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Caminhão elétrico para entregas urbanas: a conta fecha? JAC aposta em economia de até R$ 46 mil por ano
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Caminhão elétrico para entregas urbanas: a conta fecha? JAC aposta em economia de até R$ 46 mil por ano

Linha 2027 traz caminhões elétricos de 3,5 e 9,5 toneladas, com autonomia anunciada de até 230 km e proposta voltada principalmente a operações urbanas com rotas previsíveis.

Por Redação Mecânica Online®
7 min

A JAC apresentou dois caminhões 100% elétricos para a linha 2027: o E-JT3.5, a partir de R$ 249.900, e o EJT 9.5 ER, por R$ 469.900. A lógica é especialmente interessante para entregas urbanas: trabalhar durante o dia, retornar à base e recarregar enquanto o veículo já estaria parado. Nas simulações apresentadas pela marca, a economia energética anual pode chegar a cerca de R$ 46 mil frente ao diesel. O Mecânica Online® acompanhou a apresentação diretamente de São Paulo, com reportagem de Henrique Pereira.

A eletrificação dos veículos comerciais tem uma lógica diferente daquela encontrada nos automóveis de passeio.

Para uma transportadora, o principal argumento não é aceleração silenciosa ou ausência de emissões locais, mas quanto custa transportar cada carga e quantas horas o caminhão permanece disponível para trabalhar.

É nesse cenário que entram os novos JAC E-JT3.5 e EJT 9.5 ER.

E-JT3.5 custa R$ 249.900

O menor dos dois possui peso bruto total de 3,5 toneladas, o que permite sua condução com CNH categoria B.

O motor elétrico entrega 143 cv, alimentado por uma bateria de 63,75 kWh.

A autonomia anunciada chega a 230 km em ciclo urbano.

Sem implemento, o preço apresentado é de R$ 249.900. Com baú de 15 m³, sobe para R$ 269.900.

Essa configuração permite atender principalmente operações de última milha, distribuição urbana, e-commerce e serviços com retorno diário à base.

EJT 9.5 ER leva a proposta para outra categoria

O EJT 9.5 ER aumenta significativamente a capacidade operacional.

São 9,5 toneladas de PBT, 245 cv e 550 Nm, equivalentes a aproximadamente 56,1 kgfm.

A bateria possui 100 kWh, com autonomia anunciada de aproximadamente 200 km.

O preço parte de R$ 469.900, com pré-venda programada para janeiro de 2027.

A capacidade disponível informada é de 6.510 kg, mas há um detalhe importante: o peso do implemento precisa ser descontado desse valor.

Um baú, equipamento refrigerado ou outra carroceria reduz, portanto, a carga líquida efetivamente disponível para mercadorias.

A autonomia faz sentido para entregas urbanas?

Depende muito mais da rota do que do número isolado.

Um caminhão que percorre 100 ou 150 km por dia, retorna sempre ao mesmo pátio e permanece várias horas parado durante a noite oferece um cenário bastante favorável à eletrificação.

Nesse caso, o tempo de carregamento pode acontecer justamente durante um período em que o veículo não estaria produzindo de qualquer forma.

A situação muda bastante quando existem trajetos imprevisíveis, longas distâncias ou necessidade de realizar múltiplos turnos sem tempo suficiente para recarga.

Por isso, um caminhão elétrico precisa ser escolhido a partir da operação, e não simplesmente pela autonomia máxima anunciada.

Quanto pode economizar?

A JAC apresentou simulações comparando eletricidade e diesel.

Para o E-JT3.5, rodando aproximadamente 150 km por dia, a diferença anual de gasto energético chegou a cerca de R$ 21 mil.

No EJT 9.5 ER, considerando 120 km diários, a economia apresentada ficou próxima de R$ 46 mil por ano.

São números relevantes, mas não podem ser comparados diretamente entre si porque utilizam veículos, distâncias e premissas diferentes.

Preço da eletricidade, consumo do caminhão, valor do diesel e quantidade de dias trabalhados alteram significativamente o resultado.

Economia de energia não é payback

Esse é um ponto fundamental.

Economizar R$ 21 mil ou R$ 46 mil por ano em energia não significa necessariamente recuperar o investimento nesse período.

Para calcular o retorno real, é necessário saber quanto custa o caminhão elétrico frente a um diesel equivalente.

Também entram nessa equação carregador, instalação elétrica, demanda contratada, seguro, pneus, manutenção, financiamento e valor residual.

Só depois disso é possível calcular o chamado TCO, ou custo total de propriedade.

Manutenção pode favorecer o elétrico

Há ainda outra variável importante: a mecânica.

