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GWM inicia produção de bateria que recupera 500 km em 12 minutos
Engenharia

GWM inicia produção de bateria que recupera 500 km em 12 minutos

Desenvolvida pela Svolt, a bateria semissólida Dragon Armor combina capacidade de 100 kWh, arquitetura de 900 volts e recarga ultrarrápida.

Por Redação Mecânica Online®
14 min

A Svolt Energy, fabricante chinesa de baterias que mantém uma parceria estratégica com a GWM (Great Wall Motor), iniciou a produção em série de sua nova bateria semissólida Dragon Armor, com capacidade de 100 kWh. O primeiro lote saiu da linha de montagem em 26 de outubro de 2026, na cidade de Changzhou, na China. Desenvolvido para veículos elétricos, o conjunto utiliza arquitetura de 900 volts e suporta recargas de até 6C, tecnologia que, segundo a empresa, permite recuperar energia equivalente a 500 quilômetros de autonomia em apenas 12 minutos. A fabricante também anuncia vida útil superior a 3.000 ciclos de carga e descarga e proteção estrutural reforçada contra impactos.

A evolução das baterias está se tornando um dos principais fatores de competitividade da indústria de veículos elétricos. Mais do que aumentar a autonomia, as fabricantes procuram reduzir o tempo necessário para recuperar energia, melhorar a segurança e ampliar a durabilidade dos componentes.

É nesse cenário que a Svolt Energy avança com a industrialização da tecnologia semissólida, considerada uma alternativa às baterias convencionais de íons de lítio com eletrólito líquido.

A novidade representa um passo importante na estratégia tecnológica da empresa, mas também exige uma distinção: bateria semissólida não é a mesma coisa que bateria totalmente de estado sólido.

Embora compartilhem determinados objetivos, as duas tecnologias apresentam diferenças importantes na composição e no funcionamento.

Produção da Dragon Armor começa na China

A Svolt anunciou que o primeiro lote de baterias semissólidas Dragon Armor de 100 kWh saiu de sua unidade industrial em Changzhou, na província chinesa de Jiangsu.

A apresentação ocorreu em 26 de outubro, com declarações de Yang Hongxin, presidente e CEO da empresa.

A companhia foi criada pela GWM em 2012 como uma divisão dedicada ao desenvolvimento e à fabricação de baterias para veículos eletrificados.

Em 2018, tornou-se uma empresa independente, mas continuou mantendo uma relação estratégica com a montadora chinesa.

A GWM permanece entre seus principais parceiros industriais e comerciais.

O anúncio representa o início da fabricação em série utilizando processos industriais desenvolvidos para a nova tecnologia.

Entretanto, a Svolt não informou o volume do primeiro lote nem a capacidade mensal de produção da Dragon Armor.

Também não divulgou os primeiros veículos que receberão o conjunto.

Bateria de 100 kWh utiliza arquitetura de 900 volts

Um dos principais diferenciais da Dragon Armor está na combinação entre elevada capacidade de armazenamento e arquitetura elétrica de alta tensão.

O conjunto possui 100 kWh de capacidade energética e foi desenvolvido para operar com um sistema de até 900 volts.

A adoção de tensões elevadas permite trabalhar com grandes potências elétricas sem exigir o mesmo nível de corrente necessário em arquiteturas de menor tensão.

Isso é importante porque as perdas elétricas por efeito Joule aumentam com o quadrado da corrente.

Portanto, para uma mesma potência, uma tensão maior pode permitir reduzir a corrente elétrica e determinadas perdas nos cabos e componentes.

A vantagem não é automática: depende do projeto dos conectores, do sistema de conversão de energia e do gerenciamento térmico.

No caso da Dragon Armor, a arquitetura foi desenvolvida para permitir recargas de alta potência, uma das características mais importantes da nova geração.

O que significa uma bateria com recarga de 6C?

A Svolt informa que a Dragon Armor suporta uma taxa de carregamento de 6C.

Esse indicador expressa a velocidade de recarga em relação à capacidade energética da bateria.

De maneira simplificada, uma taxa de 1C corresponde à transferência de energia equivalente à capacidade nominal da bateria em uma hora, considerando condições ideais.

