Antes de os carros de Fórmula 1 entrarem na pista de Interlagos, uma operação logística internacional já mobilizou centenas de profissionais, aeronaves, caminhões e equipamentos de movimentação de cargas. A DHL, parceira logística oficial da categoria há mais de 20 anos, coordena em 2026 o transporte de até 1.300 toneladas de equipamentos por Grande Prêmio, incluindo monopostos, motores, peças, sistemas de transmissão de televisão e estruturas de hospitalidade. A temporada envolve 23 destinos em cinco continentes, exigindo planejamento de rotas, transporte multimodal e operações rápidas de montagem e desmontagem. No GP de São Paulo, realizado de 6 a 8 de novembro, o trabalho da equipe começa semanas antes da corrida e continua imediatamente após a bandeirada, quando os equipamentos precisam seguir para a próxima etapa do calendário.
A complexidade do transporte na Fórmula 1 vai além da movimentação dos carros de competição.
Cada Grande Prêmio exige uma estrutura temporária que precisa funcionar com precisão, envolvendo equipamentos de engenharia, sistemas eletrônicos, ferramentas, instalações de apoio e tecnologia de transmissão.
Três semanas de trabalho para três dias de corrida
A DHL informa que a operação logística em cada circuito pode envolver aproximadamente três semanas de atividades.
O planejamento começa muito antes da chegada dos veículos ao autódromo, com a definição dos modais de transporte, prazos de entrega e procedimentos de recebimento das cargas.
A movimentação combina transporte aéreo, marítimo e rodoviário, conforme as características e a urgência dos equipamentos.
Componentes essenciais para a competição precisam chegar dentro de janelas operacionais rigorosas.
Já determinados materiais de infraestrutura podem ser transportados com maior antecedência, permitindo melhor aproveitamento dos diferentes modais.
A logística precisa funcionar como uma extensão das equipes de competição, porque qualquer atraso relevante pode comprometer a preparação dos carros e a realização das atividades na pista.
Mais de 110 profissionais trabalham na logística do automobilismo
Uma das responsáveis pela operação é Giorgia Tirabassi, gerente de Operações de Logística nos Circuitos de Automobilismo da DHL.
Ela coordena aproximadamente 50 especialistas que se revezam durante as etapas do campeonato.
A estrutura global da DHL dedicada ao automobilismo reúne mais de 110 profissionais.
As equipes executam diferentes atividades, incluindo movimentação de cargas, operação de empilhadeiras, montagem de paletes aeronáuticos e carregamento de contêineres.
O trabalho frequentemente acontece durante a noite, sob condições climáticas variadas e com prazos que não podem ser adiados.
Tirabassi estima passar mais de 200 dias por ano longe de casa, acompanhando uma operação que se estende por aproximadamente nove meses.
Segundo a executiva, cada circuito apresenta desafios específicos de infraestrutura, clima e procedimentos locais, exigindo adaptação constante.
Interlagos exige planejamento aduaneiro e transporte com escolta
No Brasil, a movimentação dos equipamentos envolve procedimentos de importação temporária, fiscalização aduaneira e transporte terrestre até o Autódromo de Interlagos.
A DHL trabalha com autoridades e parceiros locais para cumprir essas exigências.
O elevado valor dos equipamentos também exige cuidados adicionais de segurança.
Entre as medidas adotadas está a utilização de escolta durante o transporte rodoviário de determinadas cargas a partir do aeroporto.
A operação precisa conciliar segurança patrimonial, cumprimento das regras aduaneiras e pontualidade na entrega dos materiais.
Depois da corrida de domingo, o processo é invertido.
Os equipamentos são desmontados, embalados e preparados para seguir ao próximo destino, enquanto parte da equipe já organiza as atividades da etapa seguinte.
Calendário com corridas consecutivas amplia os desafios
A temporada de 2026 apresenta cinco sequências de duas corridas em finais de semana consecutivos, conhecidas como double-headers, e três sequências de três etapas, chamadas triple-headers.
Essa configuração reduz os intervalos disponíveis para desmontagem, transporte e remontagem das estruturas.
| Indicador | Operação logística em 2026 |
|---|---|
| Carga movimentada | Até 1.300 toneladas por GP |
| Destinos | 23 |
| Continentes | 5 |
| Profissionais globais | Mais de 110 |
| Equipe coordenada nos circuitos | Aproximadamente 50 especialistas |
| Sequências de duas corridas | 5 |
| Sequências de três corridas | 3 |
| Parceria DHL e F1 | Mais de 20 anos |
A necessidade de cumprir um calendário fixo torna os planos de contingência fundamentais.
