Ir para o conteúdo
terça-feira, 3 de novembro, 2026 27.1 °C Recife
Cummins F4.5 ganha 240 cv e promete consumir 9% menos
Fenatran

Cummins F4.5 ganha 240 cv e promete consumir 9% menos

Nova geração do motor diesel estreia na Fenatran 2026 com turbo mais eficiente, injeção aprimorada e torque de 850 Nm.

Por Redação Mecânica Online®
11 min

A Cummins Brasil prepara a apresentação da nova geração do motor diesel F4.5 na Fenatran 2026, que acontece de 9 a 13 de novembro, em São Paulo. Produzido no Brasil e desenvolvido para veículos comerciais, o propulsor de quatro cilindros e 4,5 litros passa a oferecer potência máxima de 240 hp, aproximadamente 243 cv, representando um aumento de 14,3% em relação aos 210 hp da geração anterior. O torque chega a 850 Nm, enquanto melhorias no turbocompressor, na injeção e na calibração eletrônica proporcionaram redução de até 9% no consumo de combustível em testes de laboratório realizados pela fabricante.

A eficiência energética continua sendo uma das prioridades no desenvolvimento de motores diesel para caminhões, ônibus e outras aplicações comerciais.

Mesmo com o avanço da eletrificação, o transporte brasileiro ainda depende amplamente dos motores a combustão, especialmente em operações que exigem autonomia, capacidade de carga e disponibilidade constante dos veículos.

Nesse cenário, a Cummins desenvolveu uma nova evolução do F4.5, integrante de uma família de motores produzida no Brasil há mais de 15 anos.

A proposta é ampliar a capacidade de trabalho dos veículos comerciais sem aumentar proporcionalmente o tamanho ou a complexidade do conjunto mecânico.

Potência cresce 14,3% e chega a 240 hp

A principal novidade da nova geração está no aumento da potência máxima.

O F4.5 passa de 210 hp para 240 hp, mantendo a arquitetura de quatro cilindros e cilindrada de 4,5 litros.

A evolução representa um acréscimo de aproximadamente 14,3% na potência disponível.

O torque máximo anunciado chega a 850 Nm, equivalentes a aproximadamente 86,7 kgfm.

CaracterísticaCummins F4.5 anteriorNovo Cummins F4.5
Cilindrada4,5 litros4,5 litros
Cilindros44
Potência máximaAté 210 hpAté 240 hp
Torque máximoNão informado no comunicado850 Nm
TurbocompressorGeração anteriorNovo HE200
Eficiência do turboReferência anteriorGanho de 7%
Consumo de combustívelReferência anteriorRedução de até 9% em laboratório

A fabricante destaca que o F4.5 já apresentava elevada densidade de potência em sua categoria no mercado brasileiro.

Com a nova calibração, essa característica foi ampliada.

O aumento de potência poderá favorecer aplicações que exigem mais desempenho sob carga, mas os resultados finais dependerão da transmissão, das relações de diferencial e das características de cada veículo.

Novo turbocompressor HE200 melhora a eficiência

Uma das principais mudanças mecânicas está na adoção da nova geração de turbocompressores HE200, desenvolvida pela Cummins Turbo Technologies.

Segundo a fabricante, o novo conjunto apresenta ganho de eficiência de 7% em relação à geração anterior.

O turbocompressor utiliza a energia dos gases de escape para movimentar uma turbina conectada a um compressor.

Esse compressor aumenta a massa de ar admitida pelos cilindros, permitindo melhorar o processo de combustão e ampliar a potência disponível.

Quando o sistema apresenta maior eficiência, é possível reduzir determinadas perdas durante a compressão do ar e melhorar o aproveitamento energético do conjunto.

No F4.5, o novo turbocompressor trabalha integrado ao sistema de injeção e à calibração eletrônica do motor.

É importante observar que o ganho de 7% anunciado para o turbocompressor não significa aumento equivalente de potência ou economia de combustível em qualquer condição.

O benefício depende do funcionamento do sistema completo.

Injeção de combustível também foi aprimorada

Além do turbocompressor, a Cummins realizou modificações no sistema de alimentação de combustível.

As alterações ampliaram a capacidade de injeção e permitiram desenvolver novas estratégias de combustão.

Nos motores diesel modernos, o sistema de injeção desempenha uma função fundamental para controlar a quantidade, o momento e a duração do fornecimento de combustível.