Em uma bateria de 100 kWh:

Taxa de recargaPotência equivalente teórica
1C100 kW
2C200 kW
3C300 kW
4C400 kW
6C600 kW

Assim, 6C corresponde teoricamente a uma potência de 600 kW para uma bateria de 100 kWh.

Isso não significa que o conjunto receba 600 kW continuamente durante uma sessão completa.

Na prática, a potência depende da temperatura das células, do estado de carga, da infraestrutura disponível e dos limites estabelecidos pelo sistema eletrônico de gerenciamento.

Durante uma recarga, a potência normalmente varia de acordo com essas condições.

500 quilômetros de autonomia em apenas 12 minutos

O principal número divulgado pela Svolt é a capacidade de recuperar energia suficiente para percorrer 500 quilômetros em 12 minutos.

A fabricante atribui esse resultado à combinação entre a arquitetura de 900 volts, a capacidade de carregamento de 6C e o gerenciamento térmico da bateria.

Entretanto, existe uma diferença fundamental entre recuperar determinada quantidade de energia e recuperar autonomia.

A autonomia depende do consumo energético do automóvel.

Um SUV mais pesado, com maior área frontal ou motores de elevada potência, pode consumir mais eletricidade por quilômetro do que um veículo compacto.

Por isso, a promessa de 500 quilômetros em 12 minutos ainda precisa ser associada a um modelo específico e a um ciclo de homologação.

A Svolt não informou qual veículo foi utilizado como referência, nem o intervalo de carga empregado para alcançar o resultado.

Também não foram divulgadas as condições de temperatura ou a potência efetivamente mantida durante a recarga.

Os números representam, portanto, desempenho anunciado pela fabricante, ainda sem comprovação pública em um automóvel de produção identificado.

Bateria semissólida utiliza eletrólito híbrido

A tecnologia empregada na Dragon Armor é conhecida na China como solid-liquid hybrid battery, expressão que pode ser traduzida como bateria híbrida sólido-líquido.

Diferentemente das baterias convencionais, que utilizam predominantemente eletrólito líquido, a configuração semissólida combina componentes sólidos e líquidos no sistema responsável pelo transporte de íons.

Essa solução procura melhorar determinados aspectos de estabilidade, segurança e densidade energética.

A bateria totalmente de estado sólido representa outra arquitetura, na qual o eletrólito líquido é substituído por um material sólido.

As diferenças são importantes:

TecnologiaCaracterística principal
Íons de lítio convencionalUtiliza eletrólito predominantemente líquido
SemissólidaCombina componentes sólidos e líquidos
Totalmente sólidaUtiliza eletrólito sólido, sem a solução líquida convencional

A Svolt considera a tecnologia semissólida uma solução de longo prazo, especialmente para baterias com composição química ternária.

Isso significa que a empresa não enxerga necessariamente essas células apenas como uma etapa temporária antes das baterias totalmente sólidas.

Segundo Yang Hongxin, a estratégia continuará priorizando a industrialização das soluções híbridas sólido-líquido, enquanto a empresa desenvolve paralelamente tecnologias totalmente sólidas.

Novo processo de fabricação busca aumentar a segurança

A Dragon Armor utiliza uma tecnologia de impressão por transferência de separadores no nível da célula.

O separador é um componente fundamental das baterias de íons de lítio.

Sua função é manter os eletrodos eletricamente separados, permitindo ao mesmo tempo a movimentação dos íons necessária ao funcionamento da célula.

Problemas nessa região podem comprometer a estabilidade eletroquímica e contribuir para falhas internas.

Segundo a Svolt, o novo processo foi desenvolvido para melhorar o comportamento das células durante operações exigentes, como as recargas de alta potência.

A empresa também emprega técnicas de empilhamento de alta velocidade na fabricação.

O objetivo é combinar produtividade industrial com controle preciso da estrutura interna das células.

Entretanto, a segurança efetiva depende do conjunto completo, incluindo materiais, construção, sistema eletrônico, gerenciamento térmico e proteção contra impactos.

Resfriamento líquido atua nas partes superior e inferior

O controle da temperatura é um dos maiores desafios de uma bateria capaz de receber potências elevadas.

