça nova, conforme as condições comerciais previstas.
O objetivo é reduzir a necessidade de utilizar integralmente matérias-primas novas, aproveitando componentes que ainda apresentam condições adequadas.
Essa estratégia pode diminuir o consumo de recursos e a energia necessária para fabricar determinados produtos.
Entretanto, os benefícios ambientais dependem das características do processo, do transporte e da quantidade de componentes reaproveitados.
A unidade de Araraquara também terá capacidade para fabricar componentes novos, conforme a demanda.
9AS EcoTronic ganha PreVision desenvolvido no Brasil
A engenharia brasileira da ZF também incorporou a função PreVision à transmissão automatizada 9AS EcoTronic, utilizada principalmente em caminhões médios e semipesados.
O conjunto possui nove marchas, enquanto a família TraXon é voltada a aplicações pesadas e utiliza configurações de 12 velocidades.
O PreVision utiliza informações de GPS para antecipar características do trajeto e ajustar a estratégia de troca de marchas.
O sistema pode identificar a aproximação de aclives e declives, preparando a transmissão antes que o caminhão alcance determinados pontos do percurso.
Essa antecipação ajuda a evitar reduções desnecessárias e pode melhorar o aproveitamento do torque do motor.
Segundo informações complementares divulgadas durante a apresentação, a nova calibração do PreVision na 9AS EcoTronic pode proporcionar economia de combustível de até 3%, conforme a aplicação.
O resultado é uma estimativa da fabricante e depende das condições operacionais.
Engenharia brasileira considera caminhões de até 74 toneladas
Um dos desafios da adaptação da tecnologia está nas características do transporte rodoviário brasileiro.
O País utiliza composições de veículos comerciais com Peso Bruto Total Combinado (PBTC) de até 74 toneladas, conforme as configurações e os requisitos legais aplicáveis.
Essas condições exigem calibrações específicas de motor e transmissão.
Em aclives, por exemplo, o gerenciamento eletrônico precisa considerar a capacidade de manter velocidade com grandes massas transportadas.
Uma troca inadequada pode reduzir o desempenho e exigir maior utilização do acelerador.
Já durante descidas, a estratégia deve considerar a integração com os sistemas de frenagem e a utilização adequada das relações de marcha.
A ZF destaca que o conhecimento acumulado pela engenharia brasileira contribuiu para adaptar a função PreVision às necessidades locais.
O desenvolvimento regional é importante porque uma transmissão calibrada para determinada condição de carga e relevo não necessariamente apresentará o mesmo comportamento em operações muito diferentes.
TraXon também prepara o caminho para transmissões híbridas
A plataforma TraXon foi concebida para acompanhar a evolução dos sistemas de propulsão dos veículos comerciais.
A arquitetura modular permite desenvolver aplicações compatíveis com diferentes configurações mecânicas e eletrônicas.
A ZF também trabalha com versões eletrificadas da plataforma, incluindo sistemas que combinam motor a combustão e propulsão elétrica.
Nessas soluções, a eletrificação pode permitir recuperar energia durante desacelerações e oferecer assistência elétrica em determinadas situações.
A estratégia faz parte do desenvolvimento de tecnologias destinadas a reduzir o consumo e as emissões do transporte pesado.
Entretanto, a produção nacional da TraXon 2 anunciada para 2027 não significa que versões híbridas também serão fabricadas imediatamente no Brasil.
A disponibilidade dependerá dos projetos das montadoras e das necessidades de cada mercado.
ZF apresentará novidades na Fenatran 2026
As tecnologias fazem parte do conjunto de soluções que a ZF apresentará durante a Fenatran 2026.
A feira acontecerá entre 9 e 13 de novembro, no São Paulo Expo, reunindo fabricantes de caminhões, fornecedores de componentes e empresas ligadas ao transporte rodoviário.
A estratégia da ZF envolve ampliar o fornecimento de tecnologias para veículos comerciais durante todo o ciclo de vida.
Isso inclui o desenvolvimento de componentes, a produção industrial, a integração com as montadoras e o mercado de reposição.
Segundo Carlos Delich, presidente da ZF América do Sul, a nacionalização da TraXon 2 representa um avanço na disponibilidade regional de tecnologias desenvolvidas globalmente.