Esses parâmetros influenciam diretamente potência, torque, consumo, ruído de combustão e formação de emissões.

Com maior capacidade de admissão de ar e ajustes na injeção, a engenharia conseguiu desenvolver calibrações destinadas a aproveitar melhor a energia liberada durante a combustão.

A Cummins informa que essas modificações foram realizadas mantendo os níveis de carga mecânica e térmica dentro das condições estabelecidas para o projeto.

Isso é importante porque o aumento de potência pode elevar as solicitações sobre componentes como pistões, bielas, virabrequim, cabeçote e sistema de arrefecimento.

Consumo de combustível caiu até 9% nos testes

Outro resultado apresentado pela fabricante envolve a eficiência energética.

Segundo André Garcia, gerente executivo de Estratégia e Gestão de Produto da Unidade de Motores da Cummins, as alterações permitiram obter redução de até 9% no consumo de combustível em ensaios realizados nos laboratórios da empresa.

O resultado está associado à combinação entre turbocompressor mais eficiente, sistema de injeção aprimorado e novas calibrações.

Entretanto, é necessário distinguir os resultados laboratoriais do consumo real de um caminhão em operação.

A economia efetiva depende de fatores como massa transportada, relevo, velocidade média, transmissão, relação de diferencial e estilo de condução.

Também influenciam o consumo as condições de manutenção e a resistência ao rolamento dos pneus.

Portanto, os 9% representam o melhor resultado anunciado nas condições de teste e não uma economia garantida para todos os veículos equipados com o novo motor.

Quanto uma economia de 9% poderia representar?

Para compreender a importância do ganho anunciado, é possível considerar uma situação hipotética.

Um veículo comercial que consuma 10 mil litros de diesel por ano, caso obtenha efetivamente uma redução de 9% nas mesmas condições de operação, deixaria de consumir aproximadamente 900 litros anuais.

Esse exemplo é apenas uma aplicação matemática do percentual divulgado, não uma previsão de desempenho para determinado caminhão.

O resultado real dependerá do consumo anterior e das características da operação.

Para transportadores que percorrem grandes distâncias, pequenas melhorias de eficiência podem representar diferenças relevantes nos custos anuais.

Engenharia brasileira participa do desenvolvimento

A nova geração do F4.5 combina o desenvolvimento tecnológico global da Cummins com a experiência acumulada pela engenharia brasileira.

A família F possui mais de 15 anos de produção e aplicação no Brasil, período em que foi adaptada a diferentes necessidades do transporte nacional.

Segundo Adriano Rishi, presidente da Cummins Brasil, a evolução resulta da combinação entre conhecimento das operações brasileiras e tecnologias desenvolvidas pelos centros internacionais da empresa.

A atuação da engenharia local inclui a preparação de configurações específicas para o mercado nacional.

Entre as características consideradas estão as condições de utilização, as necessidades das montadoras e as exigências dos operadores de transporte.

O desenvolvimento também envolve a adequação dos sistemas aos combustíveis disponíveis no País.

Compatibilidade com biodiesel faz parte da estratégia

A Cummins mantém projetos relacionados à utilização de combustíveis alternativos e à ampliação da eficiência dos motores convencionais.

No caso da nova geração do F4.5, o desenvolvimento considera a utilização de misturas de diesel com biodiesel.

Informações divulgadas sobre os projetos apresentados na Fenatran indicam adequações de materiais para compatibilidade com misturas contendo até 20% de biodiesel, conhecidas como B20, conforme a especificação da aplicação.

Essa preparação é relevante porque o aumento da participação de biocombustíveis pode exigir atenção à resistência de materiais, ao sistema de alimentação e às condições de armazenamento.

Entretanto, a compatibilidade técnica de um motor com determinada mistura não significa que esse percentual esteja automaticamente autorizado para abastecimento em qualquer situação.

A utilização precisa respeitar as orientações da montadora, as especificações da Cummins e a regulamentação vigente.

Produção brasileira acompanhará projetos das montadoras

Embora o F4.5 já integre a produção nacional da Cummins, a nova geração ainda passa pelo processo de desenvolvimento das configurações destinadas ao Brasil.

A fabricante informou que a evolução da nacionalização acompanhará os cronogramas de integração com as montadoras e o fechamento dos projetos de aplicação.

Isso significa que a apresentação na Fenatran não representa, necessariamente, a disponibilidade imediata do novo motor em todos os veículos comerciais.