Um caminhão elétrico elimina diversos componentes encontrados no diesel, como sistema de injeção de alta pressão, turbocompressor, escapamento com pós-tratamento, óleo do motor e várias peças associadas à transmissão convencional.

Isso pode reduzir manutenção e paradas.

Por outro lado, pneus, suspensão, direção, freios, rolamentos e diversos outros componentes continuam sujeitos a desgaste.

Além disso, o peso da bateria precisa ser considerado na capacidade útil e no desgaste de determinados componentes.

Análise Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O Mecânica Online® acompanhou diretamente de São Paulo a apresentação dos novos caminhões elétricos da JAC, com reportagem de Henrique Pereira, e o ponto mais importante dessa discussão está menos na tecnologia em si e mais na conta operacional.

Para mim, a pergunta correta não é simplesmente se um caminhão elétrico gasta menos que um diesel.

A questão é saber se ele consegue realizar a mesma rota, transportar o mesmo volume e entregar a mesma produtividade gastando menos ao longo de sua vida útil.

É por isso que considero fundamental colocar elétrico e diesel na mesma operação.

Mesmo trajeto, mesma carga, mesmo número de entregas, mesmas condições de trânsito e a maior proximidade possível entre as condições de utilização.

Só assim poderemos medir quantos kWh o elétrico realmente consome e quantos litros o diesel utiliza para fazer exatamente o mesmo trabalho.

No caso do E-JT3.5, os 230 km anunciados parecem compatíveis com diversas operações urbanas que percorrem 150 km por dia, deixando uma margem importante antes da recarga.

O mesmo raciocínio vale para o EJT 9.5 ER: 200 km podem ser suficientes para determinadas operações, mas insuficientes para outras.

Outro ponto positivo é a possibilidade de carregar na própria base.

Em uma empresa com frota organizada, a recarga noturna pode transformar o estacionamento em um verdadeiro posto de abastecimento interno, reduzindo a dependência de infraestrutura pública.

Existe, entretanto, um investimento inicial que não pode ser ignorado.

Não basta colocar o R$ 249.900 ou R$ 469.900 do caminhão na planilha. É preciso incluir infraestrutura elétrica, carregadores e eventualmente adaptações na rede da empresa.

Também precisamos olhar para o custo de oportunidade.

Se um elétrico mais caro economiza R$ 46 mil anualmente, mas exige um investimento inicial muito superior ao diesel equivalente, a empresa precisa calcular quantos anos serão necessários para recuperar essa diferença.

E ainda existe o valor residual.

Um caminhão diesel possui um mercado de usados relativamente conhecido. Nos elétricos comerciais, ainda estamos construindo referências sobre depreciação, vida útil da bateria e valor de revenda.

Por isso, considero que a eletrificação tende a funcionar primeiro onde a operação é mais previsível: entregas urbanas, centros logísticos, distribuição de bebidas, alimentos, encomendas e serviços que retornam diariamente ao mesmo ponto.

É justamente nesse ambiente que a conta tem maior chance de fechar.

A resposta definitiva, porém, não virá da ficha técnica. Virá da planilha da frota e do teste na rua.

Você colocaria um caminhão elétrico na sua frota de entregas?

Para acompanhar avaliações de veículos comerciais, custos operacionais e novas tecnologias, siga @tarcisiomecanicaonline.

RETROVISOR MECÂNICA ONLINE® – ENTENDA O QUE ESTÁ POR TRÁS DA NOTÍCIA

E-JT3.5: custa R$ 249.900 sem baú e R$ 269.900 com implemento de 15 m³.

CNH: com PBT de 3,5 toneladas, o E-JT3.5 pode ser conduzido com categoria B.

EJT 9.5 ER: parte de R$ 469.900, tem bateria de 100 kWh e 245 cv.

Autonomia: são até 230 km no 3.5 e aproximadamente 200 km no 9.5 ER nas condições anunciadas.

Economia: simulações da marca apontam diferenças anuais de aproximadamente R$ 21 mil e R$ 46 mil em energia frente ao diesel, conforme cada cenário.

MECÂNICA ONLINE® — MECÂNICA DO JEITO QUE VOCÊ ENTENDE

PBT: Peso Bruto Total, soma do veículo, ocupantes, implemento e carga dentro do limite permitido.

Carga útil: quantidade efetivamente disponível para transportar mercadorias depois de considerados veículo e implementos.

TCO: custo total de propriedade, que reúne compra, energia ou combustível, manutenção, seguro, depreciação e outros gastos da operação.

Payback: período necessário para que as economias geradas recuperem um investimento inicial maior.

Caminhão elétrico para entregas urbanas: a conta fecha? JAC aposta em economia de até R$ 46 mil por ano