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Brasil leva e-fuels e reciclagem automotiva à COP31
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Brasil leva e-fuels e reciclagem automotiva à COP31

Conferência na Turquia discutirá combustíveis sintéticos, eletrificação, corredores verdes e soluções para reduzir emissões no transporte.

Por Redação Mecânica Online®
16 min

O setor de transporte brasileiro levará à COP31, realizada de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antália, na Turquia, propostas para reduzir emissões de gases de efeito estufa e enfrentar os impactos das mudanças climáticas. O Pavilhão Internacional do Transporte, organizado pelo Sistema Transporte em parceria com a SLOCAT Partnership, reunirá experiências brasileiras, debates técnicos e apresentações de estudos sobre combustíveis sintéticos e reciclagem automotiva. Entre os destaques estão alternativas para descarbonizar caminhões, ônibus, aeronaves e operações logísticas, além de iniciativas voltadas à eletrificação, ao biometano e à infraestrutura resiliente. A programação também discutirá financiamento, inovação tecnológica e qualificação profissional para a transição energética.

A descarbonização do transporte representa um dos principais desafios da transição energética mundial, especialmente em países que dependem fortemente do transporte rodoviário de passageiros e cargas.

No Brasil, a discussão envolve características específicas, como a elevada participação do diesel nas operações comerciais, a disponibilidade de biocombustíveis e a necessidade de ampliar a infraestrutura de abastecimento e recarga.

Esses temas estarão presentes na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), que acontecerá no Antalya Expo Center, na Turquia.

O Pavilhão Internacional do Transporte, instalado na Blue Zone, área oficial credenciada da conferência, será organizado pelo Sistema Transporte em parceria com a SLOCAT Partnership, organização internacional dedicada à mobilidade sustentável.

O objetivo é conectar projetos já desenvolvidos no Brasil às discussões globais sobre redução de emissões, adaptação climática e financiamento de tecnologias.

Brasil terá espaço dedicado ao transporte sustentável

O Sistema Transporte é formado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), pelo SEST SENAT e pelo Instituto de Transporte e Logística (ITL).

Durante a COP31, essas instituições participarão de painéis técnicos e atividades destinadas a apresentar soluções aplicáveis ao transporte de cargas e passageiros.

A programação abordará diferentes tecnologias e estratégias, incluindo:

  • Eletrificação de frotas: utilização de veículos elétricos em operações urbanas e outras aplicações compatíveis.
  • Biocombustíveis: alternativas como biometano, diesel verde e combustível sustentável de aviação.
  • Combustíveis sintéticos: desenvolvimento de e-fuels para aplicações em motores e sistemas de propulsão.
  • Reciclagem automotiva: recuperação de materiais e componentes ao final da vida útil dos veículos.
  • Corredores verdes: integração entre infraestrutura e fontes de energia de menor intensidade de carbono.
  • Infraestrutura resiliente: adaptação das operações aos impactos de eventos climáticos extremos.

A iniciativa também permitirá apresentar projetos brasileiros a representantes de governos, empresas e instituições internacionais.

Combustíveis sintéticos serão destaque em novo estudo da CNT

Um dos principais lançamentos está previsto para 13 de novembro, quando a CNT apresentará uma nova publicação da série Energia no Transporte, dedicada aos combustíveis sintéticos, conhecidos como e-fuels.

Esses combustíveis podem ser produzidos a partir da combinação de hidrogênio obtido por processos industriais e fontes de carbono, dependendo da rota tecnológica utilizada.

Em uma das alternativas mais discutidas, o hidrogênio é produzido por eletrólise da água utilizando eletricidade de baixa emissão de carbono.

Posteriormente, esse hidrogênio pode ser combinado com dióxido de carbono capturado para produzir hidrocarbonetos sintéticos.

Dependendo do processo, é possível obter combustíveis com características adequadas para determinadas aplicações de transporte.

Entre os produtos potenciais estão gasolina sintética, diesel sintético e querosene de aviação produzido por rotas de síntese.

Entretanto, a capacidade de reduzir emissões depende diretamente da origem da eletricidade, do hidrogênio, do carbono e da energia utilizada na fabricação.

E-fuels podem utilizar motores a combustão existentes

Uma das vantagens potenciais dos combustíveis sintéticos está na possibilidade de utilização em sistemas de propulsão a combustão, desde que o produto atenda às especificações e homologações aplicáveis.

Isso pode representar uma alternativa para setores nos quais a substituição imediata dos motores convencionais apresenta dificuldades técnicas ou econômicas.

Entre os exemplos estão transporte rodoviário de longa distância, navegação e aviação.