Cada aplicação exige atividades de engenharia e validação.

Entre elas estão a integração com transmissão, sistema de arrefecimento, pós-tratamento de emissões e arquitetura eletrônica do veículo.

A Cummins ainda não divulgou a relação completa dos modelos de caminhões e ônibus que receberão inicialmente a nova configuração de 240 hp.

Fenatran 2026 será realizada de 9 a 13 de novembro

A nova geração do F4.5 será um dos destaques da Cummins na 25ª Fenatran, principal feira latino-americana dedicada ao transporte rodoviário de cargas.

O evento acontecerá no São Paulo Expo, na capital paulista, reunindo fabricantes de caminhões, fornecedores de componentes e empresas de tecnologia e logística.

A Cummins também prepara a apresentação de outras soluções relacionadas a motores, sistemas de pós-tratamento de emissões e componentes para veículos comerciais.

O desenvolvimento de motores diesel mais eficientes faz parte da estratégia da fabricante de atender diferentes necessidades de descarbonização.

Segundo a Cummins, a transição energética ocorrerá em ritmos distintos conforme a aplicação e as condições de cada mercado.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A evolução do Cummins F4.5 demonstra que os motores diesel ainda possuem espaço para melhorias importantes de eficiência, mesmo diante do avanço das tecnologias de eletrificação.

O aumento de potência de 210 para 240 hp, mantendo a cilindrada de 4,5 litros, representa um ganho de densidade de potência, característica importante em veículos comerciais.

Em termos mecânicos, isso significa desenvolver mais potência a partir de um conjunto de dimensões semelhantes, exigindo maior atenção ao gerenciamento da combustão e à resistência dos componentes internos.

O novo turbocompressor HE200 desempenha um papel central nesse processo. A melhoria da eficiência de compressão do ar permite trabalhar de maneira mais favorável com o sistema de injeção e com a calibração eletrônica.

Entretanto, aumentar a potência sem comprometer a durabilidade exige controlar as pressões nos cilindros, as temperaturas dos gases de escape e as solicitações térmicas sobre pistões e cabeçote.

Outro ponto importante está no torque de 850 Nm. Para aplicações comerciais, a disponibilidade de torque em uma faixa adequada de rotações pode ser tão importante quanto a potência máxima, especialmente durante arrancadas e retomadas com carga.

A economia anunciada de até 9% também merece atenção, mas somente os testes em veículos completos permitirão compreender seu comportamento em condições reais.

Um motor mais eficiente pode contribuir para reduzir o consumo por quilômetro ou por tonelada transportada, desde que sua aplicação seja compatível com a operação.

A engenharia brasileira terá um papel decisivo na adaptação do novo F4.5 às condições locais, incluindo qualidade dos combustíveis, ciclos de utilização e características do transporte nacional.

A principal evolução do F4.5 está no equilíbrio entre potência, torque e consumo, demonstrando que a eficiência dos motores comerciais depende da integração entre turbocompressor, injeção, eletrônica e projeto mecânico.

Para acompanhar Cummins, motores diesel, caminhões, eficiência energética e novidades da Fenatran 2026, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 240 hp – Potência máxima da nova geração do Cummins F4.5.
  • 14,3% – Aumento de potência em relação aos 210 hp anteriores.
  • 850 Nm – Torque máximo anunciado.
  • 4,5 litros – Cilindrada do motor diesel de quatro cilindros.
  • 7% – Ganho de eficiência informado para o novo turbocompressor HE200.
  • Até 9% – Redução do consumo de combustível observada em testes laboratoriais.
  • Mais de 15 anos – Histórico da família F em produção e aplicações no Brasil.
  • 9 a 13 de novembro – Período de realização da Fenatran 2026.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • Densidade de potência – Relação entre a potência desenvolvida pelo motor e uma característica de seu porte, como cilindrada, massa ou volume.
  • Turbocompressor – Equipamento que utiliza a energia dos gases de escape para comprimir o ar admitido pelo motor.
  • Torque – Grandeza que representa o efeito de rotação produzido por uma força, fundamental para movimentar veículos sob carga.
  • Eficiência térmica – Proporção da energia química do combustível que é convertida em trabalho mecânico útil.
  • Calibração eletrônica – Ajuste dos parâmetros de funcionamento do motor, como injeção de combustível, pressão de sobrealimentação e estratégias de controle
Cummins F4.5 ganha 240 cv e promete consumir 9% menos