O Geely Galaxy Battleship 700 chega oficialmente ao mercado chinês em 10 de outubro com uma proposta que mistura SUV de luxo, capacidade fora de estrada e desempenho de superesportivo. A configuração mais potente entrega 830 kW, equivalentes a cerca de 1.129 cv, acelera de 0 a 100 km/h em 3,95 segundos e oferece até 247 km elétricos pelo ciclo WLTP. Com mais de cinco metros de comprimento e autonomia combinada anunciada de 1.434 km WLTP, o modelo levanta uma questão interessante: existiria espaço para um produto desse porte no Brasil?
O Battleship 700, chamado Zhanjian 700 no mercado chinês, nasceu a partir do conceito Galaxy Cruiser e representa a entrada da Geely Galaxy em um território mais radical entre os SUVs eletrificados.
A procura inicial chama atenção: a fabricante informa 43.900 pedidos registrados na primeira hora, após a abertura da pré-venda.
A versão especial Land Ark, limitada a 700 exemplares, também teve todas as unidades reservadas.
O modelo será oferecido na China em seis configurações, começando em 199.800 yuans e alcançando 389.800 yuans na edição limitada.
A arquitetura híbrida utiliza o sistema Thor EM-T, com opções de motor 1.5 turbo ou 2.0 turbo associadas a diferentes configurações de propulsão elétrica.
Nas versões superiores, o conjunto utiliza três motores elétricos e tração integral, chegando a 830 kW.
Há aqui uma diferença importante de unidades: 830 kW equivalem a aproximadamente 1.129 cv métricos ou 1.113 hp, valor utilizado em algumas divulgações internacionais.
Com esse conjunto, o SUV de mais de cinco metros acelera de 0 a 100 km/h em 3,95 segundos.
A bateria CATL LFP de 47,14 kWh oferece até 305 km no ciclo chinês CLTC ou aproximadamente 247 km pelo padrão WLTP informado.
A autonomia combinada chega a mais de 1.770 km no CLTC, com indicação de aproximadamente 1.434 km em referência WLTP.
A arquitetura elétrica de 800 volts amplia a capacidade de carregamento e acompanha a tendência dos híbridos de alta performance chineses.
Apesar dos números de desempenho, a engenharia não abandona a proposta fora de estrada.
O Battleship 700 oferece 233 mm de altura livre do solo, ângulo de ataque de 30 graus e saída de 31 graus.
São 5.085 mm de comprimento, 1.999 mm de largura e 2.900 mm de entre-eixos, colocando o modelo entre os SUVs grandes.
O chassi utiliza suspensão hidráulica ativa, amortecedores controlados eletronicamente CCD e sistema chamado Magic Carpet, desenvolvido para adaptar o comportamento às condições do terreno.
Há ainda 17 modos de condução, incluindo recursos específicos para manobras fora de estrada.
A função Crab Walk, ou caminhada de caranguejo, altera o direcionamento das rodas para facilitar movimentações em espaços complicados.
Já o sistema Waltz Turn permite reduzir o raio mínimo de giro para 3,36 metros, número incomum para um automóvel desse porte.
A tecnologia embarcada inclui LiDAR no teto e sistema G-Pilot, combinando sensores e processamento para funções avançadas de assistência à condução.
Na cabine, o Battleship 700 aposta em cinco telas, refrigerador de 18,5 litros e bancos dianteiros com massagem em 14 pontos.
Análise Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O Battleship 700 teria espaço no Brasil, mas dificilmente como um produto de grande volume.
Seu posicionamento natural seria o de um SUV grande eletrificado de alta performance, disputando atenção com veículos como GWM Tank 500 e SUVs tradicionais de sete lugares e proposta premium.
Com 5,08 metros de comprimento e praticamente dois metros de largura, o tamanho também exige considerar garagens, vagas urbanas e condições de uso brasileiras, embora não seja muito diferente do porte de grandes SUVs e picapes já vendidos por aqui.
O maior diferencial estaria no conjunto híbrido de três motores, porque uma potência superior a 1.100 cv colocaria o Geely em um território que praticamente não possui equivalentes diretos no mercado nacional.
Ao mesmo tempo, potência absoluta não seria necessariamente seu maior argumento, já que compradores desse segmento tendem a valorizar autonomia, tração, conforto, tecnologia e capacidade fora de estrada.
Os 247 km elétricos em referência WLTP também seriam relevantes porque permitiriam realizar boa parte da rotina cotidiana sem utilizar combustível, mantendo o motor térmico como apoio para viagens.
A chegada recente da Geely com veículos eletrificados cria uma base comercial para produtos mais sofisticados no futuro, mas o Battleship 700 exigiria posicionamento, rede de atendimento e pós-venda compatíveis com sua complexidade.
Minha avaliação é que existe um nicho real no Brasil para grandes SUVs híbridos de luxo e vocação off-road, porém o sucesso dependeria muito mais do preço final e da confiança no suporte técnico do que dos impressionantes números de potência.
Se chegasse por um valor capaz de enfrentar os grandes SUVs premium já estabelecidos, o Battleship 700 poderia funcionar como produto de imagem, mostrando até onde a engenharia da Geely consegue chegar em eletrificação, desempenho e capacidade fora de estrada.
Para acompanhar como SUVs chineses, híbridos de alta potência e novas tecnologias off-road podem transformar o mercado brasileiro, siga @tarcisiomecanicaonline nas redes sociais.
RETROVISOR MECÂNICA ONLINE® – ENTENDE O QUE ESTÁ POR TRÁS DA NOTÍCIA
Potência: conjunto superior entrega 830 kW, equivalentes a aproximadamente 1.129 cv.
Desempenho: são 3,95 segundos de 0 a 100 km/h.
Bateria: conjunto CATL LFP possui 47,14 kWh.
Autonomia elétrica: chega a 305 km CLTC ou cerca de 247 km na referência WLTP informada.
Off-road: são 233 mm de vão livre, 30 graus de ataque e 31 graus de saída.
Brasil: não existe confirmação de comercialização do Battleship 700 no mercado nacional.
MECÂNICA ONLINE® — MECÂNICA DO JEITO QUE VOCÊ ENTENDE
Tri-motor: sistema que utiliza três motores elétricos para distribuir potência entre os eixos e controlar a tração com maior precisão.
Suspensão CCD: amortecedores controlados eletronicamente alteram continuamente sua resposta conforme piso e modo de condução.
Crab Walk: sistema direciona as rodas de forma coordenada para facilitar deslocamentos laterais ou diagonais em determinadas situações.
CLTC e WLTP: são ciclos diferentes de homologação; o CLTC chinês normalmente apresenta números de autonomia superiores aos obtidos pelo padrão europeu WLTP.

