A Cummins Brasil prepara a apresentação da nova geração do motor diesel F4.5 na Fenatran 2026, que acontece de 9 a 13 de novembro, em São Paulo. Produzido no Brasil e desenvolvido para veículos comerciais, o propulsor de quatro cilindros e 4,5 litros passa a oferecer potência máxima de 240 hp, aproximadamente 243 cv, representando um aumento de 14,3% em relação aos 210 hp da geração anterior. O torque chega a 850 Nm, enquanto melhorias no turbocompressor, na injeção e na calibração eletrônica proporcionaram redução de até 9% no consumo de combustível em testes de laboratório realizados pela fabricante.
A eficiência energética continua sendo uma das prioridades no desenvolvimento de motores diesel para caminhões, ônibus e outras aplicações comerciais.
Mesmo com o avanço da eletrificação, o transporte brasileiro ainda depende amplamente dos motores a combustão, especialmente em operações que exigem autonomia, capacidade de carga e disponibilidade constante dos veículos.
Nesse cenário, a Cummins desenvolveu uma nova evolução do F4.5, integrante de uma família de motores produzida no Brasil há mais de 15 anos.
A proposta é ampliar a capacidade de trabalho dos veículos comerciais sem aumentar proporcionalmente o tamanho ou a complexidade do conjunto mecânico.
Potência cresce 14,3% e chega a 240 hp
A principal novidade da nova geração está no aumento da potência máxima.
O F4.5 passa de 210 hp para 240 hp, mantendo a arquitetura de quatro cilindros e cilindrada de 4,5 litros.
A evolução representa um acréscimo de aproximadamente 14,3% na potência disponível.
O torque máximo anunciado chega a 850 Nm, equivalentes a aproximadamente 86,7 kgfm.
| Característica | Cummins F4.5 anterior | Novo Cummins F4.5 |
|---|---|---|
| Cilindrada | 4,5 litros | 4,5 litros |
| Cilindros | 4 | 4 |
| Potência máxima | Até 210 hp | Até 240 hp |
| Torque máximo | Não informado no comunicado | 850 Nm |
| Turbocompressor | Geração anterior | Novo HE200 |
| Eficiência do turbo | Referência anterior | Ganho de 7% |
| Consumo de combustível | Referência anterior | Redução de até 9% em laboratório |
A fabricante destaca que o F4.5 já apresentava elevada densidade de potência em sua categoria no mercado brasileiro.
Com a nova calibração, essa característica foi ampliada.
O aumento de potência poderá favorecer aplicações que exigem mais desempenho sob carga, mas os resultados finais dependerão da transmissão, das relações de diferencial e das características de cada veículo.
Novo turbocompressor HE200 melhora a eficiência
Uma das principais mudanças mecânicas está na adoção da nova geração de turbocompressores HE200, desenvolvida pela Cummins Turbo Technologies.
Segundo a fabricante, o novo conjunto apresenta ganho de eficiência de 7% em relação à geração anterior.
O turbocompressor utiliza a energia dos gases de escape para movimentar uma turbina conectada a um compressor.
Esse compressor aumenta a massa de ar admitida pelos cilindros, permitindo melhorar o processo de combustão e ampliar a potência disponível.
Quando o sistema apresenta maior eficiência, é possível reduzir determinadas perdas durante a compressão do ar e melhorar o aproveitamento energético do conjunto.
No F4.5, o novo turbocompressor trabalha integrado ao sistema de injeção e à calibração eletrônica do motor.
É importante observar que o ganho de 7% anunciado para o turbocompressor não significa aumento equivalente de potência ou economia de combustível em qualquer condição.
O benefício depende do funcionamento do sistema completo.
Injeção de combustível também foi aprimorada
Além do turbocompressor, a Cummins realizou modificações no sistema de alimentação de combustível.
As alterações ampliaram a capacidade de injeção e permitiram desenvolver novas estratégias de combustão.
Nos motores diesel modernos, o sistema de injeção desempenha uma função fundamental para controlar a quantidade, o momento e a duração do fornecimento de combustível.
Esses parâmetros influenciam diretamente potência, torque, consumo, ruído de combustão e formação de emissões.
