A YANGWANG apresentou em Abu Dhabi o ALTIOR, novo sedã elétrico de ultraluxo desenvolvido para disputar espaço em uma faixa dominada por marcas como Rolls-Royce, Mercedes-Maybach e BMW. Com 5,60 metros de comprimento, 3,50 metros de entre-eixos, quatro motores elétricos independentes e autonomia superior a 1.000 km pelo ciclo CLTC, o modelo transforma tecnologia, artesanato e exclusividade nos principais argumentos da nova ofensiva premium do grupo BYD.
O YANGWANG ALTIOR representa uma mudança de escala nas ambições do grupo BYD.
Não se trata apenas de produzir um elétrico maior e mais sofisticado, mas de entrar em um segmento no qual história, materiais, personalização e experiência dos ocupantes possuem peso semelhante ao desempenho.
Desenvolvido durante três anos, o modelo busca construir uma identidade própria a partir de elementos da cultura chinesa, evitando simplesmente reproduzir as referências tradicionais do luxo europeu.
Maior que um BMW i7
O ALTIOR mede 5,60 metros de comprimento, 2,03 metros de largura e 1,59 metro de altura, com impressionantes 3,50 metros entre os eixos.
Para efeito de comparação, um BMW i7 possui aproximadamente 5,39 metros e 3,22 metros de entre-eixos.
Até o Rolls-Royce Spectre, com cerca de 5,49 metros, é ligeiramente menor em comprimento.
Essas dimensões deixam claro que a prioridade do projeto está no espaço para os ocupantes e na presença visual, especialmente para quem viaja no banco traseiro.
Portas abrem até 90 graus
O desenho utiliza uma dianteira quase vertical e balanço frontal curto, acompanhado por rodas de 21 polegadas.
As portas possuem abertura oposta, seguindo uma solução tradicionalmente associada a modelos de alto luxo.
Na dianteira, chegam a 80 graus, enquanto as traseiras alcançam 90 graus.
A própria aproximação do proprietário ativa uma sequência de iluminação que faz parte da cerimônia de acesso ao veículo.
Jade, seda e madeira natural
O interior é um dos elementos mais incomuns do ALTIOR.
As saídas de ventilação recebem jade amarelo de Hetian polido à mão, enquanto os revestimentos incorporam bordado tradicional de Suzhou.
Há couro semi-anilina de flor integral, tapetes de lã pura e madeiras naturais, além de dezenas de componentes decorativos desenvolvidos especificamente para o modelo.
A ideia é transformar técnicas tradicionais chinesas em uma espécie de assinatura equivalente àquilo que fabricantes europeus fazem com madeira, couro, cristal e metais trabalhados artesanalmente.
Dois lugares traseiros como primeira classe
O ALTIOR foi desenvolvido para apenas quatro ocupantes.
Na traseira, os dois bancos individuais possuem posição de gravidade zero e massagem mecânica.
São 1.209 mm disponíveis para as pernas e 354 mm de espaço livre para os joelhos.
Um modo específico de relaxamento reclina os bancos, eleva os apoios das pernas, fecha as persianas e modifica a iluminação da cabine.
O passageiro também pode rebater o banco dianteiro para ampliar ainda mais seu campo de visão e espaço disponível.
39 alto-falantes
O sistema de áudio Dynaudio Platinum Evidence utiliza nada menos que 39 alto-falantes.
Há ainda uma tela retrátil de 21,4 polegadas instalada no teto, destinada a entretenimento e videoconferências.
Dois compartimentos refrigerados fazem parte do pacote, sendo que o traseiro possui 5,5 litros e também pode aquecer seu conteúdo.
O porta-malas oferece 532 litros.
Quatro motores controlam cada roda
A engenharia muda completamente quando entramos na plataforma e⁴.
O ALTIOR possui quatro motores elétricos independentes, permitindo controlar individualmente o torque enviado para cada roda.
Segundo a YANGWANG, esses ajustes podem ocorrer mais de 100 vezes por segundo.
Na prática, a arquitetura possibilita trabalhar estabilidade, tração e comportamento dinâmico sem depender apenas da atuação convencional dos freios ou de diferenciais mecânicos.
Pode girar sobre o próprio eixo
O controle independente das rodas permite também utilizar o recurso Tank Turn.
A função cria forças em sentidos diferentes nas rodas para permitir que o grande sedã faça uma rotação praticamente sobre seu próprio eixo.
Outra função bastante incomum é a capacidade de flutuar em uma situação emergencial envolvendo água, recurso já associado às tecnologias mais avançadas da família YANGWANG.
A fabricante também destaca a capacidade de manter o controle mesmo diante da perda repentina de pressão de um pneu em alta velocidade.
Suspensão controla seis movimentos da carroceria
A nova geração da suspensão ativa DiSus trabalha integrada à plataforma e⁴.
O sistema controla movimentos da carroceria em seis graus de liberdade, atuando não apenas sobre impactos verticais, mas também sobre inclinação, mergulho e rolagem.
O objetivo é reduzir movimentos percebidos pelos passageiros e preservar conforto mesmo quando o veículo acelera, freia ou passa por irregularidades.
God’s Eye A amplia a assistência
O pacote de tecnologia inclui o God’s Eye A, sistema avançado de assistência à condução da BYD.
A arquitetura foi desenvolvida para auxiliar o motorista em rodovias, vias urbanas e estacionamento.
Em um carro de 5,60 metros, recursos eletrônicos de manobra e assistência deixam de ser simplesmente conveniência e passam a desempenhar papel importante na utilização cotidiana do veículo.