No entanto, é importante observar que os e-fuels não eliminam automaticamente as emissões produzidas durante a combustão.

Mesmo quando são fabricados utilizando carbono capturado, a queima de hidrocarbonetos continua liberando dióxido de carbono pelo escapamento.

O benefício climático depende de uma avaliação do ciclo de vida, incluindo produção, transporte e utilização do combustível.

Também permanecem relevantes as emissões de outros poluentes, como óxidos de nitrogênio e material particulado, conforme a composição do combustível e a tecnologia do motor.

A principal vantagem ambiental dos combustíveis sintéticos não está na ausência de emissões no escapamento, mas na possibilidade de reduzir a intensidade de carbono ao longo de seu ciclo de produção e utilização.

Eficiência energética continua sendo um desafio

Embora ofereçam possibilidades de aproveitamento em veículos existentes, os e-fuels enfrentam desafios relacionados ao consumo energético de fabricação.

Produzir hidrogênio por eletrólise exige eletricidade.

Depois, são necessárias outras etapas para transformar esse hidrogênio em combustíveis líquidos.

Cada processo apresenta perdas energéticas.

Quando o combustível sintético é utilizado em um motor a combustão, parte adicional da energia é dissipada na forma de calor.

Por isso, a utilização direta da eletricidade em veículos elétricos a bateria tende a apresentar maior eficiência energética em aplicações nas quais essa alternativa é tecnicamente viável.

Isso não significa que os e-fuels não tenham utilidade.

Eles podem representar uma opção em setores que exigem elevada densidade energética, grande autonomia ou infraestrutura específica.

O estudo da CNT deverá contribuir para aprofundar essa discussão e avaliar as possibilidades de aplicação da tecnologia no transporte brasileiro.

Reciclagem automotiva terá publicação específica

Em 12 de novembro, a CNT apresentará o Catálogo CNT de Práticas Sustentáveis – Reciclagem Automotiva.

O documento reunirá informações sobre iniciativas relacionadas à recuperação de materiais e ao aproveitamento de componentes automotivos.

A reciclagem possui importância crescente diante da quantidade de veículos que encerram sua vida útil e da necessidade de reduzir a utilização de matérias-primas.

Um automóvel reúne diferentes materiais, como aço, alumínio, cobre, plásticos, borracha, vidro e componentes eletrônicos.

Nos veículos eletrificados, também existem baterias de alta tensão que exigem procedimentos específicos de desmontagem, transporte e tratamento.

A recuperação de materiais pode contribuir para reduzir a necessidade de extração de determinados recursos naturais.

Entretanto, o aproveitamento depende da viabilidade técnica, econômica e ambiental dos processos.

Economia circular começa antes do descarte

A reciclagem automotiva faz parte de uma estratégia mais ampla conhecida como economia circular.

Nesse conceito, os produtos e materiais são utilizados de maneira a reduzir desperdícios e ampliar seu aproveitamento.

Na indústria automotiva, isso pode envolver reutilização de componentes, remanufatura de peças, recuperação de metais e reciclagem de baterias.

A remanufatura, por exemplo, permite recuperar determinados componentes mediante desmontagem, inspeção, substituição de elementos desgastados e testes.

Já a reciclagem transforma materiais para que possam retornar a processos produtivos.

Essas atividades precisam ser diferenciadas.

ProcessoCaracterística
ReutilizaçãoAproveitamento de um componente em condições adequadas, sem transformação industrial significativa
ReparaçãoCorreção de uma falha para recuperar o funcionamento
RemanufaturaRecuperação industrial de um componente seguindo processos de qualidade definidos
ReciclagemProcessamento de materiais para utilização em novos produtos
Recuperação energéticaAproveitamento energético de determinados resíduos em processos controlados

O catálogo da CNT pretende dar visibilidade a práticas associadas à sustentabilidade e à redução dos impactos ambientais do setor.

Corredores verdes podem transformar o transporte de cargas

Outro destaque da programação será o painel Corredores Verdes: Caminhos para um Transporte de Baixo Carbono, marcado para 12 de novembro.

A discussão envolverá infraestrutura, financiamento, regulamentação e oferta de combustíveis e tecnologias de menor emissão.

Um corredor verde pode ser entendido como uma rota logística estruturada para facilitar operações de transporte com menor intensidade de carbono.

Dependendo do projeto, isso pode envolver postos de abastecimento de biometano, estações de recarga de veículos elétricos, infraestrutura para hidrogênio ou outras soluções energéticas.

O desenvolvimento exige integração entre transportadoras, fornecedores de energia, operadores logísticos e poder público.

