Na Fórmula 1, até mesmo um parafuso pode fazer diferença entre completar uma corrida e abandonar a prova. Para controlar esse nível de detalhe, o Cadillac Formula 1 Team utiliza o Race Vehicle Gateway (RVG), software desenvolvido pela General Motors que permite acompanhar individualmente dezenas de milhares de componentes de seus carros de competição. Cada peça recebe um número de série, por meio do qual os engenheiros registram quando, onde e como foi utilizada, além de monitorar sua quilometragem e vida útil. O sistema trabalha integrado ao Race Vehicle Simulation (RVS), ferramenta de simulação que ajuda a definir quais componentes devem ser instalados em cada veículo. A tecnologia é apresentada em um novo episódio da série documental What Makes Fast, divulgado no Brasil às vésperas do Grande Prêmio de São Paulo, de 6 a 8 de novembro de 2026.
A ferramenta demonstra como a engenharia moderna do automobilismo depende não apenas do desenvolvimento mecânico, mas também da capacidade de organizar e interpretar grandes volumes de informações.
Em um carro de Fórmula 1, componentes são submetidos a condições extremas de temperatura, vibração e esforços mecânicos.
Acompanhar o histórico de cada peça permite aproveitar sua vida útil sem ultrapassar os limites de utilização definidos pelos engenheiros.
Cada componente possui identidade própria no sistema
O Race Vehicle Gateway funciona como uma plataforma digital de rastreamento dos componentes utilizados no carro.
Cada peça recebe uma identificação individual, permitindo registrar seu histórico desde a utilização inicial até sua retirada de serviço.
O sistema armazena informações relacionadas à quilometragem, às condições de utilização e às intervenções realizadas.
Esse acompanhamento não se limita aos componentes de maior valor, como elementos de suspensão e transmissão.
Até porcas e parafusos podem ter seu histórico individual registrado, conforme as exigências de controle da equipe.
A rastreabilidade facilita o planejamento das substituições e contribui para identificar possíveis relações entre problemas mecânicos e condições anteriores de utilização.
Inspeção física continua fundamental
Apesar da capacidade do software, a avaliação dos componentes não depende exclusivamente dos dados digitais.
Após a utilização, os engenheiros também realizam inspeções físicas para verificar o estado das peças.
Esse procedimento permite identificar sinais de desgaste, deformações, danos ou outras alterações que possam comprometer a confiabilidade.
Quando uma anomalia é encontrada, os profissionais podem consultar o histórico armazenado no RVG.
A combinação entre informações digitais e inspeção física ajuda a determinar possíveis causas de problemas e a orientar decisões de manutenção.
O objetivo não é simplesmente utilizar uma peça pelo maior tempo possível, mas aproveitar sua vida útil dentro dos limites de segurança e desempenho.
Simulações ajudam a escolher até o número de série da peça
O RVG trabalha em conjunto com outra ferramenta desenvolvida pela General Motors: o Race Vehicle Simulation (RVS).
Enquanto o RVG acompanha o histórico dos componentes, o RVS utiliza informações técnicas para alimentar simulações do comportamento do veículo.
Os dados circulam entre as duas plataformas.
Isso permite que os engenheiros considerem as características e o histórico de componentes específicos durante o planejamento da configuração do carro.
Em determinadas situações, a seleção pode chegar ao nível de escolher qual peça deve ser instalada, considerando seu número de série individual.
Juntas, as ferramentas formam a Race Vehicle Platform, plataforma que integra rastreamento, simulação e análise de engenharia.
O que cada sistema faz?
| Sistema | Principal função |
|---|---|
| RVG — Race Vehicle Gateway | Registra utilização, quilometragem e histórico individual dos componentes |
| RVS — Race Vehicle Simulation | Alimenta simulações e auxilia na seleção de componentes para o veículo |
| Race Vehicle Platform | Integra informações de rastreabilidade e simulação para apoiar decisões de engenharia |
A utilização conjunta dessas ferramentas permite organizar os dados de maneira que as decisões sobre montagem, inspeção e substituição sejam fundamentadas no histórico dos componentes.