Mais de 1.000 km pelo CLTC
A segunda geração da bateria Blade oferece autonomia superior a 1.000 km pelo ciclo CLTC.
É um número expressivo, mas precisa ser interpretado corretamente.
O CLTC é um ciclo de homologação diferente do WLTP europeu e do padrão utilizado pelo Inmetro, portanto os 1.000 km não podem ser comparados diretamente aos números divulgados por concorrentes em outros ciclos.
A YANGWANG também informa a presença da tecnologia FLASH Charging, mas ainda serão importantes mais detalhes sobre capacidade da bateria, potência máxima de recarga e tempo efetivo de carregamento.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O ALTIOR talvez seja um dos projetos mais importantes do grupo BYD justamente porque não está tentando competir apenas pela tecnologia elétrica.
Nesse nível de mercado, potência e autonomia são apenas uma parte da decisão.
Quem compra um Rolls-Royce, um Mercedes-Maybach ou um grande BMW de luxo espera materiais, personalização, silêncio, conforto traseiro e exclusividade, elementos muito mais difíceis de construir do que simplesmente instalar motores potentes.
E o tamanho já coloca o ALTIOR em uma posição incomum.
Com 5,60 metros, ele é cerca de 21 centímetros mais comprido que o BMW i7 e supera também o Rolls-Royce Spectre em comprimento.
O entre-eixos de 3,50 metros deixa ainda mais evidente sua proposta de limusine elétrica.
No Brasil, um BMW i7 xDrive60 está atualmente na região de R$ 1,37 milhão, entregando 544 cv, autonomia homologada próxima de 470 km e uma cabine traseira altamente sofisticada.
O ALTIOR tenta avançar em outro aspecto: transforma a cultura chinesa em elemento de luxo, utilizando jade, seda, madeira e trabalho artesanal como parte central da identidade.
Essa talvez seja a disputa mais interessante.
Durante décadas, o luxo automotivo global foi definido principalmente por códigos europeus.
A YANGWANG tenta provar que existe espaço para um luxo genuinamente chinês, com sua própria história, materiais e símbolos.
Tecnologicamente, o ALTIOR também segue um caminho bem diferente de um sedã premium convencional.
Os quatro motores independentes, a plataforma e⁴ e a suspensão DiSus permitem trabalhar diretamente nas forças de cada roda e nos movimentos da carroceria.
Recursos como Tank Turn e capacidade emergencial de flutuação são impressionantes, embora certamente não sejam funções que um proprietário utilizará rotineiramente.
Mais relevante no cotidiano será entender como essa engenharia consegue transformar um carro gigantesco em um veículo silencioso, confortável e fácil de conduzir.
A referência elétrica tradicional de ultraluxo atualmente é o Rolls-Royce Spectre, cuja evolução mais recente alcança até 628 km pelo WLTP.
O ALTIOR anuncia mais de 1.000 km, mas pelo CLTC, portanto não existe comparação direta possível entre esses valores.
Ainda assim, a busca por uma autonomia tão elevada mostra que a YANGWANG quer eliminar uma das últimas discussões associadas aos elétricos: a preocupação com o alcance.
Outro ponto fundamental ainda está ausente: o preço definitivo.
E ele será particularmente importante para entender se o ALTIOR tentará disputar diretamente com Rolls-Royce e Maybach ou ocupar um espaço intermediário, oferecendo tecnologia e luxo extremo por um valor inferior às referências europeias.
Existe também o desafio da marca.
A BYD tornou-se extremamente conhecida em pouco tempo, mas YANGWANG ainda precisa construir o mesmo reconhecimento emocional e valor simbólico que marcas centenárias carregam nesse segmento.
É justamente esse talvez seja o teste mais difícil.
Tecnologia pode ser desenvolvida rapidamente. Prestígio, exclusividade e desejo normalmente levam décadas para serem construídos.
O ALTIOR mostra, porém, que a indústria chinesa já não quer apenas disputar preço, autonomia ou quantidade de equipamentos.
Agora ela está tentando disputar também o significado do luxo automotivo.
Para acompanhar os lançamentos mais sofisticados, tecnologias elétricas e a transformação da indústria chinesa, siga @tarcisiomecanicaonline.
RETROVISOR MECÂNICA ONLINE® – ENTENDA O QUE ESTÁ POR TRÁS DA NOTÍCIA
Porte: ALTIOR mede 5,60 metros de comprimento e tem 3,50 metros de entre-eixos.
Propulsão: plataforma e⁴ utiliza quatro motores elétricos independentes.
Autonomia: YANGWANG informa mais de 1.000 km pelo ciclo CLTC.
Conforto: cabine possui apenas quatro lugares, com poltronas traseiras gravidade zero e massagem.
Tecnologia: suspensão DiSus, Tank Turn, capacidade emergencial de flutuação e God’s Eye A estão entre os destaques.
Mercado: Rolls-Royce Spectre, BMW i7 e Mercedes-Maybach estão entre as principais referências de posicionamento.
MECÂNICA ONLINE® — MECÂNICA DO JEITO QUE VOCÊ ENTENDE
e⁴: plataforma que utiliza motores elétricos independentes para controlar individualmente o torque de cada roda.
DiSus: sistema de suspensão ativa capaz de modificar continuamente o comportamento da carroceria para ampliar estabilidade e conforto.
Tank Turn: função que controla as rodas em sentidos diferentes para reduzir drasticamente o espaço necessário para girar o veículo.
CLTC: ciclo chinês de homologação de consumo e autonomia, normalmente mais favorável que outros padrões e que não deve ser comparado diretamente ao WLTP ou ao Inmetro.


