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Allison leva câmbio automático de 9 marchas à Fenatran e aposta em caminhões a biometano
Fenatran

Allison leva câmbio automático de 9 marchas à Fenatran e aposta em caminhões a biometano

Fabricante apresentará transmissões para veículos de até 800 cv e soluções aplicadas aos caminhões Agrale e Volkswagen movidos a gás, além do utilitário off-road Marruá 4x4.

Por Tarcisio Dias
8 min

A Allison Transmission prepara uma participação na Fenatran 2026, de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, com foco em transmissões totalmente automáticas para caminhões médios, pesados e veículos especiais. A principal novidade será a transmissão de nove velocidades, recentemente introduzida no Brasil, com capacidade para aplicações de até 380 cv e 1.220 Nm de torque. A empresa também demonstrará a integração de seus câmbios com motores movidos a gás natural comprimido (GNC) e biometano, utilizando como exemplos os caminhões Agrale A 11.000 e Volkswagen 26.280, além de um Agrale Marruá AM250 4×4. O objetivo é demonstrar como a tecnologia de transmissão pode contribuir para desempenho, eficiência operacional e utilização de combustíveis alternativos no transporte comercial.

A participação da Allison ocorre em um momento de transformação do transporte rodoviário, marcado pela busca de alternativas ao diesel e pela necessidade de reduzir custos operacionais.

A fabricante apresentará transmissões em corte, permitindo que os visitantes conheçam os componentes internos e compreendam o funcionamento dos sistemas automáticos.

Câmbio de nove marchas é a principal novidade

A transmissão Allison 9-Speed chega ao mercado brasileiro com nove marchas à frente, incluindo três relações de sobremarcha, conhecidas como overdrive.

Essas relações permitem que, em determinadas condições, o eixo de saída da transmissão gire mais rapidamente do que o eixo de entrada, favorecendo o funcionamento do motor em rotações mais baixas durante deslocamentos rodoviários.

Segundo a fabricante, a nova transmissão foi desenvolvida para aplicações com motores de até 380 cv e 1.220 Nm de torque, em veículos com peso bruto total de até 26 toneladas, dependendo da configuração.

O conjunto também foi projetado para facilitar a integração com diferentes plataformas e simplificar determinados procedimentos de manutenção.

A presença de nove relações permite ampliar as possibilidades de adequação entre rotação do motor, velocidade e carga transportada.

Entretanto, os ganhos efetivos de consumo dependem da aplicação, da calibração e das condições de utilização.

Como a transmissão automática ajuda caminhões a gás?

Um dos principais temas da Allison na Fenatran será a utilização de transmissões automáticas em veículos movidos a gás natural comprimido e biometano.

Esses combustíveis representam alternativas para determinadas operações de transporte, especialmente onde existe infraestrutura de abastecimento.

A tecnologia Continuous Power Technology, utilizada pela Allison, emprega um conversor de torque hidráulico para transmitir e multiplicar o torque disponível durante a partida.

O conversor utiliza a circulação de fluido para transmitir a força do motor à transmissão.

Em condições de arrancada, sua configuração permite multiplicar o torque aplicado à entrada do câmbio, contribuindo para movimentar veículos carregados.

Tecnicamente, o conversor multiplica torque, não potência: a potência transmitida continua limitada pela energia fornecida pelo motor e pelas perdas do sistema.

Essa característica pode ser especialmente útil em caminhões de coleta de resíduos e distribuição urbana, que realizam arrancadas frequentes.

A Allison destaca que a tecnologia ajuda a aproximar o desempenho operacional dos veículos a gás daquele encontrado em modelos equivalentes a diesel.

Biometano pode reduzir emissões, mas resultado depende da origem

A fabricante também destaca os benefícios ambientais dos caminhões movidos a gás e biometano.

O biometano é produzido a partir da purificação do biogás obtido da decomposição de resíduos orgânicos.

Por ser um combustível renovável, pode proporcionar reduções significativas nas emissões de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida, dependendo da matéria-prima, da produção e do controle de vazamentos.

A redução de até 90% de CO₂ mencionada para determinadas aplicações deve ser interpretada como potencial de redução de emissões no ciclo de vida, e não como um resultado garantido para qualquer caminhão a gás.

O gás natural fóssil, por sua vez, apresenta características ambientais diferentes das do biometano.

Allison apresenta três famílias de transmissões

TransmissãoPotência admitidaTorque admitidoAplicação
9-SpeedAté 380 cvAté 1.220 NmCaminhões médios
Série 3000Até 450 cvAté 1.695 NmDistribuição, coleta e serviços
Série 4000Até 800 cvAté 3.200 NmConstrução, mineração e aplicações severas

Capacidades conforme as versões, características técnicas e condições de aplicação informadas pela fabricante.

