Ir para o conteúdo
terça-feira, 3 de novembro, 2026 29.4 °C Recife
Ford Transit City elétrica chega com até 1.600 kg de carga e três configurações
Truck

Ford Transit City elétrica chega com até 1.600 kg de carga e três configurações

Nova van compacta da Ford Pro estreia com 150 cv, bateria LFP de 56 kWh, autonomia urbana WLTP de 381 km e até 14 m³ de capacidade com implemento, mirando operações de última milha e frotas urbanas.

Por Tarcisio Dias
9 min

A Ford Pro amplia sua linha de comerciais leves no Brasil com a Transit City 100% elétrica. Desenvolvida para entregas urbanas e operações profissionais, a van chega em três configurações de fábrica, com motor de 150 cv, bateria de 56 kWh e capacidade de carga útil que varia de 1.085 a 1.600 kg. A autonomia homologada pelo Inmetro é de 186 km, enquanto no ciclo urbano WLTP chega a 381 km. O preço ainda não foi informado.

A Transit City ocupa um espaço abaixo da Transit tradicional e entra em um segmento que ganha relevância com o crescimento das entregas urbanas, e-commerce e metas de eletrificação das frotas.

A Ford projeta que o mercado brasileiro de vans compactas alcance 5.040 unidades em 2026, crescimento de 42% sobre o ano anterior.

O modelo foi desenvolvido com participação da engenharia brasileira e acumulou globalmente mais de 1 milhão de quilômetros em testes de durabilidade.

150 cv e torque imediato

O motor elétrico entrega 150 cv e 260 Nm, equivalentes a aproximadamente 26,5 kgfm, com tração dianteira.

São três modos de condução: Normal, Econômico e Escorregadio.

Há também o One Pedal Drive, que aumenta a regeneração quando o motorista alivia o acelerador e pode reduzir a utilização do pedal de freio durante o trânsito urbano.

É justamente nesse ambiente de constantes acelerações e desacelerações que um utilitário elétrico tende a aproveitar melhor sua capacidade de regeneração.

56 kWh e três números de autonomia

A bateria utiliza química LFP e capacidade de 56 kWh.

Pelo Inmetro, a autonomia oficial é de 186 km.

No ciclo combinado WLTP, o número informado é de 254 km, enquanto a medição urbana WLTP chega a 381 km.

A diferença mostra por que a autonomia de um comercial elétrico precisa ser analisada de acordo com sua operação.

No trânsito urbano, velocidades menores e desacelerações frequentes favorecem a recuperação de energia, enquanto viagens rodoviárias contínuas aumentam o consumo.

No chassi-cabine, a autonomia também poderá variar conforme peso, formato e características aerodinâmicas do implemento instalado.

Recarga rápida de até 115 kW

Em corrente contínua, a Transit City aceita até 115 kW.

A bateria pode passar de 20% a 80% em aproximadamente 33 minutos, desde que seja utilizada uma estação compatível.

Em corrente alternada, a potência chega a 11,5 kW e a carga completa leva aproximadamente cinco horas.

Para uma operação profissional, a possibilidade de carregar durante a noite e começar o expediente com a bateria completa pode ser mais importante do que depender continuamente de carregadores públicos.

Três Transit City diferentes

A estratégia da Ford chama atenção pela variedade de configurações oferecidas desde o lançamento.

A L1H1 é a opção mais compacta, com 4,985 metros de comprimento e 3,06 metros de entre-eixos.

Ela oferece 6,4 m³ de volume e 1.085 kg de carga útil.

A L2H2 cresce para 5,285 metros e 3,36 metros de entre-eixos, oferecendo 8,5 m³ e capacidade para 1.275 kg.

No topo da versatilidade está o chassi-cabine L2H1, preparado para receber diferentes implementos.

A capacidade útil chega a 1.600 kg, enquanto o volume pode alcançar aproximadamente 14 m³ dependendo da carroceria instalada.

Mais de 30 possibilidades de transformação

A versão chassi permite que a Transit City seja utilizada em mais de 30 tipos de aplicação profissional.

Entre elas estão baús, veículos refrigerados, oficinas móveis, ambulâncias, clínicas móveis, transporte escolar, veículos de segurança e unidades adaptadas para pessoas com deficiência.

Essa característica amplia bastante o mercado potencial, principalmente porque muitas empresas não procuram simplesmente uma van, mas uma plataforma capaz de ser transformada para uma operação específica.

Raio de giro de seis metros

Outro número importante para entregas urbanas é o raio de giro de seis metros.

Em um veículo comercial, facilidade de manobra significa menor tempo perdido em ruas estreitas, docas, garagens e centros de distribuição.

A largura total com retrovisores é de 2,258 metros.

Cabine para três ocupantes

O interior utiliza configuração 2+1, acomodando motorista e dois passageiros.

Há painel digital de 7 polegadas e central SYNC de 12,3 polegadas, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.

A lista inclui partida sem chave, duas entradas USB-C, ar-condicionado e banco do motorista aquecido e com seis ajustes.

Os furgões recebem piso revestido em PVC e iluminação própria no compartimento traseiro.

ADAS chama atenção em um veículo de trabalho

A Transit City chega com um pacote eletrônico incomum para muitos utilitários comerciais.

Há ACC, frenagem autônoma de emergência, assistência de permanência em faixa e reconhecimento de placas.

A lista inclui ainda monitoramento do motorista, câmera de ré e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros.

Em veículos que permanecem muitas horas em operação, recursos destinados a reduzir a carga de trabalho do motorista podem representar também ganhos de segurança para a frota.