Condições meteorológicas, atrasos em aeroportos, dificuldades no transporte e alterações operacionais podem exigir mudanças imediatas nas rotas.
DHL utiliza combustíveis alternativos para reduzir emissões
A operação logística da Fórmula 1 também incorpora iniciativas destinadas a diminuir seu impacto ambiental.
Entre elas estão o uso de combustível sustentável de aviação, conhecido como SAF, combustíveis marítimos de menor emissão e caminhões movidos a biocombustíveis em operações selecionadas.
Segundo a DHL, a utilização de SAF nos voos fretados de transporte de cargas contribuiu para uma redução estimada de 20 mil toneladas de CO₂ equivalente em 2025.
O benefício é calculado em relação a uma referência com combustível convencional, considerando os critérios aplicáveis de contabilização das emissões.
O SAF não elimina completamente as emissões das aeronaves, mas pode reduzir o impacto climático associado ao ciclo de vida do combustível, conforme sua matéria-prima e seu processo de produção.
A estratégia está alinhada aos esforços da Fórmula 1 para reduzir as emissões de suas atividades.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A logística da Fórmula 1 demonstra que o desempenho de uma equipe não depende exclusivamente da engenharia desenvolvida dentro das garagens.
Para que um carro esteja pronto para competir, seus componentes, ferramentas, pneus, equipamentos eletrônicos e materiais de apoio precisam chegar ao circuito no momento correto.
A movimentação de até 1.300 toneladas por etapa exige uma integração entre planejamento, transporte, infraestrutura e gerenciamento de riscos comparável à de grandes operações industriais.
Outro aspecto importante é a utilização de diferentes modais.
O transporte aéreo oferece velocidade, mas apresenta custos e impactos ambientais mais elevados. O marítimo permite movimentar grandes volumes, embora exija prazos maiores. Já o transporte rodoviário realiza a conexão entre portos, aeroportos e autódromos.
A combinação dessas alternativas permite adequar o transporte às necessidades de cada equipamento.
No Brasil, os procedimentos aduaneiros e a segurança das cargas acrescentam complexidade à operação.
A utilização de combustíveis alternativos também merece atenção, especialmente porque a redução de emissões precisa considerar todo o ciclo energético, não apenas o consumo durante o deslocamento.
A Fórmula 1 costuma ser associada à velocidade dos carros, mas existe outra corrida acontecendo fora da pista: a de garantir que toda a estrutura esteja pronta antes da largada.
O trabalho da DHL mostra como logística, engenharia e gerenciamento operacional são fundamentais para a realização de um campeonato mundial.
Para acompanhar Fórmula 1, GP de São Paulo, logística automotiva, transporte de cargas e engenharia de competição, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 1.300 toneladas – Volume de carga que pode ser movimentado por Grande Prêmio em 2026.
- 23 destinos – Etapas atendidas pela operação logística.
- 5 continentes – Abrangência geográfica da temporada.
- 110 profissionais – Equipe global superior a esse número na logística do automobilismo da DHL.
- Três semanas – Período aproximado de atividades logísticas em cada circuito.
- 200 dias – Tempo anual superior a essa marca que profissionais podem passar longe de casa.
- 20 mil toneladas de CO₂e – Redução estimada associada à utilização de SAF em 2025.
- Mais de 20 anos – Duração da parceria entre DHL e Fórmula 1.
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- Logística multimodal – Utilização coordenada de diferentes meios de transporte para movimentar mercadorias e equipamentos.
- Carga aérea – Transporte de materiais por aeronaves, geralmente utilizado quando a rapidez de entrega é prioritária.
- Importação temporária – Regime aduaneiro que permite a entrada de determinados bens no país por prazo definido, conforme condições legais.
- Plano de contingência – Conjunto de medidas alternativas para manter uma operação diante de atrasos ou situações imprevistas.
- SAF – Combustível sustentável de aviação que pode reduzir emissões de gases de efeito estufa no ciclo de vida em relação ao combustível convencional.
- CO₂ equivalente (CO₂e) – Unidade utilizada para expressar o impacto climático de diferentes gases de efeito estufa em uma medida comum.