A Série 3000 é apresentada como uma das linhas mais utilizadas no mercado brasileiro, enquanto a Série 4000 atende veículos pesados submetidos a condições de operação exigentes.

Agrale e Volkswagen mostram aplicações reais

Além das transmissões, o estande da Allison contará com três veículos que demonstram possibilidades de aplicação.

O Agrale A 11.000 GNV e Biometano Automático foi desenvolvido para distribuição urbana e operações rodoviárias de curta distância.

Com peso bruto total de até 10.800 kg, o modelo combina motorização a gás com transmissão automática, buscando atender operações que exigem frequentes mudanças de velocidade.

Outra atração será o Volkswagen 26.280 GNV e Biometano Automático, voltado especialmente à coleta de resíduos.

Equipado com transmissão Allison Série 3000, o caminhão possui peso bruto homologado de 23.600 kg e capacidade técnica informada de até 27.600 kg.

A aplicação em coleta de resíduos é relevante porque combina elevada massa transportada, deslocamentos em baixa velocidade e sucessivas paradas.

Agrale Marruá 4×4 recebe transmissão Allison automática

O terceiro veículo será o Agrale Marruá AM250 4×4, preparado para operações fora de estrada.

O utilitário utiliza transmissão Allison 1000 xFE, desenvolvida para atender aplicações que exigem durabilidade e capacidade de tração.

O modelo apresenta capacidade de carga útil de 2.715 kg e peso bruto total de 5.700 kg.

Em terrenos difíceis, a transmissão automática pode facilitar o controle da velocidade e reduzir a necessidade de intervenções do motorista durante manobras.

Entretanto, a capacidade off-road continua dependendo da tração, da geometria do veículo, dos pneus e das condições de aderência.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A apresentação da Allison na Fenatran 2026 demonstra que a transmissão continua sendo um componente fundamental na evolução dos veículos comerciais.

O destaque está na combinação entre câmbios automáticos e motores alimentados por combustíveis alternativos.

O conversor de torque hidráulico oferece uma característica importante para veículos pesados: a multiplicação de torque durante determinadas condições de partida.

Essa capacidade pode favorecer a movimentação de caminhões carregados, especialmente em aplicações urbanas com paradas frequentes.

Outro ponto relevante é a chegada da transmissão de nove marchas.

A maior quantidade de relações pode permitir melhor aproveitamento da faixa de funcionamento do motor, mas não significa automaticamente menor consumo em todas as operações.

O resultado depende da integração entre motor, transmissão, diferencial e características da aplicação.

A utilização de biometano também merece atenção porque representa uma alternativa para reduzir emissões de gases de efeito estufa em determinadas operações.

O benefício ambiental precisa ser avaliado considerando a origem do combustível, a eficiência do veículo e as emissões ao longo de toda a cadeia energética.

Para os transportadores brasileiros, a decisão entre tecnologias deve considerar produtividade, custo de manutenção, disponibilidade de abastecimento e custo total de propriedade.

A Allison mostra que a evolução do transporte não depende apenas de novos combustíveis ou motores, mas também de como a força produzida pelo conjunto mecânico chega às rodas.

Para acompanhar Allison Transmission, Fenatran 2026, caminhões a biometano e engenharia de transmissões, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 9 marchas – Principal novidade da Allison na Fenatran 2026.
  • 380 cv – Potência máxima admitida na aplicação divulgada da transmissão 9-Speed.
  • 1.220 Nm – Torque máximo informado para a 9-Speed.
  • 800 cv – Capacidade nominal máxima apresentada para a Série 4000.
  • Agrale A 11.000 – Caminhão a GNV e biometano com transmissão automática.
  • Volkswagen 26.280 – Modelo para coleta de resíduos equipado com Allison Série 3000.
  • Marruá AM250 – Utilitário 4×4 com transmissão Allison 1000 xFE.
  • E218 – Número do estande da Allison na Fenatran.

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  • Conversor de torque – Dispositivo hidráulico que transmite a força do motor e pode multiplicar o torque durante determinadas condições de operação.
  • Overdrive – Relação de transmissão em que o eixo de saída gira mais rapidamente que o eixo de entrada.
  • GNC – Gás natural comprimido, utilizado como combustível em motores adaptados ou desenvolvidos para essa aplicação.
  • Biometano – Combustível renovável obtido da purificação do biogás.
  • Transmissão totalmente automática – Sistema que realiza as mudanças de marcha sem intervenção manual do motorista e dispensa pedal de embreagem.
  • TCO – Custo total de propriedade, indicador que considera aquisição, combustível, manutenção e disponibilidade do veículo.

Serviço – Allison Transmission na Fenatran 2026

  • Data: 9 a 13 de novembro.
  • Local: São Paulo Expo, São Paulo (SP).
  • Estande: E218.
Allison leva câmbio automático de 9 marchas à Fenatran e aposta em caminhões a biometano