Durante a recarga, a passagem de corrente elétrica provoca geração de calor devido à resistência interna das células.

Quando a temperatura aumenta excessivamente, podem ocorrer perdas de eficiência e aceleração dos processos de degradação.

Para enfrentar esse desafio, a Svolt desenvolveu um sistema de resfriamento líquido nas regiões superior e inferior do pacote.

Essa configuração busca melhorar a distribuição térmica e reduzir diferenças de temperatura entre as células.

O controle térmico também contribui para que a bateria opere em uma faixa adequada durante as recargas.

Em sistemas de alta potência, a uniformidade da temperatura é especialmente importante.

Uma bateria pode apresentar excelente capacidade de carregamento, mas só conseguirá aproveitá-la adequadamente se o sistema térmico mantiver as células dentro dos limites estabelecidos pelo projeto.

Seis camadas de proteção reforçam a estrutura

A Dragon Armor também recebeu uma estrutura inferior com seis camadas de proteção.

Segundo a fabricante, o conjunto apresenta resistência a impactos equivalente a três vezes o nível exigido pelo padrão nacional chinês utilizado como referência.

A proteção inferior é importante porque as baterias normalmente são instaladas na parte baixa da carroceria dos veículos elétricos.

Nessa posição, ficam próximas ao pavimento e precisam resistir a solicitações estruturais e possíveis impactos.

A proteção busca reduzir os riscos relacionados a objetos que possam atingir a região inferior do veículo.

Entretanto, a Svolt não detalhou no anúncio qual procedimento específico foi utilizado para estabelecer a comparação de resistência.

Por isso, o indicador deve ser interpretado como um resultado declarado pela fabricante, e não como garantia de que o conjunto suporte qualquer tipo de colisão.

Vida útil teórica ultrapassa 3.000 ciclos de carga

Outro número apresentado pela Svolt está relacionado à durabilidade.

A empresa informa que a bateria pode suportar mais de 3.000 ciclos de carga e descarga.

Um ciclo completo corresponde, de maneira simplificada, à utilização acumulada de energia equivalente à capacidade total da bateria.

Por exemplo, duas descargas de 50% podem representar aproximadamente um ciclo completo equivalente.

A Svolt também projeta uma vida útil teórica superior a 1 milhão de quilômetros.

Esse valor não deve ser interpretado como garantia comercial de quilometragem.

A durabilidade efetiva dependerá de fatores como temperatura, profundidade das descargas, frequência de recargas rápidas, condições de armazenamento e estratégia de gerenciamento.

Também será necessário conhecer o critério de capacidade residual utilizado pela fabricante para definir o final da vida útil da bateria.

Mais de 3.000 ciclos representam um objetivo técnico relevante, mas a durabilidade em quilômetros dependerá do automóvel e das condições de utilização.

GWM Wey V8X aparece entre os possíveis modelos

A Svolt ainda não confirmou quais veículos serão equipados com a bateria Dragon Armor.

A fabricante informou que diferentes clientes já demonstraram interesse ou indicaram programas de aplicação para o novo conjunto.

Entre os possíveis modelos citados pela imprensa chinesa está o Wey V8X elétrico, SUV de grande porte ligado à GWM.

O modelo aparece como uma possibilidade devido à arquitetura elétrica e ao posicionamento tecnológico.

Entretanto, não existe confirmação oficial de que o Wey V8X utilizará a bateria semissólida de 100 kWh.

Também não foram divulgadas informações sobre a disponibilidade dessa tecnologia em veículos comercializados no Brasil.

Svolt quer ampliar produção de baterias semissólidas até 2027

A nova linha de produção integra uma estratégia de evolução gradual das tecnologias de armazenamento.

Em maio de 2026, a Svolt havia anunciado planos de iniciar a fabricação em massa de baterias semissólidas, inicialmente com previsão de produção em setembro.

O primeiro lote foi apresentado em outubro.

A empresa pretende concluir até o final de 2027 a transição de suas células ternárias para soluções híbridas sólido-líquido, conforme o planejamento divulgado.

Para 2028, está previsto o desenvolvimento comercial da terceira geração dessa tecnologia.