A fabricante considera que o mercado brasileiro apresenta oportunidades para soluções que melhorem a eficiência e reduzam os custos operacionais das frotas.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A nacionalização da TraXon 2 demonstra uma transformação importante na engenharia das transmissões para veículos comerciais.
Durante muitos anos, as evoluções estiveram concentradas principalmente na resistência mecânica, na quantidade de marchas e na eficiência dos conjuntos de engrenagens.
Essas características continuam fundamentais, mas agora o software passa a desempenhar um papel decisivo na maneira como a transmissão funciona.
Uma caixa automatizada precisa interpretar a solicitação de torque, selecionar a relação adequada e coordenar o acionamento da embreagem com o funcionamento do motor.
Quando esses processos são executados com maior precisão, é possível reduzir determinadas perdas e melhorar o conforto de condução.
O PreVision representa um bom exemplo dessa evolução. Ao conhecer antecipadamente características do percurso, a transmissão pode evitar trocas que seriam desnecessárias poucos segundos depois.
Essa capacidade pode ser particularmente importante em caminhões que operam com grandes massas, pois uma mudança de marcha inadequada pode provocar perda de velocidade e exigir maior esforço do conjunto motriz para recuperar o desempenho.
Outro ponto relevante é a proteção das comunicações eletrônicas.
A presença de cibersegurança na TraXon 2 demonstra que as transmissões modernas estão se tornando sistemas computacionais integrados ao veículo.
Entretanto, maior complexidade eletrônica também exige profissionais capacitados, equipamentos de diagnóstico atualizados e procedimentos técnicos específicos de manutenção.
A possibilidade de atualizações remotas pode reduzir determinadas intervenções em oficina, mas sua utilização precisa seguir protocolos rigorosos para preservar a segurança operacional.
O disco TD285 também merece destaque pela proposta de controlar as vibrações torcionais dos motores diesel modernos.
O amortecimento das oscilações do virabrequim ajuda a proteger componentes e pode melhorar a suavidade do conjunto, especialmente nas faixas de baixa rotação utilizadas para economizar combustível.
A remanufatura do ConAct representa outra frente importante. A recuperação industrial de componentes pode contribuir para reduzir custos e consumo de materiais, desde que seja acompanhada de inspeção, substituição de peças desgastadas e testes adequados.
Por fim, a nacionalização da TraXon 2 fortalece a capacidade industrial brasileira, mas seus benefícios dependerão do volume de produção e da integração com os projetos das montadoras.
O avanço mais importante da nova geração está na combinação entre robustez mecânica, inteligência eletrônica, eficiência energética e capacidade de atualização ao longo da vida útil do caminhão.
A ZF demonstra que a transformação dos veículos comerciais não depende exclusivamente de novos motores ou combustíveis. Ela também acontece nos componentes responsáveis por transmitir a força às rodas.
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Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- TraXon 2 – Nova geração de transmissão automatizada para caminhões pesados e extrapesados.
- 2027 – Ano previsto para o início da fabricação nacional em Sorocaba.
- 1,5 milhão – Quantidade de transmissões da família TraXon produzidas mundialmente.
- 1,7% – Redução estimada de consumo e emissões de CO₂ em relação à geração anterior.
- TD285 – Novo disco de embreagem com amortecedor torcional para motores de até 3.500 Nm.
- ConAct – Atuador pneumático de embreagem que será remanufaturado em Araraquara.
- 9AS EcoTronic – Transmissão de nove marchas que recebeu a função PreVision.
- 74 toneladas – Referência de PBTC para determinadas composições rodoviárias brasileiras consideradas na calibração.
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- Transmissão automatizada – Caixa de marchas que utiliza mecanismos e sistemas eletrônicos para realizar automaticamente trocas em uma arquitetura mecânica de transmissão.
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- PreVision – Sistema que utiliza dados da rota para antecipar mudanças de marcha e melhorar o gerenciamento da transmissão.
- Amortecedor torcional – Componente destinado a reduzir oscilações de torque transmitidas pelo motor ao conjunto de transmissão.
- Remanufatura – Processo industrial de recuperação e atualização de componentes usados, com substituição de elementos desgastados e testes de qualidade.