Tecnologia também pode beneficiar carros de rua
A General Motors destaca que os conhecimentos desenvolvidos no automobilismo podem contribuir para programas de veículos de produção.
Sterling Anderson, vice-presidente global de Produto da GM, explica que existe uma troca de ferramentas, informações e técnicas entre as diferentes áreas da companhia.
“O automobilismo faz parte da organização global de produtos”, afirma o executivo, destacando a importância dessa integração.
Um exemplo está no desenvolvimento aerodinâmico.
A GM utiliza ferramentas de aprendizado de máquina, ou machine learning, para acelerar análises relacionadas ao comportamento do ar ao redor dos veículos.
Essas tecnologias podem ser aplicadas tanto no desenvolvimento de carros de competição quanto em projetos de automóveis produzidos em série.
A transferência de conhecimento não significa que um carro de rua utilizará exatamente os mesmos componentes da Fórmula 1, mas que métodos de análise, simulação e desenvolvimento podem ser compartilhados.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A tecnologia apresentada pelo Cadillac Formula 1 Team demonstra uma transformação importante na engenharia automotiva.
Durante muito tempo, a manutenção de veículos foi associada principalmente à inspeção visual, à medição de desgaste e à substituição de componentes conforme intervalos de utilização.
Esses procedimentos continuam fundamentais, mas agora podem ser complementados por sistemas digitais capazes de registrar o histórico individual de milhares de peças.
A rastreabilidade permite que a engenharia compreenda não apenas quanto tempo um componente foi utilizado, mas também em quais condições ele trabalhou.
Esse conhecimento é particularmente importante no automobilismo, onde os componentes operam próximos dos limites de desempenho definidos pelo projeto.
Outro destaque está na integração com simulações.
Ao combinar informações reais de utilização com modelos digitais, os engenheiros conseguem aperfeiçoar processos de análise e tomar decisões mais fundamentadas.
Para a indústria automotiva, a aplicação desse conhecimento pode contribuir para o desenvolvimento de componentes, o controle de qualidade e a evolução dos processos de manutenção.
Entretanto, sistemas digitais não eliminam a necessidade de inspeções e validações físicas.
A principal evolução está em integrar dados, engenharia mecânica e simulação para compreender melhor o comportamento dos componentes durante sua vida útil.
O trabalho da Cadillac mostra que a busca por desempenho na Fórmula 1 começa muito antes de o carro entrar na pista.
Até o menor parafuso pode carregar informações importantes para a confiabilidade, a segurança e o desenvolvimento de um veículo.
Para acompanhar Cadillac, Fórmula 1, General Motors, engenharia automotiva e tecnologias de competição, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- RVG – Software desenvolvido pela GM para acompanhar o histórico individual dos componentes.
- RVS – Ferramenta que integra informações técnicas às simulações do veículo.
- Dezenas de milhares – Quantidade de componentes cujos registros podem ser acompanhados.
- Número de série – Identificação que permite rastrear cada peça individualmente.
- Race Vehicle Platform – Plataforma que reúne rastreabilidade e simulação.
- 6 a 8 de novembro – Período do GP de São Paulo de Fórmula 1 em 2026.
- What Makes Fast – Série documental que apresenta tecnologias e processos de engenharia da equipe.
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- Rastreabilidade – Capacidade de acompanhar o histórico de utilização e manutenção de um componente.
- Vida útil – Período ou condição limite de utilização estabelecido para uma peça ou sistema.
- Simulação veicular – Utilização de modelos computacionais para estudar o comportamento de um veículo.
- Machine learning – Técnica de inteligência artificial que permite identificar padrões e relações em grandes conjuntos de dados.
- Inspeção mecânica – Procedimento utilizado para verificar desgaste, danos e condições de funcionamento de componentes.
- Aerodinâmica – Área da engenharia que estuda o comportamento do ar e sua interação com o veículo.