Não basta disponibilizar caminhões com novas tecnologias se não existir infraestrutura adequada ao longo das rotas.

Da mesma forma, construir pontos de abastecimento ou recarga sem demanda suficiente pode comprometer a viabilidade econômica.

O sucesso dos corredores verdes depende da coordenação entre veículos, energia, infraestrutura e volume de transporte.

Biometano aparece entre as experiências brasileiras

O Brasil possui potencial para ampliar a utilização de biometano, combustível produzido a partir da purificação do biogás.

Esse gás pode ser obtido por processos de decomposição de matéria orgânica, utilizando resíduos agropecuários, urbanos e industriais.

Depois de purificado, o biometano pode apresentar características adequadas para utilização em motores desenvolvidos ou adaptados para combustíveis gasosos.

A tecnologia representa uma alternativa especialmente interessante em regiões com elevada disponibilidade de resíduos orgânicos.

No transporte rodoviário, sua aplicação depende de veículos compatíveis e infraestrutura de abastecimento.

Também é necessário considerar as emissões associadas à produção, ao processamento e ao transporte do combustível.

O biometano pode contribuir para reduzir emissões ao longo do ciclo de vida, mas seu desempenho ambiental depende da origem da matéria-prima e do controle de vazamentos de metano.

As experiências brasileiras com corredores de biometano estarão entre os projetos apresentados no pavilhão.

Eletrificação de ônibus será tema da programação

A mobilidade urbana também terá espaço nas discussões.

Entre as instituições participantes está a Eletra, fabricante brasileira de tecnologias para ônibus elétricos.

A eletrificação do transporte coletivo permite reduzir as emissões locais de escapamento e pode diminuir os níveis de ruído durante a operação.

Entretanto, a implantação de frotas elétricas exige planejamento técnico.

Entre os fatores que precisam ser avaliados estão autonomia, capacidade das baterias, potência dos carregadores, disponibilidade da rede elétrica e programação das linhas.

Nos ônibus urbanos, a frequência das paradas e os percursos relativamente previsíveis podem favorecer o planejamento energético.

Por outro lado, a utilização de ar-condicionado, as condições de tráfego e a topografia influenciam o consumo.

A eletrificação também exige profissionais preparados para trabalhar com sistemas de alta tensão e equipamentos específicos de manutenção.

Infraestrutura precisa resistir aos eventos climáticos extremos

A COP31 também discutirá a adaptação da infraestrutura de transporte às mudanças climáticas.

Esse tema ganhou relevância diante da ocorrência de eventos extremos que podem comprometer rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

Chuvas intensas, inundações, deslizamentos e temperaturas elevadas podem provocar danos estruturais e interrupções operacionais.

A resposta envolve planejamento, monitoramento e investimentos em soluções de engenharia.

Entre as medidas possíveis estão melhorias em sistemas de drenagem, reforço de estruturas, monitoramento de encostas e utilização de materiais adequados às condições climáticas.

Essas ações são diferentes da redução de emissões.

Enquanto a mitigação busca limitar as causas das mudanças climáticas, a adaptação procura reduzir os impactos de fenômenos que já ocorrem ou poderão se intensificar.

Empregos verdes e qualificação profissional terão debate específico

Em 11 de novembro, o Sistema Transporte realizará o painel Empregos Verdes e Novas Competências: Preparando Pessoas para Transformar o Transporte.

A discussão abordará a formação profissional necessária para incorporar tecnologias de descarbonização, digitalização e adaptação climática.

A mudança tecnológica do setor exige novas competências.

Nos veículos elétricos, por exemplo, os profissionais precisam compreender sistemas de alta tensão, gerenciamento eletrônico de baterias e procedimentos de segurança.

Nos motores que utilizam combustíveis alternativos, podem existir necessidades específicas de manutenção e diagnóstico.

A digitalização das operações também amplia a demanda por profissionais capacitados em análise de dados, telemetria e sistemas conectados.

O objetivo da programação é discutir como preparar trabalhadores e instituições para essa transformação.

Transição justa também envolve inclusão profissional

No dia 13 de novembro, o painel Transição Justa em Movimento: Gênero, Inclusão e o Futuro do Trabalho no Transporte discutirá oportunidades de ampliar a participação de mulheres e grupos sub-representados no setor.

A pauta relaciona a modernização tecnológica às condições de acesso ao emprego e à formação profissional.

Uma transição energética envolve mudanças nos tipos de trabalho, nas competências exigidas e na distribuição das oportunidades.

Por isso, o desenvolvimento de novas tecnologias precisa ser acompanhado por estratégias de capacitação.