Com maior capacidade de admissão de ar e ajustes na injeção, a engenharia conseguiu desenvolver calibrações destinadas a aproveitar melhor a energia liberada durante a combustão.
A Cummins informa que essas modificações foram realizadas mantendo os níveis de carga mecânica e térmica dentro das condições estabelecidas para o projeto.
Isso é importante porque o aumento de potência pode elevar as solicitações sobre componentes como pistões, bielas, virabrequim, cabeçote e sistema de arrefecimento.
Consumo de combustível caiu até 9% nos testes
Outro resultado apresentado pela fabricante envolve a eficiência energética.
Segundo André Garcia, gerente executivo de Estratégia e Gestão de Produto da Unidade de Motores da Cummins, as alterações permitiram obter redução de até 9% no consumo de combustível em ensaios realizados nos laboratórios da empresa.
O resultado está associado à combinação entre turbocompressor mais eficiente, sistema de injeção aprimorado e novas calibrações.
Entretanto, é necessário distinguir os resultados laboratoriais do consumo real de um caminhão em operação.
A economia efetiva depende de fatores como massa transportada, relevo, velocidade média, transmissão, relação de diferencial e estilo de condução.
Também influenciam o consumo as condições de manutenção e a resistência ao rolamento dos pneus.
Portanto, os 9% representam o melhor resultado anunciado nas condições de teste e não uma economia garantida para todos os veículos equipados com o novo motor.
Quanto uma economia de 9% poderia representar?
Para compreender a importância do ganho anunciado, é possível considerar uma situação hipotética.
Um veículo comercial que consuma 10 mil litros de diesel por ano, caso obtenha efetivamente uma redução de 9% nas mesmas condições de operação, deixaria de consumir aproximadamente 900 litros anuais.
Esse exemplo é apenas uma aplicação matemática do percentual divulgado, não uma previsão de desempenho para determinado caminhão.
O resultado real dependerá do consumo anterior e das características da operação.
Para transportadores que percorrem grandes distâncias, pequenas melhorias de eficiência podem representar diferenças relevantes nos custos anuais.
Engenharia brasileira participa do desenvolvimento
A nova geração do F4.5 combina o desenvolvimento tecnológico global da Cummins com a experiência acumulada pela engenharia brasileira.
A família F possui mais de 15 anos de produção e aplicação no Brasil, período em que foi adaptada a diferentes necessidades do transporte nacional.
Segundo Adriano Rishi, presidente da Cummins Brasil, a evolução resulta da combinação entre conhecimento das operações brasileiras e tecnologias desenvolvidas pelos centros internacionais da empresa.
A atuação da engenharia local inclui a preparação de configurações específicas para o mercado nacional.
Entre as características consideradas estão as condições de utilização, as necessidades das montadoras e as exigências dos operadores de transporte.
O desenvolvimento também envolve a adequação dos sistemas aos combustíveis disponíveis no País.
Compatibilidade com biodiesel faz parte da estratégia
A Cummins mantém projetos relacionados à utilização de combustíveis alternativos e à ampliação da eficiência dos motores convencionais.
No caso da nova geração do F4.5, o desenvolvimento considera a utilização de misturas de diesel com biodiesel.
Informações divulgadas sobre os projetos apresentados na Fenatran indicam adequações de materiais para compatibilidade com misturas contendo até 20% de biodiesel, conhecidas como B20, conforme a especificação da aplicação.
Essa preparação é relevante porque o aumento da participação de biocombustíveis pode exigir atenção à resistência de materiais, ao sistema de alimentação e às condições de armazenamento.
Entretanto, a compatibilidade técnica de um motor com determinada mistura não significa que esse percentual esteja automaticamente autorizado para abastecimento em qualquer situação.
A utilização precisa respeitar as orientações da montadora, as especificações da Cummins e a regulamentação vigente.
Produção brasileira acompanhará projetos das montadoras
Embora o F4.5 já integre a produção nacional da Cummins, a nova geração ainda passa pelo processo de desenvolvimento das configurações destinadas ao Brasil.
A fabricante informou que a evolução da nacionalização acompanhará os cronogramas de integração com as montadoras e o fechamento dos projetos de aplicação.
Isso significa que a apresentação na Fenatran não representa, necessariamente, a disponibilidade imediata do novo motor em todos os veículos comerciais.