Revisão a cada 40 mil quilômetros

Um dos principais argumentos econômicos está na manutenção.

Segundo a Ford, o conjunto elétrico possui 86% menos componentes sujeitos a desgaste quando comparado a um utilitário convencional equivalente.

As revisões são programadas a cada dois anos ou 40.000 km.

A fabricante estima custo operacional por quilômetro aproximadamente 40% inferior ao de um equivalente a combustão, embora esse resultado naturalmente dependa do preço da energia, perfil de utilização e quilometragem da frota.

A garantia do veículo é de três anos sem limite de quilometragem, enquanto a bateria possui cobertura de oito anos ou 160.000 km.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A Transit City entra em um segmento diferente daquele dos automóveis elétricos, porque no veículo comercial a conta precisa fechar antes mesmo de a tecnologia impressionar.

Para uma empresa, autonomia não pode ser analisada isoladamente. É necessário colocar na equação carga útil, volume, custo por quilômetro, tempo parado para manutenção e possibilidade de recarga dentro da própria operação.

Nesse aspecto, considero especialmente interessante a decisão da Ford de oferecer três configurações desde o início.

A L1H1 atende entregas urbanas em espaços menores, a L2H2 aumenta significativamente o volume e o chassi-cabine permite criar um veículo específico para cada negócio.

A capacidade de 1.600 kg no chassi-cabine também chama atenção, principalmente diante de vans elétricas compactas que frequentemente sacrificam carga útil por causa do peso das baterias.

Na concorrência, o mercado já conta com alternativas como Renault Kangoo E-Tech, Foton eView e Farizon SuperVAN, mas elas não ocupam exatamente o mesmo espaço.

O Kangoo é uma alternativa mais compacta, enquanto Foton e Farizon oferecem configurações que avançam em volume, potência ou autonomia, dependendo do modelo.

É justamente aí que a Transit City tenta construir seu diferencial: combinar porte urbano, três carrocerias, carga elevada, ADAS e uma ampla estrutura Ford Pro de atendimento.

A autonomia de 186 km pelo Inmetro pode parecer modesta quando observada como se estivéssemos avaliando um automóvel de passeio.

Para uma frota com rota diária conhecida, entretanto, o raciocínio muda.

Se o veículo percorre uma quilometragem previsível, retorna diariamente à base e pode ser carregado durante a noite, carregar uma bateria muito maior significaria também transportar peso e custo adicionais durante toda a operação.

O número urbano WLTP de 381 km mostra como a utilização em baixa velocidade favorece o conjunto, mas para o consumidor brasileiro a referência mais adequada continuará sendo o valor homologado pelo Inmetro e, principalmente, a quilometragem real da rota da empresa.

Outro diferencial importante está no intervalo de 40.000 km entre revisões.

Para uma empresa, um veículo parado na oficina não representa somente manutenção: significa também perda de produtividade e eventualmente necessidade de substituição temporária da unidade.

O pacote ADAS também merece destaque.

ACC, frenagem automática e assistência de faixa são recursos normalmente associados a carros de passeio mais sofisticados, mas fazem ainda mais sentido em um veículo cujo motorista pode passar oito ou mais horas diariamente ao volante.

Existe, porém, uma informação fundamental que ainda falta: o preço.

Ele será determinante para calcular payback, custo total de propriedade e comparar a Transit City de maneira objetiva com Kangoo E-Tech, Foton eView, Farizon e também com utilitários a diesel.

Nesse mercado, não basta dizer que o elétrico custa menos por quilômetro.

É necessário saber quanto custa comprar, financiar, carregar, assegurar e manter o veículo durante todo o ciclo de utilização.

A Ford entra com uma vantagem importante nesse ponto: a estrutura Ford Pro possui 151 pontos de atendimento e cinco centros logísticos dedicados, algo relevante para empresas que não podem esperar longos períodos por peças.

Se preço e disponibilidade forem competitivos, a Transit City pode ocupar um espaço interessante principalmente em última milha, e-commerce, serviços urbanos e grandes frotas com rotas previsíveis.

Para acompanhar avaliações, consumo energético e o custo real de utilização dos novos comerciais elétricos, siga @tarcisiomecanicaonline.

RETROVISOR MECÂNICA ONLINE® – ENTENDA O QUE ESTÁ POR TRÁS DA NOTÍCIA

Motor: Transit City entrega 150 cv e 260 Nm.

Autonomia: são 186 km pelo Inmetro, 254 km WLTP combinado e até 381 km WLTP urbano.

Carga: varia de 1.085 kg no furgão compacto a 1.600 kg no chassi-cabine.

Volume: são 6,4 m³ na L1H1, 8,5 m³ na L2H2 e até 14 m³ com implementação.

Manutenção: revisões a cada dois anos ou 40.000 km.

Concorrência: Kangoo E-Tech, Foton eView e Farizon estão entre as principais referências no mercado de comerciais elétricos.

MECÂNICA ONLINE® — MECÂNICA DO JEITO QUE VOCÊ ENTENDE

LFP: bateria de fosfato de ferro-lítio, química valorizada pela estabilidade térmica e vida útil elevada.

One Pedal Drive: aumenta a regeneração ao aliviar o acelerador, permitindo desacelerar o veículo e recuperar parte da energia cinética.

Carga útil: peso máximo que pode ser transportado pelo veículo além de sua própria massa, dentro dos limites de projeto.

Custo total de propriedade: cálculo que considera não apenas o preço de compra, mas energia ou combustível, manutenção, seguro, depreciação e tempo de indisponibilidade do veículo.

Ford Transit City elétrica chega com até 1.600 kg de carga e três configurações