A proposta é discutir caminhos para que os benefícios da transformação do transporte sejam acompanhados por oportunidades profissionais mais amplas.

Programação do Sistema Transporte na COP31

Os horários oficiais foram divulgados no fuso de Antália, que está seis horas à frente de Brasília em novembro.

DataAtividadeAntáliaBrasília
11/11, quartaEmpregos Verdes e Novas Competências17h11h
12/11, quintaDiálogo de Lideranças do Transporte9h3h
12/11, quintaLançamento do catálogo de Reciclagem Automotiva10h4h
12/11, quintaCorredores Verdes15h9h
13/11, sextaLançamento do estudo sobre e-fuels10h4h
13/11, sextaGênero, Inclusão e Futuro do Trabalho15h9h

A programação está sujeita a atualizações pela organização.

As atividades acontecerão no Pavilhão Internacional do Transporte, na Blue Zone da COP31, cujo acesso exige credenciamento.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A participação brasileira na COP31 demonstra que a descarbonização do transporte não depende exclusivamente da substituição dos motores a combustão por sistemas elétricos.

O País apresenta características que favorecem uma combinação de diferentes tecnologias, especialmente pela disponibilidade de biocombustíveis e pela dimensão de sua malha rodoviária.

Entretanto, é importante analisar cada alternativa considerando eficiência energética, emissões ao longo do ciclo de vida, infraestrutura e custo operacional.

Os combustíveis sintéticos representam uma possibilidade tecnológica relevante, principalmente para aplicações em que a eletrificação direta enfrenta limitações.

Por outro lado, sua fabricação exige grandes quantidades de energia e diferentes etapas de conversão, o que pode reduzir a eficiência global em comparação com o uso direto de eletricidade.

O biometano apresenta outra oportunidade, especialmente quando sua produção aproveita resíduos orgânicos e evita emissões que ocorreriam durante a decomposição desses materiais.

A eletrificação de ônibus urbanos também pode oferecer benefícios importantes, desde que as operações sejam planejadas considerando autonomia, infraestrutura de recarga e disponibilidade dos veículos.

Já os corredores verdes representam um desafio de integração. A tecnologia dos veículos precisa evoluir em conjunto com os sistemas de abastecimento, as redes de energia e os modelos de financiamento.

A reciclagem automotiva completa essa discussão ao considerar os impactos ambientais dos veículos durante e após sua utilização.

Nos automóveis elétricos, a recuperação de materiais das baterias poderá ganhar importância crescente, especialmente à medida que aumentarem os volumes de componentes destinados ao fim da vida útil.

Outro aspecto fundamental é a qualificação dos profissionais.

A modernização do transporte exige conhecimentos técnicos específicos, e a falta de mão de obra preparada pode comprometer a implantação e a manutenção das novas tecnologias.

O caminho mais consistente para reduzir as emissões do transporte brasileiro passa por combinar eficiência dos motores, eletrificação, biocombustíveis, combustíveis sintéticos em aplicações adequadas, infraestrutura e economia circular.

A contribuição da COP31 será mais relevante se os debates resultarem em políticas, investimentos e projetos capazes de transformar essas alternativas em soluções economicamente viáveis.

Para acompanhar transporte sustentável, combustíveis alternativos, eletrificação, indústria automotiva e tecnologias de descarbonização, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • COP31 – Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 9 a 20 de novembro de 2026.
  • Antália – Cidade da Turquia que receberá a conferência.
  • Sistema Transporte – Estrutura formada por CNT, SEST SENAT e ITL.
  • SLOCAT – Organização internacional dedicada à mobilidade sustentável e de baixo carbono.
  • 12 de novembro – Lançamento do catálogo sobre reciclagem automotiva.
  • 13 de novembro – Apresentação do novo estudo da CNT sobre combustíveis sintéticos.
  • Corredores verdes – Rotas logísticas estruturadas para favorecer o transporte de menor emissão.
  • Blue Zone – Área oficial credenciada onde acontecerão as atividades do pavilhão.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • E-fuels – Combustíveis sintéticos produzidos por processos industriais, que podem utilizar hidrogênio e carbono como matérias-primas.
  • Biometano – Combustível gasoso obtido pela purificação do biogás produzido a partir de matéria orgânica.
  • Economia circular – Estratégia destinada a reduzir desperdícios e ampliar o reaproveitamento de produtos, componentes e materiais.
  • Descarbonização – Redução das emissões de gases de efeito estufa associadas a determinada atividade.
  • Análise do ciclo de vida – Avaliação dos impactos ambientais relacionados à produção, utilização e destinação final de um produto ou combustível.
Brasil leva e-fuels e reciclagem automotiva à COP31