No mercado chinês, a Svolt registrou 11,27 GWh em instalações de baterias entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados atribuídos ao China EV DataTracker.

Desse total, aproximadamente 4,23 GWh corresponderam a baterias LFP e 6,99 GWh a baterias ternárias NMC.

A empresa aparece com participação próxima de 2% no mercado chinês considerado por esse levantamento.

Esses números mostram que a Svolt já possui presença industrial relevante, embora enfrente concorrência de fabricantes de baterias de maior escala.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O início da produção da Dragon Armor representa um avanço importante porque aproxima as baterias semissólidas da aplicação comercial em veículos elétricos.

O aspecto mais interessante não está apenas na capacidade de 100 kWh, mas na combinação entre arquitetura de 900 volts, taxa de recarga de 6C e sistema de gerenciamento térmico.

Uma bateria capaz de receber grandes potências precisa controlar simultaneamente a corrente elétrica, a temperatura e os efeitos da degradação eletroquímica.

A arquitetura de 900 volts pode contribuir para reduzir as correntes necessárias à transferência de determinada potência, mas isso não elimina as perdas internas das células.

O sistema de resfriamento líquido nas regiões superior e inferior do pacote também merece atenção, porque a dissipação do calor é fundamental para manter a estabilidade durante recargas rápidas.

Outro ponto importante é a utilização de eletrólito híbrido sólido-líquido.

Essa tecnologia pode oferecer vantagens em determinados aspectos de segurança e desempenho, mas não deve ser confundida com as baterias totalmente sólidas, que ainda enfrentam desafios relevantes de produção industrial em grande escala.

A promessa de recuperar 500 quilômetros de autonomia em 12 minutos chama atenção, mas precisa ser analisada com critério.

Para comprovar esse resultado em condições reais, será necessário conhecer o veículo, o padrão de homologação, o estado inicial da carga e a potência efetivamente utilizada.

A mesma observação vale para a durabilidade superior a 1 milhão de quilômetros. A quantidade de ciclos é um indicador importante, mas não determina isoladamente a vida útil do conjunto.

A proteção estrutural com seis camadas também mostra a preocupação com a instalação da bateria na parte inferior da carroceria, região sujeita a impactos e solicitações mecânicas.

Para o mercado brasileiro, ainda não existe previsão de utilização da Dragon Armor em veículos da GWM ou de outras marcas.

O avanço mais significativo da Svolt está na industrialização de uma bateria semissólida com capacidade elevada e recarga de alta potência. O próximo desafio será demonstrar essas características em automóveis de produção, com resultados consistentes de autonomia, segurança, durabilidade e custo.

Para acompanhar GWM, Svolt, baterias semissólidas, veículos elétricos, recarga ultrarrápida e novas tecnologias automotivas, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 100 kWh – Capacidade anunciada da bateria semissólida Dragon Armor.
  • 900 volts – Arquitetura elétrica de alta tensão utilizada pelo conjunto.
  • 6C – Taxa máxima de carregamento declarada pela fabricante.
  • 12 minutos – Tempo anunciado para recuperar energia equivalente a 500 km.
  • 3.000 ciclos – Vida útil projetada em ciclos de carga e descarga.
  • 1 milhão de km – Durabilidade teórica estimada pela Svolt.
  • Seis camadas – Estrutura de proteção inferior da bateria.
  • 2027 – Prazo planejado para ampliar a adoção da tecnologia híbrida sólido-líquido nas células ternárias.

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  • Bateria semissólida – Bateria que combina componentes sólidos e líquidos no eletrólito responsável pelo transporte de íons.
  • Taxa C – Indicador que relaciona a corrente de carga ou descarga à capacidade nominal da bateria, permitindo expressar a velocidade de carregamento.
  • Arquitetura de 900 volts – Sistema elétrico de alta tensão desenvolvido para operar com elevadas potências e reduzir correntes em determinadas condições.
  • Gerenciamento térmico – Conjunto de sistemas responsáveis por controlar a temperatura das células durante o funcionamento e as recargas.
  • Ciclo de carga – Quantidade acumulada de energia carregada ou descarregada equivalente à capacidade nominal da bateria.

GWM inicia produção de bateria que recupera 500 km em 12 minutos