Cada aplicação exige atividades de engenharia e validação.
Entre elas estão a integração com transmissão, sistema de arrefecimento, pós-tratamento de emissões e arquitetura eletrônica do veículo.
A Cummins ainda não divulgou a relação completa dos modelos de caminhões e ônibus que receberão inicialmente a nova configuração de 240 hp.
Fenatran 2026 será realizada de 9 a 13 de novembro
A nova geração do F4.5 será um dos destaques da Cummins na 25ª Fenatran, principal feira latino-americana dedicada ao transporte rodoviário de cargas.
O evento acontecerá no São Paulo Expo, na capital paulista, reunindo fabricantes de caminhões, fornecedores de componentes e empresas de tecnologia e logística.
A Cummins também prepara a apresentação de outras soluções relacionadas a motores, sistemas de pós-tratamento de emissões e componentes para veículos comerciais.
O desenvolvimento de motores diesel mais eficientes faz parte da estratégia da fabricante de atender diferentes necessidades de descarbonização.
Segundo a Cummins, a transição energética ocorrerá em ritmos distintos conforme a aplicação e as condições de cada mercado.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A evolução do Cummins F4.5 demonstra que os motores diesel ainda possuem espaço para melhorias importantes de eficiência, mesmo diante do avanço das tecnologias de eletrificação.
O aumento de potência de 210 para 240 hp, mantendo a cilindrada de 4,5 litros, representa um ganho de densidade de potência, característica importante em veículos comerciais.
Em termos mecânicos, isso significa desenvolver mais potência a partir de um conjunto de dimensões semelhantes, exigindo maior atenção ao gerenciamento da combustão e à resistência dos componentes internos.
O novo turbocompressor HE200 desempenha um papel central nesse processo. A melhoria da eficiência de compressão do ar permite trabalhar de maneira mais favorável com o sistema de injeção e com a calibração eletrônica.
Entretanto, aumentar a potência sem comprometer a durabilidade exige controlar as pressões nos cilindros, as temperaturas dos gases de escape e as solicitações térmicas sobre pistões e cabeçote.
Outro ponto importante está no torque de 850 Nm. Para aplicações comerciais, a disponibilidade de torque em uma faixa adequada de rotações pode ser tão importante quanto a potência máxima, especialmente durante arrancadas e retomadas com carga.
A economia anunciada de até 9% também merece atenção, mas somente os testes em veículos completos permitirão compreender seu comportamento em condições reais.
Um motor mais eficiente pode contribuir para reduzir o consumo por quilômetro ou por tonelada transportada, desde que sua aplicação seja compatível com a operação.
A engenharia brasileira terá um papel decisivo na adaptação do novo F4.5 às condições locais, incluindo qualidade dos combustíveis, ciclos de utilização e características do transporte nacional.
A principal evolução do F4.5 está no equilíbrio entre potência, torque e consumo, demonstrando que a eficiência dos motores comerciais depende da integração entre turbocompressor, injeção, eletrônica e projeto mecânico.
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Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 240 hp – Potência máxima da nova geração do Cummins F4.5.
- 14,3% – Aumento de potência em relação aos 210 hp anteriores.
- 850 Nm – Torque máximo anunciado.
- 4,5 litros – Cilindrada do motor diesel de quatro cilindros.
- 7% – Ganho de eficiência informado para o novo turbocompressor HE200.
- Até 9% – Redução do consumo de combustível observada em testes laboratoriais.
- Mais de 15 anos – Histórico da família F em produção e aplicações no Brasil.
- 9 a 13 de novembro – Período de realização da Fenatran 2026.
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- Densidade de potência – Relação entre a potência desenvolvida pelo motor e uma característica de seu porte, como cilindrada, massa ou volume.
- Turbocompressor – Equipamento que utiliza a energia dos gases de escape para comprimir o ar admitido pelo motor.
- Torque – Grandeza que representa o efeito de rotação produzido por uma força, fundamental para movimentar veículos sob carga.
- Eficiência térmica – Proporção da energia química do combustível que é convertida em trabalho mecânico útil.
- Calibração eletrônica – Ajuste dos parâmetros de funcionamento do motor, como injeção de combustível, pressão de sobrealimentação e estratégias de controle